Buuh!

1 A Missão de um Ceifador


Notas iniciais
~~Espero que gostem da historia e tenham o interesse de saber o resto~~ Boa-Leitura!

A vida é muito mais do que aquilo que os olhos podem enxergar, mas para os ingênuos seres humanos, a vida é o que veem todo dia... Um pequeno pedaço de nada sem significância.

Os humanos possuem suas crenças, seja em Deus, Alá, Rá, Odin, Zeus ou o que mais acreditarem... As pessoas sempre estão acreditando em algo, mesmo aqueles ateus que não acreditam na existência de um ser superior, podem acreditar em algo que os faça continuar caminhando... Mas e se... Essa fé for destruída? ...

Muitos humanos perdem a crença juntamente com sua fé, a partir do momento que presenciam o encontro aquele ente querido com a Morte. Dizem que quando um humano está prestes a morrer, ele vê toda sua vida passando diante seus olhos, mas eu digo diferente, pois quando um humano está prestes a morrer... Ele é capaz de ver a própria Morte, diante seus olhos e pronto para ceifar sua vida.

Deaph. Este é o nome daquele conhecido como Morte, Ceifador, Anjo da Morte. Sempre vivendo entre o mundo dos humanos e o mundo submundo, carregando as almas daqueles nomes que surgem em sua lista, vivendo na mesmice daquele lupe infinito de solidão e lagrimas.

– Por quê? Por que sou obrigado a continuar fazendo isso...? Estou exausto... Meu coração que um dia já bateu, está vazio quanto a minha alma... – O Ceifador Sinistro observava aquela pequena cidade, adormecida com a luz do luar e a tranquilidade daquele céu de poucas nuvens e muitas estrelas, de pé na ponta do mais alto arranha-céu com a doce brisa da noite atravessando seu corpo sem vida.

– Se eu tivesse escolha... Naquele dia eu teria... “Vida imortal” é... ? A imortalidade é para os deuses e aqueles sem alma e coração... – Suas vestimentas negras eram longas e cobriam todo o seu corpo, menos o capuz em sua cabeça que apenas chegava em sua testa, próximo aos olhos, estavam velhas e desgastadas pelo séculos de serviço e conflitos exagerados... Pois Deaph, não era uma Morte comum... Pois um dia... Ele já teve um coração pulsante e uma alma viva.

De repente, uma pequena criatura que se movia como as sombras naquela escuridão noturna, chamava a atenção do Ceifador, mas que não descruzou os braços ou se quer fez um movimento.

– O que quer comigo, Pássaro? – Perguntou Deaph no momento em que um pequeno corvo de olhos vermelhos pousou, calmamente, sobre seu ombro esquerdo segurando um envelope na ponta de seu bico afiado.

– Uma carta? – Ele a retira do bico do animal e imediatamente abre o envelope, retirando a carta de dentro dele e lendo-a logo depois. – Caro Deaph, o senhor está sendo convocado a comparecer no submundo, por pedido do Conselho Divinal e pelas minhas ordens, sua superiora, Mineko. A situação é peculiar e o Senhor é o único disponível no momento para cuidar desse serviço, pois o caso em particular se trata de uma alma e este é o seu território. – Deaph continua folhada a carta de cinco paginas. – Esta alma não possui registro e é totalmente desconhecida de nossos conhecimentos, tornando-se assim algo que recobrara grande atenção nossa. Portanto Senhor Deaph,as informações que tenho esta no corvo e peço que mantenha essa alma próxima ao Senhor, até descobrimos quem ou o que é esta alma. Assinado: Mineko- O Conselho. – Fim da leitura da carta.

– Uma... Alma perdida? Isso é impossível... Nenhuma alma chega ao outro mundo sem passar por mim antes... O que está acontecendo aqui? – A carta de desfaz como pó sob as mãos da Morte, antes do mesmo ocorrer com ele e com o Pássaro que ao em um olhar o Ceifador já soubera detalhes que a Mineko havia falado,e logo o Corvo desaparece sem deixar rastros.

O lupe infinito de sua vida sem sentido foi quebrado e agora o Ceifador Sinistro deverá viajar até o Submundo, o local habitado pelas mais diversas e fantásticas criaturas já vistas, tais como: Anjos, Lobisomens, Demônios, Vampiros, Bruxas e muitas outras criaturas mágicas.

Deaph se dirigia para o local chamado pelos humanos de “além da vida”, “Paraíso”, “Inferno”, ou seja lá como queira chamar, pois nada mudara o fato que após a vida existe apenas o Submundo. Mas isso não iria durar muito, pois Morte gostaria de acabar com o mistério, o mais rápido possível, para poder voltar ao lamento de sua “vida imortal”.

Submundo... Phantonville.

Fragmentos negros se reuniam em um único ponto, no meio da rua daquele vilarejo, onde os seres que caminhavam por ela correram e esconderam-se, com medo do que poderia acontecer em seguida. E para o espanto de todos, Morte, mas o Submundo por mais que sobrenatural que seja não saberia de sua existência como um ser Ceifador e sim confundido varias vezes por sua aparência pálida e olhos vermelhos por um vampiro ou um bruxo, surgia diante os olhos de todos com o Pássaro sob seu ombroo, mostrando a todos aquele rosto esbranquiçado, os olhos vermelhos sem vida e os longos cabelos brancos ao vento, mas que eram cobertos pelo capuz de seu manto.

– Corvo, vasculhe a área. Não quero saber de surpresas. – Ordenou Deaph e que imediatamente fazia com que o pequeno corvo, saltasse de seu ombro e voasse em direção ao fim da vila, checando o local para seu mestre. Enquanto Deph continuava a caminhar entre as pessoas que nada suspeitava.

Pássaro sobrevoava o vilarejo inteiro, em busca de qualquer coisa que parecesse suspeita e não só na própria vila, como em seus arredores também. Phantonville era uma vila pequena e pacifica, raramente ocorria algum conflito entre os moradores e os viajantes que recebiam de forma tão bondosa. As casas eram simples, feitas de madeiras como construções do velho oeste, assim como os edifícios em geral da vila, mas Phantonville era conhecida por ser o local favorito dos Fantasmas, pois era um local tão calmo e sereno, que os espíritos eram capazes vivem tranquilamente com seus moradores.

– Encontrei... – Sussurrou Deaph ao ouvir o alerta de sua mascote, fora dos limites da cidade e próximo à floresta Phanwood.

O Ceifeiro rapidamente correu até a alma que tanto o incomodava, pela primeira vez em séculos de trabalho, Deaph estava ansioso para coletar aquela alma... Pois pela primeira vez em séculos, sua mesmice foi quebrada e isto já era um agrado em sua vida eterna. Deaph cruzou a cidade e atravessou seus limites, chegando até a entrada da Phanwood, onde encontrou uma garotinha caída no chão, desacordada, mas respirando. Seus cabelos eram negros como os da Morte e sua pela era até mais branca que o mesmo, ela estava nua,seus cabelos longos cobriam as partes intimas e continha aparentemente arranhões e machucados leves em seus braços e pernas,como se ela tivesse caído ou lutado.

– O que significa isso...? Ela não está morta... – Morte se via em mais um enigma, pois sua superior havia informado que uma alma foi encontrada no submundo, porem... A alma ainda possuía corpo e claramente Deaph ouvia as pulsações do coração da garotinha, que por seu tamanho aparentava ter entre nove a doze anos de idade.

– Corvo! Vá até o conselho e diga para Mineko que quero vê-la, imediatamente! – Após a ordem exclamada ao céu, sua mascote, Corvo, responde ao pedido e voa em direção ao horizonte daquela noite sombria. Enquanto que Deaph, pega a garota sobre seus braços e retorna para o vilarejo com ela, claro que havia chamado a atenção de todos, mas ninguém possuía coragem suficiente para dizer uma só palavra sobre um ser Negro,carregando uma criancinha em seus braços.

Algumas horas mais tarde...

Morte encarava seu reflexo sobre a água de um lago próximo a Phantonville, nos arredores de Phanwood, enquanto aguardava o retorno de Corvo ou o chamado de Mineko. O Ceifador não era capaz de tirar aquela garota de sua mente, o que ela fazia ali? Por que o chamaram se ela não estava morta? Por que a presença da menina o intriga tanto? Eram perguntas das quais, Morte estava determinado a conseguir respostas...

– Mineko... – Sussurrou Deaph ao ver que a água se movimentava de forma estranha, distorcendo o seu reflexo e recriando a imagem de sua superior, mas por medidas de proteção, a imagem era ocultada por uma sombra de olhos amarelos.

– Recebi seu recado Deaph, o que aconteceu? Encontrou a alma? – A voz do reflexo era difícil dizer realmente se era feminina, pois possuía um tom macabro e que apavoraria qualquer um que a ouvisse, exceto Deaph.

– Sim... Encontrei. Mas por que me chamou? Está alma ainda possui um corpo! Ela está viva... Não é meu dever cuidar dos vivos, somente dos mortos. – Morte permanecia abaixado, próximo da borda do lago, encarando a silhueta de sua superiora.

– Eu sei qual é seu dever. E ela pode parecer viva, mas não existe o menor registro dessa garota... Não conseguimos encontrar nada, nem mesmo a menor pista... Precisaremos ir até o Éden consultar a Sabedoria, ela saberá o que pode ter acontecido. – Com a resposta de Mineko, o Ceifeiro se levanta e anda de um lado para o outro, tentando manter a calma e analisar a situação.

– Mineko... O que está acontecendo? Você não me chamaria se não fosse realmente necessário e com certeza não iria me convocar meramente para encontrar o corpo daquela menina. –

– Eu realmente não sei... Deaph. Mas a garota é sua prioridade agora, cuide dela até descobrimos o que está ocorrendo. E isso é uma ordem! – No mesmo instante em que Mineko disse a palavra “ordem”, Deaph socou com tanta fúria o chão, que ele despedaçou-se completamente... Deixando apenas um pequeno buraco no local da terra.

– Eu... Não vou ser babá de garota nenhuma!Me recuso a aceitar esse trabalho, Mineko! – Deaph erguia o tom de sua voz e exclamava sua recusa à ordem de sua superiora.

– Devo lembra-lo de que sua vida está em nossas mãos... E para alguém que um dia já teve coração, você ainda possui fortes sentimentos... Mas não admito que erga sua voz contra mim! Lorde das Almas! – De repente, Deaph sentiu-se fraco, sentiu o ar abandonar seus pulmões e algo estrangula-lo, acabou caindo de quatro diante a imagem no lago que tinha seus olhos brilhando como estrelas.

– Mi-ne-ko... Sua... Maldi-ta... – As palavras de Deaph saíram como um sussurro.

– Fique em Phantonville,desculpe por isso mas essas são as ordens! Ate Logo, Deaph. – A imagem de Mineko desaparece segundos depois e Deaph livra-se de sua tortura, explodindo em raiva e devastando aquele lago com uma grande irá dos conflitos de seus sentimentos.

– O que está acontecendo comigo...? Raiva? Pensei não sentir mais nada... – Deaph ergue-se após ter destruído o lago completamente e caminha de volta ao estabelecimento onde havia deixado à garota, pensando, tentando entender o que estava acontecendo com aquele que já havia perdido os sentimentos há séculos atrás. – Quem... Sou eu? – Deaph retornava para Phantonville, ainda um pouco irado, mas de certa forma feliz por sentir-se assim.

Uma semana depois...

Os dias seguintes se passaram rapidamente, a garotinha havia despertado de seu sono e não possuía lembrança alguma de quem é ou de onde veio, nem mesmo sem nome ela lembrava.

Porem Morte deveria cuidar da garota, mas ele deixava esse serviço por conta dos moradores da vila, pois o mesmo somente refletia sobre seus pensamentos e tentava encontrar respostas para tudo que estava acontecendo.

– Heeeh...Quem ...Quem é você ? – Perguntou a garotinha pálida, de pé,que diferente de antes estava usando uma túnica branca,estava diante a porta do quarto onde Deaph se hospedou.

– Meu nome é Deaph... – Com seus olhos fechados, Deaph tentava buscar em suas memórias alguma pista que talvez tivesse deixado escapar.

– E....E...Quem sou eu?– Dizia a garotinha com olhar assustado.

– Eu não sei..achei que soubesse!! – Respondeu abrindo seus olhos lentamente.

–Eu.. Não me lembro de nada do que aconteceu...eu não sei quem eu sou e nem onde estou,me sinto perdida -Diz a garota que logo começa a chorar.

– Que?...Não vai me dizer que...apagaram sua memória!!-Disse o Ceifador Espantado

– Como é que vou saber isso?Se apagaram minha memória..é obvio que não irei saber-Disse ela pondo a mão no queixo pensativa- Alias você pode me ajudar...Senhor...Bob!-Afirmou ela tentando lembrar o nome do Ceifador.

– M-mas!! Eu Sou Deaph!!e pra sua informação eu não perguntei pra você diretamente se apagaram sua memória,só foi uma conclusão — Gritou em tom ameaçador

A garota logo começou a chorar mais alto- Haa você me da medo!! Você não é bom!

– Que ironia,alem de ser uma espécie de alma penada,é medrosa!!– Suspirou Deaph pondo a mão na cabeça- Eu estou Ocupado demais agora pra isso,saia do quarto!! Quem sabe alguém ai fora pode te ajudar ?-Disse ele já empurrando a garota pra fora.

– Hum! Ta bem... Fique ai dentro como um vampiro... Seu... Malvado! – A garotinha se retirava do local, após mostrar a língua para seu guardião solitário, e caminha escadas a baixo em direção a sala.

– Eu tenho que descobrir um jeito de acabar com isso... Hein... Espera um pouco... Vampiro... Ah! Já sei quem pode me ajudar! – Na mesma hora Deaph se levanta e corre para fora do estabelecimento, quase derrubando a pobre garotinha sem nome que acabava de abrir a porta para rua.

– Oh! Cuidado Bob! – Gritou a garotinha, enquanto o corvo dava um pequeno salvo de sua cabeça e retornava logo depois.

– Garotinha, vamos viajar,e já te disse que eu me chamo Deaph!para de me chamar de Bob!-Logo passou uns segundos –Olha..não tenho tempo para discutir, tenho que visitar um velho amigo. Corvo, preciso que você nos vigie durante a viagem. – Ordenou Deaph, antes de colocar os dedos sob seus lábios e soltar um assobio tão agudo e alto, que irritou a todos os moradores.

– Aii!! Meu ouvido! – Gritou a garotinha. Pássaro saltou de sua cabeça e como ordenado começou a sobrevoar a região, enquanto um brilho azulado aproximava-se ao fundo da vila.

– Pensei que houvesse se esquecido de mim... Agonia. – De repente, a garotinha volta seus olhos para o brilho azul ao fundo do cenário, na mesma direção que Deaph ou “Bob”, como ela chamava, estaria observando.

Logo os olhos de todos os moradores, incluindo a garotinha e Morte, se encantaram ao ver aquela belíssima criatura correndo na direção de seu mestre. Era um cavalo negro, de olhos azulados como a noite, com chamas do mesmo saindo sobre seus pés, uma linda crina de chamas azuladas do mesmo que o rabo. Agonia, como era chamado o cavalo, aproximou-se até Deaph onde se relinchou ficando sobre duas patas, como forma um cumprimento.

– Nossa... Ele é seu? – Perguntou a garotinha espantada com a beleza daquele animal.

– Esse é Agonia, meu cavalo e amigo. Venha garota... Vamos cavalgar. – Deaph saltava sobre seu cavalo e estendia a mão para a menininha com os olhos espantados.

– É claro... Bo..Digo Deph!!. – Ela estende sua mão e Morte a coloca sobre o cavalo, diante de seu peito é claro e com mais um relinchar, Agonia cavalga em direção ao horizonte onde Deaph se encontraria com um velho amigo.

Corvo atravessava as nuvens rapidamente, viajando por aquele céu acinzentado, enquanto seu mestre cavalgava com a garotinha sem nome, por dentro de Phanwood, pois não havia cavalo mais rápido ou esperto que Agonia.

– Deaph! Eu quero um nome! – Gritou a garotinha enquanto se divertia com a emoção daquela velocidade que para muitos era assustadora, enquanto um rastro de chamas azuis era deixado para trás.

– Seu nome será Garotinha! – Respondeu Morte.

– Nãooooooo... Me de um nome! Corvo e Agonia têm nomes, mas eu não tenho! – Ela gritava.

– E que tal... Buuh? Você vivia tentando me assustar, este é um bom nome para uma amadora como você. – Deaph sentia em seu peito algo que parecia inexistente há anos... O calor da felicidade.

– Buuh... Gostei... – Ela sussurrou, enquanto se aconchegava ao corpo de seu protetor. – EU SOU BUUH!! Hahaha. – Ela gritou com todo o ar de seu peito, exclamando seu nome ao céu.

– Rum. – E pela primeira vez, Deaph sorria, mesmo que um leve e quase imperceptível sorriso, enquanto Agonia atravessava a floresta em instantes.

Deaph: O Lorde das Almas tornou-se o protetor de uma garotinha sem memória, sem passado e com um futuro misterioso, mas que agora possuía um nome, Buuh. O Ceifador Sinistro cavalgaria com seu amigo, Agonia, em buscas de respostas para Buuh e para ele mesmo, pois já que Mineko não era capaz de encontrar as respostas... Ele o faria e Corvo o acobertaria, pois caso o Conselho descobrisse sobre sua busca independente por respostas, Buuh se tornaria o menor de seus problemas.

Notas finais
~~Espero que tenham gostado,essa historia ainda tem muitas aventuras sinistras pela frente!!~~