Bruxas: História de Garotas
2 Dia 02 - Tea Witch
Olhando para o céu Circe podia notar pequenas mudanças no ar, a lua nova se aproximava e com ela o encontro com suas irmãs, ela podia sentir o ar esfriando, era o fim do inverno, última lua cheia do período gelado, ela finalmente saiu do seu momento de reclusão e agora ansiava por rever outros seres vivos, ou nem tão vivos assim.
Sua casa liberava vapores por todos os lados, fragrâncias de todos os tipos poluíam o ar, o crepúsculo já era visto no céu, então ela corria ainda mais.
— Estou atrasadaa… eu acordei muito tarde… — Ela cantarolava pra si mesma.
Uma pomba cor de caramelo pousou por cima de um dos muitos caldeirões ferventes, a pobre ave quase desmaiava com a temperatura, até Circe a ver e pega-la, antes que ela torna-se parte da grande refeição.
— Olá jovenzinha, o que você deseja? — Assoviou para o pássaro.
A ave chacoalhou na mão da mulher e esticou a pata esquerda.
— Minha senhora manda um recado. — Circe então pega o pequeno pergaminho na pata da ave e lhe entrega um biscoito de aveia. — Obrigada senhora. — A ave sai pela janela da cozinha enquanto a mulher desenrola o pergaminho.
Querida Circe.
Eu, Rebecca e Matilda estamos presas no Golden Alley.
Alguma criança escondeu as cirolas do prefeito, o homem
encontra-se em estado de pura cólera.
Esperamos chegar até a tarde de amanhã.
Ass. Trívia
Com um longo suspiro Circe senta-se no chão encostada na parede. Mais que falta de sorte! Ela não via suas irmãs desde a lua nova do verão. Outro longo suspiro. As panelas continuavam a borbulhar. Tantos tipos de chá que ela havia separado para aquela ocasião, teriam que ser jogados fora, os biscoitos e a torta também mostravam que já estavam prontos.
— Se eu comer tudo isso sozinha eu vou parecer a lua cheia. — Choramingou enquanto levantava para mexer nos caldeirões.
Uma batida na porta. Circe está tão feliz achando que são suas irmãs que conseguiram chegar mais cedo que ela nem se preocupa em verificar.
— Vocês me engaram bem, suas bezerras peladas! — Gritou abrindo a porta e encontrando não suas irmãs, mas uma senhorita alta e musculosa. Circe ficou carmim na mesma hora.
— Eu vim ver se estava tudo bem, muita fumaça saindo do seu chalé, achei que vocês pudessem ter esquecido uma panela no fogo… — Disse a garota, percebendo o desconforto de Circe. — Eu sou Zhu Tao, pode me chamar só de Tao.
— Eu, eu sou Circe, só Circe, senhorita Zhu. — Já saída do choque inicial. — Desculpe o susto, eu estava esperando as minhas irmãs. Entre, está frio, você pode ficar doente
Tao entra logo atrás de Circe, ela fica surpresa com a decoração do chalé, algo bem “rústico”, para não dizer totalmente estranho e assustador.
Circe levou-a até uma poltrona preta em sua sala e sentou-se em sua cadeira de madeira.
— Dificilmente vejo gente por esses lados, nova moradora? — Circe encarou garota. Cabelos curtos e negros, pele com um bronzeado de quem pratica esportes, com um corpo torneado, tudo isso coberto por uma calça de flanela amarela e uma blusa regata marrom.
— Sim e não. — Circe levantou as sobrancelhas em dúvida. — Eu me mudei sim a pouco, mas não nessa área, eu moro depois do moinho. — Tao passou a mão pela franja que lembrava que ela precisava corta o cabelo. A garota a sua frente era totalmente o seu tipo. Longo cabelo dourado, pele pálida, lábios rosados, quase uma boneca. — Estava me aquecendo e aproveitei para conhecer melhor a região…
— … e acabou no chalé de uma louca, não é isso? — Circe riu tirando o avental.
— Srta. Circe, você acredita em destino?
— Totalmente.
— Então você sabe que isso não é uma coincidência né? — Falou dando um sorriso galante.
— Mesmo que fosse, seria uma ótima. — Circe levanta-se da cadeira. — Você gostaria de me acompanhar no chá da tarde Tao? — Jogando uma mecha de cabelo por cima do ombro.
— Será um prazer.
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