Burning Desire

19 Capítulo 19 - Coexistências, Cooperação ...


Capitulo 19– Coexistências, Cooperação e Correlação.

Karin cerrou os dentes quando recebeu a maldita mensagem. Kabuto era sempre portador de más noticias, e o fato de ser ele a chamando para a parte administrativa do hospital, não era nada bom. Saiu da ala da oncologia onde trabalhava e foi em busca dos elevadores.

O Memorial era um dos melhores hospitais da província. O ambiente era sempre acolhedor e os médicos preocupados e rápidos. As paredes tinham um tom branco neve, e as cores se misturavam dependendo da ala. A da oncologia azul claro, obstetrícia rosa bebê e assim por diante. Ninguém poderia dizer que o atual dono do hospital fosse um baita de um tirano. Que a ruiva conhecia muito bem por sinal.

O hospital sempre foi conhecido pela excelência do atendimento, eram calorosos e preocupados, até parecia uma qualidade que todos deveriam ter antes de ir trabalhar lá. Só perdiam na área de pesquisas. Umino Iruka, o chefe geral da cirurgia já havia tentado conseguir a aprovação e verba para diversas pesquisas. Reunia-se quase que semanalmente com os conselheiros/acionistas que sempre pareciam muito animados em elevar a qualidade do hospital, mas no final a resposta era sempre negativa. Eles nunca tinham dinheiro. Por isso a tentativa de fundir com o Magekyou anos atrás. Tentativa falha por sinal. Mesmo a diretoria do outro hospital deixando claro que eles não queriam o controle dos hospitais.

Ela bem sabia que aquele maldito não queria ninguém descobrindo suas falcatruas, queria falir o hospital ele mesmo e depois fugir.

Cansou-se de testemunhar o maldito velho desfalcar o local e enganar os demais acionistas, incluindo ela mesma. Não sabia como seu irmão aguentava aquilo. “Vai ficar tudo bem” ele dizia, “O maldito sabe o que está fazendo”, repetia. E assim passaram-se anos. Quase seis para ser exata. E ela continuava lá, o lugar que era 5% seu de direito e 10% do irmão, e junto os dois tinham uma parte significativa das ações. E mesmo assim os dois viviam a mercê daquele homem. Ainda descobriria o motivo de ele ter seu irmão na palma das mãos.

–Pode entrar. – escutou a voz suave pronunciar.

–Você queria me ver senhor? – ela não o temia verdadeiramente, mas tinha se acostumado a ser respeitosa, mesmo que por pouco tempo, ele ainda era mais velho.

–Sim Karin. Você sabia que Naruto está aqui? – a ruiva tremeu ao ouvir aquele nome. No fundo a justiça ainda poderia ser feita.

–Não, eu não sabia.

–Eu prefiro acreditar em você. Porque se você soubesse me contaria, não é?

–Claro.

–Eu não tinha dito pra se aproximar da amiguinha enfermeira dele, e tentar descobrir justamente isso.– a voz do homem permanecia baixa.

–E eu fiz isso senhor. Mas a garota não fala dele há meses e eu não acho que ela goste de mim.

–Mas seu trabalho era fazê-la gostar de você. Você sabe que eu terei que contar a ele não sabe? É melhor ele saber de mim do que de outra pessoa, não acha?

–Sim eu acho. Mas tem que ser agora? A gente não pode esperar um pouco? Eu gostaria muito de falar com ele antes. –a garota tinha a voz chorosa.

–A gente pode esperar algumas semanas. – se aproximou da garota e a abraçou. – Eu gostaria de conversar com ele também.

[...]

Entrou na banheira sentindo seus músculos relaxarem na mesma hora, por causa da água quente. A pele pálida aos poucos ficava rosada conforme a temperatura aumentava. Sentia-se tenso, e frustrado. Naruto era um grandessíssimo filho de uma puta, isso sim. Como pode sair correndo depois daquilo? Porque sim, o idiota o deixou no corredor e saiu correndo se escondendo em algum lugar do hospital. Ele até tentou procurar, mas tinha mais o que fazer do que brincar de pique esconde com uma criança. Já eram seis da tarde e ele nem teve noticias do maldito.

Assim que seu pai saiu do corredor o loiro lhe olhou todo receoso e saiu correndo como uma criança. Só precisou forçar um pouquinho que o loiro se apavorou; isso era ótimo. Tinha um jantar não planejado daqui à uma hora e meia e não sabia com que cara apareceria em casa. Ninguém nem precisou lhe avisar que horas seria o jantar, as refeições eram feitas no mesmo horário há anos. E o jantar era sempre às sete e meia.

Tombou a cabeça para trás, se arrumou na banheira fazendo os pés chegarem à outra extremidade. Mergulhou a cabeça inteira na água e lá ficou. Era acostumado a fazer isso, sempre o fez pensar melhor. Shikamaru o tinha dito que ia ajuda-lo a levar Naruto no bendito jantar. Mas nem ele tinha certeza se isso era o certo a se fazer. Não tinham conversado, nem se acertado, nem colocados os malditos pingos nos malditos “is”. E isso era uma porcaria. Sua mãe no momento deveria estar pensando que teria um novo genro, seu pai era um enigma, tinha levado tudo numa esportiva no hospital, mas ele sabia que na casa do Sr. Fugaku, as regras eram do Sr. Fugaku. E se eles tivessem chamado Itachi? Obviamente com seu irmão iria sua cunhada. Aquilo sim era perfeito.

“Ei mãe, ei pai, esse aqui é o homem que estou apaixonado, a gente já se conhece há meses, mas ele teve que voltar pro namorado dele; a e ele já dormiu com o Itachi também quando era adolescente, mas a Konan ciumenta contou tudo pro tutor dele que o levou pro outro lado do mundo.”

Aquilo era perfeito simplesmente perfeito. Sentou-se de novo e procurou com os olhos o sabonete liquido. Assim que o achou despejou uma boa quantidade na mão espalhando pelo corpo, rosto e até meso pelo cabelo. Nunca tinha tido as frescuras de cosméticos, provavelmente nem tinha xampu, muito menos condicionador em casa. Lavava o cabelo com o sabonete de hortelã mesmo.

Assim que terminou de se ensaboar, saiu do banheiro enrolado na toalha felpuda e se dirigiu ao quarto. Foi se secando pelo corredor e quando chegou ao cômodo só precisava se vestir. Colocou a cueca branca e foi em seu armário procurar uma roupa.

O calor que a estação provocava não favorecia roupas pesadas, mas um bom smoking ele não dispensaria. Sasuke sempre foi um homem de gostos clássicos. Tinha suas roupas mais simples, como jeans e camisetas, mas jantares são jantares, e sua cabeça sempre lhe jogaria para os sofisticados paletós e combinações perfeitas.

Camisa branca muito bem passada – nunca por ele- dentro das calças azul marinho perfeitamente alinhadas, gravata com um nó firme e os cabelos para trás. Talvez se estivesse bonito o bastante não precisaria dar explicações sobre um loiro atrevido que ele não sabia onde estava.

Seu telefone tocou e vendo o numero quase se engasgou, realmente Shikamaru o tinha ajudado. Sentou-se na cama e levou o aparelho ao ouvido.

–Alô. – atendeu normalmente mesmo sabendo quem estava do outro lado.

–Sasuke?a voz era do psicólogo. – O Naruto tem algo a dizer... Vai Naruto fala logo! – e depois de um barulho estalado o telefone mudou de pessoa.

–Hum... Sasuke, se você precisar de mim pra ir ao bendito jantar... – O moreno ainda ouvia a voz de Shikamaru ao fundo dando ordens ao loiro. – Eu só preciso de uma carona... Não posso dirigir ainda... E não sei onde seus pais moram. – a voz do loiro estava chorosa, e um tanto manhosa. – Você está ai?

–Sim, claro. – O Uchiha não sabia lidar com um Naruto tão... Manso. — Me passa onde você esta, seu endereço que eu vou sair agora.

–Eu passo por mensagem. Te vejo logo.

–Te vejo logo.

O Uchiha ainda não acreditava na conversa tão civilizada que acabara de ter. Não havia esquecido por nenhum momento que iria colocar o loiro contra a parede. Mas uma coisa de cada vez. Tinha que enfrentar os pais ainda e apresenta-los seu... ? Ele não sabia, talvez só chegasse lá e ignorasse qualquer pergunta sobre o assunto.

Colocou o celular no bolso, pegou o paletó e foi descendo as escadas e desligando as luzes pelo caminho. Apanhou as chaves do carro sobre a mesa e saiu de casa batendo a porta. Sentiu o bolso vibrar, deveriam ser as coordenadas. Destrancou o automóvel estacionado na calçada e sentou-se no banco do motorista. Ligou o ar-condicionado e deu partida.

Quando saia de seu bairro, pegou o celular checando o endereço. O lugar não era longe dali. Na verdade era a caminho mesmo. Não precisaria ir contra a mão nem nada. E considerando que já eram seis e meia. Aquilo era perfeito. Virou à esquerda e pode enxergar a avenida principal. O que o espantou foi que para o horário a rua estava relativamente vazia. Já que esperava um transito excruciante pela frente.

Vinte minutos depois ele diminuiu a velocidade tentando encontrar a rua marcada. O bairro era ótimo. Tinha o centro comercial aberto, pessoas andando na rua e belíssimas casas. Bem diferente de onde morava que parecia uma vila esnobe. Reconheceu o numero da casa e se surpreendeu, era uma belíssima propriedade que não tinha o jardim frontal da casa de seus pais, mas não perdia nada em beleza. Tinha portões baixos que não pareciam nada seguros. Chegou mais perto do portão e tocou a campainha de dentro do carro mesmo. Sem nem mesmo precisar se identificar a entrada foi permitida e ele avançou com o carro o estacionando perto de algumas arvores na entrada. A casa em si era maravilhosa. Tinha uma cor que lembrava em muito cinza e parecia esbanjar tecnologia. Podia ver uma varanda no andar de cima. Câmeras perto da porta principal o deixaram levemente desconfortável e ele foi em direção à porta que ele percebeu estar encostada, não fechada.

Entrou no lugar bem iluminado e claro. Era uma sala com belos sofás embutidos e varias estantes repletas de livros. Tinha até uma lareira que deixava o cômodo aconchegante. Tinha um corredor longo à direita que dava acesso à cozinha que estava com as luzes acesas também. No fundo a esquerda da sala tinha uma escada, e ele podia escutar passos acima de sua cabeça. Que provavelmente era onde os moradores da casa deveriam estar. Subiu lentamente e sem fazer nenhum barulho.

Quanto mais subia, mais barulho escutava. E assim que chegou ao andar superior viu o corredor cheio de portas, no mínimo umas seis, e todas praticamente escancaradas com as luzes acesas. Parecia que viviam milhões de crianças ali. E uma mais bagunceira que a outra. Foi avançando e espiando dentro dos cômodos. O primeiro era um quarto simples. Tinha uma cama grande e largos armários embutidos à parede. Uma pequena porta que deveria ser o banheiro. No canto uma mala escrita “Harvard” típica dos estudantes da faculdade denunciou que aquele era o quarto de Shikamaru. Apagou a luz e continuou a jornada.

O próximo quarto era totalmente inusitado, tinha uma cama de solteiro impecavelmente arrumado, a parede era desenhada, as cores muito chamativas, parecia ser de um adolescente.

–Eu não acho que o conheço. – a voz grave o fez dar um pequeno pra frente pelo susto. Virou-se e pode ver a figura de um homem que parecia ter uns 60 anos de idade, com roupas largas e cabelos grisalhos lhe dava um sorriso debochado. – Eu sou Jiraya.– estendeu a mão.

–Me desculpa senhor. Sou Uchiha. Uchiha Sasuke.– e retribuiu o aperto de mão. — eu vim pegar o Naruto...

–Sim, claro. Você é o caçula do Fugaku. Eu o vi pequeno uma vez, correndo pelo hospital. – O homem comentava casualmente.

–Eu não me lembro do senhor.

–Eu não esperava que se lembrasse. O Naruto está no fim do corredor, fazendo birra, eu o levo até lá.

Continuaram até o fim, e quando estavam quase no fim do corredor o grisalho gritou em direção a ultima porta do lado direito.

–Kid? There’s a boy here. He told me that he want to buy you. He offers me a lot of money for your body. And I say yes, but you have to pretend that you are a virgin. – Jiraya falava em ingles.

Of course old man. There’s a lot of men who wants me, make sure that the Money its’ enough, ok?O loiro gritava de dentro do cômodo, e quando Sasuke chegou mais perto pode ver o mesmo agachado procurando algo embaixo da cama. – Oi Sasuke.

–Como você sabia que era ele. – O mais velho se pronunciou.

–Ninguém entra em uma casa com câmeras na entrada. – ele disse tentando ser obvio. – E quem abriu o portão fui eu.

–Você ainda não está pronto usuratonkachi?– Sasuke disse se aproximando mais da cama que o loiro estava enfiado.

–Não me chame desse jeito. – e o loiro se levantou. – E eu já estou pronto, só não tenho sapatos.

E realmente Naruto estava pronto. E muito lindo por sinal. Não sabia como o loiro adivinhou que o jantar na casa dos Uchihas requisitava uma aparência mais arrumada, mas ele estava de parabéns. Vestia calças sociais de um preto muito escuro, e a camisa era de um tom de azul que ele não conseguia definir. Parecia à cor dos olhos de Naruto, ou era muito próximo a isso, mas era belíssimo. O paletó igualmente escuro e nenhuma gravata, o deixando mais despojado. Os cabelos sempre rebeldes estavam cuidadosamente penteados para trás, mas alguns fios ainda se rebelavam e grudavam a testa bronzeada. Tirando os pés descalços, estava a perfeição em pessoa.

–Será que fica feio se eu for de tênis? – a frase estúpida o tirou de seu transe.

Não seja idiota criança. – o grisalho se pronunciou. – Eu tenho um par de sapatos novos que posso te emprestar. Vem pegar nas minhas coisas.

E os dois saíram deixando o moreno sozinho. Nem percebendo que aquilo era uma tremenda gafe. Deixaram o visitante sozinho. Sasuke sentou-se na cama espaçosa e parou para observar o ambiente. O quarto bege era de uma beleza clássica, uma cama grande ao centro. Portas que deveriam ser o closet, uma mesa com um notebook em cima. Grandessíssimas janelas que durante o dia deveriam iluminar bem. E uma porta de vidro que deveria dar saída a varanda que viu pelo lado de fora. Tinha um ótimo espaço, parecendo ser a suíte principal da casa. Tinha vários objetos e roupas pelo chão, e ao longo da cama. E aquele quatro só poderia ser de Naruto. Que o tinha o surpreendido muito se mostrando leve e despreocupado até aquele momento.

A relação entre o Uzumaki e seu tutor também se mostrou muito boa. Sendo os dois bem divertidos e tendo uma boa convivência. Sasuke tinha vontade de sorrir desde o momento que viu os dois interagindo. Pareciam ser bem entrosados e companheiros.

–Como eu estou? – a voz rouca do loiro o chamou atenção.

–Não está tão mal. Até que está bem apresentável. – viu o sorriso nascer no rosto do loiro, e percebeu a bochecha avermelhada pela primeira vez. – O que aconteceu ai. – Chegou mais perto e encostou-se à face do outro.

–Seu irmão, me deu tapa. – o loiro levou a própria mão ao rosto. – E doeu.

–Bem feito. – o moreno disse de pirraça. Nãosabia do acontecido, mas não queria fazer uma grande coisa daquilo.

–Eu sei.

–Que horas vocês têm que estar lá? Já são sete horas. – a voz de Jiraya os interrompeu.

–Às sete e meia. – Sasuke respondeu. –Mas está tudo bem, são uns dez minutinhos daqui.

–Não se preocupe sennin, a gente já vai sair e você pode começar a se arrumar para o seu encontro. – Naruto estava com um sorriso sapeca no rosto. –vamos Sasuke.

Foram andando, quando já estavam quase na escada Jiraya apareceu por trás e segurou o rosto de Naruto entre as mãos:

–Promete que não vai ser grosseiro!

–Eu prometo. – o loiro falava abafado graças ao rosto sendo amassado.

–Não responda ninguém. Agradeça pelo convite. Não seja rude. Chame todo mundo pelo sobrenome.

–Tá tudo bem. – Naruto se livrou do aperto. – Não me trate feito criança.

–Não aja como uma. – E com um sorriso o grisalho deu as costas e saiu andando.

–O que foi isso? – O Uchiha perguntou curioso.

–Ele só é muito protetor. E meio sem noção. Acha que eu ainda sou pequeno. – e puxando o moreno pelo braço desceram as escadas.

Saíram pela porta e o moreno foi andando rapidamente até o carro. Entrou e destrancou o lado do passageiro para o loiro entrar. Deu a partida e passaram pelo portão que já estava aberto.

–Naruto? – resolveu que seria o primeiro a quebra o gelo. – Essa casa. È do Jiraya?

–Não. Ela é minha... Dos meus pais melhor dizendo. Eu vivi aqui até ir embora pra Boston. – o loiro se explicou.

–E você nunca pensou em vender, ou alugar? Depois que seus pais morreram?

–Eles deixaram um testamento bem especifico sabe. Eu não posso fazer nada com ela, é legalmente proibido. E alem do mais, eu gosto dela. – o Uzumaki parecia desconfortável.

–Hum. – o moreno queria se aprofundar no assunto. – Meus pais moram há dez minutos daqui. Mais perto do litoral.

–Legal. – Naruto parecia desinteressado. – Você vai dizer que eu sou quem para os seus pais?

–Um amigo, sei lá. Se eles quiserem se aprofundar no assunto falo que a gente tá se conhecendo.– E o moreno olhou diretamente para os olhos azuis. – Mas eu ainda preciso conversar com você.

–Eu sei.

–Mas depois. Agora preciso sobreviver a isso. – aquele toque de celular irritante do loiro continuava o mesmo e interrompeu os dois.

–Tá... Tudo bem... Eu estou com o Sasuke... Ainda não sei... Sim eu vou contar a ele... Ok... Tchau. – e depois da brevíssima conversa o loiro desligou. Vendo a cara de interrogação do moreno explicou. – era o Shikamaru.

– Onde ele está?

–Eu não sei. Não sou colado com ele. – disse irritado.

–Não precisa ficar bravo, foi uma pergunta boba.

– Eu não estou bravo... Eu ‘to nervoso. – o loiro confessou encabulado.

–Por conhecer meus pais? – O Uchiha se divertiu com isso.

–Lógico. Eu nunca conheci os pais de ninguém. Na verdade faz tempo que não fico perto de “pais” em geral.

–Oh, isso é fofo – disse Sasuke rindo – Você não conheceu os pais do Nara?

–Eu disse que nunca conheci os pais de ninguém não disse?

–Relaxa... Mas o Jiraya é como se fosse seu pai não é?

–Não confunda as coisas Sasuke. Jiraya é um bom homem e cuidou de mim quando não tinha a obrigação, e por mais que ele seja protetor e que eu o ame, sempre o vi como um tio divertido sabe? Ele não me passou sermões, nem pegou no meu pé, e nem nenhuma das chatices que geralmente os pais fazem, ele sempre foi muito liberal. – disse normalmente.

–Você sente saudades deles?

–Eu sei que vai parecer insensível, mas não. Nós nos amávamos, eu tenho certeza disso, mas meus pais eram ocupados, cada um com sua profissão importante, viajavam vários finais de semana e eu ficava na casa do sennin. Pessoas que os conheciam sempre falam que eles eram pessoas maravilhosas, e eu não duvido disso, mas nos dez anos que vivi com eles nunca fomos tão próximos*. E eu não sinto saudade de uma proximidade que não existiu ou de viagens divertidas que nunca fizemos. Do que eu me lembro, nós não tínhamos tanta intimidade. Mas eu era novo, posso estar errado.

–Que chato. – e olhando em volta continuou. – Nós chegamos.

E o loiro na hora paralisou, os grandes portões e os altos muros brancos eram realmente intimidantes. Nunca havia estado no meio de uma família tão... Tradicional. Devido as suas circunstancias nunca vivenciou um sistema rígido familiar, e aquela casa transpirava rigidez, talvez fosse só o nervosismo falando alto. Mas seu estomago já doía, era sempre assim, sofria por antecipação, morria antes de levar o tiro. E o moreno se divertia vendo a face do outro empalidecer, quanto mais chegava perto da entrada, mas pálido ficava, era até divertido. Estacionou o carro e esperou o loiro sair, mas nada. Naruto continuava olhando e encarando a casa, como se fosse um bicho prestes a lhe atacar. Deu um pequeno toque e gesticulou para que entrassem na casa, sentia que se falasse algo errado poderia sair muito machucado dali. Deu a volta no carro e como o bom cavalheiro que era abriu a porta para o loiro que pareceu sair do transe àquela hora e se levantou. Arrumou as vestes por puro nervosismo já que não estavam bagunçadas e olhou para o moreno a sua frente que lhe estendeu a mão em companheirismo e que o loiro aceitou. Andavam lado a lado e quando estava já à porta o Uzumaki freou.

–Que foi Naruto?

–E se sua mãe não gostar de mim? Porque seu pai já não gosta e o Itachi quer me matar...

–Cala a boca idiota! Não é como se fossemos nos casar ou alguma coisa do tipo.

–Claro que não baka – o loiro se irritou- porque se fossemos nos casar você pelo menos era obrigado a ficar do meu lado e me defender.

–Oh como ele é lindo Sasu, você tem um gosto e tanto. – A senhora Mikoto apareceu na entrada e foi direto abraçar o loiro. – E é cheiroso também.

–Mãe. Menos por favor, você está deixando o Naruto desconfortável. – o moreno tentava puxar o loiro pelo braço sem sucesso.

–Naruto é um lindo nome. – a mulher ignorava o filho. – Vem, vamos pra sala de jantar. – a mulher em seu lindo vestido azul marinho os puxava. — Seu pai, Itachi e Konan já estão lá. Eu vim ver justamente se vocês já estavam chegando. Eu fiquei muito feliz quando seu pai disse que você traria um rapaz pra nós conhecermos. – E a mulher volta sua atenção para o loiro. – Sabe Naruto, Sasuke nunca trouxe um namorado antes, eu não sei se ele tinha vergonha ou algo do tipo, mas ele trazer você é um grande passo.

–Na verdade senhora a gente não...

–Quer apressar nada. – Sasuke o olhava nervosamente. – Mãe não nos pressione, nos namoramos há pouco tempo. – mentiu.

–Isso é tão fofo filho. – Já estavam na sala de jantar e mal tinham percebido que todos na mesa os olhavam. Fugaku na ponta, no seu lado esquerdo Itachi os encarando seguido de Konan que sorria para o casal. – Vêm vocês vão sentar um do lado do outro.

Os lugares vagos eram a direita de Fugaku que seria preenchido por Mikoto claro, e do lado da matriarca Sasuke sendo seguido por Naruto. A mesa era grande e tinha vários outros lugares, mas o loiro achou que a família queria algo mais intimo tendo deixado o resto da mesa inutilizado. Desejaram boa noite a todos os presentes e se sentaram.

Porque você disse que estamos namorando? – Naruto cochichou para o moreno.

Você viu como ela ficou feliz pensando que éramos um casal? Eu não vou estragar isso, não vai fazer mal ela pensar que estamos juntos. – O mais novo dos Uchihas explicou.

Ou, você quer ser meu namorado. – o loiro disse divertido.

O jantar logo começou, a comida era simples e a conversa descontraída. Sasuke e Naruto tiveram que responder as perguntas obvia “Onde vocês se conheceram?”, “Porque nunca contaram pra ninguém?” e “Porque o Naruto foi embora?”. Todas foram respondidas com verdade. “Se conheceram no hospital, nunca tiveram nada serio pra sair espalhando e Naruto precisava voltar pra casa.” Respostas simples e objetivas. Sem se aprofundar no assunto. Mas não puderam evitar as perguntas de Fugaku.

–Então Naruto, se você terminou a faculdade, em que hospital está fazendo internato?Touché , desde que soubera que o “genro” tinha terminado medicina aquela pergunta não tinha saído da cabeça do patriarca Uchiha.

– Eu não comecei a fazer ainda senhor. Tenho uns problemas pessoais pra resolver, mas já sei onde vou trabalhar. – Aquilo não era de todo uma mentira, realmente tinha onde trabalhar, por direito.

E Sasuke no meio daquilo estava perdido, nem ao menos poderia ajudar. Deveriam ter conversado antes, treinados para as perguntas ou ao menos terem desmarcado. Não sabia se alguma coisa do que o loiro dizia era verdade. Não tinha passado pela cabeça do moreno que Naruto nem tinha tocado no assunto do internato, tinha ficado em segundo plano, já que tinham outras coisas para resolver.

– E você foi aceito pelas suas notas? Pelo seu envolvimento com meu filho? Eu espero que não. – o tom de Fugaku estava tenso demais, ele tinha assumido a posição alfa e queria proteger seus filhos. – Eu tenho certeza que não foi pelo seu nome. Aliás, qual é o seu sobrenome? Ou você está mais interessado em entrar nas calças do meu filho?

O loiro chegou a prender a respiração diante daquela pergunta, se sentiu extremamente ofendido pelas acusações daquele homem. Não precisa de ninguém pra conseguir trabalho e definitivamente não precisava de meros Uchihas. Porque perto do que sua família já tinham sido eles não eram nada. E o pobre Sasuke estava em pânico, escutava o tilintar que os dedos do loiro faziam na mesa, ele sempre fazia isso quando estava nervoso. Escutava também o restante da família segurar a própria respiração e já gritar dizendo que aquele era Uzumaki Naruto, o dono de seus pensamentos há vários meses e que na verdade se tinha alguém que entrava nas calças de alguém ali era ele, mas o loiro foi mais rápido que ele. Naruto agora tinha um sorriso de puro escárnio na face, ergueu a cabeça esnobemente e disse com toda a calma possível.

–Me desculpe senhor, que rude tenho sido. O nome da criança que está tirando proveito de seu inocente filho mais novo é Namikaze Uzumaki Naruto. Muito Prazer. – Disse utilizando todo o sarcasmo que podia.

E a comoção foi imediata. Sasuke apertou sua coxa como se quisesse uma explicação mais plausível. Fugaku e Mikoto se encaravam. E Itachi que nunca soube disse quase engasgou com o vinho. A única que estava tranquila era Konan, e o próprio Naruto. Que já previa o surto que Sasuke daria.

–Naruto? – a pergunta vinha de Konan.

Eu!

–Acho melhor você explicar melhor o porquê de você ter o mesmo nome do hospital. Visto que eu acho que ninguém aqui esta em condições de lhe perguntar. – explicou gentilmente.

–Eu sabia que você era filho de Minato! – Fugaku exclamou de repente. – Assim que vi seus cabelos louros no hospital, sabia que era familiar. A combinação perfeita de seus pais. Eu só precisava de uma confirmação.

–O que? – Sasuke se espantou.

–Calmo querido. Você já sabia disso, se lembra? – o loiro tentava ser o mais dissimulado possível.

–Sim. Claro. – Assentiu ainda abalado.

–Me desculpem. Mas eu sou o único que acho isso completamente estranho? Quais as chances de 15 anos depois da morte de Minato e Kushina-san o Sasuke namorar o filho deles?– Itachi ainda soava perplexo. Havia convivido por meses com o loiro e não sabia disso. Fora que a Uzumaki tinha sido sua professora na faculdade.

–Todas na verdade. – o loiro se pronunciou, extasiado pela confusão que ele causou. – Eu já te conhecia, você me deixou trabalhar em troca de uma recomendação. Eu vou ser medico o Sasuke já é. Eu acho muito normal até.

–Mas querido. – Quem falava agora era Mikoto. – Não que o Mangekyou não seja um bom hospital, mas colocaram o nome “Memorial Namikaze” no hospital em homenagem ao seu pai. Fora que ele foi chefe de cirurgia de lá.

–Eu sei Sra. Uchiha. Mas o hospital já não pertence a minha família. O fato de ainda ter esse nome é só um tributo que a diretoria acha necessário. Nada de mais.

–Mãe, pai... – Sasuke parecia ter se acalmado. – Eu preciso ir trabalhar... E o Naruto vem comigo... Vamos Naruto. – e saiu puxando o loiro que foi tropeçado pela surpresa. – A gente precisa conversar, agora.

Isso é tão desrespeitoso Sasuke. Que falta de educação. – o loiro dizia enquanto era praticamente levado.

–Cala a boca e entra e no carro.

–Mas eu ‘tava me divertindo. – O Uzumaki protestava.

–Se divertindo em ver minha família confusa?

–Bom... É. Seu pai praticamente disse que eu tava transando com você porque quero um emprego.

–Tá, ele não foi sutil... Em nada. Mas ele é protetor, só queria ter certeza que você é um bom rapaz. – Sasuke tentava proteger o pai.

–Oh claro. Vamos humilhar o loirinho bonito só porque ele não faz parte da maioria dos japoneses morenos e opacos e porque tem sobrenome muito comum. Supernormal isso. – falava sarcasticamente.

–Que disse que você é bonito? – Sasuke dizia enquanto entrava no carro.

–Sua mãe. – respondeu simplesmente.

–Ela estava sendo educada. – O moreno o fitava. – Não vai entrar não donzela?

–Eu vou contar pra sua mãe que você está sendo mal com seu namorado Sasuke. – O loiro respondeu com divertimento na voz.

–Só entra no carro Naruto, não me faz perder a paciência.

–Tá, tá. Porque você está tão bravo? – falava enquanto entrava no carro e colocava o cinto de segurança.

–Você está brincando comigo? Você acaba de falar pra minha família toda que é filho de Namikaze Minato e Uzumaki Kushina e espera que eu não fique nem um pouco bravo?

–Se serve de consolo quase ninguém sabe disso. Tirando o Ero-sennin, e mais algumas pessoas, não se sinta excluidinho nem nada.

–Eu não me sinto “excluidinho” Naruto. Eu estou tentando entender. – dizia calmamente. – Eu queria conversar, lembra? Eu não posso fazer isso sozinho, eu estou tentando consertar a gente, não tá vendo?

–É só que, é uma historia muito longa. – revirava os olhos em descontentamento. – O básico é simples. Meu pai era medico minha mãe biomédica e professora, eles morreram, eu fiquei órfão e tem um hospital com meu sobrenome nele. Mas até chegar nessa parte é complicado.

–Você não pode ao menos tentar? – O Uchiha estava tentando ser flexível, embora a curiosidade lhe corroesse por dentro.

–Posso. – Naruto murmurou. – Mas você tem que me levar pra comer.

–Comer? Naruto a gente acabou de sair de um jantar.

–Eu não consegui comer nada, a sua família de morenos aguados ficavam me encarando.

–Você percebeu que insultou minha família na minha frente?

–Percebi. Mas eu culpo a fome. Eu quero rámen.

Continua...

Notas finais
*Kid? Theres a boy here. He told me that he want to buy you. He offers me a lot of money for your body. And I say yes, but you have to pretend that you are a virgin.
(Criança? Tem um rapaz aqui. Ele disse que quer comprar você. Ele me ofereceu muito dinheiro pelo seu corpo. E eu concordei, mas você tem que fingir que é virgem.)

*Of course old man. Theres a lot of men who wants me, make sure that the Money its enough, ok?
(Claro velho. Tem muitos homens que me querem, mas tenha certeza qeu o dinheiro é suficiente, ok?)