Bryan Evans
7 Os novos jogadores
Notas iniciais
A primeira aula do dia seguinte era Defesa contra Artes das Trevas. Scorpius e Bryan foram juntos ao refeitório, comeram juntos e foram juntos para a sala do professor Rodolph Kwins; o que causou estranhamento nos demais alunos da sonserina pelo fato de Bryan sempre andar sozinho, e Scorpius... bem, também.
Os dois se sentaram nas duas últimas mesas da sala, o que não evitou de serem alvos do professor Kwins.
– Bom dia classe! Fizeram o dever? — Os alunos da corvinal soltaram um '' sim '' orgulhosamente, enquanto os alunos da sonserina estavam dividos entre ignorar o professor e dormir.
– Bem, então vamos lá! Começando por... Scorpius!
– S-sim!
– Qual o nome dos quatro fundadores de Hogwarts?
– É, bem...
– Qual o dom que somente Salazar Slytherin possuía?
– Talvez seja...
– O que acontece se tomarmos o sangue de um unicórnio?
– Você se torna...
– Qual as três maldições imperdoáveis?
– Avada...
– Zero!
– Mas prof...
– Sem mais! Menos dez pontos para sonserina!
Scorpius sabia todas aquelas respostas, havia estudado com Bryan na noite passada, mas o professor mal lhe deixou responder, e o nervosismo não ajudou em nada. Alguns alunos da Corvinal riram baixinho, levantando os braços para responder, mas ele já havia outra vítima em mente:
– Bryan? Pode nos responder?
O garoto resmungou baixinho, pôs-se de pé e, respirando fundo, disse:
– Elza Huffepuff, Rowena Ravenclaw, Godric Gryffindor e Salazar Slytherin.
– Excelente! — Ele força um sorriso, claramente decepcionado — próxima?
– O dom único de Salazar era a ofidioglossia, a língua das cobras...
– Próxima! — Bryan suava frio, sob pressão de todos os outros lhe encarando.
– Se... se beber o sangue de unicórnio, por ser um sangue puro, sua alma fica corroída e amaldiçoada.
– Isso! Bem... A última?
– As três maldições imperdoáveis são Cruciatus, Imperium e Avada Kedavra.
– O professor, frustrado pelo garoto ter acertado, faz uma última pergunta:
– Quem foi o maior bruxo do século? — Sorrindo ironicamente, como se soubesse de alguma coisa.
Essa, por algum motivo, Bryan temia responder.
– Vamos, responda! Quem foi o maior bruxo do século?!
Contrariando suas expectativas e com um sorriso no rosto, sussurrou: '' Lord... Voldemort.''
Embora tenha se passado muitos anos, esse nome ainda causava temor em todos no mundo mágico. Afinal, muitos ali eram filhos ou amigos de vítimas que sofreram em suas mãos, e, por isso, ainda era censurado em boa parte de Hogwarts.
O senhor Kwins, como se já esperasse aquela resposta, retribuiu o sorriso:
– Bem... Acertou! Embora muitos livros se dividem entre Alvo Dumbledore e Harry Potter, eu vou além! Alvo Dumbledore morreu antes mesmo de enfrentá-lo, enquando Harry Potter precisou de ajudas alheias, Voldemort não havia total controle sobre a varinha... E tecnicamente, Harry Potter havia morrido antes da batalha! — E, ignorando os curiosos olhares — 20 pontos para Sonserina! — Seus colegas de salas se espantaram, mas em seguida comemoraram batendo em seu ombro e provocando os corvinos.
Após se sentar, Scorpius estava sorindo, aliviado. Bryan o retribuiu, já que recuperou os pontos que ele havia perdido.
Assim que a aula acabou, o senhor Kwins avançou rumo à porta, mas antes que dissesse algo, Bryan parou o braço na sua frente e, sem olhar pra trás, disse: '' Caso tenha algum problema comigo, professor, peço que esclareça diretamente. Não costumo responder bem à indiretas provocativas durante uma aula. '' E saiu da sala, com Scorpius logo atrás, sussurrando:
– Cara, você acabou de ameaçar um professor! Você... — Mas parou de falar, ao perceber que nem estava prestando atenção nele.
O garoto estava sentido a ausência do elfo o dia todo. Pedira que fosse ao Beco Diagonal havia oito horas e ele ainda não havia voltado.
A hora do jantar havia chegado..
– Hey, Bryan. — Alvo estava atrás do portão, esperando-o.
– Que é? — Respondeu-lhe, presunçoso.
Ele não disse nada, apenas lhe entregou um bilhete e partiu rumo a mesa da grifinória, com Hugo logo atrás.
Bryan guardou o bilhete no bolso e, evitando a possível pergunta de Scorpius, seguiu para a mesa da sonserina.
Os alunos não deixaram de olhar o placar das casas: sonserina estava com seiscentos pontos (quase metade foram ganhos por Bryan, no torneio ) e grifinória com setessentos e noventa pontos, já que teve dois representantes nas semi-finais. Lufa-lufa seguia com quinhentos pontos, e a Corvinal, que fora irrelevante no torneio, havia somente trezentos pontos. Embora estavam levemente acirrados, a mesa da grifinória estava bem relaxada, já que eram os melhores no quadribol e com o melhor apanhador, enquanto a sonserina havia perdido os últimos dois jogos, com certeza haviam muitos pontos garantidos. Mas foi uma felicidade que durou muito pouco ( tanto pra grifinória quanto pra Bryan ) quando Harry Potter fez os novos anúncios.
Ele subiu na plataforma onde se encontravam os demais professores e exigiu silêncio.
– Boa noite a todos. É com muita alegria que comunico que serei o novo professor de vôo de Hogwarts! — A maioria na mesa da grifinória festejaram, e até alguns nas outras mesas, inclusive na sonserina. Afinal, embora ele não fosse a pessoa mais agradável para eles, reconheciam o talento do bruxo. — Obrigado! Felizmente consegui uma folga no ministério, portanto vou cuidar dos times de quadribol! — A diretora Minerva lhe entregou um bilhete. — E agora vou anunciar os novos jogadores de suas respectivas casas. — O silêncio absoluto reinou no salão, todos estavam ansiosos para descobrir se entraram ou não no time.
– Na Corvinal, temos Thomas Petersburg como goleiro! Sarah McMilley como batedora, e Rowena Sidney como atacante! — Uma salva de palmas em uníssono partiu da mesa da Corvinal, que ainda estavam insatisfeitos com o placar das casa.
E na Lufa-lufa temos Pedro Markor como batedor, Karina Trevans como atacante e Carlos Wrhap como goleiro! — Dessa vez, as palmas foram um pouco mais felizes que na Corvinal.
Agora anunciarei os novos jogadores da grifinória! — O momento que certamente foi o mais tenso, já que eram os melhores no quadribol, com certeza era mais difícil entrar no time.
– Com o time estava faltando apenas um jogador... Parabéns, Alvo Severo Potter na sua nova função como apanhador! — Os olhos do garoto se arregalaram, e em seguida se encheram de lágrimas, os outros membros do time o parabenizaram com fortes batidas em suas costas, gritando seu nome e dando vivas. Certamente o viam como a promessa do time, sendo o sucessor direto de Harry Potter.
– Silêncio! — Disse o bruxo severamente, mas com dificuldades de esconder o sorriso de orgulho do filho. — E agora vamos a sonserina!
O mesmo grau de curiosidade pairou na mesa, já que o time também só precisava de um único jogador...
– Na posição de apanhador, e a única restante no time da sonserina é... Bryan Evans, como apanhador! Parabéns!
O garoto levantou num pulo, assustado, mas ao mesmo tempo enfurecido. Ele realmente disse o sobrenome do garoto? Agora seu segredo estava realmente escancarado à todos. Ouvia-se murmúrios de todas as mesas sobre o que acabara de ouvir.
'' Evans? Esse não é o nome de Lílian Evans, mãe de Harry Potter? '' '' Será que são primos ou algo assim ? '' '' Mas ele é da sonserina, não é possível! '' E dentre outros murmúrios. Como se não bastasse, o infeliz havia lhe colocado no time principal de quadribol, o esporte que ele mais odiava. Ficara realmente surpreso, bem como todos na mesa. Os olhares assustados de Oscar e Alvo lhe cercavam, afinal eles haviam assistido de perto o feito do garoto durante os treinos; se foi sorte ou não, só saberiam dentro de campo.
– Eu não me candidatei! — Sussurou o garoto apontando para Harry Potter. O que, claro, não foi o suficiente para que todos não ouvissem. Os murmúrios se calaram, até que Harry lhe lançou aquele simpático sorriso de encorajamento que Bryan detestava.
– Está brincando? — Disse-lhe — Você foi ótimo no treino!
Bryan esava prestes a discordar, mas Ulisses Flint, o goleiro da sonserina, levantou num salto e gritou: '' um viva para a mais nova estrela do time! '' E todos os outros membros começaram a gritar seu nome. Bryan puxou-o num canto e disse:
– O que está fazendo?!
Ao que Ulisses sussurou:
– Ele me mostrou o vídeo do seu teste, seja bem vindo ao time.
– Mas eu não... — Mas Ulisses já havia mudado completamente de assunto, sendo o cabeça-de-vento que era.
Após o fim do jantar, Bryan foi direto à mesa de Harry.
Ele estava distraídamente elogiando o filho, por ter conseguido entrar no time. Mas parou assim que o garoto apareceu na sua frente.
– Por que fez isso?!
– Como? Mas você fez o teste!
– Quê? Ah, não. Me refiro ao fato de ter dito o meu sobrenome!
– Ah certo, é que não vi problema algum nisso!
– Seu... — o garoto aperta firme as mãos, a ponto de machucá-las. — Nunca mais repita esse sobrenome. — E, antes que Harry pudesse dizer qualquer coisa, ele continuou. — E o que diabos você pensa que está fazendo? Eu odeio quadribol!
– Tem certeza? A técnica que me mostrou lá na quadra...
– Eu nem ao menos sei voar!
– Pois deveria saber, já que se a sonserina perder, quem fica com a taça das casas será a grifinória...
Bryan se calou. Se tinha algo que ele odiava mais do que o quadribol, era o fato de ver a grifinória se dar bem. Ele lançou um olhar semicerrado ao bruxo: '' Eu... odeio muito você, Harry Potter. Isso ainda não acabou. ''
– Mas eu já sei! — Respondeu o bruxo, descontraído. — Ah, não se atrase pro jantar! — Disse, apontando para o bilhete no bolso do garoto.
Bryan apertou o bolso, mas não diz nada. Virou-se de costas e saiu marchando rumo à biblioteca.
– An... pai... — Sussurou Alvo, puxando a capa do pai — você está ciente de que ele foi bem melhor no teste do que eu, né?
– Não sei, foi?
– Mas...
– Tecnicamente, vocês tem o DNA semelhante, portanto os dois pode ser que tenha as mesmas habilidades no quadribol.
– Ou pode ser que não...
– Isso é você quem me dirá. — E passou a mão carinhosamente na cabeça do filho, sorrindo. — E lembre-se, pessimismo atrai situações pessimistas.
– Não seria '' o mal atrai o mal? '' — corrige Rony Weasley, chegando por trás.
– Bem, também serve...
– O que você fez para aquele garoto odiar tanto você?
– Bem... Nasci.- Os dois bruxos começam a rir, feito duas crianças alegres.
Bryan se encontrava sentado numa das mesas da biblioteca, com uma pilha de livros que ia de '' como voar: primeiros passos '' até '' como encantar uma vassoura ''. Até que resolveu ler o bilhete em seu bolso:
'' Caro Sr. Evans, maninho!
Gostaria de convidá-lo para
almoçar conosco amanhã
em minha casa, em Godric's Hollow.
Esperamos você! — Harry Tiago Potter. ''
'' Vai achando que vou aparecer... ''
O primeiro jogo era na segunda-feira, portanto tinha uma semana para aprender a voar e aprender a jogar. E tudo isso sozinho, já que não iria haver treino. Ulisses tinha convidado-o para um treino escondido, mas ele, por puro orgulho, recusou, e a pilha de livros que ele pegara infelizmente não havia ajudado em nada.
Como se ouvisse suas preces, um bilhete em forma de origami surgiu voando no quarto. Bryan o agarrou e o leu:
'' Olá, aqui é a Rose.
Sei que ainda precisa de tempo, desculpe!
Mas o jogo é em dois dias, preciso ajudar.
Apareça amanhã no campo às 9 horas.
PS: Leve sua vassoura!
– Rose ''
– Hummmm! — Caçoou Malfoy. — Era a Rose?
– Era, por quê? — Respondeu Bryan, apreensivo
– Vocês estão... — Bryan tapa sua boca.
– Não fala!
– ... Vocês estão namorando!! Hahahaha estão namorando! — Scorpius sai correndo, com Bryan logo atrás, parando na porta:
– Tá bom, tá bom desculpa!
Bryan o larga, ofegante, e volta para cama.
– Já sabe o que vai fazer? No jogo? — Perguntou Scorpius, arrumando o colarinho do uniforme.
– Sei. Eu não vou jogar.
– O-o quê?! Cara é contra a grifinória!
– E daí?
– E daí que se ganharmos vamos passá-los!
– Não é problema meu.
– Ah. — Scorpius bufou. — Tá... a grifinória sempre foi melhor mesmo... — provocando-o.
– Vai dormir, Malfoy.
– Ok, Evans.
– Idiota...
– Boa noite.
Bryan pensou um pouco sobre tudo aquilo que estava acontecendo, com todos depositando suas esperanças nele. E, depois de alguns minutos perguntou:
– O que faz você ter tanta esperança em mim?
– Simples. — Respondeu o garoto — O seu ódio.
– Como?
– Bem. Cada membro de cada casa em Hogwarts obtem a sua força de algumas características. Assim como os grifinórios ganham força na coragem e lealdade, nós sonserinos ganhamos forças através da raiva, do ódio, do orgulho e da vingança. Por isso que não existe sonserinos bonzinhos e fortes, e também não existe grifinórios traidores e fortes. Bem como não existe lufanos covardes e corvinos ignorantes.
Scorpius o encarou, esperando que lhe desse uma resposta. Mas Bryan parecia um tanto confuso.
– O quê? Vai me dizer que não sabia disso!?
– Bem... Não.
– Céus!... Agora sabe de onde surgiu tanta força nos seus duelos, né?
– Bem... Sim.
E, após outro pequeno intervalo de tempo, perguntou novamente:
– E o que motiva você?
– O desprezo, a solidão, e o ódio pela minha família. — Sorriu para o bruxo, como se aquilo fosse normal para ele.
– Sinistro você.
– Buuuu... Todos somos. Está no sangue sonserino meu caro.
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