Busca no Tempo

8 Capítulo 8: Em busca das Dragon Balls


BUSCA NO TEMPO

Capítulo 8: Em busca das Dragon Balls

O tempo estava chuvoso. Eu olhei pra baixo e observei o mar engolindo a praia. A população voltava para as suas casas com pressa. Eu lutava com a chuva molhando todo o meu corpo. Eu tinha que pelo menos chegar ao interior da cidade e procurar um local para me aquecer. Eu cheguei perto de um prédio. Quando eu olhei pra baixo, as pessoas gritavam para eu sair da tempestade. Eu pousei e observei muitas pessoas baterem no vidro, fazendo sinal para que eu entrasse ali. Eu olhei para a direção de que eu tinha vindo e as ondas cresciam. Será que seriam capazes se adentrarem na cidade? Eu não sabia, mas quando vi já estava sendo puxado para dentro por um homem musculoso.

– Você está louco de estar nessa tempestade? Eu vi que você estava literalmente voando pela ventania lá fora. – Eu iria falar que era eu mesmo que estava voando, mas quando eu percebi muitas pessoas no local eu resolvi ficar quieto, sem falar nada. – De onde você veio? Estamos todos apavorados esperando a guarda nacional aparecer.

– Eu não sou daqui. Vim porque eu preciso procurar alguma coisa, mas quando eu cheguei aqui, já estava no meio nessa tempestade. Alguma coisa aconteceu? – eu perguntei olhando para todas aquelas pessoas aflitas olhando para o lado de fora, a ventania lá fora só pareceu crescer.

– É esse tempo. Sinto muito, mas você vai ter que ficar aqui dentro. A cidade inteira entrou em estado de emergência. Nós estamos com medo de que as ondas sejam capazes de entrar na cidade. Qual o seu nome? – ele me perguntou.

– Me chamo Trunks. – eu disse. Ele estendeu as mãos e eu as apertei.

– Me chamo Joe, se precisar de alguma ajuda eu estarei aqui. – ele disse, parecendo o único que tinha assumido o controle da população que estava aqui.

– Só restaram vocês na cidade? – eu perguntei para Joe.

– A cidade inteira foi evacuada, mas restaram eles. Nem todos conseguiram fugir. – afirmou o homem. Percebi que ele era bombeiro, uma pessoa que possivelmente resolveu ficar para ajudar aqueles que não tinham conseguido fugir. – Mas a guarda nacional já está a caminho. – Ele disse agora alto para todos se acalmarem.

– Já estamos esperando há muito tempo. – uma jovem disse, seus olhos estavam presos na visão lá de fora. Havia medo em seu semblante.

Então eu comecei a observar todas aquelas pessoas e eu entendi por um momento o estado que aquelas pessoas estavam. Observei uma mulher abraçar fortemente sua criança, uma menina muito bonita de cabelos loiros, amarrados por duas fitinhas, um rabinho de cada lado da cabeça. A criança em seus braços estava muito nervosa, dos seus olhinhos, apareciam lágrimas que caiam volumosas em suas bochechas coradas. Eu agachei e fiquei próximo da menina.

– Qual é o seu nome, criança? – ela me olhou assustada, mas foi capaz de balbuciar seu nome.

– Mary. – Eu passei meus dedos pela face da criança e a tomei dos braços da mãe para envolvê-la com os meus próprios braços em um abraço.

– Não fique assim, Mary. Tudo irá passar. Eu prometo. – Ela parou de chorar e confirmou com um acenar. – Se você pedir a Deus, tudo irá se resolver. – Ela de novo confirmou com uma acenar a entreguei de novo para a sua mãe. – Não a deixe por um único minuto.

– Claro. – ela disse, abraçando fortemente a criança novamente. Eu olhei novamente para todos. Caso as ondas entrassem na cidade, todos ali estariam perdidos, fadados à morte. Eu olhei novamente para as ondas lá foram que cresciam e os ventos pareciam estar piores. Quando eu vi, tinha surgido um ciclone no meio do mar.

– Não e possível. – alguém gritou.

– Iremos morrer. – dessa vez era outro gritando. Deveríamos nos acalmar, mas parecia impossível, acalmar os nervos de alguns.

A pessoa que tinha me salvado passava por todos que estavam sentados e iam em direção a aqueles mais exaltados que agora estavam em pé.

– Se acalmem. Logo nós iremos ser resgatados. – Ele disse.

– Resgatados de qual jeito? – um gritou.

– Não há o que ser feito. – outro voltou a gritar. Aquela situação estava deixando todos nervosos. Eu vi Mary encolhida em seus braços passar a ficar nervosa e a remexer nos braços da mãe. Ela agora gritava dizendo que todos iram morrer. Toda aquela cena me fez recordar do que eu tinha passado exatamente o quê todos ali passaram em meu tempo. Eu fechei os olhos e comecei a me recordar do que eu também vivi.

Eu ainda era pequeno, mas eu me lembrava muito bem. Tinha sido a primeira vez que eu percebi o quanto Gohan era importante para todos ali onde vivíamos. Lá fora, os androides tinham começado a atacar. Os prédios começaram a cair e as ruas a explodirem. Eu olhei para o céu, eu estava abraçado a minha mãe, olhei para o lado e vi uma mulher fazer o mesmo com uma menina, mais nova do que eu.

– Calma, Trunks. Vai dar tudo certo. – minha mãe falava em meu ouvido, me abraçando mais e me ninando. Uma luz se fez brilhar no céu e eu percebi que era a energia de destruição que saia das mãos de um dos androides e caia em terra, destruindo prédios e estradas. Eu fechei os olhos, uma delas estava vindo em nossa direção. As pessoas começaram a correr, minha mãe também corria, eu agarrado aos seus braços. Eu queria fechar os olhos, mas eu os mantive abertos. Eu queria saber o quê estava acontecendo. Todos corriam para o subterrâneo. Quando estávamos quase entrando, minha mãe caiu e eu voei para longe de seus braços. Vi ela erguer os braços e gritar o meu nome:

– TRUNKS! – mas minha mãe era levada por outros, se distanciava de mim cada vez mais. Minha mãe gritava para que a soltassem, mas ninguém prestava atenção. As pessoas começaram a crescer em volta dela, ela cada vez mais distante de mim. Eu já sentia a vontade de chorar, meus olhos cheios de lágrimas, eu agora gritava. Eu corri atrás dela, mas era impossível chegar perto de seu corpo. Eu fui coberto pela multidão de gente que se debatia para entrar o mais depressa possível nos túneis.

O quê seria de mim sem a minha mãe? Eu estava chegando aos túneis quando de repente alguém os fechou. Parei de correr e olhei desesperado pela porta de metal que tinha sido colocada para bloquear qualquer entrada. Só havia restado eu. Todos haviam conseguido entrar, menos eu. Olhei para o céu, temendo um ataque.

– Mãe... – comecei a balbuciar. Senti os primeiros pingos de chuva caírem sobre o meu rosto, mas eu não ligava. – Mãe...

Eu estava totalmente perdido. As lágrimas demoraram a vir, mas quando vieram se misturaram a chuva que caia em abundancia em meu rosto. Eu estava sozinho. Me ajoelhei cansado, pedaços de vidro que estavam no chão entraram na minha pele. Quando eu vi, meus joelhos estavam feridos. Sangue estava em meus dedos e eram diluídos pela água que caia no céu.

Uma risada maléfica se fez presente em meus ouvidos, apesar do barulho da chuva. Um trovão cruzou o céu e eu percebi que o androide de cabelos loiros vinha em minha direção. Meus olhos se abriram de medo, mas quando ela estava me alcançando, um brilho voou em minha direção e se colocou na minha frente, bloqueando a minha visão quanto ao androide que estava mais próximo.

– Quem é? – mas a pessoa que estava parada na minha frente, de costas pra mim, não se virou e nem se apresentou. Ele se concentrou na luta. O outro androide que até então observava tudo ao longe, chegou mais perto e desferiu um golpe naquela pessoa. Mas apesar de tê-lo acertado, ele não caiu ou demonstrou fraqueza diante do ataque. De repente ele olhou pra mim.

Era Gohan.

Eu fiquei parado sem reação.

– Venha, Trunks. – ele estendeu uma das mãos em minha direção. Eu olhei alguns segundos para aquilo sem reagir. Mas depois recobrando os sentidos, eu me ergui e toquei em suas mãos. Ele me puxou e me envolveu nos braços. – Não se mecha. – Fiz o quê ele pediu. Escondi meu rosto em seu peito e esqueci que estava em perigo, confiando cegamente em Gohan, no último guerreiro que tinha restado. Senti o vento ficar mais violento, o ar começou a faltar em meus pulmões, mas apesar do incomodo, os pingos de chuva que caiam violentos em meu rosto tinham amenizado. Resolvi abrir os olhos por um momento para ver o quê estava acontecendo e quando eu percebi, estava a metros de distância do chão.

– Gohan – comecei a me mexer, mas eu estava seguro nos braços de Gohan.

– Calma Trunks. Está tudo bem, eu estou te segurando.

– Os androides... – eu balbuciei ainda sentindo medo. Não deixei de sentir medo.

– Eu os despistei. Você está bem? – eu fiquei mudo de repente, ainda olhando pra baixo. Gohan percebeu aquilo e colocou o meu rosto em seus ombros, fazendo com que a visão de lá de baixo fosse bloqueada.

– Estou sentindo falta de ar...

– Eu subi muito rápido, Trunks. Me desculpe. – Ele desceu mais e eu comecei a me sentir melhor. Quando percebi estar muito distante do ponto onde tinha sido deixado por minha mãe, ele começou abaixar cada vez mais até que estávamos de novo em solo. Continuei abraçado a ele, até que ele me colocou no chão dizendo que estávamos em solo e que agora eu poderia andar livremente.

– Mãe... – eu olhei para Gohan. Ele gentilmente tocou no topo da minha cabeça e se ajoelhou diante de mim. Eu ficava mais alto quando ele se ajoelhava daquele jeito.

– Iremos achar Bulma. Você vai ver. – Ele beijou minha testa e me trouxe para mais perto. Eu o abracei, sentindo as lágrimas em meus olhos se formarem e caírem. Dessa vez não havia mais tanta chuva para a água que caia no céu se misturar com as minhas lágrimas. As mãos de Gohan passaram pelas minhas bochechas, limpando meu rosto. Ele não disse nada, só me deu as mãos e me puxou em uma direção. Eu perguntei onde ele estava me levando e ele simplesmente disse que estava me levando para comer.

De repente as memórias terminaram e eu me vi novamente preso junto do povo daquela cidade, aflito pelas ondas lá fora invadirem a cidade e a tornarem parte do mar.

Não. Eu não iria deixar aquelas pessoas sofrerem. Assim como Gohan um dia me salvou, eu agora era forte o bastante para salvar quem eu quisesse.

– Escute, quanto falta para a guarda nacional vir? – eu perguntei para Joe.

– Não sei... acho que daqui no máximo vinte minutos eles conseguem chegar aqui.

– Vinte minutos? – eu voltei a perguntar pra ele, olhando para as ondar lá fora, cada vez maiores e mais próximas de onde estávamos. As águas já tinham a muito invadido as areias e alcançado o asfalto das ruas mais próximas do mar.

– Eles me falaram que é o tempo pra eles conseguirem cruzar a tempestade para chegar aqui e nos socorrer.

– Tudo bem. – Daria tempo, eu falei na minha mente. Eu caminhei até a porta e coloquei as mãos na maçaneta.

– Onde você está indo? – Joe segurou os meus ombros, mas não era como se ele pudesse me deter. Apesar de tudo, o sangue Saiya-jin corria em minhas veias.

– Irei tentar deter o mar, para dar tempo que a guarda nacional chegue até aqui. – o homem uniu a sobrancelha descrente do que eu falava.

– E como espera fazer isso? – Eu não respondi ao que ele disse. Possivelmente se eu dissesse ser filho de um extraterrestre com uma terráqueo e que em meu sangue corria um poder surpreendente capaz de destruir planetas, ele não iria acreditar e iria ficar me questionando, fazendo eu perder mais tempo ainda.

– Veja. – eu disse simplesmente.

– Espere... – ele voltou a me impedir, mas eu segurei suas mãos.

– Tenha fé em mim. – nos fitamos e ele confirmou com um acenar. Eu puxei a porta e entrei na tempestade. O vento era muito violento fazendo eu ter dificuldades para caminhar. A água que caia no céu me impedia de olhar direito para o mar revolto a minha frente.

“Não é por isso que eu irei desistir.” Eu disse aquilo mentalmente. Me transformei em Super Saiya-jin e tudo ficou melhor. Me lancei pelos céus em direção ao mar. Uma das ondas estava quase me alcançando quando eu levei uma das minhas mãos no alto e bloquei a onda de avançar com a força do meu Ki. Aquilo era fácil. Mas até determinado tempo. Caso a guarda nacional, demorasse mais do que vinte minutos, minha força não seria suficiente para impedir as ondas de alcançar o prédio onde as pessoas se abrigaram.

Passado alguns minutos, as ondas ficavam mais fortes e era cada vez mais difícil impedi-las de entrarem mais na cidade. Eu ia para trás à medida que eu percebia não ser suficiente. Reuni mais forças e levei a outra mão no ar, tentando reunir mais poder fazendo uma parede invisível para bloquear a água.

– Só mais um pouco...

Eu tentei ficar nervoso para aumentar o meu poder. Pensava em tudo o quê eu estava passando e quê o tempo que eu estava perdendo me fazia ficar mais distante de alcançar o meu objetivo, mais distante de ter Gohan novamente.

“É por você que eu estou lutando desse jeito, Gohan. Onde quer que você esteja eu espero que você esteja me esperando...”

Eram esses os meus pensamentos e apesar do meu ódio crescer, em nada estava relacionado à Gohan, mas o fato de eu não ter sido capaz de tê-lo salvado naquele maldito dia. Se eu fosse mais forte, se eu tivesse esta força que eu estava tendo para erguer uma parede de Ki para impedir as ondas de entrarem na cidade, eu nunca teria deixado Gohan morrer nas mãos daqueles malditos androides.

De repente eu escutei um barulho cada vez mais perto. Desviei por um momento os meus olhos e vi inúmeras aeronaves aparecerem no céu.

– Graças a Deus! – Obrigado Kami-sama. Obrigado, Dende. Observei as pessoas serem passadas pelas aeronaves. Eram mais ou menos trinta pessoas.

– Vão mais depressa. – Eu estava começando a deixar escapar algumas ondas. Vi que uma das aeronaves chegava perto de mim. Quando olhei para o alto, percebi uma corda, sendo jogada em minha direção.

– Vamos, pegue! – alguém gritou e esse alguém era Joe.

– Todos estão bem? – eu gritei pra ele.

– Sim, todos conseguiram escapar. – ele gritou, não se importando com o fato de eu ser Super Saiya-jin e nem de ter visto a minha força, capaz de bloquear as águas do mar.

– Vai embora. Eu me viro aqui embaixo. – eu pedi.

– Mas...

– Vai logo embora. – ergui uma das mãos em direção a nave e fiz com que a energia o repelisse cada vez mais. A nave então partiu.

Eu então fechei os olhos, destransformei em Super Saiya-jin e de repente fui engolido pela ondas. Eu era jogado de um lado ao outro, sem me importar. Nada agora importava, eu estava muito cansado.

Percebi que eu me afundava no mar. Tentei emergir, mas o fato de tudo ter acabado era tão bom, agora eu podia descansar.

Eu estava perdendo a consciência. Cada vez mais oxigênio faltando. Por um momento eu percebi o quanto tudo era estranho. Eu tinha poderes para destruir planetas e estava sendo derrotado por um simples mar.

– Trunks... – uma voz me chamava, mas a voz era tão baixa que eu temi já estar no paraíso. – Trunks... – a voz era cada vez mais presente em meus ouvidos. – Trunks... – eu abri os olhos lentamente e para minha surpresa, alguém tinha me envolvido nos braços. Eu ergui a face, tentando ver que era aquele que era capaz de ter viver dentro do mar e quando percebi, o rosto que eu tanto ansiei estava ali, a centímetros de distância de mim. Eu tentei erguer as minhas mãos para tocá-lo, mas a falta de oxigênio estava sendo muita.

– Gohan... – bolhas saíram da minha boca. O ar agora me faltava nos pulmões.

– Acredite, Trunks. Acredite! – era Gohan me envolvendo mais em seu abraço. De repente eu percebi que se continuasse daquele jeito, eu iria morrer e todo o meu forço, seria em vão. Não, eu não iria deixar aquilo acontecer. O brilho de Super Saiya-jin agora me envolvia e a energia ia crescendo, juntamente com a consciência. O oxigênio não era mais um problema. Então eu nadei com toda a velocidade em direção ao ar. Quando percebi, já estava de novo no céu, observando o mar lá de cima. Para a minha surpresa, a tempestade já tinha ido embora. O céu agora era da cor de um dia de verão e nenhuma nuvem se fazia presente. O mar tinha voltado, as águas estavam calmas e a areia da praia agora era vista. Eu sorri vendo que tudo tinha terminado bem. Enfiei a minha mão no bolso e peguei o radar do dragão. Era ali, havia uma Dragon Ball ali na praia. Eu pousei e passei a procurar freneticamente por um brilho amarelo alaranjado até percebê-la que ela estava enterrada na areia, somente com uma pontinha para ser vista.

– Achei! – Quando a desenterrei, percebi que tinha conseguido a Dragon Ball de uma estrela. Eu sorri e me joguei na areia, olhando novamente para o céu.

“Obrigado, Gohan!”

Ele tinha me salvado novamente, mesmo não estando mais nesse mundo.

oOo

A cidade estava agitada. Pelo o quê eu tinha me informado a festa seria dada na casa de um magnata e o leilão se seguiria depois do jantar. Todo o dinheiro arrecadado seria doado a um hospital da cidade. Eu me apresentei e logo deixaram eu entrar. Com o sobrenome Briefs, eu teria passado por qualquer sistema de reconhecimento. A “Capsule Corporation” era a única do segmento e todos eram obrigados a usarem os produtos lançados pela empresa. Claro, todos os produtos fabricados pela minha mãe e pelos seus ajudantes cientistas faziam parte do dia a dia da população mundial. Conseguir um convite para aquela reunião tão especial não foi nenhum problema. Bastou um único telefone avisando pra minha mãe e ela tinha conseguido um convite pra mim. Eu, o único neto do fundador da “Capsule Corporation” iria representar a família Briefs naquele leilão beneficente.

Eu tinha descoberto o paradeiro da Dragon Ball, na chegada em Paris. Ela estava em um museu a quase um ano em exposição. Novamente usando no meu nome, eu subi na administração do local e resolvi falar com o diretor do museu para ver se era possível a negociação daquela “pedra preciosa”. Eu disse que era muito importante pra mim e que aquela pedra era a única ainda a existir do mundo. Menti, dizendo que ela seria capaz de salvar inúmeras vidas e que a “Capsule Corporation” necessitava dela para seguir com uma pesquisa muito importante. Frisei bastante o fato dela ser muitíssimo importante para o desenvolvimento de uma tecnologia que iria salvar inúmeras pessoas que estavam já condenadas nos hospitais, só esperando a morte. Porém, o diretor disse que não poderia fazer nada por mim, pois a pedra iria ser doada a uma instituição aquela noite e que iriam fazer um leilão com várias peças, no qual também estaria aquela pedra, com o intuito de arrecadar dinheiro para o hospital local. Colhi as informações e fiquei mais aliviado. Eu iria conseguir a Dragon Ball de qualquer jeito.

Sentei na mesa que me indicaram e percebi que tinha sido o primeiro a chegar ali. Observei as peças serem expostas e várias mulheres bonitas começaram a aparecer na sala, provavelmente seriam elas as modelos que iriam segurar as peças. De repente o magnata que estava promovendo o evento chegou. Ele foi indicado por um dos assessores e percebi que ele estava indo na minha direção.

– Olá, você deve ser o Sr. Briefs. – ele estende as mãos e eu o cumprimentei.

– Muito prazer, Sr. Sartre. – ele era um homem já de meia idade, mas que aparentava der bem mais pela sua falta de cabelo e por sua barriga avantajada. Apesar disso, tinham belos olhos verdes que se destacavam no rosto redondo.

– Fico muito contente com a sua presença. Espero que o senhor faça bons lances essa noite. Uma pena a sua mãe não vir. – ele disse sorrindo.

– Ah uma pena, mas ela sempre vive ocupada dentro de seus laboratórios. – o quê não era nenhuma mentira.

– Espero que desfrute de nosso leilão, Sr. Briefs. Qualquer coisa é só me chamar ou a um dos meus ajudantes que ficaram perto do palco na hora das descrições das peças. – Ele bateu em minhas costas e saiu em direção a um casal que tinha entrado naquele momento. Finalmente, as pessoas começaram a chegar. Eu estava louco para aquela chatice dar início para eu pegar a Dragon Ball e cair fora dali imediatamente.

Depois de uma hora de espera, todas as peças foram mostradas. Ao todo eram quinze, dentre vestidos famosos de marcas renomadas, muitas joias e pedras preciosas, no qual estava a Dragon Ball e quadros e outras obras de artes valiosas.

Para a minha sorte, o leilão começou a ser feito pelas joias e pedras preciosas. Pelo o quê eu tinha visto, até a Dragon Ball ser exposta, eu teria que esperar os lances de três joias muito bonitas.

– Boa noite a todos! – era o Sr. Sartre quem falava. – Foi com muito prazer que cedi um dos espaços da minha família para realizar o leilão de joias e outros artigos de valor inestimáveis. Todo ano, juntamos várias peças recolhidas ao redor do mundo para arrecadar uma certa quantia para o hospital Santa Sophie. Nele, inúmeros pacientes em estado terminal vivem os últimos dias de sua vida e como um ato de caridade, estamos aqui para realizar o quinto leilão beneficente, dessa vez patrocinado por mim, mas que foi anteriormente patrocinado pelo Sr. Miller aqui presente e que ano que vem será realizado pelo Sr. Dukhtúrov. – uma salva de palmas se seguiu e alguns segundos se passaram para que o Sr. Sartre seguir com o seu discurso. – Como das outras vezes, as instruções para fazer o lance serão as mesmas. Para fazer algum lance, basta erguer uma das mãos que automaticamente será considerado. Por isso, tomem cuidado com esse detalhe. Por hora é isso.

Alguns minutos foram dados para as pessoas se ajeitarem em seus lugares. Eu olhei para os lados para ver se eu achava alguma coisa de interessante, mas nada me chamou atenção. Claro, eu achei tudo muito diferente do que eu estava acostumado viver cotidianamente. Apesar da minha família ser rica e relativamente conhecida em meu tempo, nada disso importada. Estávamos mais preocupados na sobrevivência do que em outras coisas.

Uma mulher muito bonita abriu a cerimônia. Uma das modelos se colocou ao seu lado para segurar a peça do lance. Aquela que ela mostrava agora era um colar de pedras preciosas e um par de brincos que pertencia à coroa britânica a gerações. Elas foram gentilmente cedidas pela própria rainha. Aquilo não me importava, mas pareciam que os presentes estavam bem interessados na aquisição da peça. Muitos lances foram dados. Se iniciaram com o valor de 800 mil e já estava na casa do 1 milhão e 200 mil. Eu achei um valor muito grande, mas depois me lembrei ser joias da coroa.

A segunda peça a ser mostrada naquela noite era um diamante do tamanho de uma bola de golpe. Quando ela foi mostrada pela modelo todos se mostraram admirados pela valiosidade da peça. Até mesmo eu quis observar mais perto a pedra preciosa. Aquela começou com um valor inicial bem mais superior do que a peça anterior, embora as duas peças se equiparassem. Enquanto a primeira tinha a importância de ter pertencido à família real britânica, a segunda peça era de um valor inestimável, uma pedra de muito valor.

Enfim, a terceira peça se mostrou inferior às duas primeiras e por isso não ganhou muito destaque. Seu arremate não foi superior aos 350 mil, um valor muito baixo para as peças até então mostradas e nas futuras que prometiam aparecer mais tarde.

“É agora...”

Eu esperava com ânsia a peça seguinte.

– Dessa vez temos uma pedra em formato de esfera, de um brilho alaranjado e que estudiosos no assunto e por sua fama dizem possuir o poder de realizar qualquer desejo. Ela foi achada em nosso continente e dizem por aí que há mais seis espalhadas pelo mundo, idênticas a essa. Caso alguém reunir essas sete esferas, poderá conjurar um dragão que realizará qualquer desejo seu. – o burburinho se formou na sala. Eu ouvia muitos falarem que aquilo era uma história sem valor, um mito que foi espalhado pelo mundo para ver se lucravam com a procura das esferas. Era um bom sinal as pessoas duvidarem da veracidade da história contada pela mulher no palanque. Quanto menos interessados melhor, mas eu percebi que apesar de discutirem a importância da pedra, ainda havia certo interesse na Dragon Ball por alguns. – O lance começa com 30 mil. Alguém? – ela pediu e eu imediatamente ergui o braço.

– 35 mil. – eu disse, rezando para ser o único a querer dar o lance, mas quando eu vi uma mulher já tinha erguido o braço e feito o seu lance de 40 mil. Outro braço se ergueu, de um velho senhor já de cabelos braços e ele deu o lance de 45 mil. Eu mordi os lábios. Aquela Dragon Ball seria minha de qualquer jeito.

– 50 mil. – eu disse erguendo mais uma vez a mão. O velho parecia ter se rendido, mas a mulher parecia por querer aquele objeto. Ela deu o lance de 55 mil cobrindo o meu.

– 60 mil. – eu disse, todos já pareciam muito aflitos, pois ninguém esperava que algum objeto que se baseasse em especulações ganhasse tanto destaque. A mulher voltou a erguer os braços dessa vez oferecendo 70 mil.

– 70 mil! – disse a mulher que conduzia o leilão. – 70 mil para esta esfera! Alguém dá mais para cobrir a oferta da Sra. Anderson? – Eu levantei a mão e cobri a oferta daquela mulher. – 75 mil oferecidos pelo Sr. Briefs! Chegamos a 75 mil! Alguém irá fazer oferta maior? – Por alguns segundos ninguém ousou cobrir minha oferta. Para uma peça que tinha começado com 30 mil e chegado aos 75 mil era dinheiro demais. Talvez nem mesmo se eles soubessem da verdade de que aquela era uma Dragon Ball valeria tanto dinheiro assim, mas para o meu espanto, a Sra. Anderson levantou o braço elevando mais a peça. Eu cobri o rosto avaliando o prejuízo no meu dinheiro.

– 90 mil! – eu gritei. Todos olharam abismados para mim, ninguém esperava que a esfera chegasse aquela oferta. Olhei em direção a Sra. Anderson e ela não ousou levantar mais o braço. Um minuto se passou e o leilão da Dragon Ball foi terminado.

– A esfera dos desejos foi comprada pelo Sr. Briefs. O leilão dessa peça está encerrado. Reservem essa peça e a coloquem no cofre junto das outras que já participaram do leilão. Lembrando, que todo o valor arrecadado será revertido em favor dos necessitados.

Suspirei aliviado. Finalmente havia conseguido minha quarta Dragon Ball. Agora só faltavam mais três e assim eu poderia convocar Shen-long.

O leilão se seguiu e eu tive que esperara todas as peças serem leiloadas. Passaram-se horas, até que se deu o final. O Sr. Sartre novamente subiu no palanque e encerrou o leilão com belíssimas palavras a respeito do quanto aquele dinheiro era importante para o hospital Santa Sophie. As palavras ditas por ele me fizeram abrandar o desespero que tinha invadido o meu intimo por toda aquela loucura em obter a Dragon Ball. Pelo menos todo aquele dinheiro iria ser revertido para pessoas que precisavam da quantia. Aquele dinheiro iria servir de bem para as pessoas que necessitavam e estavam muitíssimos doentes que se encontravam em estados terminais. Talvez com todo aquele dinheiro, mais hospitais poderiam ser construídos para abrigar as pessoas doentes que precisassem de cuidados especiais.

Definitivamente Gohan da onde quer que estivesse tinha gostado da minha audácia, por mais que aquela doação tivesse sido feita em busca do recebimento de outra coisa de igual valor. No caso, era a Dragon Ball.

“Qual seria o número dela?” eu agora me perguntava feliz da vida. Todos foram conduzidos para um salão mais amplo onde seria oferecido o jantar enquanto as pessoas que tinham arrematado as peças de valor recebiam-nas em um local especial.

O Sr. Sartre falou com todos aqueles que tinham comprado às peças. Ele passou por mim e me parabenizou pela esfera.

– Não esperava que o Sr, estivesse tão interessado nessa estranha esfera!

– Vim justamente por ela, Sr. – eu disse. – Ela será importante para desenvolvermos uma tecnologia importante em nossas empresas.

– Entendo. – ele sorriu brevemente. – Eu percebi que a Sra. Anderson estava muito interessado também em obter essa esfera. Mas, acho que no caso dela ela queria obtê-la para talvez realizar o seu desejo. Venha, eu irei apresenta-la. – ele me disse conduzindo em direção a mulher alta e loira, que era a tal da Sra. Anderson.

– Ah não precisa, Sr. Sartre. – eu protestei, no qual ele negou o meu pedido.

– Não seja por isso. – Ele abordou a Sra. Anderson e a cumprimentou com um beijo no rosto. Pareciam conhecidos. – Sra Anderson, este é o Sr. Trunks Briefs, neto do dono da “Capsule Corporation”. – ela olhou pra mim e se surpreendeu em me ver. Parecia que eu já era famoso, mas ninguém sabia que era para eu ser um bebê e não um homem crescido.

– Olá, Sr. Briefs. – ela sorriu e apertamos as mãos.

– Eu vou deixa-los a sós enquanto irei cumprimentar os outros sortudos. – ele então se distanciou de nós e foi cumprimentar o outro ganhador. Eu observei a Sra. Anderson. Ela era uma mulher muito jovem, talvez ainda nem fosse casada.

– Foi uma grande luta que travamos, não? – ela falou, mas em sua voz não parecia ter um pingo de ressentimento por eu ter conseguido a Dragon Ball e não ela.

– Definitivamente. Eu teria deixado a Sra. levar, mas a empresa precisa muito dessa “pedra”. – era estranho me referir a Dragon Ball como se ela fosse uma pedra comum.

– Ah, eu logo vi que você não estava a procura dela por esse boato que se espalhou em volta dela. Você sabe, não é?

– Sim, o Sr. Satre comentou. – eu disse, mentindo a respeito da Dragon Ball.

– Eu confesso que queria obtê-la para proveito próprio. Embora, seja só uma lenda, eu esperava que se eu a obtivesse, eu daria início a procura das outras. Dizem que são sete ao todo e que se reunirmos, poderemos ter os nossos desejos realizados. – ela disse, seu olhar se perdia, como se ela imaginasse fazendo o pedido.

– Quem sabe em breve, você não conseguirá realizar o seu desejo, não é? – eu disse gentilmente a mulher. Ela não disse nada, simplesmente levou o copo de bebida nos lábios e sorveu do líquido lentamente. – Com licença. – resolvi me afastar dela e esperar que os ganhadores fossem chamados.

– Até breve, Sr. Briefs. – ela me acenou e foi conversar com outros conhecidos. Eu fiquei no meu canto, esperando ser chamado.

Quando a cerimonia terminou, eu peguei a Dragon Ball e saí o mais depressa possível dali. Troquei a minha roupa e coloquei minhas roupas normais e saí voando. Aquela Dragon Ball que eu tinha conseguido era a de sete estrelas.

oOo

Eu me encontrava perdido no meio da savana. Eu olhava para todos os lados sem resposta. O sol estava cheio do céu fazendo o suor cair por minha testa. Até que um jipe apareceu no horizonte. Ergui os braços para chamar atenção e ele chegou ao meu alcance. Dentro do carro, havia dois homens, um baixinho usando um chapéu para bloquear o calor do sol e o outro moreno, usando óculos escuros, com uma espingarda na mão.

– O quê está fazendo aqui? – o baixinho que estava no volante me perguntou. Eu também não sabia o motivo de eu estar ali. O sinal do radar estava fraco e ele estrava em constante movimento. Eu não sabia onde ela poderia estar.

– Me perdi. Sinto muito. – eu disse. – Será que vocês podem me levar até a cidade mais próxima, ou pelo menos me indicar qual é a direção? Estou completamente perdido.

– Estamos vendo. – O homem baixinho disse me dando um mapa da região. – A cidade está a quilômetros de distância a norte daqui. No carro há somente esses dois locais para sentar, mas caso queira uma carona até a entrada da reserva é só subir na caçamba. – Agora que tinha conseguido a direção correta para a civilização, dispensava ajuda para chegar lá, mas como eles foram bons, pararam para me explicar onde eu estava e até me deram o mapa da região, eu pulei para dentro do carro, aceitando a carona.

– Muito obrigado. – eu disse. – Estamos em uma reserva?

Dessa vez foi o homem com óculos escuros quem respondeu a minha pergunta enquanto o outro guiava.

– Isso mesmo. Esse espaço é propriedade do governo local. Aqui existem inúmeros animais que precisam ser preservados. Você viu algum? – ele me perguntou.

Trunks em todo o percurso não tinha visto nenhum animal.

– Olhe. – o baixinho que guiava apontou para uma girafa enorme que andava bem ao longe. Ela estava rodeada por filhotes. A girafa abaixou os galhos das árvores para que os filhotes conseguissem se alimentar. Eu fiquei surpreso e ao mesmo tempo encantado com a presença do animal em ambiente livre. Até então só tinha visto girafas em zoológicos.

– Aqui também tem leões? – eu perguntei avido por mais informações, por um momento me esquecendo da pressa que eu estava em encontrar as Dragon Balls.

– Sim, mas eles não ficam aqui. – confirmou o baixinho no volante. – O quê está fazendo exatamente aqui? – ele perguntou enfim, enquanto eu tentava arrumar alguma mentira para contar o mais rápido possível.

– Bom,... eu estou aqui atrás de um tesouro. – eu disse e percebi que eu estava falando a verdade, embora não tenha falado exatamente o quê.

– Se está atrás de esmeraldas pode voltar para o local de onde veio. – disse o homem de óculos escuros. – Aqui há muito tempo que não vem ninguém para caçar. O governo local proibiu esses tipos de práticas e desde então a segurança redobrou em todo o território.

– Compreendo. – eu disse já vendo o portão da reserva se aproximar. – Mas podem ficar despreocupados que não é nada disso.

– Chegamos. – disse o motorista baixinho. Eu agradeci pela carona e percebi que dali eu poderia seguir sem muitos problemas. Caminhei seguindo as placas e como os guardas da reserva informaram a cidade mais próxima ficava a quilômetros de distância dali. Olhei para o radar e a Dragon Ball seguia o seu trajeto, sempre indo para um local diferente, em direção ao norte.

“Essa Dragon Ball será difícil de encontrar.” – eu disse já sentindo a dificuldade. Resolvi sobrevoar a região para ver se eu conseguia achar alguém para questionar a respeito da Dragon Ball. Até então eu tinha agido sozinho, mas dessa vez eu teria que pedir ajuda. Achei um grupo que andava por uma floresta fechada. Eu pousei em solo e segui aquele grupo até alcança-los. Quando cheguei mais próximo, eles perceberam a minha chegada e todos os três me apontaram armas. Aquilo para um Saiya-jin não representava nada, mas fiz questão de erguer as mãos, um gesto de paz, não iria combate-los.

– O quê quer? – uma mulher disse, apontando um rifle pra mim.

– Calma, eu só estava perdido até encontrar vocês. Achei que seria uma boa poder andar com vocês, em segurança.

– Podemos confiar nele, Victor? – a mulher que tinha me dirigido a pergunta agora olhava para o amigo, ao lado. Ele era alto, corpulento e trazia muitas armas em suas costas. Seu cinto estava repleto de explosivos. Victor me olhou de cima a baixo e andou até mim, me circundando. Ele não mais me apontava às armas. Para o homem, bastaria a mulher apontando o refle em minha direção e um o outro velho apontando a arma para eu me sentir pressionado a não revidar.

– O quê faz aqui, estranho? – ele me perguntou. Eu voltei a falar o quê tinha dito para a mulher. Que estava perdido e que de repente os tinha encontrado.

– Estava querendo chegar à cidade? – ele me questionou e eu confirmei com um acenar. Ele pediu para os outros dois abaixarem as armas. A mulher protestou, mas o outro gritou seu nome e ela resolveu fazer o quê ele tinha mandado.

– Quem são vocês? – eu agora resolvi também perguntar. Estava ansioso por saber se eles eram mocinhos ou bandidos, mesmo que sua postura gritasse se tratarem de contrabandistas da região, um grupo procurado pela reserva, como os guardas haviam me falado.

– Pelo visto você não é um dos guardas da reserva. – confirmei o quê ele tinha dito. – Muito bem, estamos aqui atrás de ouro e pedras preciosas. Queremos também uma boa pele de animal para podermos vender no mercado negro. – Ele disse enfim. Eu estava com os bandidos então. Resolvi assumir o papel deles. Eu dei um leve sorriso e resolvi me apresentar estendendo as mãos.

– Eu sou Trunks – omiti o meu sobrenome que poderia ser conhecido por eles – e por destino também estou procurando algo de muito valor.

– E o quê seria? – dessa vez era a mulher que me questionou. Seu nome era Penny, depois dela ter se apresentado.

– Vocês sabem da existência das esferas mágicas? – eles pareceram não saber do quê eu estava falando e por isso resolvi seguir com o meu relato. – Pois bem, eu estou atrás delas e pelo que o meu radar indica, ela está aqui em algum lugar. – Eu mostrei o radar do dragão para eles. A luz que indicava a Dragon Ball brilhava e estava parada. O ponto que indicava era aquele mesmo que eu estava. Isso significava que a Dragon Ball estava em algum lugar ali por perto, provavelmente com eles.

– Pelo visto alguém está com elas nesse momento, pois ela parou de se mexer. – disse o terceiro membro do grupo, um velho de cabelos brancos, mas com um vigor muito bom.

– Sim, por isso gostaria de seguir viagem com vocês. Parece que vocês possuem experiência em caça ao tesouro e é justamente disso que eu estou procurando.

– E por que ajudaríamos você? – questionou Victor sabiamente. Eu sorri vitorioso, me transformando em Super Saiya-jin e arranquei uma das árvores que estava ao meu lado. Eles olharam assustados, muito surpresos com o quê eu tinha feito.

– Eu sou forte o suficiente para garantir a sobrevivência e proteção de vocês caso haja necessidade. Vocês poderão economizar munição e garantirão uma proteção cem por cento eficaz. – Eles me observaram por um instante e caminharam para ficar um pouco distante de mim. Eles discutiam entre si a minha possível entrada no grupo. Eu fiz que estava alheio a discussão e esperava o desfecho do que eles iriam decidir. Finalmente a mulher foi em direção a mim e disse que eu poderia seguir com eles, mas iriam ficar de olho em mim, por enquanto. Eu aceitei suas condições e seguimos o percurso.

A caminhada era difícil, não havia um caminho pronto então passávamos por pedras e barrancos e muitas vezes tínhamos que atravessar rios que não existiam pontes que facilitariam a trajetória. Aquilo não era um problema pra mim e tão pouco pareceu para eles. Estavam acostumados com a caça em florestas como aquelas.

– O quê nesse momento vocês estão procurando? – eu perguntei. Victor olhou pra mim, enquanto continuávamos andando. – Ouro ou outras coisas para negociarem no mercado negro?

– Estamos a procura de algo que nos pertence, Trunks. – ele disse de uma forma enigmática.

– Algo que pertence a vocês? E o quê seria? – eu voltei a perguntar.

– Estamos atrás do que nos foi roubado ontem à noite. – Victor disse.

– E por quem foi roubado? – eu voltei a perguntar e ele parou de caminhar. Seus amigos seguiram o exemplo dele e se voltaram pra mim.

– Ontem a noite todas as nossas mercadorias foram saqueadas. Normalmente estamos na posse de alguns equipamentos a mais e com certeza você não teria nos visto a pé, seguindo esse trajeto tão complicado. – eu comecei a entender o quê ele falava.

– E vocês aceitaram a minha companhia para que vocês possam conseguir o que perderem na noite passada. – eu disse enfim.

– Você é muito inteligente, Trunks. – disse Victor.

– O quê iremos enfrentar? – eu perguntei, querendo saber da verdade. Caso não fosse do meu agrado, eu iria retirar a Dragon Ball que estavam em seu poder e imediatamente iria embora e não mais ajudaria aqueles que pareciam ser os vilões da história, agora mais do que tudo.

– Um grupo de pessoas que ainda vivem totalmente fora do contato da civilização. – Mas antes que eu dissesse alguma coisa, Victor continuou a falar. – Mas eu tenho a leve impressão que você conseguirá o seu tesouro por lá.

– Por que tem tanta certeza? – eu tinha começado a ficar mais interessado, apesar de estar sendo pressionando por eles.

– Porque eu estou na posse do que você deseja, Trunks. – ele disse enfiando a mão direita no interior do bolso da calça, revelando uma esfera com um brilho laranja e amarelo. Uma Dragon Ball. Ele voltou a enfia-la no bolso.

– Tudo bem, eu farei o quê vocês pedirem, mas no final do dia vocês irão me entregar à esfera.

– Claro. – Victor disse enfim voltando a caminhar.

Pelo menos agora eu sabia onde estava a Dragon Ball. Seria agora muito fácil toma-la. Eu ri internamente, seria muito fácil pegá-la, principalmente agora que eu sabia que a Dragon Ball estava com Victor, mas preferi não fazer nada, ficar na minha. Eu iria cumprir o meu trato e no final do dia, eu teria mais uma Dragon Ball. Tudo muito fácil, sem precisar lutar.

Seguimos caminhando, atravessando árvores, às vezes tínhamos que cortar troncos ou cipós para podermos seguir. Às vezes tínhamos que desviar, pois encontrávamos animais perigosos no caminho. Surgiu então o descampado, pedaços de capins na tonalidade laranja, como se estivessem queimados. Eu olhei para o céu e o sol estava em seu esplendor. Sentia-o queimar a minha pele e gotas de suor caiam agora em bicas pelas minhas costas e rosto. Provavelmente o capim era mesmo queimado pela luz do sol todos os dias, por isso deveria ter aquele aspecto velho, com a coloração laranja.

– Falta quanto pra chegar? – perguntei e foi Victor quem respondeu.

– Alguns quilômetros. – pra mim que tinha força de um Saiya-jin, o percurso seria travado tranquilamente e com mais rapidez se eu voasse, mas eu estava ali com outras pessoas, que desconheciam a minha raça. Tinha que acompanha-los. Além disso, não seria prudente revelar toda a minha força a eles, por mais que eu já tivesse me transformado em Super Saiya-jin. Não naquele momento.

Adentramos novamente em mata fechada. O oxigênio da floresta reanimava os três. Realmente, meu corpo descansava mais naquele ambiente, o calor se acalmava e a sombra que as folhas das árvores nos davam, faziam com que o suor do nosso corpo se secasse. De repente Victor parou. Ele pediu que nós fizéssemos silêncio. Nos abaixamos e nos esgueiramos pelas árvores, nos tapando com a vegetação rasteira que também preenchia o local. Victor me chamou com o apontar do dedo. Me arrastei até ele.

– Está vendo aquilo ali? – seu olhar me guiou para a clareira que surgiu no meio da floresta. Algumas velhas senhoras estavam sentadas em círculo, pareciam costurar alguma roupa, com uma estranha linha. O material usado eram folhas grandes de alguma planta. Mais adiante, podíamos ver suas habitações, cabanas feitas com o material encontrado na selva, mas muito bem construídas vendo o tipo de material que tinha sido usado. Um homem que parecia ser o líder saiu de uma das cabanas e se sentou em uma cadeira, feita de uma madeira negra, ricamente decorada com pedras preciosas. Ao seu lado, estava sempre uma menina de seus doze anos. Era baixa, tinha as feições delicadas, assim como os outros, tinha a pele morena, seus cabelos eram pretos.

– Parecem ser tranquilos. – eu disse, continuando minha analise com o olhar preso naqueles estranhos.

– Engana-se. – disse Victor e um estranho brilho apareceu em seus olhos, algo que só ele saberia e que não queria me contar. Bom, se era para nós entrarmos em contato com aquelas pessoas, logo eu saberia do que se tratava. Eu então fiz menção de me levantar, mas Victor me puxou de volta.

– Espere, temos que avistar onde estão as nossas coisas. – ele disse.

– Devem estar guardadas dentro daquelas cabanas. – eu disse. Pra mim, quanto mais rápido atuássemos, mais rápido eu sairia dali com a minha Dragon Ball.

– Sim, mas temos que fazer um plano. – ele disse. Olhei para os outros dois e eles confirmavam o quê Victor tinha falado. Aquilo estava fazendo eu ficar mais nervoso. Não estava acostumado na viagem que eu tinha feito até agora traçar planos. A verdade era que eu tinha pressa e planos sempre pediam algum tempo de estudo. Para um Saiya-jin, um guerreiro Z, fazer planos para lutar com pessoas que não chegavam nem aos nossos pés no quesito luta, era tempo perdido. Fazíamos planos se o guerreiro em questão era do tipo o androide em que lutamos ou com Freeza ou mesmo com outro Saiya-jin, mas com humanos tudo era muito rápido e fácil. Eu toquei no ombro de Victor.

– Deixe comigo. – E antes que ele pudesse falar alguma coisa, eu corri para onde os outros estavam. Um grito se seguiu daquelas velhas. O homem que parecia o chefe ergueu subitamente e me olhou. Percebi que a cor de suas íris era de um tom estranho de branco, levemente de um azul bem claro. O mesmo tom de branco também era visto nas íris da menina que continuava ao seu lado.

– Calma, eu estou aqui em paz. – eu disse, levantando as minhas mãos. Percebi que os homens guerreiros tinham se aproximado, se revelando por detrás das árvores. Talvez soubessem de nossa presença antes de eu ter me revelado. Tudo parecia ter sido planejado.

– O quê quer? – disse o homem que se aproximou. Ele era mais alto do que eu, um pouco mais musculoso. Quando ele estava mais perto de mim, eu senti seu Ki. Meus olhos se abriram de espanto. Aquele Ki era surpreendente. Poderia jurar que o poder daquele homem era equivalente a um dos Guerreiros Z Saiya-jins.

– Reaver o quê é meu. – eu disse. Ele me analisou com um olhar, depois observou a menina ao seu lado.

– Você está mentindo. Fale a verdade. – ele agora gritava pela clareira. Olhei para os lados e vi os guerreiros se aproximando mais, alguns estavam com os arcos em punho, as flechas já estavam na minha direção. Outros estavam armados, usando metralhadoras e revolveres. Aquilo não me preocupava nem um pouco. Aquele que me preocupava estava a minha frente.

– Vim buscar o meu armamento que foi roubado ontem à noite. – eu disse.

– Seu armamento? – o homem perguntou. – Ou o armamento daqueles que estão escondidos? – ele mirou na direção que Victor e os outros dois estavam. – Não me faça de trouxa, guerreiro Saiya-jin. – me surpreendi mais ainda.

– C-Co... – mas antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, a menina que estava ao seu lado falou:

– Assim como você, viemos de outro planeta. – Ela disse e apesar de ser uma menina, sua voz era firme, uma espécie de sabedoria emanava de seu rosto. Ela não era uma menina comum.

– Sabemos que você não é puro sangue. – disse o homem. – Seu pai ou sua mãe era Saiyajin puro. Você é mestiço dessa raça de guerreiros.

Ter alguém sabendo sobre si mesmo e você desconhecendo os poderes desse alguém deixaria qualquer um surpreso e ao mesmo tempo impotente perante esse estranho. Aquela situação era puro perigo. Talvez o quê eu sentisse seria descrito como medo para os outros. Era difícil ligar medo às feições daquelas duas criaturas que tinham traços tão delicados, angelicais.

– Não sei o motivo da surpresa, meio Saiya-jin. Pode ser que o feito de vocês tenham sido ocultados para a população comum desconhecer a força que vocês possuem, mas nós, os descendentes da raça Unovejin sabemos da verdade. – dessa vez era a menina falando. – Aliás, vocês não são os únicos. Os Namekuseijins também estão entre nós, assim como um único que parece ser muito humano, mas possui poderes muito fortes, o Mitsumejin.

– O quê pretende fazer comigo? – eu perguntei. Estava pronto para puxar a minha espada, mas pensei melhor e achei que seria idiotice a minha tentar brigar com todos aquelas pessoas que me rodeavam. Apesar do meu poder Saiya-jin, eles eram em muitos.

– Se acalme guerreiro. – disse o homem. – Nós ainda não nos apresentamos. Eu me chamo Kiriyu e esta menina se chama Selene. Nós temos a tarefa de guiar o povo Unovejin aqui na Terra em nome dos nossos soberanos que ficavam no Planeta Unov. E você?

– Pensei que vocês já soubessem... Me chamo Trunks. – eu disse.

– Trunks, sabemos que você não está sozinho. – o homem que se chamava Kiriyu falou enquanto a menina de nome Selene olhou para onde Victor e os outros dois estavam escondidos.

– Sabemos que você está com eles, mas que só está os ajudando, pois estão com algo que você deseja ter. – disse Kiryu.

– Então facilitem o processo e devolvam o quê roubaram deles. Eu prometo que saio rapidinho daqui. – eu disse já perdendo a paciência com aquela conversa. O meu único objetivo era pegar a Dragon Ball que estava com Victor e sair dali o mais rápido possível para ir encontrar às duas outras. Só faltavam somente duas Dragon Balls e eu assim conseguiria ter o meu pedido realizado por Shen-long.

– Não será preciso. – dessa vez foi à menina Selene quem disse. Seus braços se movimentaram e de repente a Dragon Ball saiu do meio dos arbustos onde Victor estava escondido e foi em direção à mão esquerda da garota. Pelo o que eu vi a Dragon Ball que estava no poder de Selene era a de três estrelas.

Os outros três ficaram em pé imediatamente.

– O quê fizeram? – gritou Victor.

– Agora além de roubarem o nosso armamento também roubaram o que irá garantir a permanência desse homem para nos ajudar! – disse Penny.

– É isto que você deseja, Trunks? – perguntou Kiriyu.

– Vocês sabem da existência das esferas mágicas? – eu perguntei interessado em até que ponto eles sabiam dos nossos segredos.

– Nós também temos as nossas. – ele disse. – Em Unov.

– Tome o que é seu. – Kiryu fez um movimento e a Dragon Ball que até então estava próxima à menina, voou na minha frente. Eu a peguei no ar e guardei junto com as outras. Respirei aliviado. Enfim eu estava com a Dragon Ball de três estrelas em meu poder. – Sabemos que o seu desejo não trará nenhum mal a esse mundo.

– Obrigado. – eu disse.

– Você não pode fazer isso. – gritou Victor. Eu olhei para o homem que estava mais próximo de nós.

– Ao contrário deste que quer roubar a riqueza dessa terra e matar serem indefesos. – disse Kiryu e com mais um gesto com as mãos, interrompeu os passos dos três. Meus olhos se abriram mais, surpreso com o quê ele tinha feito somente com as mãos.

– Como você faz isso? – eu perguntei.

– Nós temos o poder da manipulação dos objetos e seres vivos, assim como temos o poder de ler e dominar mentes. – disse Selene.

– Podemos não ter a força dos Saiyajins ou o espírito livre dos Namekuzeis, mas o povo Unovejin também tem os seus atributos. – completou Kiriyu. – Para você ter se aliado a eles, essa Dragon Ball é muito importante para você.

– Muito. – eu confessei. – É com ela que poderei reaver aquele que eu amo.

– Entendo. – disse Selene. – Boa sorte em sua jornada, Trunks.

– Sim, desejamos boa sorte. – observei todos ali abandonando as armas e se abaixando, como se tivessem me reverenciando.

– Vocês não irão impedir que eu siga o meu caminho? – eu perguntei ainda não acreditando na sorte que eu tinha tido em encontrar aquele povo de íris brancas e feições angelicais.

– Não. Por tudo o que você passou todo o seu sofrimento e por já ter salvado o destino desse planeta. Você merece. – disse Selene.

Então eles sabiam do que tinha acontecido, na luta que tínhamos travado contra os androides, contra Cell.

– Vocês... – antes de seguir o meu discurso, Kiriyu me interrompeu.

– Sim, nós sabíamos que uma luta estava sendo travada e que a Terra corria perigo, mas também sabíamos que vocês, os Saiyajins iriam nos salvar. – o homem completou.

– Nós, o povo Unovejin, somos fracos com relação à força física, por isso, vocês, os guerreiros Z desconhecem a nossa existência. – disse Selene.

Isso explicava muita coisa.

– Bom, de qualquer forma muito obrigado. – eu disse e saí voando.

Ainda olhei para baixo e vi os três caçadores fugirem de todo uma tribo que os ameaçam somente com um olhar. Apesar do povo Unovejin não ter força física, possuíam uma energia psíquica muito grande, algo que poderia ser comparado à força física de um Saiyajin.

– Obrigado Selene e Kiriyu. Nunca irei me esquecer de vocês. – eu disse, seguindo um novo caminho.

oOo

A velocidade com que eu voava era assustadora. Até mesmo Gohan tinha se espantado. Eu girei no meu próprio eixo e disparei ki das minhas mãos, o atingindo nos braços. Avancei para ficar mais próximo do corpo dele e o soquei com todas as minhas forças em seu rosto. Observei sangue escorrer por ali.

– E quem disse que eu não sou pareô para você?

Gohan cuspiu o resto de sangue da sua boca e veio pra cima de mim, mergulhando com tudo no ar e me atingindo com vários socos. Desviei de alguns e outros ele me alcançou. Meu rosto se moveu de um lado e do outro, enquanto ele me dava uma joelhada no meu abdômen. Não deixei barato. Retirei a espada da minha bainha, a energizei com o meu ki e parti pra cima, mas quando ele se transformou em Super Saiya-jin, ele conseguia bloquear tão bem a espada que ele havia dado que eu tive medo de quebra-la.

– Tome cuidado com o quê eu te dei Trunks. – ele sorriu mostrando os dentes cobertos de sangue. Nojento. Eu arremessei sua espada e ela se fincou diretamente no chão.

– Venha, Gohan. – eu o instiguei abrindo os meus braços, mostrando que eu estava livre de algum armamento.

– É assim que se fala! – ele virou os meus braços e os prendeu nas minhas costas. Meu corpo já estava pingando pelo suor, e o contato mais prolongado com Gohan me deixava sem folego. Ele repousou seu rosto em meus ombros. Eu virei para o lado e encarei seus olhos vivos, verdes após a transformação.

– Gohan... quando eu me transformar, eu também ficarei assim?

– Sim, seus cabelos também ficarão loiros e seus olhos se tornarão verdes.

Eu tentei me soltar de sua pressão em meus braços, mas quando ele se transformava, era difícil lutar contra ele. Gohan ficava extremamente forte quando se transformava em Super Saiya-jin.

– Vamos, Trunks.... – mas ele tinha afrouxado mais seus braços, agora eu poderia me mover com mais facilidade. Eu me virei para ficar de frente ao seu corpo, era espantoso o modo como ele mudava quando estava naquela forma. Sem ter consciência do que eu fazia, eu toquei em seu rosto e subi meus dedos para os seus cabelos. Um fio se desgrudou do seu couro cabeludo o trouxe para observar mais perto e vi que continuam loiros.

Olhei novamente para a face do meu mestre. Estar tão próximo dele me fazia me sentir menor. Quem seria eu para me comparar com Gohan? Eu afastei suas mãos e desci lentamente, pousando no chão. Continuei olhando pra ele que estava no alto. Nenhum de nós falava. Gohan não sabia o quê se passava comigo, mas nada precisava ser dito. Eu me virei e saí andando, sem me preocupar com o treinamento incompleto. Vê-lo tão perto havia me despertado para a realidade. Passei a andar mais rápido até perceber que eu já estava correndo. Olhei para trás e percebi que eu não sabia onde estava. Eu me encontrava perdido e tinha deixado Gohan sozinho. Eu olhei pra cima e vi uma cachoeira. Resolvi observar a vista lá de cima. Voei até lá e fiquei observando a cascata cair. Alguns restos de água caiam pelo meu rosto. Aquilo me agrava bastante. Olhei para o céu e me lembrei das palavras da minha mãe sobre o meu pai... de como a vida era no passado e do quanto aquele inferno iria durar. Se pelo menos tivéssemos uma solução, se eu pudesse atingir o nível de Gohan, poderíamos ser pareô, mas... olhei para as minhas próprias mãos. Ver o quanto eu demorava em mudar de nível era devastador pra mim. O Ki de Gohan se fez presente. Não tentei fugir dele. Eu já tinha feito isso antes. Me virei e ele continuava transformado.

– Por quê fugiu Trunks?

Eu demorei para responde-lo. Não tinha mais vontade de dar satisfações a ele. Mas depois eu percebi que estava sendo infantil. Eu como aluno tinha que falar o que se passava comigo para o meu mestre, para ele poder me ajudar.

– Eu já estou cansado...

– Podemos terminar o treino amanhã.

– Não, Gohan. Eu já estou cansado de tudo. – eu disse enfim me aproximei dele e dessa vez toquei em seus braços fortes. – Pode falar a verdade, Gohan. Fale que eu nunca irei chegar aos seus pés, que nunca terei toda essa sua força... eu abaixei o rosto, mas senti ele o levantar, para que eu mantivesse meus olhos em seu rosto. – Eu não gosto quando você se transforma em Super Saiya-jin. Com isso, nossos poderes ficam cada vez mais distantes.

– Mas é desse modo que você irá melhorar, Trunks. Você precisa se projetar em mim, treinar com afinco, focar um objetivo e ir até o fim. – ele disse. Eu me perdi em suas palavras. Eu observei seus cabelos loiros se tornarem novamente em pretos.

– Eu prefiro assim.

– Vamos dar um tempo com o treinamento. Hoje vamos tirar o dia de folga. – Ele então me ergueu e me colocou nas costas, como se eu fosse um menino que ainda brincava de cavalinho com os adultos. Mas ao invés de protestar, eu o envolvi seu pescoço nos meus braços.

– Obrigado, Gohan. – ele andou, tentando me jogar no chão, mas eu fui duro na queda até ele correr na beira, onde havia a caída das águas e mergulhou em uma espiral. Meus gritos ecoaram e assim caímos no rio lá embaixo. Quando submergimos eu nadei até Gohan e o tentei afoga-los. Aquele foi um dia de brincadeiras.

As minhas costas ardiam em brasa a medida que ele passava seus dedos sobre os meus ferimentos, com uma toalha, com um curativo. Ele recomeçou a brigar comigo, que eu deveria ter mais cuidado. O repeli dizendo que não era nada, mas ele me envolveu com as pernas, não me deixando me soltar. Bufei de raiva e esperei que ele terminasse o curativo.

– Eu sei de uma coisa que irá melhorar. Mais do que esse medicamento que você está colocando em mim. – eu falei.

– O quê? – ele perguntou parando de passar a toalha nas minhas costas. E eu virei o meu rosto e o beijei seus lábios. Apesar de continuar sentindo dor, eu o envolvi com os meus braços seus ombros. Senti ele me apertar mais nos braços. Eu sentei em seu colo e percebi que seu membro já tinha se despertado. Eu o peguei e comecei a massageá-lo. Eu o tombei na cama e subi em seu tronco. Apesar das surras que eu tinha recebido dos androides, eu ainda tinha forças para fazer amor com Gohan naquela noite. Voltamos a nos beijar intensamente enquanto eu sentia ele me tocar, nas partes que eles sabiam me estimular.

De repente senti um forte brilho dourado nas minhas vistas e percebi que já tinha amanhecido. O sonho que eu tinha tido durante a madrugada, era uma verdadeira rememoração do que eu tinha vivido junto de Gohan.

Olhei para o meu relógio e percebi que estávamos ainda no começo da manhã. Espreguicei-me, fui em direção ao rio mais próximo, fiz a minha higiene pessoal. Voltei para onde tinha deixado as minhas coisas, comi alguns frutos que estavam maduros no topo das árvores e resolvi partir.

Aquela seria a penúltima Dragon Ball. Eu estava cada vez mais perto de convocar Shen-long e ter o meu pedido realizado. Olhei para o radar e percebi que ela estaria longe dali. Aumentei a velocidade e assim se passaram as horas.

Quando percebi, tinha voltado a ficar mais próximo da casa da minha mãe naquele tempo. Sobrevoei rumo às árvores, com o meu olhar preso no radar para não perder o ponto, vi algo brilhar.

Aquele brilho alaranjado só poderia ser da Dragon Ball. Percebi que as outras que estavam comigo começaram a também brilhar. Quando estava próximo de pegá-la, um pássaro voou para perto de mim. Um pterodátilo. Ou melhor dizendo, dois pterodátilo me cercaram.

“Mas por quê eles estão tão agitados?”

A minha pergunta foi respondida quando eu vi que eu estava me aproximando do ninho das duas aves dinossauros. Os ovos brancos estavam ali, junto de uma das Dragon Balls.

“Ótimo! Como irei fazer para pegar?”

Era uma pergunta que eu me vi fazendo já que normalmente a fêmea ficava botando os ovos enquanto que era o macho que saia para buscar alimento. É claro que se eu só ameaçasse os animais com uma bola de ki, feita em minhas mãos, seria suficiente para dispersá-los, mas pensando melhor a respeito das tácticas que usaria, não seria justo com aqueles animais. Definitivamente, os coitados não tinham nada a ver com o meu desejo em poder me encontrar com Gohan...

Fiquei alguns minutos observando o local. Será que aquele seria o fim do meu desejo? Observei os dois pterodátilos ao longe, um ajudando o outro para conseguirem ter os seus filhos.

Uma família muito bonita.

Um grito conhecido me chamou atenção. Depois, percebi que não era só o grito, mas também se tratava de um ki. Fui em direção daquela energia e vi que eu estava na frente da casa de Goku. Observei Chi-Chi falar para seu filho mais velho não ir muito longe, pois precisava estudar. Enquanto que o mais novo dos filhos de Goku estava nos braços da mãe, sendo alimentado por uma mamadeira.

Gohan se afastou da casa e se surpreendeu com a minha presença. Depois de tanto tempo longe do menino, eu o via. Tinha crescido tanto, usava uma bata de modelo chinesa de cor branca, sapatos e calça pretas.

– Trunks! – o menino correu para me alcançar. Sorri diante do menino. O salvador desse tempo, o herói que foi capaz de derrotar Cell, uma criança que demonstrou ter força suficiente para derrotar qualquer força extraordinária do universo.

– Como esse mundo é pequeno, Gohan. – eu disse, andando para dentro da floresta. Gohan caminhou mais apressado para me alcançar.

– Não sabia que você estava de volta. – disse o menino – Alguma coisa aconteceu?

– Não. Eu estou aqui para completar uma missão pessoal. – eu confessei.

– Posso te ajudar em alguma coisa? – Gohan sempre tinha vontade de ajudar os outros. Era difícil traçar semelhanças entre este Gohan desse tempo e o meu Gohan que eu conheci. Aquele parecia tão ingênuo, vivendo em um ambiente agradável e o outro convivendo com marcas, cicatrizes que delinearam o seu espírito, o seu agir.

Como seria o Gohan que eu iria conhecer dali algum tempo? Será que ele seria mais parecido com o Gohan desse tempo ou do meu tempo? Muitas vezes eu ficava pensando se seria melhor ele ser mais parecido com o Gohan adolescente, um Gohan mais saudável, mas as vezes eu pensava que se ele fosse mais parecido com o Gohan que eu conheci, talvez despertar o amor que ele viria a ter por mim, não seria tão difícil.

Aliás, manipular os sentimentos dos outros era o certo?

Não, não era certo. Por isso eu deveria me sentir contente em estar com o Gohan, seja ele qual fosse.

– Não, Gohan. – eu sorri gentilmente para o menino. – Está tudo bem.

– Bom, então... você gostaria de participar do meu treinamento?

Me surpreendi por Gohan ainda manter o seu treino com artes marciais. Eu pensei que depois da morte de Goku, Chi-Chi havia abolido permanentemente artes marciais da casa deles. Mas pelo visto, não era o quê eu pensava.

– Eu pensei que você tivesse desistido do treinamento. Eu me lembro que você nunca foi fã de artes marciais. – eu disse, tentando me abrir com ele.

– Isso é verdade, mas depois do que aconteceu com o meu pai, eu decidi treinar pelo menos uma vez por semana. Acho que isso não irá me prejudicar nos estudos. Além disso, acho que isso é um jeito de manter o espírito do meu pai por perto. Me sinto mais próximo dele quando treino. – ele disse, observei suas faces corarem. Realmente Gohan era um menino de ouro. Seu pai deveria ter muito orgulho, de onde ele estivesse.

Depois do que tudo ele disse, não fui capaz de recusar o pedido dele. Não teria problema, a Dragon Ball estava localizada, eu teria que dar um tempo para ver como eu iria conseguir a esfera.

– Onde você treina? – o menino começou a correr para sair voando. Eu fiz o mesmo, o seguindo.

– Mais pra frente. Daqui alguns minutos chegamos em um descampado. Sabe, normalmente as pessoas treinam dentro da floresta. É mais silencioso, mas eu tenho muitos amigos lá e tenho medo de feri-los.

– Mesmo? – eu comecei a pensar nos Pterodátilos. Será que Gohan tinha contato com os dinossauros alados.

– É aqui! – ele parou e pousou em uma imensidão, somente com montanhas e areia. Ali, não existia nenhum ser vivo para sofrer com os possíveis ataques. – Trunks, pode me atirar uma bola de energia.

– Tem certeza disso, Gohan? – eu perguntei, jogando as minhas coisas de qualquer jeito no chão.

– Sim. – confirmou Gohan.

Eu me transformei em Super Saiya-jin e comecei a atacar o menino. Ele conseguia desviar das bolas de energia do meu ki, muito bem. Gohan realmente estava a anos de distância a frente do meu poder. Aumentei a força do meu ki, retirei a espada que estava nas minhas costas, expandi a minha energia, fazendo com que a lamina estivesse coberta pela força do meu corpo e fui em direção ao corpo de Gohan para atingí-lo.

Direita, esquerda, centro. Algumas vezes atingia a sua pele, mas como ele também tinha se transformado em Super Saiya-jin, não iria resolver nada. Guardei a minha espada antes que ela se quebrasse e soquei o seu rosto. Sangue saiu de sua boca. Finalmente eu havia o atingido. Ele cuspiu o sangue de sua boca, sorriu pra mim e quando menos eu esperei ele estava diante de mim, já agarrando os meus braços me imobilizando.

– Desculpa, Trunks.

Ele me deu uma chave de braço e me socou na região do estomago. Caí inutilmente no chão, tossindo e sentindo o peso do golpe.

– Não, Gohan. Estamos treinando. – eu disse me levantando, voando em uma velocidade surpreendente para ficar perto dele. Começamos a trocar chutes e socos na nossa velocidade Saiya-jin. Aos olhos dos outros, só erámos pontos luminosos do céu. Mais nada. Estávamos em uma mesma posição. Trocávamos golpes, mas tínhamos retirado à força de nosso ki. Agora estávamos só treinando, fazendo os movimentos dos chutes e dos golpes com nossas pernas e braços.

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Ficamos assim por algum tempo. Gohan então ergueu a mão para que déssemos uma folga. O menino pousou e se destransformou. Seus cabelos loiros se tornaram pretos e seus olhos, antes verdes, ficaram pretos. Eu fiz o mesmo.

– Foi um bom treino, Trunks. Obrigado. – Gohan disse.

– Não tem o motivo de agradecer, Gohan. – eu disse pegando as minhas coisas.

As nossas respirações ficaram normais, nos deixando termos uma conversa mais tranquila.

– Gohan, você gosta muito de animais, não é? – eu perguntei.

– Sim, eu gosto. – disse ele.

– E você tem amizade com os animais da floresta que fica perto da sua casa. – Gohan deu um grande sorriso.

– Sou muito amigos deles. Desde criança. Sabe, crescemos juntos e meu pai sempre me falou que os melhores amigos são os animais.

– Entendo. Então... será que você pode me fazer um favor? – eu perguntei perante os olhares indagadores do menino.

Eu expliquei o quê tinha acontecido mais cedo. Gohan compreendeu o quê eu queria. Nós sobrevoamos a floresta, eu com o meu radar. Apontei em direção o local onde a Dragon Ball estava. Como da outra vez, as duas aves estavam sobrevoando o ninho. No meio dos ovos brancos, estava uma esfera alaranjada. Gohan pediu para que eu aguardasse em solo. Fiz o quê ele disse. Lá do alto, observei o menino conversar com os pais. Ele realmente tinha muitas habilidades com os animais que com certeza aquele casal de aves dinossauros tinha uma amizade com o garoto. Ele foi junto com um deles até o ninho. Pediu para pegar a esfera alaranjada. Ele disse para os pais tocarem a pedra e eles logo perceberem não se tratar de seus ovos. Gohan pediu para ficar com a esfera, deu um abraço dos pterodátilos e saiu com a Dragon Ball em mãos. Ele pousou na minha frente.

– Aqui está. – eu peguei a Dragon Ball. – Eles são meus amigos por isso foi fácil de pedir pra eles. O pai com certeza deve ter pegado por engano a pedra e ter colocado no ninho, pensando se tratar de seus filhos. Ele pediu pra falar para se desculpar pelo engano.

Eu comecei a rir. Gohan também fez o mesmo. Com a ajuda dele, eu tinha conseguido a Dragon Ball de quatro estrelas.

– Ainda faltam muitas? – ele perguntou enquanto eu guardava o radar e a Dragon Ball.

– Não. Só falta a última que deve estar distante daqui. – eu falei.

– Então que bom. Você está mais próximo de conseguir realizar o seu pedido. Espero que Shen-long o realize para você.

– Sim, com certeza ele irá realizar.

Conversamos por algum tempo até que percebi que já era hora de partir. Eu me despedi de Gohan e falei que ele nunca mais iria me ver. Ele me deu um abraço e me desejou boa sorte em minha viagem de regresso. Acho que ele pensava que eu iria voltar para o meu tempo. Acenei pra ele, peguei o radar e segui o meu caminho.

Com ajuda de Gohan, eu consegui obter a penúltima Dragon Ball e logo, eu estaria novamente com ele.

oOo

Ela estava próxima, eu observei o radar indicar a posição da última Dragon Ball. Faltava pouco para a minha jornada terminar. Olhei para o céu e vi as gaivotas planarem pelo horizonte. Desliguei o motor da lancha que eu estava usando. Por sorte, minha mãe do meu tempo havia me dado um kit de cápsulas contendo inúmeros transportes. Me debrucei na embarcação, estiquei os braços e toquei os dedos na água. Eu sorri ao ver um golfinho se aproximando. Retirei a parte de cima da minha roupa, coloquei o radar no chão da lancha e pulei em direção ao mar. Possivelmente ela estava ali, só restava procurar.

De repente olhei para o lado e vi na companhia de dois golfinhos que nadavam um do lado do outro. Estar na companhia deles era espetacular. Eles começaram a dar voltas em meu corpo, tentando brincar comigo. Eu abri a boca, mas logo a tampei de pressa. Não queria ter falta de oxigênio em um momento como aquele. As águas eram claras e o mergulho para chegar em solo foi profundo, mas quando percebi já estava com as mãos na Dragon Ball de duas estrelas. Eu a coloquei no bolso e dei adeus aos golfinhos, nadando outra vez em direção a lancha. Quando emergi do mar, estava feliz da vida. Não aguentei e comecei a gritar e vibrar com a minha conquista. Finalmente depois de tanto tempo poderia convocar Shen-long. Transformei a lancha novamente em cápsula, coloquei no estojo e fui em direção a “Capsule Corporation” para devolver o radar para a minha mãe daquele tempo.

Quando ela me viu, me abraçou e me desejou boa sorte com o pedido.

oOo

Voei então para o Templo de Kami-sama. Queria que ele estivesse presente quando fosse fazer os pedidos. Piccolo estava vivendo ali. Ele se surpreendeu com a minha chegada, mas nada falou quando falei sobre as Dragon Balls estarem comigo. Ele chegou a me perguntar se algo estava acontecendo, mas disse rapidamente se tratar de um assunto pessoal.

Piccolo me perguntou se eu tive muitos problemas em encontrar as Dragon Ball. Por isso, relatei minha pequena jornada para encontrar as sete esferas. Depois de tantos desejos reprimidos agora poderia convocar Shen-long.

Juntei as sete esferas no piso do Templo e exatamente como há um ano, Dende, o novo Kami-sama rezou para Shen-long aparecer. As Dragon Balls brilharam e de repente um grande dragão verde subiu ao céu. As nuvens tinham se tornado negras, parecendo que estávamos em um dia de chuva.

Apesar de já ter visto antes a convocação do dragão, eu cheguei a me assustar com a imponência que o dragão emanava. Uma figura lendária, podendo ser considerada uma presença divina.

– Me digam os dois desejos! – Shen-long falou olhando pra baixo, requerendo que um dos presentes fizesse seu desejo. Eu olhei de Piccolo para Dende e voltei minha atenção para Shen-long.

– Eu quero que minha mãe que vive na minha era tenha uma nova chance de ser feliz. Eu quero que ela se esqueça da minha existência e que encontre amigos e um novo amor. – eu disse, tentando mentalizar o meu pedido, esperando que ele fosse um desejo possível de ser realizado por Shen-long.

– Como deseja. – as palavras de Shen-long fortes ecoaram pelos ouvidos. Eu abri os olhos e fitei o grande dragão. – Pedido realizado. – Percebi minha respiração se acalmar quando ouvi o dragão dizendo essas palavras.

– Obrigado, Shen-long. – eu disse para o dragão.

– Faça o outro desejo. – Shen-long pediu.

Eu olhei mais uma vez para Piccolo e Dende.

– Boa sorte. – Piccolo me disse. Minha respiração mais uma vez se intensificou. Minha atenção foi para o dragão.

– Eu quero poder viver em outro mundo, um mundo que o meu Gohan do passado ainda continue vivo. – depois de verbalizar o que havia imaginado há tanto tempo, fechei os olhos e esperei a voz de Shen-long se fazer presente dentro de mim. A resposta demorou a ser dita. Meu coração começou a tremer. Ansiedade a mil. Quando percebi que meu desejo não seria realizado, Shen-long disse em alto em bom som para todos:

– Desejo realizado. – fiquei tragado pela ansiedade, ainda não tinha caído em mim que meu desejo seria realizado.

Uma sensação estranha começou a aparecer. Olhei para os meus próprios dedos, para as minhas mãos que começaram já a desaparecer. Me voltei para os pés que também sumiam aos poucos. Olhei para o lado e vi Dende dizer adeus e me desejou sorte. Piccolo sinalizou um adeus até que eu não conseguisse mais vê-los.

Me vi no escuro, sem algo ou alguém.

Esperei algo aparecer diante de mim, mas nada havia ali a não ser o negro. Eu gritei, tentando procurar alguém, mas ninguém me respondia.

“Algo deu errado...” era o quê minha mente gritava.

Uma pressão em meu estomago tinha começado e eu percebi meu nervosismo crescer.

“Sim, algo deu errado! Droga!”

Não havia chão, mas sentia que estava caindo. Tentava me agarrar em alguma coisa, mas não havia nada ali para ser agarrado. Só havia negro, um buraco que tinham me colocado, só escuridão. De repente fechei os olhos e parei de me preocupar. Como Shen-long havia falado, meu desejo iria ser realizado.

Perdi o tempo e parei de querer me controlar. Me entreguei a escuridão e esqueci que estava ali.

Depois de algum tempo, não sabia quanto, escutei uma voz gritando, barulho de motor, uma buzina que ecoava em meu ouvido. Quando abri os olhos vi uma luz me cegar e de repente tudo tinha virado breu novamente. Senti uma intensa dor e passei a não perceber mais nada.

Antes de eu cair inconsciente, escutei alguém falar as seguintes palavras perto de mim:

– Alô, eu preciso de uma ambulância urgente.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.