Burning Love
5 Please, help me Jane!
Notas iniciais
Anteriormente…
—Maura, tu estás grávida!
A patologista levantou a cabeça, revelando o seu rosto branco e delicado agora sim lavado em lágrimas.
Jane estava em choque, mas não tanto quanto Maura que revelava desespero e agonia no olhar. A detetive disse-lhe algumas palavras amigáveis para a tentar acalmar. Foram para a sala, sentaram-se no sofá e Maura, em lágrimas intermináveis, deixou-se abraçar pelos longos braços de Jane durante alguns minutos. A certa altura, o choro compulsivo da patologista parou lentamente e Jane esboçou um pequeno sorriso para ela.
—Calma Mara, calma – pediu a detetive acariciando-lhe o rosto molhado de Maura.
—Eu tenho medo Jane! Eu tenho medo, eu sinto-me triste, mas devia estar contente, eu só quero chorar – balbuciava Maura que parecia prestes a iniciar novo choro.
—Maura! Tu não tens de ter medo, calma, eu estou aqui, eu vou ajudar-te.
Ela reparou que ainda tinha o teste de gravidez, com o resultado positivo, na mão. Fixou o olhar nele e disse para si própria
—Como é que eu vou contar ao Ian...
—Não sabes para onde ele foi?
—Não… e também não posso contactá-lo porque não tenho o contacto ou o e-mail.
—Ok, vamos com calma. Ele não se evaporou. Sabes que nome é que ele usou para viajar?
Maura pensou um pouco e teve um flashback de quando ajudou o rapaz a desempacotar as coisas – eu não tenho a certeza, vi muitos passaportes – Jane suspirou.
Maura deitou o teste ao lixo e quis ir deitar-se. Jane acompanhou-a até ao quarto, mas quando se ia embora Maura pediu-lhe que ficasse. Rapidamente, ela acedeu ao pedido da amiga e deitou-se ao seu lado. As duas puseram-se em conchinha e a patologista foi a primeira a adormecer devido ao cansaço e ao choro compulsivo. Jane mexia-lhe no cabelo, enquanto pensava em como a vida da amiga iria mudar. Lembrou-se também do momento em que tinha descoberto que estava grávida e da mistura de emoções que sentira, mas também do triste dia em que Maura lhe contara do aborto. Embora Maura não trabalhasse muito no terro e tivesse menos probabilidades de levar um tiro, receava que o mesmo acontecesse à amiga, mas, por agora, não queria pensar nisso. “Amanhã é um novo dia” sussurrou ela ao ouvido da patologista e caiu num sono tão profundo como o dela
No dia seguinte, quando Jane acordou, já Maura se tinha levantado. A detetive levantou-se e foi até à sala onde encontrou a amiga a comer tostas com manteiga magra e a beber leite quente.
—Bom dia Jane – cumprimentou Maura com uma cara indiferente.
—Bom dia… — disse Jane que estranhou a normalidade da amiga.
As duas sentaram-se nas cadeiras da bancada.
—Soube bem dormir contigo – afirmou Maura e Jane corou (vá-se lá saber porquê) – pus as ideias em ordem.
—E a que conclusão é que chegas-te?
—Que não vou perder esta oportunidade.
—Como assim?
—Eu sempre quis ser mãe, e agora posso ter um filho do homem que sempre amei e… bom, embora não fossem estas as circunstâncias em que eu planeava ficar grávida, acho que vai correr bem.
—Como é que vais contar ao Ian?
—Não sei mas também não quero pensar nisso agora.
Jane sorriu e disse que ia ajudar Maura em tudo o que ela precisasse. Não queria que lhe acontecesse a mesma coisa que ela. Ela iria fazer todos os possíveis para que Maura tivesse o bebé em segurança…
—Já agora… a minha mãe?
—Saiu muito cedo...
—Contaste-lhe?
—Sim – disse Maura esboçando um sorriso no rosto – ela ficou muito feliz por mim.
Foram para a esquadra no carro de Maura, conduzidas por Jane, a pedido da própria. Cada uma dirigiu-se para o seu departamento. Ante que a detetive se pudesse sentar na secretária, Korsak informou-a que tinham um caso de última hora. Jane estava excitada pois finalmente, ao fim de tanto tempo, havia um homicídio para resolver, algo que não a deixava propriamente feliz pois alguém tinha morrido mas tinha de admitir que lhe dava pica, uma “caça ao homem”. Foram para o local do crime juntamente com a equipa forense, incluindo Maura. Quando chegaram ao local do crime (a margem de um rio) a patologista afirmou de imediato que a causa da morte da vítima, uma jovem mulher negra, tinha sido hipotermia e encarregou-se de dar a ordem para levarem o cadáver. Pelos vistos, o cadáver já estaria ali há algum tempo, o cheiro incomodou Maura algo que não acontecia frequentemente e que ela tentou disfarçar o melhor possível. Jane apercebeu-se e sussurrou-lhe ironicamente “Não te preocupes, é normal”, como se Maura não soubesse…
No laboratório, Maura fazia a autópsia normalmente (exceto o facto de ter uma mola no nariz) e pensava. Dai a uns meses iria ser mãe, iria ter um filho (ou filha) nos braços mas antes ainda tinha de passar por muito. Estava um pouco preocupada com o que iria dizer quando lhe perguntassem “Está grávida?”… Afinal carregava agora um bebé de um criminoso, e, embora ninguém tivesse nada a ver com a sua vida, Maura sempre foi habituada a viver numa sociedade de aparências. Pensou também em como e quando iria contar aos seus pais adotivos e a Hope, mas o mais importante… como iria ela contar a Ian? Sabia que ele podia voltar daí a um mês, um ano, uma década… ou nunca. Era algo que a amedrontava. Tirou as luvas e a mola que tinha no nariz, e acariciou a barriga ainda lisa. Sorriu, embora ainda não sentisse nada. Kent entrou no laboratório e Maura disfarçou o melhor que pôde.
—Então… Está tudo bem Kent? – questionou ela encostada a uma das bancadas.
—Sim Dr. Isles… quer dizer, não.
—Estou a ver. Ela não é uma pessoa fácil.
—Acha que vou conseguir conquistá-la?
—Acho que vais ter de te esforçar muito – finalizou Maura voltando a calçar as luvas e a pôr a mola no nariz para regressar à sua autópsia e deixando Kent a pensar.
Quando a finalizou foi entregar o relatório a Jane. A vítima tinha morrido há cerca de três dias por hipotermia, como Maura havia determinado. Depois de dar todas as informações à equipa Jane chamou-a para um aparte.
—Já marcas-te uma consulta.
—Claro que sim… vou a uma ginecologista amanhã e eu gostava que viesses comigo.
A detetive assentiu afirmativamente e deu-lhe um abraço reafirmando que a ia apoiar em tudo fosse qual fosse a decisão que ela ia tomar em relação à criação do bebé.
A tarde passou calmamente… pelo menos para Maura, que tinha esto o dia todo na morgue e no laboratório, já Jane tinha feito três perseguições nessa tarde, novo recorde.
Maura despiu a bata de laboratório e foi ao escritório para ir buscar uns papéis. De repente o telemóvel toca. Atendeu o número desconhecido.
—Estou sim quem fala? – do outro lado ouvia-se uma voz masculina que falava um inglês aldrabado – É a própria… Não, não conheço eu… (Maura pensou durante dois segundos e alterou a resposta) Quer dizer, sim! – ela estava confusa e com a voz alarmada – Mas ele está bem?! (blá blá blá) Sim, quero pedir transferência imediatamente, para Boston por favor… Porque não?! – Maura ouviu uma explicação esfarrapada – Muito bem… Para St. Ester em Londres. Eu pago tudo, quero que ele seja transferido o mais depressa possível.
Maura desligou o telemóvel e foi a correr até à ala dos detetives muito nervosa. Jane preparava-se para ir embora quando viu a amiga quase em lágrimas chegar ao pé de si.
—Ei calma, o que é que se passa?
—O Ian… Recebi uma chamada da Síria, ele foi alvejado e vai ser transferido para Londres, eu tenho de ir para lá! Por favor, ajuda-me Jane!
Jane ficou sem saber o que dizer, ao ver a cara de desespero de Maura. Definitivamente, aquela era uma das situações em que a detetive tinha de a proteger.
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