Bunseki
1 Capitulo Único
Notas iniciais
Né galere, POV do Aoizão, coisa viajada da cabeça (literalmente) pra não perder o costume.
A idéia original era de ser uma fic BEM menor do que ficou, tipo umas 600~800 palavras. Mas minha mente não descansou enquanto eu não desse uma atenção maior pra ela, porque afinal, a fic é um presente pra minha amiga doida Di.
Não costumo -mesmo- escrever em POV, porque eu tenho sérios problemas, mas espero que tenha ficado no mínimo decente. Além do que eu acho que isso é mais do que um POV :x
É isso, leiam e comentem o que acharam. (L)
“Aceita...?”
“...”
Hahaha, merda.
Mas é como eu sempre digo. Pegar alguém de surpresa é uma coisa abusivamente divertida de se fazer, isso é praticamente de conhecimento universal. Entretanto (e sempre irá existir um “entretanto” desses, acredite.) quando você é o infeliz surpreendido o quadro muda completamente, digamos uns 180 graus, e passa de diversão para aflição, quase pendendo pro total desespero quando você menos espera.
Isso tudo graças a uma série de atos muito simples e até corriqueiros, mas infelizmente inesperados por mim.
É Shiroyama Yuu, seu grande imbecil. Educação é algo que deve ser previsto logo de primeira, por Deus!
Mas enfim, lamentar agora não refrescaria em nada minha situação. Então eis aqui os pequenos e cruéis fatos que me apunhalaram pelas costas: 1. Sorriso de canto. 2. Mudança de posição corporal. 3. Contato visual. 4. Fala.
E bingo! É bem aí, exatamente aí que vem a parte do “mudo e estático feito pedra”.
Como sair dessa agora? Bom, meu cérebro parece não ter nenhuma dica quente pro momento. Só me resta fazer o que? Rezar? Deixar-me consumir em lágrimas? Absolutamente. O certo mesmo seria uma breve recapitulação dos fatos. Isso geralmente ajuda por em ordem certos eventos na cabeça.
E lógico que voltar ao início seria imprescindível para que todos acompanhassem das minhas divagações sobre o rapaz sentado ao meu lado, então que seja feito.
Tudo começou há exatos dez minutos atrás.
... Hm, de verdade mesmo, começou há três anos. Três tranqüilos e pacatos anos que eu passei sem que nem uma mosca quebrasse a minha rotina diária de casa até meu trabalho.
E não, eu não dirigia. Eu consegui adquirir pra mim um bloqueio mortal com automóveis que me fez caminhar durante esses três anos algumas poucas quadras até o ponto de ônibus mais perto de casa.
Ponto de ônibus este que costumava ser mais deserto do que uma liquidação de geladeiras no Ártico.
O que eu quero dizer é que naquele horário — no meu horário de serviço — era algo raro, digo, raríssimo de encontrar uma alma bem intencionada além da minha ali. Aquilo era um fim de mundo esquecido por Deus. Pelo menos era o que eu acreditava. Mas ao detectar uma silhueta magra dobrando a esquina e seguindo na minha direção, eu comecei a duvidar e muito das minhas afirmações.
Alguém finalmente quebrara a minha solitária rotina da manhã pela primeira vez.
E convenhamos que esse alguém não era nenhuma velhinha inofensiva ou um cara feio e mal encarado. Se fosse algo do tipo, com certeza não me teria feito perder aqueles minutos analisando e palpitando mentalmente sobre ele.
O tal cara era com toda certeza alguém que me despertou o interesse. Apesar de ser um interesse unilateral, era uma coisa bem ampla da minha parte, se me permitem dizer.
Voltando ao rapaz, que eu imaginava ter no máximo uns vinte e cinco anos, quase não pude conter a vontade de tocá-lo, quando sentou ao meu lado. Mas aí eu já passaria de observador curioso para abusado e inconveniente. Controlei-me, claro.
Cheirava bem e seu cabelo loiro-escuro estava um pouco umedecido nas pontas. Ele tinha tomado banho há pouco, concluí.
Bem... não deixei minha mente ir muito além nessa parte do banho – mesmo porque eu sabia que não teria limites e essa breve descrição acabaria por virar um conto erótico- e voltei a me concentrar em uma possível manhã dele.
Parecia-me daqueles que acordavam sem despertador, só aqueles naturais mesmo. Levantava tranqüilo e sem pressa, tomava aquele banho bem quente e demorado e só depois se servia de um café-da-manhã reforçado. Aí sim seguia para seu trabalho de... ônibus?!
Não, não. Alguma coisa não se encaixava naquele contexto. Ele era bem apessoado demais pra um cara que anda de ônibus, como eu.
Certo de que eu não era nenhum largado, e o meu problema com os carros me impedia de passar uma imagem um pouco melhor, mas ele era diferente.
Tudo se encaixava perfeitamente à sua beleza exótica. A camisa escura amenamente justa, a calça em um tom azul-marinho, o cachecol xadrez em volta de seu pescoço, os sapatos que pareciam serem usados pela primeira vez.
Conclusão, ele se vestia muito bem.
Uhum, gay.
... Ou rico?
Ou um gay rico limitado a usar um meio de transporte popular e suburbano? Ridículo. Na pior das hipóteses ele era totalmente heterossexual, e de carro quebrado, Yuu.
Pus um ponto final naquele dilema e resolvi me atentar para seu físico.
Muito do gostoso, isso é o que ele era.
E ignorar um fato dessa plenitude não comprometia em nada meus pudores mentais, pelo contrário. Além do que não era do meu feitio ignorar uma coisa dessas, sendo que essa coisa estava estampada pro mundo ver. Não discutiria com obviedades. Não, não.
O incrível é que ele estava a poucos centímetros de mim, mas era como se uma parede de ferro nos separasse. Essa parede poderia ter vários nomes como Bom-senso, Vergonha-na-cara, Falta-de-culhões, etc, etc.
Já estava mais do que claro que eu não ia me atrever a ter mais do que um contato mental com ele, e me limitaria a algumas discretíssimas olhadas de esguelha de milésimos de segundos.
Céus, o celular dele tocou. Uma música desconhecida por mim, cheia de uma melodia intensa e erudita. Busquei como louco na minha memória alguma música clássica que talvez pudesse ser aquela, mas para mim, músicas clássicas pareciam a mesma, sempre. E meu vasto conhecimento na área não me deixava encurralado entre Mozart e Chopin. Não tive tempo de apreciar mais, pois ele logo atendera ao telefone.
Então era uma mensagem de texto. Droga, não seria o momento em que eu ouviria a sua voz, mas algo bonito vinha em troca. Algo grandiosamente mais bonito havia chegado para mim.
Ele tinha acabado de sorrir. E caramba, aquele era o sorriso mais incrível que eu já tinha visto, sem engrandecer em nada.
Permiti-me contemplar aquela visão por um tempo maior do que eu havia me limitado até agora. Maldição, como eu queria ser um agente secreto naquele minuto, só pra portar um daqueles óculos com lentes de câmera fotográfica, ou por ter contato com um satélite ultra-plus-mega-ninja que tiraria centenas de fotos daquele momento extraordinário da manhã.
Acho que acabei por sorrir também, assim contagiado. A mensagem deveria ser mesmo interessante. Namorada?
Namorado?
Pai, irmão, mãe, amigo, colega de trabalho, operadora de celular?
Olha só! Um riso alto e descontraído. Esplêndido. Mais contagiante ainda.
Passei as mãos pelo rosto, ainda sorrindo, agradecendo pela minha sorte filha da mãe naquele dia.
Aquele riso se parecia com aqueles seguidos de um ‘Caramba, não acredito que você ainda lembra-se disso!’ ou ‘E olha que eu nem me arrumei direito...’
Mas o primeiro riso dele ainda não saíra da minha cabeça. Imagine ele, daquela exata maneira, só que com menos trajes, mais intimidade, em uma cama redonda coberta por rosas, com um aquele sorriso nos lábios dizer: ‘Yuu, esperei a minha vida toda por esse momento.’
Definitivamente, Deus, seria o que eu pediria pro Senhor em uma série de orações futuras.
(Piegas romântico ou tarado descontrolado? Se existe um meio termo, eis aí onde eu estou devidamente enfiado.)
E, aliás, tudo aquilo não passava de uma espécie de análise comportamental intuitiva. Claro, em um ponto de ônibus, visando fins... afeto-sexuais num futuro distante e terminantemente impossível.
Somente isso.
E voltando as minhas divagações, aquilo era uma tatuagem? Sim, no pulso direito, com um formato engraçado. Não era nem um kanji, nem nada. E eu não podia olhar fixadamente por muito tempo sem ser percebido. Mudei logo o foco de atenção depois que ele fechou o celular e o deixou de lado.
Ele devia ser daqueles que fingem ser hostis, pelo menos no trabalho e com colegas distantes. Mas em quatro paredes, com a família e com os amigos mais chegados se mostraria a manha e a carência em pessoa. E com aquele sorriso ele conseguiria tudo o que quisesse. Pelo menos comigo seria assim, sem erro.
Deixei minha mente viajar mais ainda, se é que isso era possível, e tentei imaginá-lo sem as suas defesas do dia-a-dia. Sem medos ou receios. Nos braços de alguém de plena confiança, onde ele contaria os seus desejos mais secretos. Ele deitaria em seu colo e pediria para tocar em seus cabelos, massagear seus ombros para que ele se sentisse mais a vontade enquanto estivesse naquela espécie de confessionário.
Mas agora só entre nós, hipoteticamente, eu sendo o cara da massagem, seria alucinante. Mesmo porque, meu curso de massagem por correspondência tem feito certo sucesso por aí, ouvi dizer.
Pois ele tem cara de quem toma aquele drink e deixa a azeitona de lado.
Hm, sexy.
Sexy mesmo era aquele vagaroso e torturante passar de língua nos lábios que ele me proporcionara uma ou duas vezes durante esses minutos. Aquilo sim dava uma margem nada casta aos meus pensamentos.
Ele tinha cara de ser bom de cama. Ele com certeza era bom de cama. Ele devia se tornar um Deus nos lençóis, enlouquecendo até o ultimo segundo seu parceiro. E droga, lá estava eu novamente me imaginando fazendo amor com ele. Imaginando ele nu, pra começo de história. Sim, ele era lindo sem roupa também, minha imaginação confirmava com toda a certeza.
E como as coisas eram engraçadas. Aquela espera pelo ônibus de dez minutos sempre me pareceram maiores do que eram na realidade, e hoje, eu agradecia com todas as minhas forças pela aquela demora. Cada segundo era precioso pra mim, mesmo porque ele poderia se levantar dali a qualquer minuto e se afastar sem dizer nenhum ‘Até logo, Aoi. Eu te ligo mais tarde pra gente marcar aquela festinha particular em casa. Aluguei uns filminhos bem calientes pra gente assistir e...’
Meu Deus, ele tirou um pacote de salgadinhos da mochila e eu nem prestei atenção! Minha mente estava ocupada demais pensando em um possível filme que eu alugaria quando voltasse do trabalho, e perdi todo aquele momento.
Hmm, aquilo deveria estar mesmo gostoso. E por todo o azar que existe sobre essa terra, minha barriga me denunciou e não fui só eu que percebi.
Depois disso todos já sabem. Os quatro atos que emudecem pessoas em questão de segundos, blá blá blá, e a minha maldita timidez aditivada em 200% por causas jamais explicadas.
“Então, aceita um?”
E uma pergunta tão simples e de uma resposta tão mais simples ainda, que não daria margem a mais de um pensamento na minha cabeça, acabou por inundar mais uma vez meu cérebro com um imenso e perturbador branco digno de dar inveja a qualquer comercial de sabão em pó.
E a voz dele era muito bonita, eu consegui notar em meio ao caos que se tornou a minha cabeça. Ah, mas que porcaria. Onde ele havia deixado os defeitos dele mesmo?
Ridiculamente eu estava encantado. Mais do que isso, eu estava atônito, mudo feito uma porta. Se bem que a metáfora não caberia a mim porque até uma maldita porta teria melhores habilidades para dizer alguma coisa do que eu. Conclusão simples rápida que eu descobri depois de vê-lo me observar, arqueando uma sobrancelha, talvez se perguntando ‘Que diabos há com esse cara?’ tentando entender a minha demora para responder um sim, ou um não.
Dizem que agir certas vezes é melhor do que falar. Gostaria de poder estar cem por cento certo disso, no entanto arriscar nessa opinião da maioria era a única coisa que me restou depois daquele ultimo olhar inquisitivo que ele me lançara.
Estendi o braço.
E... Ele despejou uma quantidade um tanto exagerada dos salgadinhos na minha mão.
Ótimo.
Agora agradeça, seu idiota mizerável.
“A-arigato.”
Finalmente. Consegui com que quatro míseras sílabas fugissem da minha garganta tampada e dessem sinal de vida. Mas... eu gaguejei. Nunca vou me perdoar por essa.
Consegui avistar meu ônibus de longe, e suspirei tristemente ao notar o fim daquele meu romance/idiotice de ponto de ônibus. Na verdade meu suspiro foi cortado pela metade ao notar que enquanto eu me levantava, ele fazia o mesmo.
Sim, meus caros, ele entrou no meu ônibus.
E acaba de se sentar ao meu lado de novo.
Realmente, só me resta dizer aquelas três palavras mágicas: Puta que pariu.
E sim, sim, foi em voz alta. Se não me engano até o motorista pôde ouvir.
Nesse mesmo momento uma espécie nova de sorriso surgiu nos lábios do rapaz que tomara conta da minha mente durante aqueles primeiros minutos da minha manhã.
Era um sorriso deliciosamente sacana, era sim. Conclui que as três palavras mágicas foram sem dificuldades absorvidas e interpretadas por ele. Ele notara o meu incômodo e estava se divertindo com aquilo.
Maldito.
Eu trocaria um testículo pelos pensamentos dele durante todo o tempo em que ficamos próximos. E agora mais próximos do que nunca, já que eu podia sentir seu braço encostado no meu o tempo todo.
Sorte...? Quem chamar isso de sorte não tem a mínima noção do que eu estou sentindo!
Ok, Aoi, se concentre e foque no que você deve fazer. Respirar normalmente, sem desespero. Agora se acalmar, e quando tudo voltar ao normal na sua cabecinha, o esquema é partir para uma próxima bateria de divagações:
Como conseguir o número do celular dele.
-Owari-
Notas finais
Se vai ter continuação? Se vai ter um POV só pro Uruha? Haha, depende. Depende de vocês, se gostaram ou não né! XD Miiiiiiiiiil beijos povo!
Fale com o autor