Notas iniciais
Oi gente! Capítulo mais cedo e bem emocional. O que será que aguarda Vel'Koz em seu balé? Ele conquistou o coração de Orianna? Todos estão satisfeitos? Para descobrir esses mistérios leiam o capítulo logo depois dos comerciais!

13 de março de 2014

Querido diário de pesquisa experimental #7231,

Sinto agora o peso do esforço estudantil. Deveria estar reportando os acontecimentos no dia de ontem, mas foi impedido a mim pelo exagerado dever de casa para apresentar hoje de manhã. A dificuldade dos exercícios de Literatura e Física exigidos não era a pura resposta para apresentar, o que é fácil para mim, mas sim a resolução. Tive que refazer as minhas respostas depois de ser repreendido por não apresentar as soluções nem o passo a passo que me encaminhou para aquele resultado. Ao rebater lhes explicando educadamente como eu já sabia as respostas muito antes deles terem a fraca noção de sua existência e já tinha total compreensão do profundo assunto antes que pudessem limpar o próprio sistema excretor, recebi dever extra. Então, passei horas ontem tentando explicitar minha escrita e adaptar meus cálculos para o insignificante cérebro humano, não apenas para ganhar visto, mas também para esfregar na cara de meus professores a minha suprema inteligência. Esfregar no sentido conotativo, é claro, embora um pouco de denotação seria divertido, bem como desintegração molecular. Infelizmente, a diversão parece ilegal neste mundinho.

Enfim, tive que ceder o tempo de relatar ao ato de dormir, para respeitar as minhas devidas horas de sono. Sinto muito lhe afirmar, diário (como se você tivesse algum entendimento ou sentimento), que prefiro o perfeito funcionamento de meu metabolismo do que à sua mera existência. Não fique ofendido, embora não me importe se você ficará ou não. Que estranho este costume humano de falar com objetos inanimados.

O lado bom de ter deixado os relatos para o dia seguinte, além de entender a agoniante ideia da procrastinação, foi de ter mais o que relatar. De qualquer forma, não pude nem sequer ir ao clube para enfrentar a belíssima Orianna-senpai por conta de meu dever. Então, os fatos interessantes se resumem ao deste dia.

Esta manhã, ao final do segundo horário, Kog'Maw acabava de chegar atrasado. Ao notar minha presença numa carteira mais a frente, ele ficou apenas parado no meio da porta, me observando, e é claro, babando. Sua imobilidade gerou algumas reclamações, bem como uma fila de gente impaciente, batendo nele para ver se ele saía da passagem. Sua reação diante do espancamento era um suspiro direcionado a mim. Ao ser gentilmente questionado por um estudante furioso com "SEU IMBECIL, QUE P*RRA VOCÊ ESTÁ FAZENDO AI PARADO? BARÃO QUE TE PARIU", ele respondeu apaixonadamente (e babadamente):

– Estou apenas apreciando a... blorgh glargh! — Ele engasgou nesse momento — apreciando a beleza da Vel. — E suspirou.

Nesse hora, toda a fúria e impaciência virou um uníssono e infantil "Hm, tão namorando... " com aqueles rostos insinuativos. Soube, então, que era hora de agir. Respirei fundo, e lhe respondi numa voz calma, porém alta para que todos ouvissem:

– Preferiria arrancar meus quatro olhos com uma faca de cortar pão com serra, dando tempo de corte de uns 30 minutos, e enquanto sentia esta total agonia, cortaria o fornecimento de sangue de meu tentáculo inferior, sentindo a necrose irrompendo meu corpo já frágil, e ainda sendo esmagado pelas nádegas gordas e carnudas da sua mãe, aquela obesa de 70 toneladas com quem tive aventuras sexuais ontem a noite, e, em meio aos meus berros da mais pura dor, pediria à ela que derramasse ácido com formigas resistentes e carnívoras sobre meu corpo, para que fosse consumido lentamente. Preferiria tudo isso a namorar com você e essa sua nojenta baba.

Após soltar toda a minha pesquisa sobre humilhação, depreciações e "foras", um silêncio regeu a sala. No exato momento em que Karma iria abrir a boca para soltar um longo e tedioso discurso sobre como isso era inadequado, Draven começou a rir exageradamente e bater palmas. Obviamente, o que começou com alguns risos de seus seguidores, virou uma grande gargalhada de toda a sala. Kog'Maw saiu da passagem correndo e chorando, e ficou no banheiro pelo resto do dia. Lee Sin disse em meio aos risos que eu peguei meio pesado. Eu não achei nem engraçado nem humilhante, acho que não entendi a arte da depreciação muito bem, mas ganhei um certo respeito de Draven e fui ainda mais odiado por Karma. Até que foi recompensante, mas agora que descrevo isso, me sinto mal pelo Kog'Maw. Brincadeirinha. Me sinto mal é por não ter feito isso antes. Acabei de eliminar toda a concorrência da Orianna-senpai por mim!

Me destinei ao meu sentimento de paixão, que certamente foi implantado em mim, não posso me subjugar tão facilmente.

Fui à aula de Balé.

E fui per-fei-to.

Chegamos à quadra de esportes e até que fomos bem recebidos. Apesar de ter faltado o dia anterior, onde os novos integrantes se juntam, foi permitida nossa entrada de forma experimental.

O clube não é muito popular, então foi cedido apenas um espaço da quadra. É formado por 4 pessoas a princípio, incluindo a minha Senpai. Reconheço apenas a Orianna e Corki. Sim, o Corki. Ele costuma ficar muito tempo voando no seu avião e recebendo bronca dos monitores por isso, mas ele se aperta ali. Dizem que ele é um Yordle, porém, julgando pelo seu físico, é um deus grego como dizem por aí. Naquelas calças apertadas de Balé, dá para ver os músculos estendidos, seus ombros largos e peitoral malhado em sua camiseta colada, e tão alto... E estou me desfocando.

Além dos dois, há outras três estudantes, com um pássaro junto de uma delas. Estranhamente, ela fica constantemente julgando o "valor" dos outros com a ave.

E então, ela fala comigo. Sua voz dura e pausada, olhando para mim com aquelas quase esferas mortas e frias, o Cupido robotizado e maravilhoso:

– Seres macios, estão mortalmente atrasados. São, por conveniência e como mínimo ao ser oferecido após nos interromperem, proficientes nesta arte?

Nesse momento, ela me encarava com a cabeça majestosamente inclinada. Sua perfeição somada ao seu tom de voz impecável me desestruturaram. Comecei a tremer, e tentei desviar o olhar. Mas tem quatro olhos, e um deles muito grande, fica difícil. Cada olho ia para uma direção diferente, nervoso, e eu apenas murmurava algumas vogais. Ser esplêndido que me exalta à confusão.

Gloriosamente, Lee Sin notou como meus olhos se remexiam de forma exagerada (e eu espero que de forma discreta também) e tomou um passo a frente. Não sei como ele se orientou, mas foi até uma caixa de som, ligou a música e demonstrou. Mesmo para um mortal infeliz, seus movimentos foram impressionantes.

Começou numa pequena corrida e executou um pulo, pousou e começou um giro. Não sei mais como ele apresentou, porque levei uma bolada no meu olho principal vinda de outro clube esportivo que usava os outros três quartos da Quadra. Sei que após minha falta de consciência, ouvi aplausos do pequeno grupo, menos de Orianna que apenas olhava como o mais belo peixe morto que já vi.

– Impressionante para membros de carne. Como presidente deste clube, os aceitarei após o fim deste encontro, se participarem de nossa prática. — Houve um silêncio. De concordância por parte de Lee e de falta de consciência por minha parte. — Formaremos duplas para a próxima execução com salto.

Senpai se posicionou com sua esfera, Lee foi com a Louca do Pássaro (que descobri que se chama Quinn, um nome horroroso), e me sobrou o Corki. Fiquei incômodo que a Orianna rejeitara meu conhecimento e minha beleza exuberante por uma mera esfera, porém aceitei.

O aviador colocou os braços sobre meu suposto quadril, e ao olhar para o alto para reclamar de seu atrevimento vi aqueles olhos sensuais. Aquele bigode que o deixa tosco em seu avião, o torna másculo olhando de baixo da sombra que seus ombros proporcionam. Senti suas mãos fortes e calejadas em minha cintura, e o seu calor corporal... Não posso me desviar, ele é meu parceiro de prática, e já tenho praticamente todo o sucesso sobre a Orianna-senpai. De qualquer forma, não preciso de um pilotinho (ou pilotão, se você olhar aqueles bíceps definidos...) de meia tigela, já tenho um alvo na mira.

Aprendi uma lição: diferentemente da teoria, Balé dói. E meus tentáculos estão doloridos até agora.

Eu tive certeza absoluta de minha total eficiência artística, quando minha deusa de metal se dirigiu a mim. Ela pediu licença a Corki, que perto dela parecia um rato e ele se afastou. Senti sua mão sobre a minha e me arrepiei. Sua outra mão foi às minhas costas e meu coração parecia que iria saltar.

– O-Orianna-s-Senpai... E-eu... — Então eu gritei. Ela torcia meu tentáculo para trás, e empurrava minha coluna tanta que estalou. Meu quase-ombro parecia deslocado.

– Ajeite esta postura, empurre o peito e não deixe os tentáculos flácidos como sua pele frouxa. Você envergonha e humilha este clube com esse seu falso comprometimento, ser inútil. — Me explicava enquanto maltratava meus membros, me mantive em cada postura que ela me exigia, não de obediência, mas de êxtase. Orianna-senpai me tocou. Ela se importa comigo.

Ao final daquele clube, Lee Sin falava sobre como adorou os diferentes "plié" e como isso foi melhor que os clubes esportivos de onde foi rejeitado. Ele estava animado, não mais que eu. Embora meus membros estivessem doloridos, não são nada diante da felicidade que invade meu corpo até agora. Mas doeu mais quando ele me abraçou.

– Obrigado! Obrigado! Eu me sinto num lugar! — Lee Sin me abraçava bem forte, e chorava — Até me chamaram para sair depois do clube na quarta que vem! Você me ajudou e te devo uma! V-você é o melhor amigo que já tive. — E rompeu em lágrimas, molhando a faixa que cobre seus olhos e encharcando todo o meu uniforme e o enchimento de papel higiênico. Com isso, meu uniforme começou a escorregar e transparecer. Outros alunos começaram a olhar.

– É... Você está me humilhando agora — Tive que o afastar. Tinha gente até tirando foto do meu sutiã à mostra.

– Quer dizer que... Você não quer ser meu amigo? Eu não represento nada para você? — Soluçava desesperadamente. Com isso, as pessoas à nossa volta começaram a cochichar e me encarar negativamente. Tive de improvisar:

– Não, não chore! Não é isso! — Segurei os ombros que balançavam com o choro, e ele olhou para mim, com meleca escorrendo pelo nariz. — Você também é um grande amigo. — E o abracei. Então surgiu um "owwnnn" vindo da platéia que parece que não tinha mais nada para fazer.

Pare de pensar em mim desse jeito, diário. Fui forçado a dizer isso. Não estou me corrompendo aos sentimentos mais frágeis e imundos, estou apenas mantendo minha imagem. Já estou cedendo à paixão por fins puramente acadêmicos, não vou me subjugar à mera amizade. Sou mais forte que isso.

De qualquer forma, tenho certeza que capturei o coração (ou as bombas e pistões metálicos) da Orianna-senpai. Em breve ela aparecerá à minha porta, com chocolates e flores, se declarará a mim que nem naqueles filmes levemente emocionantes (não chorei neles, a história é fraca).

Foi um dia muito produtivo, tenho certeza absoluta que as protagonistas de saia colegial por aí invejariam meu sucesso. Decisões brilhantes feitas por um cérebro brilhante.

Boa noite, diário, dias gloriosos me aguardam.

Notas finais
Obrigadooo por ler! Aí está, emoção em letrinhas pretas para você. Só quero dizer que a ideia do Corki assim não é originalmente minha. Eu vi sobre isso num vídeo engraçado: Corki Uncoptered. Pesquisem no YouTube depois. Espero que tenham gostado. Continuem acompanhando, agradeço. E não se esqueçam de comentar, o feedback é muito importante! xD