Céu Acinzentado

4 Capítulo 4: O Lago


Notas iniciais
O capítulo mais demorado D:
Meio sem noção para aqueles que não tem noção de Silent Hill...

Lá estava eu. Olhando fixo para o lugar onde Claire deveria estar, mas que como em mágica havia desaparecido. O chão se tornando escuro, o céu retomando um aspecto rubro. O som de rádio fora de sintonia ecoava pela minha mente. Eu saí correndo em desespero, com os olhos semi-tampados, metade para ver o que me esperava na face do medo, metade para não ver, como se meu pânico fosse tão intenso, que a vontade de viver em sí se tornasse inutil, diante da opção de encarar a morte certa.

Eu podia ouvir os sons constantes de gritos vindo de infinitas direções, correr estava se tornando cada vez mais difícil, arfava cada vez mais forte, meus olhos lacrimejavam. De repente, o inesperado me esperava, pois ao virar para ver se era seguido, caí de costas em um barranco, e dele despenquei, rolando. Nos poucos segundos de queda que pude testemunhar, observei árvores, e reparei que estava mais frio. Em um instante, me cortei na mão esquerda.

Após levantar e retirar a poeira e terra de minhas roupas, chequei minha mão esquerda, e ví um corte recente. Tirei minha jaqueta e encontrei uma lâmina fina e não muito curta, essa navalha poderia ser útil.

Olho ao redor e percebo na paisagem, que estou em um local plano, e que a cor rubra ainda era predominante no cenário. Caminhei aleatoriamente, depois de perceber que correr era inútil. Me deparei com um lago. Não um lago qualquer. Era até assustador, que no meio desta paisagem escura com tons vermelhos, houvesse um lago tão claro, e reluzente, como se brilhasse por sí só.

" Pfft! Que ridículo, água não brilha! " Deixei escapar... Parece mesmo que eu precisava de alguém para conversar, o que é um pensamento inusitado em um local tão abandonado como este inferno maldito.

Derrepente, uma gota de sangue, escorrendo por minha mão esquerda me chamou atenção. Ela esscorria tão majestosamente, que a visão de meu sangue se tornou linda. De repente, ela caiu, ou melhor, pingou. Ao tocar a água imaculada do lago à minha frente, ela se dissolveu, e nunca mais a veria.

Errado, isso é o que eu queria ver acontecer, pois o que aconteceu em seguida foi uma das coisas mais assustadoras que já vi nessa merda de lugar. A gota caiu no lago. Quase que instantaneamente, o lago se tornou vermelho-sangue. Eu pulei para trás, aterrorizado, e caí sentado, quando o chão começou à tremer.

Pude ouvir algumas árvores cair. Pássaros levantaram vôo. O lago havia sumido! Como se toda a água houvesse infiltrado em uma velocidade impossível de ser alcançada. No centro do lago, havia uma shilhueta, encoberta por neblina, mas que por seu aspecto humano, deduzi que não poderia ser mais um desses... monstros.

Ao me aproximar, pude ver que eu estava enganado. No meio do lago, uma mulher, sem rosto, com longos cabelos loiros e sangue por toda sua roupa olhava com a cabeça torta, para mim. (Apesar de ela não ter olhos. ) Esta visão me provocou mais dor na cabeça, e o som de rádio voltou. Paralizado de medo, não tive escolha à não ser a de ficar e observar ela caminhando de uma maneira torta e estranha em minha direção. Ela chegou perto o suficiente para eu ver que carregava uma faca, ah, então eu agi.

A mulher esticou o braço e se arremessou na minha direção. Sobre meu olhar pude ver meu corpo se movendo por quase que instinto, fui infinitamente mais rápido que a criatura. Retirei a navalha com que havia sido cortado anteriormente do meu bolso, e feri a mulher, em um giro bem manobrado.

Ela estava sangrando na altura da barriga, mas parecia não se importar, ou sentir. Era um monstro afinal. Com essa descarga épica de adrenalina, me esqueci completamente do medo e parti para o ataque.

Com um salto, ergui a navalha na direção do pescoço dela. Como um profissional no que fazia, corri por ela, enquanto a cortava. Virei de costas e pude ver, que o sua jugular fora completamente comprometida. Era um monstro, mesmo, pois continuava a se mexer, ignorando suas feridas. Decidi acabar com o sofrimento da pobre criatura à desferir meu último golpe. Acertei sua cabeça com um chute, e pude me lembrar que estava de meia.

Ela caiu, ainda se retorcendo por causa de... bem... não ser um ser humano. Guardei a navalha no bolso, me virei, e comecei a correr. Corri, corri, corri e corri. Subi o morro por onde havia rolado fracassadamente, e ao terminar de escalar, lá estava ele.

Por causa de minha luta anterior percebi que eu deveria ser algum tipo de profissional, no que fiz, pareceu que meu corpo se moveu sozinho. Mas talvez nada que pudesse fazer me salvaria contra ISSO. Porque, afinal, derrubar uma mulher sem rosto é muito diferente do que derrubar esse cara de cabeça de pirâmide, de uns dois metros ou mais de altura.

Eu me lancei em sua direção, aproveitando que estava de costas, mas ele havia percebido. Teria perdido metade do meu corpo se não tivesse abaixado o giro da espada dele e, sinceramente, eu não tenho mais medo, depois de lutar, percebi que posso fazer alguma diferença.

Ergui minha navalha e o cortei de baixo para cima, da cintura até o pescoço. Epa, de onde é isso... Acho que era algo importante... Argh! Memórias idiotas! Voltem!-

A besta recuou alguns passos, com apenas cortes superficiais. Me enfezei, a navalha havia quebrado! Como assim... Será que é agora que tudo acaba ?

Sim. Tudo passou como um flash por meus olhos. Tudo acabou. Não minha vida, e sim a escuridão! O cabeça de pirâmide recuou e se desintegrou, como o sangue nas paredes e todo o resto do cenário macabro.

O pesadelo havia acabado, por enquanto. Aliviado, eu respiro fundo e me viro para encontrar algum abrigo quando levanto meus olhos e me deparo com um homem de barba à uns dez metros, chorando, com uma arma apontada para mim.

Agora sim eu vou morrer.

Notas finais
Não perca, no próximo capítulo! Mais aleatoriedades macabras!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.