By the Sword
1 — Days of Old ▽
Notas iniciais
Sem mais delongas, boa leitura. ♥
Aomine Daiki achava aquilo realmente entediante, não que estivesse em posição de reclamar sobre as coisas que era designado a fazer. Tinha sido mandado para aquele reino estranho com a tarefa de proteger a princesa, embora a mesma não necessitasse. A garota estava prometida ao herdeiro de seu suserano por anos a fio, mas ainda não tinham se encontrado. Mas ele fora enviado para Touou a fim de observá-la e dar o relatório ao seu próprio rei, com o intuito de saber se ela era digna de reinar junto de seu filho.
O cavaleiro agora era juramentado à princesa e por isso a seguia por onde esta fosse. E ela fazia dele o alvo de seu entretenimento.
– Aomine-kun. – soou a voz doce de Momoi Satsuki, sua protegida. – Está gostando de Touou?
Dizia para ele, enquanto era vestida por suas aias. O homem insistiu para sair dos aposentos dela, mas ela não permitiu. O mínimo que ele poderia fazer era ficar de costas para não vê-la praticamente nua.
– Sim. – mentiu, por cortesia. – É um lugar agradável.
Satsuki sorriu, e suspirou quando as sedas caíram em seu corpo.
– Espero que esteja muito bem instalado, sim? – agora vestida, sentou-se sobre a cama e suas madeixas rosadas eram penteadas por uma escova de cerdas macias.
Os aposentos da princesa eram localizados na Torre da Beleza, o lugar que tinha a melhor vista para os campos de areia que ladeavam o castelo. Touou era um reino extremamente quente, no meio do deserto.
– Sim, majestade. – retorquiu, diretamente.
O fato era que Aomine estava desconfortável naquela ante-sala. A rosada se mostrara uma princesa completamente diferente do que ele confabulara com Kagami Taiga, o príncipe predestinado a ela. Era vassalo dele e por isso estava ali, Taiga pediu para o melhor amigo buscar a mulher em seu lugar, porque abominava o calor e o sol de Touou queimava forte, ali a resistência de Daiki se mostrara eficaz. Bem como o tom escuro de sua pele.
O silêncio reinou naquele antro enquanto as madeixas eram livradas dos nós e arrumadas num penteado luxuoso e com acessórios de ouro que ostentavam a riqueza de sua família. Agora que ela estava devidamente vestida, as aias disseram que ele poderia se virar. E quando a viu, foi arrebatado por aquela visão dela. Usava um vestido verde que realçava a cor de seus orbes róseos e seus cabelos do mesmo tom; o vestido longo era cheio de aberturas: frontais, nas duas pernas, deixando-as expostas até a altura das coxas. A abertura traseira era nas costas nuas, composta apenas por duas alças finas que sustentavam o tecido. Na frente, o decote exagerado que era adornado pelos colares de ouro cravado de pedras preciosas. Os braços eram nus de tecido, mas os pulsos carregavam várias pulseiras douradas.
Ela estava deslumbrante.
E em ao menos uma coisa ele estava certo: ela tinha seios grandes.
– Venha comigo.
Como era o primeiro dia do cavaleiro em Touou, seu pai a incumbiu de lhe mostrar os arredores do castelo e do comércio que os rodeava. Quando ela saiu do quarto, ele a acompanhou; e o silêncio só não era predominado pelo som que a cota de malha fazia toda vez que o moreno nada um passo. Por algum motivo, Satsuki achou aquilo engraçado e não disfarçou a risadinha que escapou de seus lábios.
– O que foi? – perguntou ele, com aquela carranca.
Ela virou seu rosto para trás.
– Essa cota de malha barulhenta. – respondeu.
Os lábios se verteram e deles quase saiu uma resposta insubordinada. Tinha que se lembrar todo momento que sua relação com ela não tinha a mesma intimidade como tinha com Taiga, e por isso, tinha que se dirigir a ela como a alteza que era e evitar deixá-la irritada.
– Farei algo a respeito.
– De certo fará. – comentou no mesmo instante. – Ou farei eu.
Lançou para ele um de seus sorrisos maliciosos, os lábios cheios eram salientados e tingidos de vermelho.
Eram provocantes, de fato.
Continuavam a andar pelos grandes corredores do castelo, descendo as escadas que davam acesso ao piso inferior que era composto um salão onde os banquetes eram dados. Esquadrinhou todo o castelo junto dele, mostrando-lhe todos os lugares onde podiam adentrar. Algumas salas eram guardadas por homens de seu pai e por razões que até ela desconhecia.
Depois foram para a corte onde o rei os aguardava. O local estava preenchido pelos nobres de Touou e toda a comitiva trazida por Aomine, afinal, era uma viagem longa de Seirin a Touou. O moreno transmitiu ao pai dela todas as palavras que lhe foram confiadas por Taiga e por seu pai, o rei. Sentado ao lado dele no estrado, falaram sobre muitos assuntos, políticos em sua maioria – embora o assunto parecesse tedioso para o cavaleiro, mas como estava representando os Kagami ali, tinha que desempenhar aquele papel.
Do outro lado do estrado estava a princesa, que era acompanhada pela amiga Sakurako Emi. As duas trocavam confidências ao pé do ouvido; a morena estava completamente fascinada por Daiki, e Satsuki lhe garantiu que os apresentariam quando fosse mais oportuno, se possível, nos aposentos dele. As risadinhas eram abafadas, mas a amiga era completamente a favor daquele plano.
Isso poderia soar indecente em qualquer dos outros reinos, mas em Touou era diferente. Podia perceber na forma que as mulheres se vestiam; era um reino quente com pessoas de sangue quente. A comida picante deixava as pessoas desinibidas, ao menos era o que o moreno suspeitava.
Outra prova disso era a própria princesa; era toda sorrisos, flertando com qualquer um que aparecesse em seu caminho por diversão. Era um comportamento bem estranho para vir de uma princesa, e tudo isso ele registrava mentalmente para relatar ao seu senhor quando retornasse a Seirin.
Depois do banquete na corte, ela o levou para o lugar que era o seu preferido ali. Era seu refúgio e se encontrava na ala oeste do castelo. Voltaram a caminhar pelos corredores a fim de atravessar toda aquela construção até chegarem ao local. Durante o trajeto, poucas palavras foram trocadas – Momoi bufava toda vez que ele se recusava a falar abertamente com ela, as respostas do moreno eram sempre monossilábicas.
– Me chame de Satsuki. – proferiu, no quinto “majestade” que lhe fora dirigido. – Quando estivermos a sós, me chame pelo meu nome.
Viu que ele estava prestes a protestar.
– Isso é uma ordem.
– Sim, majes-- — pigarreou, diante do olhar mortífero que ela endereçou a si. – Satsuki.
A mulher esboçou um singelo sorriso e retrocedeu seus passos, ficando ao lado dele enquanto caminhavam.
– Quando vai me falar sobre ele?
Aomine arqueou a sobrancelha, sem entender.
– Sobre Kagami Taiga.
Suspirou. Tinha se esquecido de falar sobre o homem que a desposaria, de tão preocupado que estava em passar a mensagem mandada por seu rei ao pai dela.
– Como ele é? – questionou.
Aomine era bombardeado por perguntas que interrompiam seu raciocínio. Buscava uma forma menos desrespeitosa de descrever a personalidade de Taiga, mas os dois viviam em conflito mesmo sendo amigos de infância – mesmo ele sendo seu cavaleiro juramentado.
– Ruivo. – disse, por fim. – Alto, um homem nobre.
Tão nobre quando as casas de prazeres o permitiam ser. Sabia que o príncipe nutria sentimentos pela dona da casa de prazeres mais luxuosa de Seirin; a senhora Alexandra Garcia o tinha instruído na arte do amor, segundo o ruivo lhe dissera.
A resposta arrancou risadas de Momoi, enquanto as feições amarradas do cavaleiro eram voltadas para ela.
– Eu disse algo engraçado? – ironizou, com sua voz potente.
– Queria saber se ele é tão bonito quanto você.
A sentença pegou Aomine desprevenido, desarmando-o – ainda que ele andasse com sua espada junto de si o tempo todo. Ela lhe direcionou um daqueles olhares que dava quando flertava com alguém, e então ele se deu conta do que acontecia ali.
– Ele é um bom homem.
Ela suspirou e deixou os ombros caírem, como se estivesse cansada.
– Ele é feio, não é?
Aomine bufou, sem saber o que fazer com aquela curiosidade da princesa. Mas era natural ela querer saber sobre o homem com quem ia se casar. Querendo ou não, teria que dar mais detalhes de seu suserano para ela.
– Ele tem a minha altura. – continuava andando, sem olhar para ela. – É forte e tem um grande senso de justiça. Sua Graça vai se agradar dele.
Os olhos rosados dela cintilaram diante da descrição de seu noivo, e ela pediu mais informações sobre Taiga para o cavaleiro até chegar aos portões que os levariam para o refúgio dela, mas não lhe permitiram a passagem.
Uma grande tempestade de areia estava vindo.
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