Burning Desire
20 Capítulo 20 - O legado de um órfão.
Capitulo 20 – O legado de um órfão.
Olhava para o loiro a sua frente e não acreditava que aquele homem tinha 25 anos de idade.Pelo jeito que se sujava enquanto comia mais parecia ter dez. No final das contas Naruto o tinha feito dirigir pelo caminho de volta a sua casa e quando estavam quase chegando lhe fez parar e mostrou um restaurante minúsculo que tinha como especialidade rámen. O lugar não era de um todo ruim. Tinha até seu charme, mas o cheiro forte de carne de porco e a fumaça constante que saia das janelas da cozinha não ajudava em nada a avaliação rápida que Sasuke fez do local. O Uzumaki tinha dado uma de testemunha de crime e só abriria a boca pra falar alguma coisa se o moreno o levasse par comer rámen. Como uma criança faria. Perfeito idiota. E mesmo assim Sasuke não conseguia parar de olha-lo.
As mesas eram pequenas e retangulares na cor vermelha, e sentaram-se um de frente pro outro. A pior coisa é sentar-se ao lado de alguém e ter uma visão privilegiada de sua orelha enquanto conversam. E os olhos de Naruto eram muito lindos pra uma pessoa normal não ficar encarando. E era exatamente isso que Sasuke fazia agora. Encarava.
Olhava a postura desleixada, com as pernas bem abertas e braços praticamente agarrando a tigela a sua frente. As mangas da camisa levantadas, o paletó tinha ficado no carro. Os risquinhos que se formavam em suas bochechas cada vez que ele mastigava eram encantadores. E o macarrão fazia um barulho engraçado quando deslizava entre os lábios semiabertos do loiro. Os cabelos que até dez minutos atrás estavam impecáveis agora já caiam sobre a testa dele. E como ele praticamente gemia cada vez que dava uma garfava na comida.
–Tira uma foto que dura mais bastardo. – O loiro levantou os olhos e agora lhe encarava.
–Por que tudo que sai da sua boca tem que ser tão vulgar? – Sasuke acabou por falar alto seus pensamentos.
–Porque? O que você quer que fique na minha boca Sasuke? – disse malicioso.
–Como eu disse antes, vulgar. – O moreno respondeu revirando os olhos. Foi quando escutou a risada gostosa do loiro. Até o momento todas as vezes que tinham se encontrado haviam sido tão tensos que em nenhum segundo pode escutar aquele som que tanto sentiu falta. – Então, vai falar alguma coisa que preste, ou eu vou ter que ver a comida dentro da sua boca por muito tempo?
–Não seja rabugento Uchiha. –Respondeu divertido.- Eu já estou terminando... – Levou a tigela em direção a boca fazendo questão de sugar o caldo e fazer barulhos. – Feliz agora?
–Definitivamente não. Você não tem modos.
–Lógico que eu tenho. Minha mãe não criou um macaco em casa. – soltou um sorrisinho nostalgico. – Eu só não gosto de me comportar feito um esnobe.
–Notei. – Sasuke falou com o tipico mal-humor – Você disse que tem que contar a historia da sua familia, não é?
–È... eu só estou vendo por onde começar. – Coçou a nuca em nervosismo. – Não seja chato.
–Pelo começo seria uma boa ideia.
–Tá, tá. Mas promete que vai ficar quietinho!
–Eu não sou criança Naruto. – Pareceu pensar um pouco e continuou.- A gente vai conversar aqui? Esse cheiro irrita meu nariz.
–Ok senhor irritadinho, vamos fazer o seguinte: Tem um parque aqui na frente, no outro lado dele já está a entrada da minha casa a gente pode ir conversando até lá! – disse entusiasmado.
–Porque eu faria isso? Deixei meu carro no estacionamento aqui do lado, é tão ilogico.
–Fine. – O loiro concordou. – Então você me leva em casa e a gente conversa lá, feliz?
–Sim, muito obrigado. – usou o tom mais sarcastico que sabia.-Vamos então.
Naruto deixou dinheiro sobre a mesa e seguiu o moreno que ia andando a sua frente. O carro estava em um estacionamento ao lado do estabelecimento e logo eles chegaram. Sasuke logo deu partida no carro e eles seguiam em silencio já que a casa do loiro só estava a cinco minutos dali. Como só precisavam passar por ruas sem muito movimento em menos do tempo previsto já parava o carro em frente a casa do loiro que se adiantou e entrou na casa o deixado para trás. Saiu do carro e foi andando lentamente para dentro da casa que estava estranhamente quieta. Entrou e teve a visão de um Naruto já com um copo em mãos com uma bebida de um tom marrom que ele não se deu ao trabalho de perguntar o que era. Ficou sem saber o que fazer por um minuto quando então o loiro gesticulou pra que ele se sentasse no sofá visivelmente macio demais.
–Bom, agora nós vamos conversar. – O loiro disse em um tom mais sério.- Como você disse que quer saber tudo, eu vou começar pelo começo tá?
–Tá. – concordou enquanto se ajeitava no sofá em formato de “L” ficando de frente para naruto.
–Eu não tenho esses cabelos louros por sorte, minha avó biológica é polonesa, no começo da segunda guerra mundial ela conseguiu fugir com a ajuda de algum soldado ... ou algo do tipo, eu não me lembro bem. –Nessa hora entornou o restante da bebida e fez uma careta pela ardência na garganta.- Ela era nova e nem sabia pra onde estava indo,o nome dela era Sarah, se escondeu em uma embarcação e saiu quando lhe foi mandada ... que seja. Quando chegou aqui não sabia falar a lingua, acho que na verdade nem sabia onde estava mas de algum jeito uma senhora a acolheu, essa senhora era a matriarca da familia Namikaze, ou seja minha bisavó. Ela tinha três filhos ...
–Cara, é sério que você vai me contar a história da sua familia inteira? – O moreno perguntou sério.
–Lógico! – exclamou. – Eu conheci seus pais hoje e a gente nem tem nada ainda, meus pais você não vai conhecer, e pra entender a situação que eu me encontro agora no mínimo você tem que saber minha árvore genealógica.
–É, mas não tem como encurtar um pouquinho sabe? Pula pra parte que é interessante ... Ei! O que tá fazendo? – Perguntou quando viu que o loiro se aconchegava perto de si e deitou com a cabeça em seu colo.
–Já te disseram que tem belas pernas Sasuke? – por causa da posição podia enxergar bem as feições do moreno e viu quando o mesmo negou. – Bom, você tem e eu vou ficar deitado nelas se não se importar. – disse inocente.
–Na verdade eu me importo. – O Uchiha começou a ralhar.
–Que pena pra você que eu não me importo. – respondeu enrugando o rosto em uma careta. – Mas tudo bem eu encurto a história, mas não interrompe tá?
–Eu já disse que não vou Naruto, dá pra ir logo?
–Tá, tá. Já disse pra não ser chato. Mas continuando minha avó casou com meu avô e só tiveram um filho Namikaze Minato, meu vô morreu cedo, um coágulo no cérebro ai a Sarah teve que cuidar do meu pai sozinha, mas com 17 anos meu pai ganhou uma bolsa na Universidade e foi estudarem Kyushu, minha avó foi diagnosticada com câncer de mama, meu pai disse que foi uma luta mas no fim ela acabou falecendo. – Naruto parecia tomar ar para continuar. – Meu pai no caso como era menor de idade teria que ter ido pra assistência social mas ele já era independente e só precisou de alguém que se responsabilizasse por ele, ai que entra a Obaa-chan. Minha avó tinha uma amiga Senju Tsunade que na verdade era uns 10 anos mais velha que meu pai e quando viu que meu pai era inteligente resolveu que iria monitorar os estudos dele e meio que o “adotou”. Ai depois disso todo mundo meio que já sabe a Tsunade Obaa-chan era herdeira do “Senju Diagnósticos” e quando meu pai se formou foi trabalhar lá. Conheceu minha mãe e depois se tornou chefe da cirurgia. A baa-chan não teve filhos e acabou passando 45% do hospital pro meu pai que quando se casou com a minha mãe lhe deu 15%.
–Ok. Então você também é dono do hospital? – Sasuke perguntou enquanto inconscientemente acariciava os cabelos loiros enquanto o outro falava.
–Mais ou menos. Eu tenho dois primos, sobrinhos da minha mãe. Ela cuidava deles antes de morrer e a parte dela foi pra eles. Eu só tenho 35%, mas não são reconhecidos por eu nunca ter corrido atras antes.
–E porque você não fez isso antes? – O moreno parecia estar mergulhado em todo aquele drama familiar, nunca pensou que algo tão complexo poderia estar acontecendo.
–Eu te disse que meus pais fizeram um testamento bem especifico. Nele explica que eu posso ter minha parte de direito se for o meu desejo fazer medicina, caso contrario a minha parte ficaria intacta e escondida. – respondeu calmamente. Naruto não estava sentindo tanta dificuldade em literalmente despejar seus problemas sob Sasuke. Desde um primeiro momento ele sabia que era um assunto delicado, mas se o moreno queria tanto entender ele explicaria calmamente e pacientemente. E 1 milhão de vezes se fosse necessário.
–Como assim “escondido”? – aos poucos Sasuke assimilava tudo, mas algumas coisas ainda não lhe eram claras.
–Ninguém sabe que são minhas. – e de novo parou parecendo escolher as palavras certas. – O que eu ainda não te contei é que quando meus pais morreram eles não haviam nomeado alguém pra ficar comigo, a obaa-chan não tinha adotado meu pai então não tinha direitos legais. Meu primo tinha acabado de completar 18 anos e já tinha a irmã pra tomar conta; no final com a ajuda de um advogado o Jiraya-sennin conseguiu minha guarda. Foi quando eu conheci a Konan, ela estagiava com o advogado que cuidou do meu caso. A obaa-chan voltou a ser a chefe do hospital.
–Então porque você ‘tá aqui ? – disse impaciente, embora o Uchiha estivesse compreendendo tudo os motivos exatos do Uzumaki estar lhe contando aquilo não eram revelados.
–Calma eu já vou contar. – o loiro disse recobrando o bom humor. – A Tsunade baa-chan se casou uns anos depois.
–Acho que eu ouvi falar.
–Ela se casou com um médico, ortopedista eu acho. Mas ele de algum jeito ficou com a posse do hospital no processo de divorcio 5 anos atras e foi quando eu resolvi que recuperaria o hospital da baa-chan. –E com um suspiro olhou para cima encarando a face pálida do moreno.– Fim.
Tendo em vista o silencio do mais velho continuou. – Você não vai dizer nada Sasuke?
–Eu estou só processando ... a informação sabe? – disse enquanto fez um gesto apontando para a propria cabeça
–Eu não quero que você processe a informação, diz alguma coisa, briga comigo, sei lá.- Naruto se levantou da posição confortável que estava e se sentou ao lado do moreno.
–Porque eu brigaria com você idiota? – o Uchiha parecia ter voltado a sua consciencia naturalmente ranzinza. – É só que... você não usa seu sobrenome porque não quer chamar a atenção não é?
–Basicamente sim. Você viu que Itachi quase se engasgou e seu pai já assimilou de primeira que o Minato era meu pai, e se eu não quiser chamar a atenção para o que vou fazer, eu preciso ser um Uzumaki. – Naruto respondeu receoso. – Mas eu não vejo importância nisso
–Veja... se fosse comigo. – Nessa hora Sasuke se virou ainda continuando sentado mas de uma forma que ficassem cara a cara. – Eu não esconderia meu sobrenome.
–Você vai me julgar por esconder meu sobrenome? – O loiro respondeu já irritado.
–Não espera, me deixa falar agora. – ditou sério. – Se eu estivesse no seu lugar você tem que entender que nós não estariamos tendo essa conversa. Eu simplesmente lutaria pelo que vim lutar e te deixaria sem respostas.
–Isso é maldade ... – o loiro interrompeu.
–Eu sei, mas eu me conheço e isso seria o que eu faria exatamente. E agora eu sei que o que você tem a fazer é muito maior que o que a gente tem. Que no momento não é nada...
–Mas você ... – Narutoprotestou com uma expressão amuada.
–Eu disse pra me deixar falar não disse? – o loiro concordou. – Então me escuta. Eu tenho qualidades, muitas. – e com a expressão desgostosa do outro continuou. – Mas eu não sou altruista, eu sinto que você precisa arrumar sua vida completamente bagunçada antes, mas eu não quero ficar longe ... – e se sentindo um fraco levantou-se começando a andar de um lado para o outro e continuou. – eu não posso ficar longe.
O que Sasuke não viu foram as feições antes magoadas formarem um sorriso sacana. Seu sorriso sacana. Naruto que no meio das explicações que o moreno dava pensou que o Uchiha não entenderia, não o perdoaria e fosse embora. Mas aquilo era muito melhor. Mesmo de um jeito meio deturpado ele acabará de escutar a sua remissão.
–Você está dizendo? – Se fez de desentendido.
–Não se faça de idiota usuratonkachi. – E com essa sentença se inclinou para o sofá quebrando a distancia entre os dois. O leve encostar dos lábios foi suficiente para lhe acender por inteiro. Segurou o loiro pela nuca e fez pressão que para que ele se levantasse. Sentiu os dedos apertarem em seu paletó e aprofundou o beijo. Naruto queria uma reconciliação calma então se deixava guiar enquanto o moreno dominava. Sua lingua explorava cada cando da boca do loiro. Ele tinha sentido falta. Muita falta. Uma de suas mão subiu para os cabelos loiros e os puxou escutando um gemido em meio ao ósculo. Aquilo era muito bom. Não se separaria nunca. Mas uma terceira presença forçou a separação.
–Eu saio por um minuto e olha o que acontece. – A voz de Jiraya se fez presente. Sauke soltou Naruto e virou sua cabeça em direção a porta de onde a voz estava vindo. O senhor estava um tanto mais arrumado do que da ultima vez que tinham se visto, denunciando que ele realmente tiverá um encontro.
–E ero-sennin não tinha hora pior pra aparecer não? – Naruto perguntou sem nenhum pingo de vergonha. Ao contrário do Uchiha que estava vermelho por ter sigo pego. Como um legitimo colegial.
–Bom, eu poderia ter demorado mais um pouco e vocês provavelmente estariam pelados. Mas para a minha sorte vocês só estavam trocando saliva no meio da sala ... onde mais duas pessoas moram. – O velho falou naturalmente e sem nenhum pudor, que deixaria Sasuke mais vermelho, se fosse possível.
–Deculpa senhor... – O Uchiha começou a falar.
–Que mané desculpa, ele que foi indelicado em interromper. – o loiro retrucou sapeca. Mas antes que alguém pudesse voltar a falar a camapainha tocou. Naruto sendo o dono da casa, ou só curioso mesmo saiu da posição que se encontrava – de frente para Sasuke- e correu até porta nem se importanto se seu cabelo estava uma bagunça. A abriu de uma só vez, e o que viu lhe deixou surpreso. Os familiares cabelos ruivos estavam lá. A figura que mais se assemelhava a sua mãe. Seu sangue.
–Nagato-chan ?
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