But... I Love You

3 Capítulo 3 - Ela


É incrível como tudo muda tão repentinamente. Minha vida era tão calma antes, parecia até ser uma vida normal. Então... Tudo muda. Eu finalmente consigo entrar no colégio em que sempre sonhei em estudar, mas encontro alguém que me tira totalmente o foco dele. Alguém com quem eu nunca falei na minha vida, mas que consegue fazer uma reviravolta nos meus sentimentos só de não me encarar. Alguém que me confundiu tanto há anos atrás, e que me confunde até hoje. Ronald.

Acordei. Levantei da cama, abri as janelas e vi que era um dia chuvoso. O céu estava cinza, coberto de nuvens, e a chuva caia sem dó. Quando olhei para o relógio quase tive um infarto: Já era pra eu estar a caminho do colégio.

– Meu Deus, mãe! Por que você não me acordou? — Gritei do quarto.

– O quê? Melody, você ainda está aqui? Eu não acredito! Ande logo, se arrume que eu te levo hoje. — Minha mãe parecia nervosa.

Corri pelo quarto todo. Penteei os cabelos, me troquei e arrumei o material na mochila. Depois fui ao banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto e fui tomar café. Engoli umas duas bolachas e virei um copo de suco. Ouvi a buzina do carro.

– Vai logo, Mel! — Minha mãe gritou.

– Peguei minha mochila e desci as escadas, aos tropeções. Entrei no carro e fomos para o colégio. Eu consegui chegar a tempo, dentro da tolerância. Mas todos já haviam entrado.

Era aula de física. O professor estava explicando a matéria, mas eu acabei me perdendo na vista da janela. Por um tempo, fiquei observando a chuva, que continuava a cair. Era bonito de se ver. Era como se as nuvens colocassem pra fora algo que não dava mais pra suportar, como um sentimento que transborda dentro de você.

– Ahn... Senhorita Park. — O professor chamou a minha atenção. — Qual a solução para esse problema?

Fiquei sem reação. Os outros me olhavam, esperando a resposta. O professor, sentado sobre a mesa, me observava por cima dos óculos. Seus pés balançavam. Ele queria a resposta. Olhei para a lousa... Eu não sabia responder.

– Psiu! — Ouvi um cochicho atrás de mim. — A resposta é 8 km/h.

Sem hesitar, respondi:

– 8 km/h, professor.

– Hm... — Ele frangiu as sobrancelhas. — Está certo.

Quando ele voltou com a explicação, virei pra trás para agradecer. Atrás de mim estava uma garota. Ela era loira, tinha o cabelo longo e um olhar caído, tímido. Seus olhos, tinham um lindo tom de azul céu. Suas bochechas eram rosadas, e sua boca delicada. Ela era linda.

– ... Obrigada. — Foi o que eu consegui dizer, meio sem-graça.

– Ah, não foi nada. — Ela deu um sorriso acolhedor. — Você se chama Melody, não é? Muito prazer!

– Sim. O prazer é todo meu. E você, como se chama?

– Jeane, Taty Jeane. — Disse, sorrindo.

Não acreditei. Taty... Eu ouvi isso mesmo? Será que... Taty...

– Está tudo bem? Você está meio pálida. Foi você quem desmaiou ontem, não foi?

– ... Sim, mas está tudo bem. — Dei um sorriso singelo.

Eu virei pra frente. Eu realmente estava pálida. Mas tentei manter a calma. Afinal, seria muita coincidência se fosse ela. A mesma Taty por quem Ronald foi apaixonado. Não, não podia ser.

O sinal bateu. Era hora do intervalo. Eu saí da sala, e Taty me acompanhou. Quando cheguei ao pátio, avistei Ronald sentado em um dos bancos, de frente pra mim, comendo. Disfarcei. Comecei a conversar com Taty, evitando ter que falar o seu nome. Quando olhei para Ronald, ele estava me encarando. Não... Ele estava encarando a Taty. Pior, ele estava nos encarando.

Taty continuou falando comigo por um ou dois minutos. Depois, senti que ela percebeu o olhar de Ronald. Ela virou um pouquinho de lado, fazendo com que ele não conseguisse ver seu rosto. Ainda assim, ela ainda estava incomodada. Foi nesse momento que comprovei: Era mesmo ela. Foi por causa dessa garota que Ronald sequer olhou pra mim há alguns anos atrás.