Burst Of Magic
1 Andrômeda
– Hahahah! – A risada maléfica ecoava por todas as paredes da grande cidade de Los Angeles, abafando as doze badaladas que confirmavam já ser meia-noite. Porém, ninguém parecia saber de onde vinha. Em um beco escuro, no canto mais isolado da cidade, uma espécie de portal negro se abriu na lateral de uma velha casa que há muito tempo estava abandonada.
– Chegou a hora – Uma voz feminina veio do interior do portal quando Andrômeda saiu dele. Logo o mesmo se fechou.
Andrômeda fitou a Lua que cintilava no céu escuro e esboçou um leve sorriso quando a mesma Lua, antes prata, tornava-se vermelho-alaranjado, e então, escarlate. Aquilo só significava uma coisa; enfim o momento chegou. O momento de decidir quem herdaria os poderes e quem apodreceria no reino dos mortos… Quando Andrômeda desviou os olhos do espetáculo que ocorria nos céus, a névoa pareceu moldar-se ao seu redor, fazendo com que se tornasse parte das sombras. Assim, a garota desapareceu.
– LUKE, ACORDA! – Gritou a companheira de quarto de Luke Benward.
– Eu já estou indo… – A voz de Luke soou mais como “Não pretendo levantar antes do meio-dia”, o que não passou despercebido pela amiga que franziu o cenho em desaprovação.
– Você deveria dormir mais cedo.
– Brith, eu durmo no mesmo horário há 3 anos. E acordo no mesmo horário.
– Não quando tem companhia…
– Quieta, mocinha. Se preocupe apenas em tomar o seu café.
Luke olhou para o relógio: Já eram 6h30, e restavam apenas meia-hora antes da aula começar, e cruzar aquele campus enorme para chegar às salas de aula levaria muito tempo. Luke pegou seu pão com presunto, colocou a mochila nas costas e saiu do apartamento sem despedidas. Quando colocou os pés para fora de casa, Rex chegou correndo e caiu por cima de Luke, o que fez os dois caírem bem no meio da rua.
– Rex, sai de cima de mim.
– Desculpa – Rex se levantou e estendeu a mão para ajudar Luke. Os dois se levantaram a começaram a caminhar lentamente pelo campus, pois já que os anos eram os mesmos, as aulas também eram.
– Dormiu bem?
– Dormi tarde, por sua culpa. Mas, sim, dormi muito bem.
– Culpa minha? Você foi no meu quarto. A Brithany ouviu alguém subindo, mas não sabe quem.
– Uffa.
Luke revirou os olhos e deu um soco no braço de Rex. Após andarem alguns metros, chegaram ao jardim que se localizava em frente a sala de aula.
– Prontinho! Só atravessar o jardim e chegamos – Rex declarou como se fosse uma grande descoberta. Luke revirou os olhos antes de comentar:
– Alguma vez na sua vida você tentou dizer alguma coisa que não seja… óbvia?
Rex saiu correndo para a sala ignorando o comentário do loiro. Tudo pela vontade de falar com a garota que ele gostava desde a sexta série, apesar de ter levado mais que trinta foras e quinze tapas em um mesmo mês. Essa situação havia passado de insignificante para patética.
Luke se sentou em um banco do jardim, e ficou observando as flores que pareciam murchar com a carga de seu olhar.
– Empregados inúteis… – ele murmurou ao observar algumas tulipas quase amarronzadas.
O rapaz olhou para os lados, para ver se havia alguém por perto. Certo, não havia ninguém além dele por ali. Os olhos de Luke fitaram as flores, e logo sua mão foi se erguendo por cima de um pequeno pedaço do jardim. A partir dali as flores e a grama pareciam ter ganho nova vida e novas cores.
– Só espero que ninguém tenha visto isso…
– Hahahah! – A mesma risada ecoou, mas dessa vez, apenas pelo campus. Entretanto, só duas pessoas foram capazes de ouvir. Ao ouvir aquele riso, um calafrio pareceu subir pela espinha de Luke e Rex e eles se sentiram estranhos. Não era como uma brisa gelada. Era algo pesado, cruel. Do lado de fora da sala de aula, um novo portal negro se abriu entre as nuvens, e novamente Andrômeda apareceu. Uma garota dos olhos vermelhos que observava apenas o interior da sala.
– Luke Benward… Um dos motivos do meu ódio. – Andrômeda sussurrou e um clima estranho se espalhou pelo local; como se por um momento, tudo congelasse.
Ela desviou o olhar para Rex e sorriu de forma venenosa. Havia escolhido seu primeiro alvo, e agora, só seria necessário capturá-lo. Luke olhou pela a janela, e percebeu Andrômeda parada no lado de fora. Sua única dúvida era se ela era uma de suas irmãs ou apenas uma distração… Mas quando o corpo de Andrômeda começou a se converter em uma fumaça negra que simplesmente dissipou e se espalhou pela cidade, como nuvens carregadas de tempestade, suas dúvidas cessaram e ele soube quem precisaria procurar.
O dia passou com rápidez. Pouco antes do entardecer, Luke pegou suas coisas o mais rápido que pôde e caminhou até seu apartamento sob o seu escuro, já que seria suspeito usar seus poderes e invocar o Sol. Não apenas isso, mas também porque, pelo pouco que conheceu de Andrômeda, temeu que isso pudesse soar feito um desafio.
Luke foi para seu quarto e deitou na cama. Assim que sua cabeça encostou no travesseiro, a luz do campus se apagou e um vento violento balançou a copa das árvores ao redor dos prédios. Os olhos claros de Luke parecerem cintilar no escuro quando um aperto tomou conta de seu peito e ele percebeu que algo ruim estava por vir.
Rex estava deitado apenas olhando para o teto quando uma fumaça invadiu seu quarto e girou em volta da cadeira que estava posicionada em frente ao seu computador. A fumaça começou a tomar uma forma humana, até que se resumiu em uma garota de estatura média, longos cabelos negros e olhos vermelhos.
– Olá, irmãozinho… – Andrômeda disse a Rex, e abriu um sorriso belo, mas perigoso. Rex se levantou, sobressaltado. Sabia que essa hora ia chegar, mas não assim… tão rápido e sem aviso prévio.
– Vou ser objetiva. Você pode me entregar seus poderes e assim, eu pouparei sua vida. Ou podemos lutar até você morrer e eles se tornarem meus, e blábláblá, você sabe.
Rex não queria desistir sem lutar; então, assim que Andrômeda terminou de falar, o rapaz levantou sua mão em direção a ela, seus olhos começaram a ficar cada vez mais brancos, e pela janela, um forte vento entrou, tirando Rex do chão.
– Saia já do meu quarto.
– Garoto, você acha que pode comigo? – ela debochou.
A paciência de Andrômeda começava a se esgotar. Ela revirou os olhos e os fechou, quando os abriu novamente, estavam vermelhos, quase em chamas. Ela levantou sua mão em direção ao irmão caçula e lançou uma onda de chamas negras até Rex. O quarto do rapaz foi completamente tomado pelo fogo, logo nem o próprio garoto era visível. Andrômeda abaixou sua mão e o fogo foi se apagando. Ela esboçou o costumeiro sorriso sarcástico quando olhou ao redor e viu o resultado. Havia matado um, faltavam apenas cinco… Mas, antes que pudesse partir, uma barreira mágica que havia protegido o restante do quarto se desfez em pétalas, ela viu Luke encarando-a com indiferença.
– Tolice sua vir aqui hoje, irmã.
Andrômeda, furiosa, lançou uma bola de fogo no rosto do garoto que desviou e apareceu logo atrás dela.
– Agora vai ser do meu jeito.
Luke agarrou Andrômeda por trás e aparatou do quarto de Rex. Assim que abriram os olhos, já estavam em um lugar praticamente deserto.
Luke olhou para cima e percebeu o céu tornando-se negro. Não soube se a mudança foi pelo dia estar se tornando noite ou pelos sentimentos de Andrômeda.
– O que você está fazendo, Benward?
– Você vai ver.
Antes que Andrômeda pudesse falar algo a mais, Luke apontou para ela e a encarou de forma ameaçadora. Os olhos de Andrômeda percorriam todo o local procurando por alguma pista sobre o que o garoto estava fazendo. Luke fechou os olhos. Embaixo do rapaz o chão começava a brilhar em um tom azul enquanto a areia flutuava ao seu redor. E por mais que Andrômeda tentasse, suas bolas de fogo não faziam efeito naquele momento.
Enormes galhos brotaram do chão e agarraram Andrômeda pelos braços e pernas.
– Pense muito bem antes de se meter comigo, vadia.
Um outro galho brotou, dessa vez, no meio dos outros, e se enroscou no pescoço de Andrômeda, enforcando-a lentamente. Ela já não expressava sentimento algum em seu rosto, apenas olhava fixamente para Luke, e sorria, o mesmo sorriso irônico que em tão pouco tempo, Luke passou a detestar.
O céu estava negro e carregado de nuvens de tempestades – a marca típica de Andrômeda –, Luke olhou para as nuvens e um raio caiu sobre a garota. Com o impacto, a areia flutuou cobrindo todo o local, e impedindo Luke de ver qualquer coisa. Quando a areia desceu, Andrômeda já havia sumido.
– Maldita gárgula! – Luke gritou ao encarar o local em que a irmã se encontrava minutos atrás. Uma luz azul que pareceu sair do peito do rapaz o embrulhou, e no segundo seguinte, ele já não estava mais ali.
Luke reapareceu em seu apartamento no campus. As coisas pareciam ter voltado a normalidade, e todos pareciam ter esquecido o que houve ali. O loiro subiu as escadas até seu quarto e se jogou na cama olhando fixamente para o nada, enquanto várias coisas invadiam sua mente… Seria ela a vencedora? A batalha realmente teria começado?
E se havia, quem iria vencer?
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