Bruxas: História de Garotas
5 Dia 05 - Lunar Witch
Notas iniciais
Era uma noite tranquila na cabana de Matilda e Abgail. A bruxa mais velha organizava alguns potes que havia ganhado de suas irmãs na viagem, já sua aprendiz lia um grande livro de runas na mesa e Renevil dormia dentro de uma gaiola enferrujada.
— Mestra você pode me ajudar com essa runa aqui? – A mulher largou os potes na estante e foi em apoio. – Eu sinceramente não estou entendo muita coisa desde a página 717, parece que ficou tudo confuso.
— Cê precisa pegar aquele livro ali. — Mal apontou para estante vinho atrás de Abby, aproveitando a posição para retirar a franja que caía pro sobre os olhos da garota. — Vai querer que eu corte sua franja novamente?
— Ficaria muito agradecida.
— Acho que também precisaremos arrumar uns óculos para você né? — Riu Matilda sentando no colo de Abigail. — As vezes eu acho que você tá dormindo com o livro na mão de tão forçada que está tua vista.
— Eu vou ficar horrível de óculos. — Um bico se formou, e Mal só queria dar muitos beijinhos nele.
— Duvido, não há magia que faça esse rostinho lindo – segurou o rosto de Abby e depositou vários beijinhos nele – fique feio.
Antes que a garota pudesse responder algo, uma batida na porta preencheu o ambiente, ambas olharam para o relógio acima da lareira, marcava meia-noite e doze
— Eu atendo. — Matilda puxou as mangas e foi em direção a porta, a batida repetiu-se, sobressaltando-as, puxando o trico e escancarando a porta, estava uma garota.
— Olá Matilda. — A pequena garota de longo cabelo prateado adentrou a casa.
— Diana? — Mal parecia ver um fantasma em sua frente.
— Olá senhorita. — ignorando a bruxa completamente, a visitante se dirigiu a Abgail – Eu sou Diana e você deve ser Abgail, não é isso?
— A senhora me conhece? — Abby olhou para sua mestra procurando alguma resposta, mas a mulher encarava o chão
— Não fique assustada, eu evolui minha magia o suficiente para conseguir entrar na sua cabeça e saber o que você está pensando. — um breve sorriso deu as caras, mas logo sumiu das feições da mulher albina.
— Saia da minha casa. — a garota ficou arrepiada com o tom gélido de Matilda. — Agora.
— Eu não vim falar com você Mal, mas sim com a garota. — Os olhos negros contrastavam totalmente com todo o resto.
— Alguém poderia me explicar o que tá rolando, eu não estou entendendo bulhufas nenhuma. — Finalmente a bruxa mais velha encarou sua pupila, seu rosto estava pálido. — Senhora?
— Eu quero conversa com você garota, podemos ir lá fora? — antes que alguém falasse mais alguma coisa, Diana respondeu. — Você não tem o direito de esconder isso dela, deixe que ela escolha e pare de me tratar como uma pessoa ruim. — flutuando poucos centímetros longe do chão, ela se retirou da residência.
A garota saiu da cadeira e se aproximou de Matilda, que cobria o rosto com a mão.
— Diana está certa, eu não tenho direito algum de te esconder algo, vá e escute o que ela tem para dizer – olhando para o chão ela concluiu. — e assim tome sua decisão. — E assim ela sumiu do lugar.
Bastante nervosa a garota cruzou a porta, mas acabou parando na varanda. Diana se encontrava para logo abaixo de um grande carvalho que se encontrava no fim da campina, logo na entrada da floresta, era a última lua cheia desse ciclo e Abgail não podia deixar de ficar hipnotizada. Os longos cabelos prateados se chocavam com o céu, como uma segunda lua na Terra. Respirando fundo ela foi em direção aquela pequena figura.
— Sabe, eu sei que você está assustada e confusa, mas não fique. — Diana segurou as mãos de Abby e olhou no fundo dos seus olhos – Eu não sou uma pessoa ruim, longe disso…
— Então por que a minha mestra… Por que a Matilda ficou daquele jeito?
Diana deu um longo suspiro e olhou para os lados demostrando nervosismo.
— Eu e Mal vivemos juntas por muitos séculos, tivemos uma longa história que não acabou muito bem para nenhuma de nós, mas tudo isso acabou muito antes mesmo de você nascer. — Falou como se não quisesse preocupar a jovem aprendiz.
Abby sabia da longa idade da sua companheira, mas a informação fez ela se sentir tão criança…
— Continue, por favor.
— Sabe Abgail, você é muito forte. Tem magia arcana correndo por suas veias e por mais que sua mestra seja uma das bruxas mais poderosas que eu já conheci, ela não saberá te ajudar a explorar esse poder em todo seu potencial. — A mulher a encarou. — Por isso eu vim aqui. Ela já deve ter te contado como você é forte e essas coisas…
— Por que ela não iria querer me ensinar em totalidade?
— Eu ou uma maga da lua, querida. — ela apontou para o céu – Nesse momento eu estou aumentando minhas forças e poderia destruir toda a floreta ao nosso redor, com apenas o pensamento.
— É por isso? Matilda tem medo que eu fique forte demais? — Mesmo sabendo a resposta ela sabia que deveria perguntar.
— Claro que não! Ela só quer o seu bem. — mais um suspiro. — Esse tipo de magia… ela drena seu espírito mágico, então ao fim…
— … Eu não teria mais lugar. — Abby sabia que era mais do que isso, era uma abdicação da vida.
— Que bom que você entendeu. Eu vim deixar essa proposta para você. Pense com cuidado, é uma decisão importante.
— Diana, quanto tempo você ainda tem?
A mulher deu um sorriso triste para Abby.
— Cinco anos, o que é suficiente para eu passar tudo o que eu aprendi para outra bruxa que esteja disposta a arca com tamanha decisão.
— Obrigada pela proposta, eu ire pensar nela com carinho. — Diana sabia que sim, ela podia ver a confusão na cabeça da garota e os mesmos sentimentos que ela teve cem anos antes.
E com um aceno de cabeça, Diana se foi, deixando Abgail na noite fria.
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