Burning Desire

15 Capítulo 15 - O meio do meio e o fim do poço.


Notas iniciais


Capitulo 15 – O meio do meio e o fim do poço.

Revelações ultima parte.

Escutava o tic-tac irritante do relógio pregado a parede e nem isso o tirava do transe que se encontrava. Já estava em casa há algumas horas e nem do sofá ousou sair, sua cabeça doía, mas o corpo não respondia aos estímulos de se levantar. Se soubesse que o dia terminaria tão mal, não teria levantado da cama pela manhã, e ainda estaria sentindo o cheiro adocicado que saia dos cabelos loiros de Naruto. Que em sua opinião deveria explodir junto com o namorado corno dele. Queria culpar o loiro, e a impulsividade ousada que veio junto dele, mas estaria sendo obtuso demais se não se culpasse um pouquinho. Onde estava sua cabeça que não percebeu a enrascada em que se metia? Onde estava seu coração que não o preveniu de se jogar de cabeça desse jeito? Pra onde é que ele olhava que não viu a confusão se formando? Provavelmente nos olhos azuis límpidos e naquele sorriso sacana de Naruto. Anos se gabando da inteligência acima da media não o impediram de se sentir usado.
O celular tocou e o primeiro impulso foi de atender mesmo querendo ignorar o resto do mundo.

Sasuke? – a voz inconfundível da amiga parecia temerosa.

–Pode falar.

Você pode vir aqui pegar o Naruto?

–Sakura...

É sério, ele tá aqui no gramado, e não deixa ninguém levar ele pra dentro ou levar pro hotel, disse que só ia embora com você. – a rosada parecia pensar – por favor, vai.

–Tá bom.

Sentia raiva, muita raiva, a sensação de ser apenas uma marionete sendo manipulada pelas mãos de alguém bem perverso não se esvaia. Segurava um cartão magnético e tentava abrir a porta da suíte de numero 205, olhava em volta e em uma viga perto dele o loiro ignorava completamente os avisos de não fumar e já retirava um cigarro do maço não parecendo tão embriagado. Quando saiu de casa quase uma hora atrás pensava em desistir e voltar para seu sofá macio, mas sabia muito bem que se não fizesse o que lhe foi pedido à curiosidade corroeria os resquícios de sanidade que ainda tinha. No gramado dos Hyuuga a cena foi mais engraçada do que dramática; Naruto estava sentado com as pernas entrelaçadas estilo indiozinho olhando o céu e clamando seu nome, se não estivesse furioso aquele seria um ótimo pretexto pra levar o mais novo pra cama. Ficou sabendo também que o outro endurecia o corpo em protesto não se deixando levar pra nenhum outro lugar, só queria ficar ali, olhando a paisagem escura que segundo ele lembrava muito os olhos ônix de Sasuke. O loiro não estava tão bêbado quanto tinha presumido; só era um maldito birrento que queria uma chance a mais pra lhe infernizar a vida.

–Sasuke! Sa-su-ke ! Sasuke-kun, darling, honey, Sasuke-san

–Fala logo Naruto. – o loiro estava retirando os sapatos enquanto subia a cama.

–A gente tá bem? – nesse ponto o loiro já estava deitado na cama enquanto o moreno sentava-se em um pequeno divã ao lado.

–Não, a gente pode ‘tá qualquer coisa menos bem.

–Sabe, isso é tudo culpa sua. Nem adianta fazer essa cara, é culpa sua mesmo. – o Uzumaki retorquiu vendo a careta se formar no rosto do moreno. – Era simples, eu só vinha pra cá pra passar um tempo depois da confusão toda lá na universidade, ai veio você e seu cabelo bonito e esse nariz empinado. Eu juro que ia ficar quietinho, depois do que aconteceu com a Lana eu ia me comportar...

–Quem diabos é Lana Naruto?– aquela historia mais parecia conversa de bêbado do que qualquer outra coisa.

–Ah é, eu nem falei quem é Lana. Pega ali pra mim. – o loiro apontava uma pilha de roupa ao canto. – tem um notebook lá.

O Uchiha se levantou e pegou o equipamento praticamente escondido pela bagunça. Assim que entregou o loiro já digitava algo, e ele foi se sentar ao lado do Uzumaki. Na tela do computador, as noticias todas eram em inglês e ele só entendeu quando viu a imagem. Era a faculdade de Naruto, com parte da estrutura destruída pelo fogo. Quando a pagina foi descendo também havia uma foto de um homem de aparentemente uns sessenta anos e em seu braço uma mulher que não parecia passar dos trinta com os cabelos platinados tipicamente americanos sendo que o homem tinha traços orientais. Já ia pedir explicações quando o loiro se adiantou.

–Essa é Lana Sommers – apontava a foto da mulher- e esse é o reitor da minha faculdade o tenente Sabaku, ele era militar e gosta do titulo. Ele é bem ciumento sabe, ela é a terceira namorada desde que eu fui aceito lá...

–Ah, Naruto o que você fez com ela?

–Nada, esse é ponto. Ele tem um filho, na verdade três, mas não vem ao caso. Pode ser que talvez eu gostasse de atentar o filho mais novo dele Sabaku no Gaara, ele é da minha idade e a gente gostava de sair junto, só que a Lana é complicada, ela gostava de aparecer no campus e mexer com todo mundo, mas eu te disse, não gosto de mulher. –mesmo um pouco alterado Naruto ainda fazia graça. – fui chamado umas duas vezes no gabinete do reitor que me disse pra ficar longe da família dele e blá blá blá que eu era problema e mesmo que tivesse raízes orientais assim como ele eu não era confiavel, e eu não fiquei obvio, as coisas começaram a ficar difícil, eu fui proibido de usar o laboratório pra pesquisas e consequentemente minhas notas caíram, então um dia do nada o lado dos dormitórios masculinos pegou fogo.Justamente no corredor onde eu moro. Pode chamar de sorte ou não, mas naquele dia eu tinha ido a Boston pra visitar o velho Jiraya, que ficou louco quando soube da historia obvio. Moral da historia, uma investigação foi aberta e descobriram que foi a Lana, mas eu duvido muito visto que ela não tem a capacidade de acender um fósforo sozinha.

–Wow, isso é bem... – naquela hora te lhe faltavam palavras.

–Fodido, é eu sei.

–Porque você esta me contando isso?

–Você ainda ‘tá bravo comigo?

–Lógico isso não muda em nada que estou morrendo de vontade de te socar.

–Mas é porque eu tenho um namorado ou porque eu te escondi isso? –touché Você teria ficado comigo se eu tivesse contado desde o começo? Eu particularmente gosto de pensar que sim. E se você fica bravinho toda vez que te escondem algo, eu resolvi que não vou fazer mais isso.

–Você não estava muito bêbado?

–Eu nunca fico muito bêbado Sasuke! – O Uzumaki já se aconchegava tentando dormir.

–Você é um idiota.

[...]

72 horas, 30 minutos e 15 segundos que ele não via Naruto. Depois da conversa mais amena e totalmente sem propósito dos dois no quarto de hotel ele simplesmente foi embora e não falou mais uma palavra sobre o assunto. Ele tinha que pensar, tinha que botar os neurônios privilegiados para trabalhar e arranjar uma solução pra tudo aquilo. Evitou atender ao telefone e até conversar com as pessoas. Tentava reprimir qualquer vontade de ligar para Sakura e perguntar como ele estava. Queria saber se o loiro se sentia desgastado como ele se sentia.

Mas o trabalho negligenciado nos últimos tempos era mais urgente. Pela primeira vez sua vida pessoal estava interferindo em seu trabalho, não podia contar nos dedos quantas vezes tinha se distraído nos últimos três dias, fora as perguntas sobre onde o loiro estava que teve que responder. No momento tinha em mãos uma serra de Gigli, já tinha usado uma broca cirúrgica para as trepanações e agora serrava o osso entre os furos, formando um triangulo perfeito que quando fosse retirado daria acesso imediato à dura-máter. Fazia uma craniotomia descompressiva para o tratamento de hipertensão intracraniana. A última cirurgia de seu plantão, mesmo sendo apenas seis da tarde. Mais cedo no mesmo dia tinha recebido uma mensagem do irmão mais velho com as simples palavras “jantar as sete e meia, eles voltaram” e Sasuke bem sabia o que aquilo queria dizer. Seus pais estavam de volta ao Japão, depois de dois meses viajando pela Europa, estavam de volta e queriam um belo jantar de boas vindas preparado pelos mesmos, mas que fingiriam ser preparado pelos filhos.

Sasuke, assim como Itachi havia sido criado, ou até mesmo treinado para a vida na bela casa dos Uchihas próxima ao litoral, fazendo o ambiente ser muito frio devido a constante brisa do mar que entrava pelas janelas. Sua educação tinha sido normal e até usual da maioria dos japoneses; enquanto o pai apertava a mãe afrouxava, mas sempre com muito amor. E ao contrario do presumido pelas pessoas, sua vida foi repleta de afetuosidade e gestos calorosos vindos de todos, mesmo que as feições impassíveis transpassassem que eles eram robôs sem sentimentos. Não precisou de nenhum empurrão para seguir a medicina, estava implícito em sua vida e marcado no sangue de sua família. Mesmo que o Mangekyou não fosse legalmente e em papeis passados propriedade de seus parentes, era mais que conhecido que sua família estava no comando do hospital a décadas fazendo o nome ‘Uchiha’ ser famoso entre todos dessa área. Por isso enquanto estava na universidade, já sabia exatamente aonde iria trabalhar, e assim sua vida já estava traçada.

Quando o relógio de pulso marcava sete e dez já estava sentado em seu carro, com os cabelos bem penteados para trás e vestindo um smoking azul marinho que ressaltava a cor de seus olhos os deixando mais escuros que o normal. A gravata em um tom escuro quase preto o deixava mais aristocrático e com certeza muito mais bonito. No banco do passageiro uma garrafa de vinho estava repousa, era de uma marca desconhecida e de uma safra muito nova para qualquer um com um gosto mais requintado, mas para o moreno que passou de ultima hora em um supermercado qualquer estava de bom tamanho. Avistou logo a casa com seus portões altos e grandes muros brancos e assim que se identificou pelo interfone seguiu com o carro para a entrada da casa.

Já fora do carro pode ver a Chrysler 300c prata de seu irmão já estacionada ao lado. Passando pela porta pode enxergar o hall de entrada e de uma porta lateral saia sua mãe lhe sorrindo cordialmente com os braços abertos.

–Oi bebê, eu senti saudades!

–Eu não sou um bebê mãe. – devolvia o abraço, a apertando mais em seus braços.

O jantar já seguia há algum tempo, Itachi e Fugaku conversavam alguma coisa enquanto sua mãe só assentia com a cabeça. Era um papo sobre o Memorial, — hospital onde suas amigas trabalhavam- e sobre ele ter sido vendido ou trocado de dono, alguma coisa que não lhe interessava. Sentiu o bolso vibrar e de lá tirou o telefone e assim que desbloqueou a tela viu a mensagem da amiga:

Haruno S. (08h34min)

Você viu o Naruto?

Não, e você sabe.

Haruno S. (08h35min)

Oh, você pode me ligar agora?

E pedindo licença a mesa se retirou, indo para o corredor que dava acesso ao hall. Discou o numero da amiga e nem precisou esperar mais de um toque para escutar a voz afoita da amiga:

Você jura que não tá com o Naruto né?

–Eu não estou com ele Sakura, na verdade estou na casa dos meus pais no meio do jantar.

–Oh, me desculpe. Mas o Jiraya me ligou, nem me pergunte como ele tem meu numero, e disse que era melhor que o Naruto já estivesse no voo das 08:30 voltando para Miami, já que as aulas dele voltaram a uma semana, e ele não foi nenhuma vez que o Jiraya reservou a passagem, ele te disse alguma coisa?

–Não, ele não disse nada pra mim. Você tentou ligara pra ele? – mesmo não querendo a voz exalava desespero.

Não você foi o primeiro que eu tentei. Lógico que eu tentei, mas só cai na caixa postal né espertão.

Ele nem pode escutar o resto já que cortou a ligação pela metade, à ideia de o Uzumaki ter ido antes deles poderem se acertar era destruidora, porque ele pode ter sido categórico, mas no final ele sabia que não resistiria aos olhos azuis do outro e perdoaria, aceitaria até ser amante se isso significasse não perde-lo. Mas ficar sem um encerramento era tortura demais pra alguém como ele. Alguém que não suporta metades incompletas. Primeiro escutou os toques e depois a voz irritante e eletrônica da mulher já chegava ao final da mensagem automática quando ele soltou, no meio do corredor mal iluminado da casa dos seus pais, ele admitiu o que queria reprimir, como se assim pudesse trazer o outro de volta.

–Você não pode ir embora, porque eu estou apaixonado por você. – e desligou, se arrependendo na hora, talvez o loiro não escutasse as mensagens de voz. O toque de seu próprio celular o tirou da letargia, quando viu o numero que o ligava quase não conseguiu respirar.

Eu sinto muito. — e desligou, a voz parecia mais rouca que o normal. Não entendeu o sentido da frase. A única coisa que sentia era vontade de chorar. O quão patético seria se ele começasse a chorar agora?