Broken Wing - Aprendendo A Voar

34 Capítulo 34 - A Escolha


Notas iniciais
Mil perdões MESMO pelo atraso na postagem, mas nessa última semana, foi fisicamente e psicologicamente impossível para eu escrever e postar o cap. Mas agora já estou melhor e vou tentar não atrasar mais hehe. Boa leitura, e espero que gostem ;)

A Gata segurava Ino pela mão e estava com um tipo de uniforme horrível com o nome do orfanato bordado nele. Então seria agora que seu destino seria decidido?

Sasuke’s POV

A garotinha olhava para Tsunade com ansiedade, e ao me ver, soltou da mão de Ino e foi ao lado da cama.

– Oi, Sasuke. Como você está? – ela perguntou meio preocupada, meio exaltada.

– Oi Gata. Estou melhor. E você? – ela levantou os ombros e torceu a boca, como se não soubesse o que responder. Mas eu já sabia a resposta: ela não estava bem.

– Quando você vai poder sair do hospital? – ela perguntou de novo, tentando mudar de assunto. Sim, ela era muito esperta para o próprio bem.

– Vou ter que ficar aqui mais alguns dias.

– Mas você vai sarar, não vai?

– Vou. – a Gata sorriu para mim com seu modo inocente. Como ela poderia se tornar uma Wing?

– Então seu nome é Meiko? – Tsunade cortou nossa conversa e fez a Gata olhá-la com hesitação.

– É, mas me chame de Gata.

– Por quê? – Tsunade olhava para a menina como se ela fosse uma joia rara.

– Foi a velhinha quem me deu esse nome. Ela também me dava pão.

– Você não gosta do seu nome? – Tsunade insistiu e Gata deu de ombros. Tsunade sorriu e continuou. – Bem, eu me chamo Tsunade, Gata.

Tsunade não era boba. Ela sabia que tinha que ganhar a confiança de Meiko, e sabia bem como fazer isso.

– Prazer, Tsunade. Você é amiga do Sasuke?

– Pode-se dizer que sim. – soltei um riso alto, ao qual Tsunade e Gata me olharam.

– Não somos amigos. – respondi simplesmente. Se eu estava tentando estragar as chances de Tsunade de levar essa menina? Talvez.

– Mas somos parceiros em negócios. – Tsunade rebateu, sem desfazer o sorriso. – Gata, sabia que eu já ensinei Sasuke a lutar com espadas?

– Verdade? – Gata abriu bem os olhinhos claros e na sua voz, continha muita empolgação. – Espadas de verdade?

– Sim, espadas de verdade. Você gosta de espadas, Gata?

– Sim, eu já vi ninjas e samurais lutando com espadas. São muito legais! – Meiko começou a fazer movimentos com as mãos, imitando uma luta com uma katana invisível. Eu não iria deixar Tsunade convencê-la tão facilmente.

– Mas são perigosas, Gata. Elas machucam de verdade. – ela me olhou com o rosto desapontado.

– Mas se eu soubesse lutar com uma espada, talvez eu tivesse conseguido proteger meu papai, minha mamãe e minha irmãzinha dos homens maus. – ela abaixou a cabeça, e naquele momento eu não soube o que dizer.

– Você gostaria de ter protegido sua família, Gata? – Tsunade recomeçou. Olhei para ela indignado. Como ela se atrevia a falar aquilo para Meiko?

– Sim, mas agora eu não posso mais. – Gata continuava de cabeça baixa. Eu tinha de fazer algo.

– Ei, Gata, não foi sua culpa. – falei gentil.

– Gata, olhe para mim – Tsunade ergueu a voz e chamou pela menina, que a olhou com os olhos molhados.

– Tsunade, deixa isso pra...

– Sasuke, não me interrompa. – ela olhou para mim com os olhos estreitos e maliciosos. Ah, se eu não estivesse com a tíbia quebrada... – Gata. Não posso devolver sua família, e como Sasuke disse, não foi sua culpa. Você não sabia lutar com uma espada. Se soubesse, tenho certeza de que espantaria aqueles homens maus, não é?

– Sim. – Gata disse enxugando os olhos e se fazendo de forte.

– Bem, como eu já disse, não posso devolver sua família, mas posso te dar a oportunidade de impedir que outras pessoas tenham o mesmo destino de seus pais. – o que? Ela estava falando sério? Estava persuadindo Meiko com o tipo de argumento que a coloca como a heroína da história?

– Oportunidade? Como assim? – Meiko perguntou, curiosa.

– Você já conhece Sakura e Ino, não conhece?

– Sim.

– Sabe que foram elas quem salvaram Sasuke dos homens maus? – não Tsunade, isso era jogar sujo.

– Sim.

– E se eu dissesse que elas aprenderam isso comigo? – os olhos verde-transparentes de Gata brilharam de curiosidade.

– Você ensinou elas a lutarem com homens maus? – ela falou, ansiosa.

– Sim. Também ensinei-as a lutar com espadas.

– Verdade?

– Sim. – Tsunade sorria. – E eu queria oferecer a você a chance de aprender também. Unindo-se a mim.

Gata quase pulou de alegria.

– Verdade? Você pode me ensinar a ser forte e a lutar para eu proteger outras pessoas? – Tsunade assentiu.

– Isso e muito mais, Gata. Eu posso te ensinar tudo sobre muitas coisas. Mas isso somente se você aceitar vir comigo.

– Eu aceito! Aceito! Aceito! – Gata exibiu um grande sorriso e saltitou para perto de Tsunade. Eu não conseguia acreditar nos meus olhos e ouvidos. Maldita Tsunade, você sabia manipular alguém.

– Gata. – mas eu também sabia. Meiko virou-se para mim. – Se você for com Tsunade, não poderá mais voltar. – o rosto dela ficou confuso.

– Não poderei mais voltar?

– Sasuke está sempre exagerando. – Tsunade respondeu. – O que ele quis dizer, Gata, é que há certas regras a serem cumpridas quando você aceita vir comigo.

– Que regras?

– Bem, eu sou a... diretora de um lugar. Lá há várias meninas como você, e como Sakura e Ino também. Assim como você, todas lá não tem mais família. – Tsunade estava forçando. – Mas elas ganham uma nova família quando chegam lá. Sakura e Ino fazem parte dessa família, e eu ficaria muito feliz se você fizesse parte dela também. – Gata parecia confusa. – O que você está achando do orfanato, Gata?

– Bem, lá também tem muitas crianças sem família... mas é um lugar triste, e algumas tias lá são bravas, e ontem a comida estava fria.

– E se você pudesse viver em um outro lugar? – Tsunade falava aquilo com a voz sonhadora. Ela iria ganhar desse jeito, mas por algum motivo, não consegui interrompê-la. – Um lugar onde as pessoas fossem animadas e fortes como você, onde as comidas sempre fossem quentes e você pudesse aprender muitas coisas?

– Coisas como lutar com espadas?

– E muito mais. O que você acharia desse lugar?

– Acho que é bom lugar para viver. Mas não seria um outro orfanato?

– Não, meu bem. Lá não é um orfanato porque todas nós lá já somos uma família.

– Uma família?

– Sim. Não uma família de sangue, mas uma família de espírito. Onde todas nós nos amamos. O que você acharia de viver nesse lugar?

– Parece divertido. – eu pude ver o sorriso de Gata aumentar. – Você quer me levar para esse lugar? Para eu conhecer pessoas animadas, comer comidas quentes, aprender muitas coisas e ser amada por uma nova família?

– Sim, eu quero, mas só se você concordar.

– Por que eu não concordaria? Minha família de verdade foi embora, e no lugar onde eu vivo agora, as crianças são tristes, e só vão me colocar na escola em setembro.

– Fico contente por ter aceitado fazer parte da minha família, Gata.

– Mas você disse que eu tenho que seguir algumas regras. Quais são?

– Bem, você ainda vai demorar um pouco para ter que seguir essas “regras”. Por enquanto, só queremos que você aproveite e aprenda o máximo de coisas possível.

– Para depois você poder usá-la, não é, Tsunade? – finalmente encontrei oportunidade e voz. Meiko me olhou, confusa.

– Me usar? Para que? – Tsunade estava me fuzilando com os olhos. Eu havia revelado que em troca de toda essa hospitalidade, havia um preço a se pagar.

– Gatinha, você já viu filmes de espiões? – Ino entrou na conversa, chamando a atenção de Meiko. Ótimo, então ela também estava contra mim.

– Sim, eu já vi.

– E você gosta deles?

– Sim! Eles são legais e fortes.

– Bem, Sakura e eu somos parecidas com esses espiões.

– Verdade? Por quê? – Gata estava animada de novo.

– Bem, Gata, eu iria te contar isso mais tarde, mas já que o Sasuke aqui tocou no assunto, receio ter que te contar agora.

– Contar o que? Você é uma espiã também, Tsunade-san?

– Quase isso, Gata. Eu treino as espiãs.

– Você treina? – Gata parecia maravilhada com aquilo. Droga.

– Sim, as regras das quais eu estava falando eram essas. Quando eu ofereço um lugar para você na minha família, eu também vou começar a te treinar para ser uma espiã – com as espadas, com armas legais... e quando você estiver pronta para sair por aí “espionando”, eu vou te passar uma série de tarefas para você cumprir para mim.

– Tipo missões?

– Sim... tipo missões.

– Missões onde eu luto com espadas e prendo caras malvados? Onde eu protejo pessoas como Sakura e Ino protegeram Sasuke?

– Sim.

– Que legal! Eu quero! Eu aceito as regras! – não, não era para você ter ficado animada, Gata, e sim assustada!

– Meiko. – chamei alto e ela se virou para mim. – Gata. – corrigi-me rapidamente. – Essas missões podem parecer legais, mas elas também são perigosas. Se você aceitar isso, não vai mais poder desistir de ser uma... “espiã”. – tentei alertá-la com meus olhos, tentei fazê-la perceber que aquilo não era tão colorido e enfeitado como Tsunade fazia parecer. Mas ela ainda era uma criança.

– Mas Sasuke, se eu vou aprender a lutar, eu não preciso ter medo. Eu já fugi dos homens maus uma vez. E agora eu vou poder ajudar outras pessoas que também estejam com homens maus. – a fala dela foi tão inocente que eu não consegui responder. – E eu não quero mais viver no orfanato. Quero ir para um lugar feliz. Quero ter amigos. Eu vou ter amigos lá, Tsunade-san?

– Claro que sim, Gata. – Tsunade sorriu para ela.

– Então eu posso ir com você?

– Pode, meu bem. – o maior sorriso de todos se abriu no rosto de Gata.

– Quando nós vamos?

– Primeiro precisamos te tirar do orfanato. Isso vai levar alguns dias, mas depois nós já poderemos partir.

– E onde fica sua casa?

– Isso é uma surpresa, mas tenho certeza de que você vai adorar.

– Gata. – chamei-a de novo, para uma última tentativa. – Tem certeza disso? – perguntei preocupado. Meiko olhou para Tsunade.

– Eu vou poder visitar o Sasuke quando eu quiser?

– Vai sim. – Tsuande repondeu. Gata se aproximou de minha cama.

– Você vai ficar triste se eu for, Sasuke?

– Vou. – percebi que ela ficou confusa. Era a minha chance de persuadi-la a não ir. Mas que tipo de pessoa eu seria se não a deixasse livre para escolher o que quisesse? Eu sei que ela era forte e sei que ela iria se dar bem com as Wings de lá, eu só sentia preocupação por ela. Mas foi o que ela escolheu. – Mas se ir vai te fazer feliz, então eu fico feliz também.

– Verdade? – ela sorriu.

– Verdade. – e então ela fez algo que nunca havia feito. Subiu na ponta dos pés até alcançar meu rosto e me deu um beijo na bochecha. Em seguida se virou para Tsunade.

– Tsunade-sama, eu aceito ir com você.

****

Eu havia saído do quarto pela primeira vez desde que estava no hospital. Minhas costelas não doíam tanto, e com um par de muletas para ajudar com minha perna quebrada, eu conseguia pelo menos andar por aquele piso do hospital. Precisava disso, não aguentava mais ficar naquela cama, com dor. Certo, eu estava com dor agora, mas pelo menos precisava sair daquele cubículo, arejar a cabeça, pensar um pouco.

Ignorei os olhares de visitantes e enfermeiras daquele andar, tentando esconder meu rosto. Já era quase final de tarde, Tsunade e Ino foram levar Meiko de volta e dar entrada na papelada da saída dela do orfanato. Encontrei Sakura sentada um banco almofadado em um dos corredores, comendo o que parecia ser um doce de morango. Estava cansado mesmo de andar de muletas, então me sentei perto dela. Ela me olhava de forma curiosa.

– Você pode ficar andando por aí assim? – perguntou debochada, dando outra mordida no doce.

– Posso, não posso, tanto faz. Só não podia mais ficar naquele quarto.

– É claro. – ela deu uma risadinha, o que me deixou curioso.

– É claro o que? – olhei para ela, confuso. Seus lábios estavam sujos de chantilly.

– Nada, nada. – ela parecia estar se divertindo com uma piada interna que somente ela entendia.

– Sua boca está suja. – falei tentando demonstrar desinteresse, enquanto a observava limpar os lábios com os dedos pelo canto de meus olhos.

Ela terminou seu doce e amassou o papel, enquanto lambia os dedos. Tenho certeza de que ela não teve a intenção, mas achei aquilo muito sexy. Não sabia que ela gostava tanto de doces a ponto de lamber os dedos. Claro, havia muitas coisas que eu não sabia sobre Sakura, e só agora eu havia me dado conta disso.

– Vocês venceram. – eu disse por fim. Ela me olhou confusa. – Convenceram Meiko.

– Oh. Está chateado por causa disso?

– Só um pouco revoltado. Mas ela parecia bem feliz quando escolheu.

– Ela será bem tratada, não se preocupe. – soltei um riso de canto. Minhas costelas estavam voltando a doer.

– Então, como é essa coisa toda? – falei de repente, fazendo-a me olhar desconfiada.

– Que coisa?

– Essa coisa de ser uma... Wing. – se eu estava determinado a descobrir mais sobre Sakura, eu tinha que começar por aí. – Vocês tem algum ritual de passagem ou sei lá... – Sakura começou a rir.

Ela estava rindo em alto e bom tom. Eu não entendia a graça.

– Você não sabe nada sobre nós, Sasuke. – ela disse, abafando o resto da risada. Bem, eu não sabia nada sobre você. Mas estava tentando descobrir.

– Eu só quero saber como será a vida da Gata de agora em diante. Ou tem alguma regra de confidencialidade que te impeça de me contar?

– Bem, digamos que eu não estou acostumada a contar isso a ninguém. – ela respondeu, arremessando o papel do doce em uma cesta de lixo próxima, acertando. – Mas eu posso abrir uma exceção a você.

– Oh, que honra. – ironizei e ela me deu um tapa no ombro.

– Idiota. Tsunade não cria monstros. E não chegamos lá e já somos nomeadas Wings. As novas recrutas costumam ser muito jovens. Primeiro elas tem que se acostumar e aprender.

– Como assim?

– Bem, eu vou te contar só porque você está preocupado com a menininha. – ela se virou para mim, me encarando enquanto me contava. – Meiko agora será uma aprendiz. Significa que ela e outras crianças e adolescentes conhecerão o lugar e suas normas, e aprenderão um pouco de cada coisa: matemática, história, geografia, línguas estrangeiras, biologia e também terão outros tipos de aprendizado, como os treinamentos em luta corpo-a-corpo, com armas, táticas de espionagem, táticas de oratória e retórica, e quando se “formarem” nesses treinamentos, elas passarão a acompanhar Wings mais experientes e terão lições mais práticas do que aprenderam. Quando Tsunade sente que as aprendizes estão prontas, ela dá uma missão de iniciação a elas, acompanhada por outras Wings. Se a aprendiz falhar, ela melhora suas habilidades até conseguir cumprir uma missão. Se a aprendiz for bem sucedida, ela passa a ser oficialmente uma Wing. – ela terminou de dizer tudo com uma expressão de orgulho.

– E essa primeira missão é...

– Não é nada perigoso, não se preocupe. Geralmente é uma missão de escoltagem ou entrega de documentos, e logo o nível de dificuldades vai aumentando.

– Até que ela receba a missão de matar alguém. – completei, infeliz.

– Não é assim que funciona, Sasuke. Para mandar uma Wing em uma missão de assassinato, ela tem que estar muito bem preparada e tem que ter tido... experiência nisso antes. – ergui as sobrancelhas, intrigado e surpreso. Sakura suspirou. – Não vou contar mais detalhes sobre isso. Mas se você está preocupado se Meiko algum dia será obrigada a fazer esse tipo de missão, saiba que ela tem escolha sobre isso.

– E sobre... “satisfazer” os clientes? – desviei o olhar quando falei isso e diminuí minha voz. Tive receio que Sakura me entendesse mal.

– Sexualmente, você está falando? – não respondi. – Ela terá escolha também. – olhei para ela indignado.

– Então você “escolheu” poder transar com qualquer cara que te chamasse por uma noite? – aquilo saiu mais rude do que eu esperava e ela me olhou de modo fechado.

– Não é bem assim. E eu sinto que deixamos de falar de Meiko agora. – droga, ela tinha percebido. Tentei disfarçar.

– Você sabe que ela sofreu abuso sexual. Como Tsunade a fará... esquece.

– Sasuke, já te disse isso muitas vezes e vou dizer mais uma vez: não se preocupe. Meiko é forte. Ela saberá lidar com todas as dificuldades. – soltei um suspiro, não convencido daquilo.

– Você também ficou animada como ela quando Tsunade te encontrou? – perguntei em um impulso. Não adiantava, eu queria saber mais sobre Sakura. De onde tinha vindo, como havia sido sua infância, qual tinha sido sua primeira “missão”, sua primeira vítima de assassinato, quem havia lhe tirado a virgindade.

Sakura olhou para mim surpresa, abriu a boca algumas vezes, mas nenhum som saiu de lá. Talvez ela nunca tenha contado sobre seu passado a ninguém. Então por que o contaria a mim?

– Desculpe, foi uma pergunta pessoal.

– Por que quer saber? – ela me perguntou, séria. Seus olhos verdes estavam assustadores. Senti que não conseguiria mentir para eles.

– Porque... porque eu não sei nada sobre você. – ela pareceu pensar no meu argumento.

– Eu também não sei nada sobre você. – ela respondeu, e logo depois soltou um riso. Sakura estava sendo muito simpática comigo ultimamente.

– Claro que sabe. Todo mundo sabe alguma coisa sobre mim. – claro, quando você é o herdeiro de uma das famílias mais ricas e influentes do país, coisas sobre você escapam por aí. Claro que eu odiava tudo aquilo. Não odiava ser rico, mas não gostava de ser exposto a todos daquele jeito.

– Bem, você é um Uchiha. – ela voltou a falar. – Mas eu não sei tanto sobre você quanto parece, Uchiha.

– Eu sei menos ainda sobre você, Haruno. – milagrosamente, lembrei do sobrenome dela, e eu só o havia escutado uma ou duas vezes, quando Tsunade me revelou quem era a ladra que havia invadido minha casa e roubado 15 milhões da minha família.

– E por que eu deveria te contar alguma coisa da minha vida? – olhei para ela indignado.

– Por que você não deveria?

– Privacidade. – é, ela tinha um ponto.

– Certo. – falei derrotado, e ficamos em silêncio.

– Por que se interessou repentinamente por meu passado? – ela perguntou me olhando de novo, dessa vez como se esperasse uma resposta bem desenvolvida. Eu não tinha uma. – Nos conhecemos há um tempo considerável e tivemos muitas conversas, e por que justo agora se interessou por isso?

– Não sei. – respondi sinceramente. – Eu só não tinha pensado nisso antes. Agora que Meiko resolveu pegar um rumo totalmente novo na vida dela e com você me contando aquilo sobre as Wings, eu fiquei... curioso e percebi que eu não sei nada sobre você.

– Você sabe o suficiente, Uchiha.

– Nem perto disso, Haruno. – ela me olhou divertida, eu a olhava do mesmo jeito, mas meus olhos mostravam minha seriedade também. Ela pareceu pensar por um instante.

– Certo, vamos apenas supor que eu te conte algo sobre mim. O que fará com essa informação?

– Vou usá-la contra você em um plano de exterminação e sabotagem. – respondi irônico. Ela me deu outro tapa no ombro.

– É sério, Sasuke.

– É natural querer saber sobre uma pessoa com quem se convive, Haruno. – respondi de modo normal.

– Mas não convivemos juntos. Só nos encontramos em algumas ocasiões.

– Nessas algumas ocasiões, aconteceram várias coisas.

– Por exemplo? – ela me olhava divertida, como se me desafiasse a convencê-la do porquê ela deveria contar sua vida para mim.

– Bem, nessas ocasiões, você já quase me matou na primeira vez que me encontrou, depois ameaçou minha reputação de bom filho com umas fotos comprometedoras do meu aniversário, depois passamos um fim de semana inteiro trabalhando juntos, e nesse dia eu lembro que eu te beijei, você ficou nervosinha e foi embora, deixa eu ver o que mais... ah, depois você quase me matou de novo quando me treinou na floresta, e nesse mesmo dia nós transamos na chuva.

– Tá bom, Sasuke. – parece que estava causando efeito nela. Soltei um riso de canto.

– Não, deixe-me continuar lembrando. Depois nós... ai! – ela me deu um soco no ombro com muita força. – Quer quebrar outro osso meu? Só respondi a sua pergunta.

– Respondeu até demais.

– O que só prova meu ponto.

– Ponto?

– Nós convivemos bastante, Haruno. E eu tenho interesse no que te fez tão cabeça-dura nos dias de hoje.

– E eu tenho interesse no que te fez tão exibido e irritante nos dias de hoje. – sorri de lado mais uma vez.

– Não há muito mais coisa para você saber sobre mim. – e não havia mesmo. Minha vida não era um grande mistério para ninguém. Nasci, tive uma infância cheia de mimos, briguei muito com Itachi (ainda brigo), entrei na aborrecência, saí dela vivo e agora recebi a grande “honra” de herdar os negócios da família. Sakura era muito mais interessante do que eu. Ela me fascinava e eu queria descobrir a parte dela que eu não conhecia.

– Certo, você me convenceu. Façamos um trato, Uchiha.

– Um trato? – olhei para ela com interesse.

– Sim. Você diz não saber nada sobre mim, e eu digo não saber nada sobre você. Vamos tirar essas dúvidas.

– Como? – eu a olhei com interesse e divertimento. Sakura estava propondo aquilo? Aquela Sakura? Eu com certeza não a conhecia.

– Em um dia, vamos nos dedicar a isso. Eu faço uma pergunta sobre você, e você responde honestamente, e você faz o mesmo comigo.

– Tipo um “Verdade e Desafio”? – coloquei malícia na voz e ela notou.

– Não se anime, pervertido.

– Pervertido?

– Essa será minha única oferta, Uchiha. – ela me olhou provocante.

– Pois eu aceito, Haruno. – retribuí o olhar e senti vontade de beijá-la.

– Ótimo. Marcaremos um dia depois que você sair do hospital. Agora, me dê licença, vou comprar outro doce. – ela se levantou, quebrando nosso contato visual e minhas esperanças de tocar seus lábios. – E você devia voltar para o quarto. Seu corte no abdômen ainda não cicatrizou totalmente.

Observei-a se afastar graciosamente do banco, desaparecendo pelo elevador do hospital. Bem, eu finalmente teria uma chance de fazer qualquer pergunta à Sakura sobre seu passado. Eu gostaria muito de perguntar e de ouvir as respostas dela, mas algo naquilo me assustava. Eu confrontaria uma outra Sakura que nunca conheci. Assim como no dia em que ela me salvou de Yoda e sua gangue, ao mesmo tempo em que os matava a sangue-frio.

Things are shaping up to be pretty odd

Little deaths in musical beds

So it seems I'm someone I've never met

You will only hear these elegant crimes

Fall on your ears from criminal dimes

They spill unfound from a pretty mouth

As coisas estão ficando bem estranhas

Pequenas mortes em camas musicais

Parece que sou alguém que nunca conheci

Você só ouvirá sobre esses crimes elegantes

Através de informantes criminosos

Eles fazem fofoca de uma fonte não confiável

Panic at the Disco – That Green Gentleman (Things Have Changed)

Notas finais
O que acharam? Eu sei pelas reviews que havia indecisão sobre qual seria a melhor escolha para a Gata fazer, e várias pessoas disseram que não achariam uma boa ideia ela se juntar à Tsunade. Depois de analisar as duas possibilidades, eu acabei deixando Meiko escolher ser uma Wing porque acho que isso combina mais com sua personalidade e seria um ponto mais interessante na história que eu poderia aproveitar em capítulos posteriores. E também confesso que se fosse eu a fazer essa escolha, provavelmente teria escolhido ir com Tsunade hehe. Mas comentem falando do que acharam. Até o próximo ^^