Notas iniciais
Oi =] novamente, enrolei um pouco mais, pois estou estudando para as provas. Eu não sei se este capítulo está com nexo, mas estava ansiosa para isso acontecer.

R.C

Coisas lançavam-se para os ares dentro do QG, eram estilhaços de vidro, e potes vazios, é claro, que quem jogava tudo isso para o alto era eu. Marcos ousou chegar perto dela, mesmo com todos os avisos, e ameaças da minha parte, não o impediu de tentar algo com ela. Desde pequenos temos essa rivalidade, ele insiste em esconder o sentimento existente por ela. Me assustava só de pensar nele encostando sua boca imunda nela, sei que Karina não é minha propriedade, nunca foi, mas essa sensação persiste em queimar em mim. Minha vontade foi de puxar meu irmão pelo colarinho de sua blusa, e lhe aplicar um bom corretivo. Será que mesmo depois de seis anos, continuo sentindo a mesma coisa. Não sei, e nem queria tomar certeza disso, não presto para ela e muito menos teríamos futuro juntos. Me diminui prontamente, em lembrar das coisas feitas à ela. Dizem para não viver de passado. Isto infelizmente não sumia da minha cabeça. Meu cérebro parecia querer entrar em combustão, explodindo, e lançando-o os restos nas paredes acinzentadas. Me odeio, culpo, e mais ainda, sinto-me incapaz de achar a válvula de escape, ou fuga, não sei. Sentava numa cadeira, apoiando as mãos no rosto. — Comecei lembrar-me do rosto da pequena e corajosa lutadora, no dia em que a enganei, e cravei a minha sepultura. — Os movimentos de seu corpo, apontavam perfeitamente a euforia existente em me ver.

Decidi ir dormir, a mente estava cheia, fazendo-a me da uma dor compulsiva atrás do cranio. Talvez ferver tantos as células pensativas, acabasse me deixando com dor de cabeça. Estirei o colchão e deitei nele cansado. Meu corpo enrijecendo pelo stress, pareceu grato quando me deitei. Fechei um pouco os olhos e os abri de novo, um barulho abafado de batidas surgiu.

— O que você quer aqui? — Disse interrogativo, irritado com a pessoa na minha porta. Os olhos oscilaram num misto de confusão e irritabilidade.

Karina entrou empurrando a porta com tudo, e esfregando os dedos no casaco de algodão preto. Sua vista estava vermelha, e as maçãs de seu rosto brilhavam, com certeza lágrimas percorreram seu rosto. Hesitante sentou-se, numa cadeira de material plastico e lançou um olhar triste, cinzento.

— Eu... — A voz falha não saia. Embargava ao abrir a boca. Me penalizei vendo-a desse jeito. Nunca foi suportável ver gotinhas de água descer pelo seu rosto branco, e delicado. Era mais prazeroso enxergar o sorriso acentuado de canto, que contrastava perfeitamente com os olhos pequenos e fechadinhos.

— Vai me dizer o que quer? — Soei tentando ser indiferente. Não queria dar meu braço a torcer agora.

— Estou cansada, Cobra, cansada dessa situação. — Disse limpando algumas lágrimas insistentes em seu rosto. Por um segundo destrai-me vendo o percurso da água descendo pelo seu rosto. Lentamente as gotas caiam majestosamente em sua calça jeans, aparentemente velha. As lágrimas moldavam manchas, parecidas com artes abstratas.

Sorrateiramente fui chegando perto, e peguei em seu rosto fino, especificamente em seu queixo, o erguendo na mesma altura do meu. Resisti em olhar na sua boca rosada. Em vão...Captei ela entre aberta, vendo a pontinha de seus dentes para fora.

— Acha que também não estou cansado? — Afirmou em um sim com a cabeça. Soltei seu queixo, e embrenhei meus dedos em fios finos de suas madeixas. Os arrastei de seu ouvido, até parte traseira de sua orelha. — Ka, eu sinto muito por tudo que te fiz passar. Mas não posso voltar lá atrás, e remendar as burradas que fiz. — Assentiu com o rosto não mais furioso, e sim sereno e calmo. Certeza de que as palavras que vieram, a fizeram entender.

— Me desculpa, por ter te tratado daquele jeito. As vezes a raiva, é maior que a minha razão. — Sorriu desanimada, como se arrenpedesse. Eu aprofundei os olhos na maresia azul à minha frente. Estava sedento em querer tocá-la, e quem sabe repetir o mesmo momento de 6 anos há atrás.

Ficou de pé e se despediu de mim saindo pela porta do QG. Pressionei meus dedos indicadores contras as palmas da mão, pensando se faria uma coisa, que mexia no meu interior. A partir dai me direcionei até a porta, e a alcancei bem nos degraus, puxando-a pelo pulso. Me olhou confusa, e não pensei duas vezes em trazê-la para perto do meu peito, e abraçar. As mãos miudinhas rodearam minha cintura, talvez ela pudesse ouvir minha freqüência cardíaca, bater descompassada. O calor do corpo dela, deixava o meu mais quente ainda, com uma vontade de não soltá-la nunca mais. Nos soltamos e a segurei de novo quando ameaçou sair.

— Cobra? — Perguntou ântonita. A arrastei para trás de algumas correntes. Cansei dessa coisa, esse desejo, sabia que se não quisesse, ela chutaria as minhas partes baixas .

— Perdão Ka, mas estou louco por isso. — Grudei-me com ela na parede, repentinamente ela virou o rosto irada e passou a bater nos meus braços. Ri do jeito revoltado dela, e fiz um solavanco tentando fazer pará-la de se debater. Isso fez nossos rostos se chocarem, encostando nossos narizes.

— Você é um idiota Cobra, te odeio. — Murmurou baixinho, espalhando seu hálito na minha cara. Mal sabia ela, mas ficava linda com as pálpebras fechadas, e o rosto apontando desejo.

— Me perdoa, Ka. — Arfei roçando minha boca na dela. — Me perdoa.

Karina ficou inquieta com minha demora, e se perdeu com os seus dedos na minha nuca. A beijei apenas num estalo, e pedindo espaço logo depois. Provavelmente ela ia me odiar no dia seguinte e dizer o quanto canalha sou. Eu por minha vez deixava claro — só eu podia tocar, e ter o direito de estar a beijando.

Tombamos a cabeça para trás, eu e a lutadora podíamos sentir os choques elétricos, quando as linguás brincavam. As mão delas apertavam agora, minhas costas, retorcendo o tecido da camiseta para baixo. Minha mão direita estava em sua cintura, e a outra desenhando linhas imaginarias em suas costas. Não durou por muito tempo, o ar nos faltou, e isso fez à pequena soltar um gemido de desgosto, não me contive e pressionei minha mão em sua cintura, beijando seu pescoço em trilhas, que iam de sua clavícula, e voltava ao ponto anterior.

— Chega, Cobra, eu preciso ir. — Arfava cansada, apertando meus ombros com as pontas de seus dedos. — Isso é loucura — Interrompi seu dialogo, mordendo o canto da sua boca. Não estava nenhum pouco afim de saber, se queria ir embora ou não.

Depois de cedermos á atração, Ka me empurrou desnorteada, parecia arrependida, talvez. Recostei no balcão passando as mãos na minha nuca. Decifrar o que se passava na minha cabeça foi anulado, só sabia que tinha que cumprir aquilo. Dá-lhe alertar sobre essa zona de perigo existente nela, e se algum desgraçado ultrapasse essa barreira, haveria guerra.

— Pode me explicar isso. — Interrogou se virando pasma e arrumando os cabelos bagunçados.

— Simples: você cresceu, está bonita. E eu sou um canalha impulsivo, que estava louco para fazer isso, desde de que te vi. — Ironizei arrancando um breve riso incrédula de Karina.

— Pois é, canalha, tenho que ir. — Desta vez não a forcei à ficar. Só mordi o lóbulo de sua orelha como uma forma de despedida.

Oque ia acontecer não sabia ao certo, mas vamos classificar como uma relação enrolada. Com a noite iluminada por uma lua cheia, me deitei de novo na “cama” improvisada, a luz branca invadia a janelinha minúscula, e Karina invadia meus pensamentos.