Burning Desire

17 Capítulo 17 - Circulo Vicioso


Notas iniciais
Eu tinha uma nota inicial maravilhosa mas esqueci kkkkkkk

Eu dedico esse capitulo a linda BHM que me fez uma capa linda que eu irei trocar hoje ainda. Depois vou ali tirar um pedacinho do meu rim e mandar pra ela também em forma de pagamento kkkkk

Capitulo 17 – Circulo Vicioso.

Escutou a porta ranger e foi como se uma bomba tivesse sido jogada em sua cabeça. Sentia-se doente, muito doente. Até o momento não sabia que era possível querer vomitar, dormir e acordar ao mesmo tempo; mas era. Também não sabia que as pálpebras podiam doer tanto, mas elas também doíam; junto com sua cabeça, ouvidos, estomago e garganta que formavam uma banda instrumental dentro de si. Alias, porque sua garganta doía? Não fazia a mínima ideia, só sabia que a cabeça pesava uma tonelada, o estomago dava voltas e os ouvidos pareciam explodir a cada pequeno som detectado. Precisou rolar o corpo e ficar deitado de lado, e foi um grande erro, cada músculo do seu corpo protestou lançando pontadas de dores que o faziam querer gritar. Mas o som também não saia; talvez quando tivesse ido atravessar a rua um caminhão bem grande o tivesse atropelado e agora estava na cama de um hospital de segunda categoria agonizando. Mas ele sabia que não; suas mãos foram de encontro à barriga, e percebeu estar sem camisa, até ai sem problemas; mas também percebeu que sentia os lençóis da cama diretamente em seu corpo, e então percebeu que também estava sem calças, e sem nenhuma roupa intima também. Mesmo de olhos fechados sabia estar sendo iluminado por algum tipo de luz que o esquentava gradativamente. Talvez estivesse pelado, em um colchão no meio da rua, até gostava dessa possibilidade, era melhor do que a alternativa, aquela que seu cérebro lhe gritava desde o primeiro momento de consciência. Aquela que ele vinha tentando suprimir com todas as forças.

–Você pode abrir os olhos agora. – Oh sim, era aquela voz que ele não queria escutar.

–Cala a boca.

–Você não quer saber o que aconteceu ontem? – a frase deveria ter saído brincalhona, mas o tom de voz ainda era serio demais.

– Eu sei o que aconteceu ontem, não sou estúpido. – e Sasuke se lembrava, de cada maldita frase dita e cada ação tomada, o maldito que disse que depois da bebedeira não se tinha lembranças deveria morrer lentamente com um tumor de um tamanho de uma maçã no cérebro.

–E você não vai dizer nada?

–Não. Por quê? Você quer que eu me humilhe e chore te agradecendo por voltar? Quer que eu te pergunte se foi por mim que você voltou? Desculpe-me decepcionar, mas eu não vou fazer nada disso. – o moreno já estava sentado olhando para o lado esquerdo onde o loiro estava apoiado na mesa que havia no quarto. – Você me buscou e me trouxe... – ele olha em volta e vê que o ambiente iluminado é seu próprio quarto. – pra minha casa, e por isso eu agradeço, mas é só.

–Eu não quero que você se humilhe Sasuke, eu nunca quis. E sim você é a razão...

–Faz um favor pra você mesmo e me poupe de suas historinhas, você quer me ouvir dizendo obrigado? Ok, então obrigado, pode sair agora. – a cada palavra as marteladas em sua cabeça aumentavam, ele só queria ficar sozinho.

–Não são historinhas, você é um dos motivos de eu ter voltado...

–Oh claro, eu, você e seu namorado dividindo a cama, contando sobre nossos dias, realmente divertido. – o Uchiha interrompeu de novo com um tom sarcástico.

–Eu não dividiria você com mais ninguém Sasuke. – e vendo que o moreno não mais prestava atenção e procurava algo continua. – não que eu já o tenha visto pelado, mas suas roupas foram pra lavanderia, você vomitou nelas... E nas minhas também.

–Como? – o moreno voltou o olhar para Naruto que vestia uma camisa sua que parecia um numero maior e uma bermuda que ele não se lembrava de ter.

–Viu você não se lembra de tudo. – atravessou o quarto e parou diante a porta. – Eu gosto daquela minha camisa, você pode me devolver à próxima vez que a gente se encontrar?

–Me encontrar com você casualmente implica no fato da gente manter contato ou qualquer tipo de relacionamento, o que não vai acontecer.

–Ah, vai acontecer sim. E por favor, não surte a próxima vez que me encontrar ok?

Depois que o loiro saiu, o moreno foi em direção tomar seu banho, ligou o chuveiro e deixou a água fria cair em seus cabelos bagunçados. A água naquela temperatura lhe dava calafrios e arrepios, mas era boa pra lhe fazer pensar. Era como se tivesse voltado no tempo, exatamente seis meses atrás quando havia visto Naruto pela primeira vez, tudo que sentia veio com mais intensidade, e isso o deixava desnorteado. Como uma pessoa poderia ter um impacto tão grande nele? Como alguém era responsável por cada mudança física nele? Era mais um mistério pra ele. Tinha aquela vontade imensa de ver o loiro caindo de um precipício, mas sabia que seria o primeiro a pular só pra amaciar a queda. Era um paradoxo muito mais que intrigante. Era a sua maldição.

[...]

Precisava sair daquela casa, urgentemente. Das ideias idiotas que lhe ocorriam, aquela tinha sido de longe a pior. Precisava fumar. Por que tinha que atender a ligação ontem à noite? Simples, porque era de Sasuke. A surpresa foi quando não escutou a voz agradável e por vezes dura do moreno, e sim o sotaque enrolado e confuso de um garçom qualquer. No fundo sabia que depois das merdas que tinha feito meses atrás aquela ligação não poderia ser realmente do Uchiha, não cordialmente. Precisava desesperadamente de um cigarro.

Ao contrario do que muitos imaginavam, os ultimas meses foram o calvário. Já havia voltado atrasado para as aulas, tendo perdido uma boa parte de treinamento. Mas tinha deixado claro pra Jiraya que não poderia ter ido embora ao prazo certo, sendo que na época Sasuke estava bravo com ele por causa da historia com Itachi. Mas no final, as coisas tinham sido muito pior.

Tinha que se esquivar também dos olhares do reitor, que no meio tempo que esteve fora tinha virado uma subcelebridade por causa da historia do incêndio e depois por causa da namorada incendiaria. Fora que nem Sakura, nem Ino falavam mais com ele, por ter quebrado o coração de seu querido Sasuke. Fato que ele não se orgulhava. Nem um pouco.

Sasuke não estava nos planos, em nenhum deles. Se importar com o moreno muito menos e se apaixonar por ele de jeito nenhum. Mas agora ele estava perdido. Não se lembrava de quantas noites tinha ficado acordado só lembrando-se de cada traço do Uchiha, dos delicados aos mais rústicos. E também se remoendo em culpa. Um sentimento que em toda sua vida, nem mesmo nos momentos mais inconsequentes havia sentido, mas que agora já ate fazia parte de seu cotidiano. Acordar, tomar banho, culpa; comer, estudar, mais um pouquinho de culpa, sair, voltar e se afogar em culpa.

Sentia culpa até por respirar. Ir embora do jeito que partiu, foi covardia, e ele sabia. Mas Sasuke não havia pedido pra entrar naquele mar de confusão que ele se encontrava e depois de tudo, ele devia isso ao moreno. Não podia sair jogando suas porcarias em cima dos outros. Muito menos em cima de alguém com a vida toda estruturada como o Uchiha. Estava tão perto de seus objetivos, aguentar o ódio do moreno só por mais um pouquinho. Ele conseguiria. Não era tão difícil assim ver a magoa estampada naqueles olhos ônix. Na verdade era, mas perto do que ele merecia aquilo era o céu.

Suas pernas doíam. Por que diabos Sasuke tinha que morar em um bairro tão distante e deserto? Nem um mísero ponto de ônibus naquele lugar esnobe. Precisava falar com Sasori, ele tem sido um ótimo espião. Precisava dos conselhos de Iruka – que ainda não sabia de sua volta-, precisava que seu tutor chegasse logo. E queria seus amigos e Sasuke de volta, e como queria. Queria explicar que por mais estranha que a situação estivesse àquilo era pra assegurar seu futuro – e de uma forma estranha recompensar o passado.

Que por mais canalha que tivesse sido a situação acabou simplesmente fugindo de suas mãos e aquele era o único jeito que ele sabia ser. Era o seu natural agir daquele jeito, não fazia tipo ou fingia nada. Que Kushina o perdoasse. Ele era um filho da puta.

E por mais que tentasse fugir disso não conseguia. A consequência obvia foi machucar aos que amava mais. Só ainda não era o tempo de reconquista-los. Precisava do namorado ao qual não sentia nada por causa do álibi, precisava da desculpa de estar ali somente acompanhando. Não queria que o tio pensasse estar sendo ameaçado.

Quando finalmente conseguiu achar um taxi, fez sinal e entrou. O endereço que deu era do outro lado da cidade. Tinha sido seu endereço por quase quinze anos. Dez deles vividos com os pais. Como Jiraya mesmo tinha dito, não tinha necessidade de ficar hospedado em um hotel quando poderia ficar na própria casa. Mesmo que ela lhe trouxesse nostalgia.

{...}

Depois do banho frio Sasuke se sentia mais relaxado. Mesmo com a cabeça ainda lhe martirizando e o estomago inquieto, estava melhor. Assim que pisou no quarto novamente, pode notar a diferença que cortinas abertas faziam a um ambiente. Aquele não parecia em nada o cômodo escuro de sempre. Era assim que via Naruto, como cortinas. Em um determinado momento poderia deixar a luz reinar e o sol aparecer e em outros deixar qualquer lugar sombrio e escondido.

Já estava vestido e agora passava a toalha desordenadamente nos cabelos molhados. Tinha o dia livre, e iria fazer o que ninguém mais imaginava: assistir televisão. Aquele aparelho grande esquecido, no canto da sala, depois da mesinha de centro. Tinha comprado no modelo mais moderno que tinha, e a TV só faltava cozinhar pra se tornar um faz-tudo, e uma total inutilidade. Já que ele não a usava. Só deixava lá, combinando com o sofá de estofado preto que combinava.

Assim que sentou notou algo na mesinha que antes não estava. Um prato qualquer com cinzas do cigarro caro que o loiro fumava. Quanta ousadia. Levou o prato a pia, que diferente do usual estava molhada. E de supetão se virou, procurando algo que poderia ter sido usado e lavado e de novo se surpreendia. Em cima da mesa havia vários recipientes. Cada um com um tipo diferente de vegetal cozido. E também uma jarra de suco. Comida típica de quem se desidratou, o que era seu caso já que bebeu muito – e literalmente apagou depois.

Ele realmente estava com fome e resolveu que pelo menos provaria a comida. Aquilo não mataria ninguém. Se servindo constatou que de fato a comida era muito gostosa. E só de pensar que foi Naruto que fez seu coração chegava a esquentar. E aquilo não estava certo. Querer tanto o loiro não estava certo. Mas por mais fodido e quebrado que o Uzumaki fosse se sentia atraído por ele. Odiava cada pedaço dele e amava; tudo ao mesmo tempo. E pelo andar de seus pensamentos ele se decidiu, iria tê-lo de volta.

...

O maldito estava atrasado. Muito atrasado. Era uma quarta-feira 12h00min e o sol estava rachando a sua cabeça loira. Estava do outro lado da rua na frente do Mangekyou Hospital, esperando pelo maldito que até no dia que tinha que trabalhar chegava atrasado. Vestia jeans claros com os joelhos rasgados e uma camiseta sem estampa preta, e também usava óculos escuros. Antes de sair Jiraya tinha dito que parecia um adolescente, mas não se importou.

Em todos os casos ele era somente um namorado orgulhoso que ia com o parceiro no local de trabalho. Um namorado que na verdade estava morrendo de medo. Tremia por dentro em pensar na próxima etapa. Tinha que entrar no lugar onde havia trabalhado por algumas semanas, e encarar o homem com quem tinha dormido por semanas, tudo isso com o namorado a tiracolo que na verdade ia traçar o perfil psicológico de todos os funcionários daquele hospital. Incluindo o de Sasuke. Quando soube daquilo quase enfartou, mas teve que admitir que a deixa tinha sido maravilhosa. Onde mais encontraria uma desculpa pra entrar lá de novo sem o perigo de ser linchado? Em nenhum lugar. Por isso aproveitou.

A semana tinha corrido sem mais problemas. Kiba, Neji e Hinata já conversavam melhor com ele, não o deixando tão só. Jiraya havia chego segunda feira a noite e lhe confortado um pouco. Tirando o fato de não ter tido noticias do Uchiha estava tudo bem. Viu se aproximando o moreno impecável em seu paletó grafite, com os cabelos castanhos presos no alto da cabeça em um nó forte e uma pasta em baixo do braço, ele era realmente um homem bonito. Pena que já não sentia nada por ele, e vice e versa.

–Está atrasado! – resmungou e logo em seguida deu um selinho cumprimentando o outro.

–E você esta vestido como uma criança, seu problemático. – o moreno sorria suavemente, tinha os olhos cerrados, parecia entediado era sua característica.

–Hum, que seja. Vamos logo. – Atravessou a rua, e quando estavam perto do familiar “M” voltou a falar. – Você não pode pedir pro Chouji atender o Sasuke? – Akimichi Chouji era o outro psicólogo também designado a “analisar” o hospital.

–Eu até poderia, mas faço questão de conhecê-lo, quero saber que tipo de homem ele é, se ele pode te matar enquanto você dorme. – eram raros, mas o moreno tinha seus momentos de descontração.

O loiro depois de uma risadinha ficou quieto e continuaram a andar, passaram pela porta automática, e sem nem mesmo passar pela recepção foram em direção ao corredor que dava acesso aos elevadores. Apertou o botão de numero 7, que era o andar onde o escritório de kakashi ficava. Saíram do elevador e na hora Naruto ficou pálido, parecia ter perdido todo o sangue do rosto. Ali bem a sua frente Itachi o encarava, com uma cara de pouquíssimos amigos e ele bem sabia o porquê.

–Oi Naruto, você está de volta, com o... – deixou a frase no ar esperando pelo complemento, a voz do Uchiha mais velho estava violentamente baixa demais, e sabia que independente da resposta dali ele não sairia vivo.

– Esse é Nara Shikamaru, o psicólogo que vai trabalhar aqui... E meu namorado. – na hora pode sentir a cabeça dar um 360° e sua bochecha parecia pegar fogo, realmente Itachi tinha uma mão muito pesada

Notas finais

Daqui pra frente irei mostrar o lado do Naruto também ok. No outro capitulo acabei colocando a diferença entre eles de 7 cm quando na verdade são 2cm Gomenasai, mudei lá, não consegui arrumar a formatação.

Beijo pro meu baby Killua e pra todas as minhas leitoras fofas que estão cada vez mais adoraveis e me mandam rewiews lindos (elas sabem que são elas).

Beijooos