Burning Desire
10 Capitulo 10 - (Extra) Pré-disposição ao exagero.
Capitulo Extra – pré-disposição ao exagero.
Foi acordado por mãos finas e delicadas, uma aeromoça lhe cutucava mostrando que já haviam chegado ao destino final; faziam 10 anos que o loiro de aparência estrangeira não botava os pés em solo japonês. E ele sentia muita falta de sua cidade natal.
O voo longo só tinha sido cansativo, nem pra botar o sono em dia tinha lhe servido. Os acontecimentos recentes em sua universidade eram de tirar o sono, mas sua natureza relapsa não lhe deixava se culpar, afinal como iria saber que o homem era louco? E ainda por cima havia brigado com seu tutor –não que ainda precisasse- Jiraya era um bom homem e só queria o bem para o rapaz, mas ele nem precisava mais de uma babá, não era o mesmo garotinho órfão de 10 anos, já tinha 25 anos, e uma carreira a seguir.
Assim que pegou as malas foi em direção à saída principal, seus antigos amigos estariam lá para buscar-lhe e isso era uma ótima noticia para Naruto. Apesar de ter ido embora ainda adolescente, o loiro manteve contato com algumas pessoas. Uma delas sua paixãozinha adolescente Sakura, a garota não deixou de ligar para ele nunca nesses anos, o mantinha atualizado da vida dos outros, e mesmo em um tempo aonde ele não merecia Kiba, Hinata, Ino e até Neji não tinham abandonado.
Avistou a garota com seus longos cabelos rosa acenando para si e sorriu o mais largo que pode, não havia se tocado o quanto tinha sentido saudade de tudo. Com sua mala marrom em mãos foi correndo ao encontro de uma roda de jovens que lhe sorria calorosamente, foi abraçado e apertado por todos os lados. Não ouvia direito, mas tinha certeza que era bombardeado de perguntas e comentários como: Como você cresceu; Quanto tempo ira ficar?; Como só trouxe uma mala? E por ai vai.
[...]
–O deixem respirar, oras. – a voz vinha da loira de olhos claros, que já havia se afastado.
–Tá tudo bem Ino-Chan, eu senti falta de todos. – aos poucos todos foram se afastando e a única que ficou agarrada no seu braço foi a Haruno que digitava algo no celular.
A principio pensou em ficar em sua antiga casa, que ficou recebendo cuidados por empregados nesses anos, mas seria um exagero ficar em uma casa grande sozinho, nem conseguiu cogitar ficar em um hotel e foi obrigado –praticamente- a ficar com Kiba, o mesmo namorava Hinata a um pouco mais de dois anos, só que não moravam juntos no apartamento que o moreno possuía.
Foram todos espremidos no carro de Neji, falavam demais e riam demais para o desespero do Uzumaki que chegava a fechar os olhos de cansaço. Quando finalmente chegou a casa do amigo, recusou cada oferta animada para comemorarem, ele só precisava por o sono em dia.
{...}
Mesmo estando em um estado de dormência conseguia escutar barulhos vindos do resto da casa, queria continuar dormindo, mas os ruídos e vozes aumentavam cada vez mais. Levantou-se e saiu do quarto, ainda estava usando a mesma roupa do dia anterior: uma calça jeans clara e uma camiseta laranja com o emblema do time da sua faculdade. Quando chegou a sala pode ver Kiba sentado no sofá cinza com os braços cruzados e Hinata e Neji carregando algumas tralhas decorativas que ele não se lembrava de ver no dia anterior.
–Desculpa se te acordamos Naruto-Kun. – a voz doce da garota de olhos perolados não havia mudado muito durante o tempo.
–Eu já estava acordado. – mentiu
Neji e Hinata Hyuuga estavam preparando tudo para uma sessão de fotos, os dois gerenciavam uma empresa de publicidade que estava em estagio de expansão. Tinham lutado muito para espantarem a imagem de herdeiros mimados que tinham. Alguns minutos depois já se via sozinho com o amigo de longa data, ele e Kiba eram o que se conheciam a mais tempo, desde que ambos tinham 12 anos e insistiam em depredar monumentos públicos pela cidade. Logo depois conheceram Hinata que tinha uma queda pelo loiro e a tiracolo veio Neji o primo superprotetor. Junto com outros garotos eles ficaram inseparáveis até Naruto conhecer Sakura, a menina um ano mais velha que desfilava com seus cabelos rosa nada comuns e uma loira grudada em seu braço. Tinha sido recusado em cada tentativa de se aproximar da garota, mas nunca desistiu, continuou até realmente descobrir que meninas não lhe interessavam em nada e mesmo que interessassem a Haruno não queria saber dele, ela só tinha olhos para o veterano esnobe Uchiha Sasuke, o loiro nunca teve o prazer ou desprazer de conhecê-lo, mas o nome pomposo não saia dos lábios da amiga que era obcecada pelo rapaz e nem de nenhuma outra garota do colégio.
–A gente podia sair hoje à noite. – percebeu que ficou tempo demais em pé parado.
–É claro. – não podia negar uma noite agradável de pura bebedeira- que iria acontecer- com amigo.
Passou algum tempo relembrando o passado agradável com o amigo e depois foi arrumar suas coisas, quando checou o celular pode ver varias chamadas de Jiraya no visor e uma mensagem pedindo para ele retornar a ligação logo. Como o confronto ia ser inevitável resolveu obedecer.
–Ei criança! – a voz de seu tutor era paternal mesmo depois de tudo. –Você chegou bem?
–Eu estou bem sennin.- E não era mentira, ele realmente estava bem.
–Você entende porque está ai, não é?
–Entendo. – a voz soava como a de uma criança chorosa.
–Por favor, não entre em confusões, eu não estou ai para limparsuas bagunçasNaru. – o mais velho sentia necessidade de repreendê-lo mesmo a quilômetros de distancia.
– Porque você presume o pior de mim?
–Porque você é um moleque encrenqueiro – passou alguns segundos calado – se cuida criança.
–Se cuida sennin. – e a ligação foi cortada.
[...]
O bar lotado só o excitava ainda mais, em Miami tinha uma vida bem agitada e uns colegas bem animados, mas o Japão era sua casa e mesmo que esteticamente não se encaixasse ali, era sua casa. Sua mão direita dava batidinhas nos adornos de metal da calça que usava enquanto a esquerda era puxada por Sakura — que se autoconvidou-, tinha uma vontade imensa de fumar, mas a amiga enfermeira o havia proibido do ato.
Quando conseguiram encontrar uma mesa vazia se sentaram, se acomodando. Naruto teve que contar tudo de novo que acontecia em sua vida — ocultando algumas partes, lógico – e escutou o progresso da vida do amigo veterinário e da amiga enfermeira de folga. Não soube exatamente a que horas o vicio chamou mais forte, só sabia que inventou uma desculpa qualquer e foi para o outro lado do estabelecimento, a ala dos fumantes, acendeu o palitinho da morte – apelido da rosada- e o levou a boca dando uma longa tragada. Tinha esse maldito vicio desde os 14 anos de idade, quando era inconsequente e procurava uma distração qualquer. Sentiu-se observado e prestou atenção a uma garota que lhe jogava olhares maldosos e cheios de malicia, a típica japonesa de cabelos e olhos castanhos ia chegando cada vez mais perto, e Naruto não via motivos para lhe negar atenção, ela não era seu “publico alvo”, mas uma diversãozinha iria bem naquele sábado a noite.
A garota simplesmente lhe pegou a mão e foi guiando até o que ele achou que era a porta do banheiro, quando parou bruscamente ele não entendeu o motivo, via o rosto assustado da menina, mas não compreendia o porquê. Até o momento que sentiu duas grandes mãos em seus ombros o puxando para trás e uns xingamentos que não faziam o menor sentido; quando olhou o dono pode ver um homem alto de cabelos tipicamente castanhos que lhe dava um olhar aterrorizador. Tinha outros dois homens lhe encarando também, e ele mal teve tempo de pedir explicações quando o primeiro soco atingiu a lateral de seu rosto e fez sua cabeça virar violentamente. Ouviu a palavra “traidora” e concluiu que algum deles deveria ser o quase corno namorado da menina abusada; então era isso iria apanhar por causa de uma maldita garota que nem havia comido; ótimo ele nunca fugia de uma boa briga.
Quando conseguiu se recupera do baque, começou a distribuir socos e pontapés não tendo certeza em quem acertava, mas a frequência que era atingido era muito grande, sentiu um punho lhe acertar no olho direito e perdeu o equilíbrio, teria caído se não fosse amparado pelo visivelmente alterado Inuzuka. Agora estava perfeito, quando mais novos os dois eram a dupla perfeita de encrenqueiros e entravam em brigas por pura diversão.
O ambiente todo já estava uma bagunça, pessoas querendo sair ilesas da confusão enquanto outros entravam na bagunça sem nem saber o motivo, atingiu o maxilar de alguém e isso fez seus dedos arderem, e seguidamente uma joelhada em seu estomago o fazendo perder o fôlego, foi levantado pelos braços e quando pensou que ia apanhar foi empurrado para fora da confusão, Kiba lhe guiava enquanto era guiado por uma furiosa Sakura, que andava as pressas e discava o numero de alguém no celular.
Escutava a voz da amiga gritando no aparelho tentando ser ouvida, enquanto caminhavam para fora do lugar, a visão de um dos olhos foi tapada pelo sangue que escorria de um corte profundo no supercílio e foi tropeçando até ser segurado com mais força pelo amigo, ainda pode ouvir a amiga lhe repreender.
–Kiba segura ele direito, e Naruto porque não consegue manter suas calças no lugar? – o desespero exagerado da amiga podia ser cômico.
Mas no momento só precisava de primeiros socorros.
(...)
Um beliscão na costela fraturada o fez abrir os olhos e tomar a consciência de onde estava: um sofá verde limão que não o acomodava direito deixando seus pés para fora, passava a mão pelo pescoço tentando aliviar o incomodo e não teve o tempo de olhar quem o acordara.
– Nós iremos sair mais tarde, passe em “casa” tome um banho e apareça nesse endereço – ofereceu um pedaço de papel com uma letra horrível. – Você está horrível.
Mesmo não estando presente na noite anterior Ino falava como se tivesse acompanhado a cena toda e o tratava como se fosse culpado da confusão, tinha certeza que a “mão pesada” que o havia ajudado com os ferimentos anteriormente foi a Yamanaka, já que se lembrava de vagamente de uma voz chata lhe repreendendo por horas. Da noite anterior lembrava-se de tudo, mas preferiu mentir a ter que dar explicações para quem não precisava. Assim que escutou a porta sentou-se se amaldiçoando na hora pela falta de jeito que fazia seus ossos estalarem. O relógio marcava um pouco mais de duas da tarde, o que significava que havia dormido demais, ou melhor, apagado já que uma boa noite de sono lhe era privada há um pouco mais de uma semana.
Precisava de um rumo, ou melhor, de vários, já que a graduação em medicina estava a um passo de não se concretizar e sua vida pessoal era um emaranhado de confusões longe de se arranjar. Tinha que descobrir como ir da casa das amigas –onde estava- para o apartamento de Kiba de transporte publico já que desconfiava que a carteira de motorista tirada ao dezesseis anos em Boston fosse útil ali.
Tateou o bolso a procura dos inseparáveis cigarros e os encontrou lamentavelmente amassados em seu bolso traseiro, nem se importou em estar na casa de duas enfermeiras metódicas e logo acendeu o palito, deu um longo suspiro de satisfação após a primeira tragada, o vicio já estava incontrolável há algum tempo o fazendo sair no meio de importantes aulas só para fumar.
Depois de uma rápida pesquisa no celular descobriu que precisaria pegar o metro para voltar ao apartamento do amigo e se apressou a sair daquele local, não queria estar presente quando uma furiosa Sakura o acusasse de negligencia com a própria vida.
Alguns minutos depois quando já chegava ao seu destino, sentiu o bolso vibrar e pegando o aparelho sorriu ao ler o conteúdo. Encontraria alguém muito especial.
...
A cena era familiar, até demais, se fossem uns onze anos atrás seria até rotineira. Um carro luxuoso parava a sua frente e a porta do carona se abria o convidando para entrar, assim que entrou no carro pode ver a cara de satisfação do moreno ao volante, não tinha mudado em nada, estava mais maduro obvio, já tinha mais de trinta anos, mas a expressão imponente não se modificava. Porem os cabelos pretos estavam mais longos, e chamativos mesmo presos em um nó frouxo, ainda assim o homem sentado ao seu lado era um espécime perfeitamente atraente.
–Eu te odiei. – a confissão lhe pegou de surpresa.
–Eu te odiei também. - respondeu.
Poderia parecer rude, mas não era, não deviam explicações para ninguém, Naruto foi embora de supetão, e mesmo o outro não sendo uma criança foi pego por uma raiva e abandono sem igual. Aquele relacionamento esquisito nunca teve um ponto final, mesmo ambos sabendo que nunca havia tido um começo. Um gostava de provocar e o outro sedia, simples assim. Mesmo que inconscientemente um tinha marcado o outro com vícios e manias muito profundas, que carregavam consigo até hoje, mascaradas ou não.
Foi imerso em um silencio perturbador que a viagem se seguiu, até o veiculo parar em outro ambiente bem familiar para o loiro, um restaurante simples que costumava ir quando mais novo. Itachi sabia bem como alcançar seus pontos fracos. Mecanicamente entraram e sentaram-se um frente ao outro, sempre se encarando, medindo poderes.
–Você está me punindo por ter ido embora? – O Uzumaki já não aguentava aquele clima.
–Eu quis te matar Naruto, eu realmente quis te matar. Eu quis descobrir onde você estava só pra te matar com minhas próprias mãos seu maldito moleque. Você foi embora do nada e me deixou em um estado critico sabia? – a voz do mais velho estava perigosamente baixa, o loiro não sabia se era pra não chamar atenção ou só parecer ameaçador. – nem um misero bilhetinho foi capaz de deixar, eu fiquei mal por um tempo, mas sou crescido, eu superei. E respondendo a pergunta: não eu não estou te punindo, no dia que eu fizer isso você com certeza vai perceber.
Naruto não sabia o que fazer com aquela informação, não esperava uma confissão dessa do impenetrável Itachi Uchiha. Sempre foram só jogos, brincadeiras “inocentes”, e o loiro não se arrependia, fez o que era melhor pra ele na época, se o melhor era seguir o tutor para Boston, então foi isso que fez, tudo para assegurar um futuro prospero.
– Eu não tenho certeza se teria de machucar meu lindo “brinquedinho”. – e com isso o Uzumaki se desarmou o maldito era a contradição em pessoa.
A conversa foi longo e com um tema leve, nem parecia que haviam ficado tanto tempo sem contato, o Uchiha contou dos problemas conjugais com Konan e de como se arrependia de ter deixado Kakashi assumir a diretoria do hospital ao invés dele, e do mesmo jeito o loiro contou dos problemas que o tomavam até o ultimo fio de cabelo. Itachi então conseguiu formar uma solução.
–Bom então eu faço esse favor e te contrato; você ganha os creditos pra se formar e me põe em contato com quem eu preciso. Certo?
Oh, Iruka ia espumar pela boca quando soubesse que além de ter voltado, Naruto iria trabalhar logo naquele hospital. A sensação de ter feito algo travesso o preencheu e só afastou o pensamento quando viu que estava atrasado para ir se encontrar com os amigos.
–Eu preciso de uma carona Itachi.
Já tinha saído do carro há alguns minutos, mas não queria entrar logo, como sempre o vicio falava mais alto e precisava urgentemente achar alguém com um isqueiro já que era até rotina perder o seu. Ao lado da entrada do clube havia varias pessoas que poderiam lhe emprestar o acendedor, mas seus olhos se fixaram justamente na figura estranha do grupo. O único que não fumava e tinha as roupas perfeitamente alinhadas, um moreno alto de corte de cabelo estranho e que com certeza estava deslocado. Chegou mais perto e educadamente perguntou se o moreno tinha fogo, o outro lhe encarava mas não necessariamente o enxergava. Só depois de alguns segundos que viu um movimento e um isqueiro personalizado lhe foi oferecido. Podia jurar que reconhecia aquilo de algum lugar.
Depois ao invés de recuar, achou que seria uma boa continuar ao lado do estranho e assim ficou. Escutou um comentário do tipo espertinho e botou sua língua afiada para trabalhar.
Apanhou o maço de cigarros no bolso e apontou para as inscrições – Eu sei ler, senhor sabichão. – com aquela fala viu o rosto do outro ficar branco e depois um pouco verde, talvez fosse a luz, mas gostava de pensar que foi pela sua resposta mal criada. Não segurou o impulso de gargalhar e os movimentos eram tantos que o capuz sobre sua cabeça escorregou e seus cabelos escaparam.
–Você é Uzumaki Naruto! – o seu azar acabara de dar as caras de novo, prestou atenção mais avidamente e mesmo assim não reconhecia o rosto, talvez fosse alguém da noite anterior, mas não apanharia calado, se pôs a soltar desaforos e talvez tenha xingado o outro, se explicou como pode em vista da situação e só parou quando escutou a voz grave de novo.
–Sou Uchiha Sasuke, amigo da Haruno. – a tensão se esvaio na hora, o nome “Uchiha” ecoava em sua mente. Se tivesse prestado atenção teria visto as semelhanças, aquele só poderia ser o caçula Uchiha, que nunca chegou a conhecer.
–Cara, não me assusta desse jeito. Pensei que ia apanhar de novo – foi em direção ao moreno com intenção em dar um abraço, e vendo que o outro não recuou o apertou forte, ele nunca se cansava daquele jogo. Vendo o desconforto do outro fingiu arrependimento. – Desculpa.
Oh sim, outro Uchiha em suas habilidosas mãos, aquilo definitivamente não ia prestar
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