Broken Wing - Aprendendo A Voar
22 Capítulo 22 - Reencontro
Notas iniciais
Sakura, Sakura, eu nunca consigo te entender. Dei um longo suspiro cansado e voltei para a cama. Já era a segunda noite que a Gata passava em casa. Só espero que isso possa realmente ajuda-la.
Sakura’s POV
Ainda não acredito que eu havia aceitado a missão daquele moreno idiota. Acordei pensando se tudo não passou de um pesadelo, mas era real. Tsunade fez questão de me lembrar. E agora, aqui estava eu, no helicóptero particular das Wings, indo a Konoha. Isso me trazia lembranças... mas da outra vez eu entrei na cidade a pé mesmo, fugindo da minha vida. E em pensar que nada daquilo deu certo...
O helicóptero parou na rodovia e um táxi já me esperava lá. Entrei com algumas malas, óculos escuros e uma peruca loira. Meu cabelo rosa seria facilmente avistado, eu não podia ser reconhecida. Tudo ordens daquele idiota. Mandei o táxi para um hotel qualquer e fiz reserva de um quarto para inicialmente uma semana. Entrei no veículo mais uma vez e logo eu estava encarando aqueles grandes portões do condomínio luxuoso que eu uma vez havia invadido. O motorista chamou minha atenção e eu saí do táxi, tocando o interfone.
– Sakura? – veio a voz dele do aparelho.
– Infelizmente. – respondi de mau gosto. Eu não estava com paciência pra ser simpática. Ainda mais com ele. Olhei para ver se não havia ninguém na rua e me vi confortável para retirar a peruca e guarda-la em uma bolsa, deixando meus cabelos rosados à mostra em um coque médio. Tirei os óculos e os pus em cima da cabeça.
O portão de ferro abriu e entrei na varanda da casa. Logo depois ouvi a maçaneta girar, e automaticamente desviei os olhos. Eu sei que teria de encará-lo alguma hora, mas queria adiar esse fatídico momento. Ouvi seus passos descerem a pequena escada e vi sua sombra se postar à minha frente.
– Pensei que chegaria mais tarde. – ele disse. Masquei o chiclete na minha boca com mais intensidade e desviei-me sem dizer nada, indo em direção à porta da frente. – Espera! – ele subitamente me chamou.
Ignorei seus passos e continuei andando. Abri a porta da frente e a voz dele chegou em mim de novo.
– Espera, antes de entrar, eu preciso te explicar uma coisa! – ouvi seus passos, mas ignorei. – Sakura, espera!
Entrei na casa e notei que nada havia mudado. Exceto...
– Quem é você? – ela me perguntava. Olhei para a figura pequena e magra à minha frente. Não tive tempo de pensar ou responder nada, porque o idiota me alcançou.
– Eu disse para me esperar. Meiko, essa é...
– Não me chame de Meiko! – a garotinha disse em um tom decepcionado.
– Tá... Gata. Essa é uma... amiga minha. Ela é a Sakura. – eu ouvia a voz do Uchiha ao meu lado, mas encarava o que estava à minha frente. A criança se aproximou, me olhando com interesse.
– Você é bonita. – ela disse sorrindo. – Seu cabelo tem uma cor diferente. É rosa! – eu mascava o chiclete e encarava a criança, imóvel. A verdade é que eu não gosto de crianças. Não me dou bem com elas. E o silêncio já estava ficando desconfortável.
– Gata, por que você não vai ver aquele livro que eu te mostrei ontem? Eu e a Sakura precisamos conversar.
– Tá bom. Tchau, Sakura. – ela abanou a mão e foi para a sala, enquanto eu permanecia imóvel no hall. Não vou olhar para ele. Não vou. – Então vamos no escritório?
Ignorei-o e passei pelo hall, evitando olhar para a sala onde a criança estava e seguindo diretamente para o escritório (que eu sabia muito bem onde era). A criatura de cabelos pretos me seguiu, entrou e fechou a porta. Ficamos em silêncio por uns 30 segundos, ele me olhando e eu olhando minhas unhas sem esmalte. Ele cortou o silêncio.
– Ela é...
– Não me importo. Estou aqui pela missão. – meu tom de voz foi seco e sem emoção. Eu não iria fingir que estava feliz. Continuei encarando minhas unhas.
– Ela é a causa da sua missão. – arqueei uma sobrancelha e olhei-o em um movimento involuntário. Espera, olhei-o?
Sim, a merda estava feita. O idiota me surpreendeu com as palavras e eu olhei para ele em tom de surpresa, mas fiquei mais surpresa ainda por encará-lo novamente depois de meses. Ele não havia mudado. Usava uma calça jeans escura e uma camisa polo branca. Os cabelos rebeldes como sempre, as expressões faciais sérias, masculinas, mas ao mesmo tempo gentis. E os olhos. Aqueles olhos. Aqueles olhos negros e embriagantes, como profundos poços, dos quais procuro não me aproximar por medo de cair, de ser sugada por aquela escuridão. Aqueles olhos me encaravam de volta, e senti que me analisavam da mesma forma que eu o analisava. Senti uma súbita vontade de espetá-los com agulhas.
– Finalmente me encarou. – e ele ainda teve a audácia de me dizer isso. Onde estão as agulhas?
– O que quis dizer com ela ser a causa da missão? Fale sem rodeios. – voltei a olhar minhas unhas, desprendendo-me dos seus poços negros, tentando esconder o frio no estômago que senti.
Ele encostou na porta e eu na mesa, de modo que estávamos um de frente para o outro.
– Ela é minha filha.
Olhei-o de novo, com meus olhos esbugalhados. Filha? Como... como assim? Eu ia dizer algo, mas o idiota começou a rir. Ele tinha mentido?
– Finalmente mudou sua expressão. – desgraçado. Avancei nele preparando meu punho, e ele parou de rir na hora. – Ei, calma, espera. – só me contive porque estava a serviços dele. Ai Deus, não vou aguentar.
– Eu disse sem rodeios, Uchiha. Não estou aqui a passeio ou para ouvir suas piadinhas. – voltei a me encostar na mesa, e a expressão dele ficou séria.
– Eu a encontrei. Na rua. – de novo, arqueei uma das sobrancelhas. – Ela estava perdida. A família inteira foi assassinada. Eu a trouxe para cá, ela está aqui desde quinta a noite. Ninguém sabe disso, nem minha família, é por isso que pedi sigilo. – eu não estava entendendo, o que ele pretendia fazer com aquela criança e onde minha missão entrava nisso? Me segurei e deixei-o continuar a história. – Pelo que ela me disse, um grupo de homens matou o pai, a mãe e a irmã e ficou com ela por um tempo. E eu acho que tenho uma boa ideia de quem fez isso. – ele parou de falar e eu comecei a raciocinar. Tinha alguma coisa errada aí.
– Quer que eu encontre essas pessoas? – perguntei confusa.
– Quero que siga um dos suspeitos.
– Suspeitos de quem?
– Meu suspeito. Eu disse que tenho uma ideia de quem seja. – eu estava de cenho franzido, olhando para ele confusa.
– Deixa eu ver se entendi. – falei mostrando uma expressão incrédula. – Você pega uma criança na rua cujos pais foram assassinados e a traz para sua própria casa sem avisar a polícia, e de quebra me chama para eu resolver o caso de um dos seus suspeitos? – qual era o problema desse homem?
– Eu não podia avisar a polícia!
– Isso também é sequestro, sabia?
– Ela concordou em vir! Pensa que eu não fui na polícia antes?
– Então por que ela está aqui e não em um orfanato? – cruzei os braços e o olhei acusadoramente. Ótimo. Já não bastavam os crimes que eu cometia às ordens de Tsunade, agora terei que me aliar em um caso de sequestro com esse idiota na minha frente.
– Por que você não me deixa terminar de falar? – ele respondeu irritado. Dei um suspiro e esperei. – Assim que eu a tirei da rua, fui para a polícia, mas ela ficou desesperada de parar lá. Havia alguém lá de quem ela tinha medo, parecia que era parte do grupo que a sequestrou depois da morte dos pais. Eu “meio” que investiguei e encontrei um suspeito, mas não tenho certeza de nada. Por isso eu não posso confiar na polícia. E não falei com minha família porque eu não queria expor demais a Gata e assustá-la.
– Gata?
– Ela só aceita ser chamada assim. – fiquei pensando por mais um momento.
– E por que você resolveu ajudar essa menina? Ela não é nada sua. De onde veio tanta compaixão com o próximo, de repente?
– Compaixão com o próximo? Sakura, isso não é sobre mim, não é sobre bancar o herói. Aquela menina viu a família inteira ser assassinada, foi parar em uma casa cheia de otários – os mesmos que mataram os pais – sofreu maus tratos e arrisco a dizer, abuso sexual. Depois ela ficou largada na rua, com medo de tudo e todos, sem ter nada em que se apoiar. Você não viu o estado dela quando a encontrei. – o Uchiha parou de falar e me encarou com irritação.
Confesso que fiquei surpresa com aquilo. Nunca visualizei nenhuma parte de sensibilidade nele, ainda mais para com crianças. Aquela menininha havia mexido com ele de um jeito diferente. Ele se importava com ela, e como disse, não estava tentando bancar o herói. Mas mesmo assim. A vida daquela criança não era da conta dele. Ele não tinha o direito de levar ela para casa e tentar resolver a história dela. E ainda por cima comigo de cúmplice! Dei um longo suspiro, eu sabia onde essa conversa iria dar.
– Olha Uchiha, sua ação foi muito bonita e tals...
– Já disse que não foi por aparências...
– Vamos supor – cortei-o, elevando minha voz. Que moleque problemático. – Vamos supor que eu te ajude. Vamos supor que esses assassinos sejam colocados na prisão. Acha que isso vai ajuda-la?
– Ela vai poder andar nas ruas sem medo de ser perseguida. E eu acho que não há nada de errado em colocar criminosos na cadeia, não é? – ele estava visivelmente irritado. Eu o estava irritando ao colocar empecilhos no planinho dele de ajudar a criança.
– E você acha que ela vai viver feliz para sempre depois disso? Acha que vai poder dá-la uma vida feliz? Mesmo que capturemos os criminosos, essa menina continua sendo uma órfã e vai parar no orfanato de qualquer jeito. E você terá problemas se descobrirem que trouxe ela para sua casa.
– Sakura, acho que não estamos falando a mesma língua.
– Eu tenho certeza. – ficamos nos encarando, nossos olhos em fúria. Era palpável a tensão naquele escritório. Alguém bateu na porta. Sasuke abriu e a menininha apareceu, tentando enxergar o que estava acontecendo.
– Estou com fome. – ela disse com a vozinha fina.
– Já disse que pode abrir a geladeira e comer. Não precisa pedir.
– Posso comer o resto dos biscoitos?
– Pode. – ela saiu e ele fechou a porta de novo, voltando a me encarar, cansado.
– Não é sobre o que vai acontecer com ela, Sakura. – a voz dele voltou a ficar calma. – É sobre fazer justiça com os pais dela. Eu sei que não posso desfazer o trauma dela, e eu sei que não posso ficar com ela. Mas você não acha que os assassinos, sequestradores e abusadores que arruinaram a vida dela merecem ir para a cadeia? Não acha que ela deve viver mais tranquila, mesmo em um orfanato? – continuei olhando-o. Seus orbes negros não mostravam mais irritação. Mostravam... seria dó?
– A polícia não investigou esse assassinato? – perguntei mais calma também. – Não notaram que ela estava desaparecida?
– Parece que desistiram logo. A família dela não tinha privilégios, e o local do crime é um dos mais violentos dessa cidade. Sempre há assassinatos mal resolvidos. Esse foi só mais um. Não sei porque a deixaram viva e a levaram com eles. Mas eu... – ele parou de falar, como se contendo para não explodir – Eu não quero que essa menina viva com medo deles. Eu quero fazê-los pagar por terem-na traumatizado. É errado querer prender criminosos? – ficamos em silêncio de novo.
Esse não era o Sas... o Uchiha que eu havia conhecido. Ele, de alguma forma, se apegou àquela menina e agora quer fazer de tudo para ajuda-la. Mesmo que tudo isso seja loucura, não posso discordar dele sobre o fato de deixar assassinos à solta. E um deles parecia estar na polícia. Vendo por esse lado, a criança é uma vítima infeliz e o moreno é seu salvador. Havia, na proposta dele, um serviço social de bem-estar público. Minha missão era seguir e encontrar os criminosos. Nossa, quase me senti boazinha. Quase.
– Se eu completar a missão, o que vai fazer com ela? – perguntei.
– Bem, ela tem que viver em algum lugar. Vou ver se encontro parentes ou amigos da família, mas na pior das hipóteses...
– Ela sabe disso? – ele me olhou confuso – Ela sabe que você não vai ficar com ela para sempre? – ele não respondeu. Dei outro suspiro. Eu estava suspirando muito. – Não a deixe com falsas esperanças de que vai cuidar dela para sempre. Se ninguém procurou por ela, é provável que acabe em um orfanato.
– Você não tem sensibilidade não? – ele perguntou frustrado.
– Gosto mais da realidade. Não deixe a menina mais traumatizada com falsas esperanças, Uchiha. – percebi que ele não gostou nada do que falei. Mas era a verdade. – E quem eu tenho que perseguir?
–O nome é Yoda. Kenji Yoda. Policial militar. – ele respondeu sem emoção.
– É o suficiente. – desencostei da mesa, pronta para voltar ao hotel. – Vou começar amanhã de manhã e nos falaremos toda noite sobre o que eu descobrir. – ele abriu a porta e me acompanhou até o hall. A criança viu.
– Você vai embora, Sakura? – ela perguntou de um jeito doce. Olhei para ela. Era um ser pequeno e frágil. Quase senti dó.
– Eu vou.
– Vai voltar alguma vez? Queria alguém para brincar. O Sasuke trabalha muito. – ignorei a parte em que ela falou o nome da criatura e tentei pensar em uma resposta.
– Sim, eu vou voltar. – ela abriu um sorriso.
– Legal. Tchau então, Sakura. – ela abanou a mão e eu respondi, enquanto ela ia para a sala. De repente, pensei no que ela havia falado e me virei para... encará-lo.
– Ainda trabalha na empresa? – perguntei indiferente.
– Não tenho escolha, né? – ele respondeu como se fosse um sacrifício.
– O dia inteiro? Até de fim de semana? – parece que ele estranhou a pergunta.
– Sim, o dia inteiro, mas sexta eu não fui e estou fazendo hora extra nesse fim de semana por conta de uns papéis que o Itachi mandou. Por que o interesse?
– Porque fiquei surpresa que você não tenha percebido que está prestes a deixa-la sozinha por dias inteiros. – ele pareceu confuso.
– Ela não reclama quando eu saio.
– Você já saiu e ficou fora o dia inteiro com ela aqui?
– Bem... – dei outro suspiro.
– Não pode deixar uma criança como ela sozinha todos os dias. Tem que chamar alguém pra ficar de olho e fazer companhia. – ele parecia estar pensando naquilo pela primeira vez. – Sinceramente, o que serão dos seus filhos?
– Não vou ter filhos. – que surpresa. – E se eu tivesse, seria um melhor pai do que você. Nem ao menos olhou para ela direito!
– Ah, cala a boca. – tirei os óculos da cabeça e os guardei. A noite estava escura e sem estrelas.
– Mas você quis dizer, chamar uma babá? – o insistente continuou. – Ninguém pode saber que ela está aqui.
– Não é problema meu. – olhei para ele esperando que ele abrisse o portão, mas ele me olhava preocupado. – Vai abrir ou eu vou ter que pular? A babá não é problema meu. – a não ser que...
De repente, essa ideia surgiu na minha cabeça. Não acredito que eu iria sugerir aquilo. Não acredito que me importei com essa criatura e com aquela criança o suficiente para propor ajuda.
– Acho que conheço alguém confiável para cuidar dela.
– Quem?
– Uma amiga. – ele abriu o portão e eu saí. Esqueci de chamar o táxi. Tudo bem, uma caminhada faria bem. – Eu te aviso depois.
– Valeu. – comecei a andar, mas só por precaução:
– Ah, Uchiha. Vê se não trás nenhuma prostituta enquanto ela estiver aí. – ele me olhou confuso.
– Não sou tão burro assim. E não me chame de Uchiha!
Virei as costas e voltei a caminhar. Eu não iria chama-lo pelo nome. Não queria voltar a ouvir o som daquela palavra e o que ela me causava. “Uchiha” estava bom demais para ele.
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Sasuke’s POV
Acordei naquele domingo uma hora antes do que havia planejado. Gata ainda estava dormindo. Fui à cozinha, mas não comi nada. A imagem do meu reencontro com Sakura ontem entrou na minha cabeça. Fisicamente, ela não havia mudado nada. Os mesmos olhos desafiadoes, os mesmos cabelos de algodão-doce, o mesmo corpo feminino. Mas havia algo de diferente no modo como ela agiu. Estava rude, hostil, cínica. Não sei se isso tem a ver comigo, mas se sim, não tenho a menor ideia do porquê. Pensando bem, quando ela avistou a Gata, ficou parada como uma estátua como se tivesse medo da menina ou sei lá... aquilo foi muito estranho.
O que me surpreendeu foi a quantidade de argumentos que eu tive que usar para convencê-la a me ajudar. Mesmo ela estando em uma missão às minhas ordens! Não sei se foi só para me contrariar ou era contra aquilo, só sei que aquela foi a conversa mais difícil que eu tive com Sakura desde que a conheci. Por fim, ela aceitou. O que não deveria ser o caso, já que ela era uma Wing-não-sei-das-quantas e não podia recusar as missões. O problema só pode ser comigo, mas de novo, por quê? O que eu fiz para ganhar a antipatia dela de repente? Na última noite que ela ficou aqui, até transamos... não consigo entender aquela mulher.
E ainda por cima, fez birra e não me chamou pelo nome nenhuma vez, apesar de eu ter chamado o dela umas 15. Eu não sei se alguma coisa aconteceu, mas se for o caso, vou descobrir. Não vou aturar o olhar irritado dela. Mas uma das coisas que ela me disse me fez ficar pensando longamente: eu não podia ficar com a Gata. Cedo ou tarde, teria que entrega-la a outra pessoa. Estava com esperanças de que ela tenha outros familiares ou de que algum amigo da família a ajude... mas se não for o caso, ela terá que ir para o orfanato.
Bati com o punho na mesa de raiva. Por que eu me importava tanto, afinal? O que aquela garotinha tinha de tão especial para ter feito eu me apegar a ela? Não a deixe com falsas esperanças de que vai cuidar dela para sempre. Era o que a rosada tinha dito, e ela tinha razão. Não posso iludir a Gata de que vou ficar com ela para sempre. Mas como eu conto isso a ela? Calma, Sasuke. Ainda pode haver algum familiar... seja paciente. Paciência não era uma virtude minha.
Fechei os olhos e tentei me acalmar. Não posso perder o controle agora. Sakura iria seguir o tal do Yoda e depois que as coisas se ajeitassem, eu decidiria o que fazer com a Gata.
– Sasuke? – abri os olhos de repente. Nem notei que a menininha me encarava na porta da cozinha. Ela estava com outra de minhas blusas, parecendo um moletom naquele corpo tão pequeno.
– Ah, bom dia. É cedo. Por que não dormiu mais? – levantei para pegar leite da geladeira. Ela gostava de leite.
– Não estou mais com sono. Vai fazer leite? – eu a encarei e assenti. Ela sorriu. Não vou ter coragem de abandoná-la em um orfanato. Coloquei o leite para ferver e fiquei pensativo.
– Sasuke. – ela chamou e me virei. – Você está triste? – os olhos dela estavam preocupados.
– Não.
– Mentiroso.
– Não me chame de mentiroso.
– Mas você mente.
– Não estou mentindo.
– Você mentiu para o seu irmão fingindo que estava doente. – tá, aquilo era verdade. – Você mentiu hoje que não está triste. E mentiu ontem.
– Quando eu menti ontem? – senti que a conversa estava tomando um rumo estranho. Ela estava me repreendendo. Como se eu fosse uma criança travessa.
– Quando disse que aquela moça do cabelo cor-de-rosa era sua amiga.
– Mas ela é minha amiga. – não exatamente, mas qual é a palavra usada para uma pessoa que tenta te matar e depois transa com você?
– Não era não. Parecia sua namorada.
– Você sabe o que está dizendo? – perguntei com um certo divertimento.
– Sei. – ela disse aquilo inocentemente. Que menininha complicada.
– E por que você acha isso?
– Porque ela ficou aqui um tempão e vocês ficaram sozinhos no escritório. Meu tio me disse uma vez que as pessoas gostam de ficar sozinhas com quem namoram.
– Tio? Você tem um tio? – um raio de esperança surgiu naquela frase.
– Eu tinha, mas ele se mudou. – o raio sumiu.
– Você sabe para onde?
– Não, mas nunca mais ouvi dele. Sasuke, o leite. – me virei de repente e o leite fervido havia transbordado a caneca. Ótimo.
– Sakura não é minha namorada. – eu disse depois de limpar o fogão e colocar o líquido no copo dela.
– Mas você está triste hoje. – optei por não responder, já que a Gata já tinha decidido a resposta para aquilo.
Ao invés disso, comemos em silêncio, e eu continuei pensando sobre o que iria fazer com a menininha tão frágil à minha frente. Não importava por qual caminho eu seguisse, o final nunca era bom para ela.
A Gata terminou de comer e foi na sala desenhar. Eu sei que eu devia leva-la para sair alguma hora, mas era muito arriscado. Todos na cidade me conheciam e ninguém poderia saber sobre ela. Principalmente com eles por aí. Só espero que a minha suspeita em relação ao Yoda esteja certa e Sakura consiga pegá-lo. Se não estiver, não quero nem pensar no que faremos em seguida.
E por falar em Sakura, ela disse que iria arranjar alguém para ficar com a Gata enquanto eu fosse trabalhar. Isso seria bom, porque talvez essa pessoa pudesse sair com a menina e conversar com ela sobre coisas que eu não podia. Mas por outro lado, fiquei receoso com as palavras da rosada. “Uma amiga” ela tinha dito. Que eu saiba, Sakura não tinha amigas fora da organização de Tsunade. A não ser que...
Levantei subitamente quando meu celular tocou. Era um número desconhecido. Atendi ainda pensando na tal “amiga” de Sakura.
– Alô?
– Uchiha, sou eu. – queria saber por que ela continua me chamando de Uchiha.
– Ah...
– Estou na frente da casa do alvo. – ela me cortou seca. – Enquanto eu espero alguma coisa acontecer, resolvi ligar avisando que eu consegui a babá da sua criança.
– Não é minha criança, e ela tem nome...
– Cala a boca e me escuta. – segundo corte do dia. Ela tinha que estar de TPM, é a única explicação plausível para esse tratamento. – Como não podia ser ninguém que você conhecesse, arrumei alguém que eu conheço. – era disso que eu tinha medo. – Ela é uma Wing também e ficou feliz até demais quando eu ofereci seus serviços. Ela devia estar realmente entediada, mas enfim. Ela chega em Konoha de tarde, então esteja na sua casa a noite que eu levo ela aí.
Não sei o que mais me surpreendeu nessa frase. O fato de minha suspeita sobre a babá estar confirmada, o fato de Sakura ter se importado para me ajudar nisso ou fato de ela ter me dado ordens de ficar na minha casa. Tentei responder, mas ela me cortou antes. De novo.
– Ah, e ela vai ficar aí até a minha missão ser completada.
– O que? – finalmente eu a cortei. – Tipo, aqui em casa?
– Quando ela chegar eu te explico. O nome dela é Ino, então já avisa a criança sobre isso. Ah, e o cachê final da missão vai aumentar com os serviços dela. Até a noite.
Ela desligou antes que eu pudesse pensar em uma resposta. Entretanto, isso não me impediu de começar a pensar em tudo o que ela havia me dito. Eu simplesmente não podia deixar uma Wing tomar conta da Gata o dia inteiro! Primeiro porque aquelas mulheres são tipo umas amazonas, só que mais perigosas, e depois porque Sakura disse que ela iria dormir aqui em casa. Se conseguir uma conversa normal com Sakura já é difícil, imagina com uma amiga Wing dela. Só sei que estou perdido.
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Sakura’s POV
Nove horas da manhã de domingo. E eu aqui, na frente da casa de um sujeito chamado Kenji Yoda, em um carro alugado, esperando algum movimento vindo daquela casa. Esperando em vão, justamente porque era domingo. Sério, quem faz alguma coisa de domingo de manhã? Eu deveria ter dito à criatura de cabelos pretos que iria começar na segunda e ter tirado o dia para sei lá, fazer compras. Mas por outro lado, eu já tinha feito um progresso naquela missão. Entendam, eu quero termina-la o mais rápido possível para evitar gastar tempo com o Uchiha.
Sendo assim, eu invadi a delegacia de madrugada e fiz uma cópia dos arquivos do suspeito do moreno, e descobri que ele já havia sido multado por excesso de velocidade e até tinha passado a noite na cadeia por ter sido pego em um clube de strip ilegal, mas pagou fiança e foi aceito na polícia depois de dar uma informação preciosa sobre um líder de tráfico da região. Também encontrei uma pasta de todos os relatórios e boletins escritos por ele, de todas as patrulhas em que ele relatou algo fora de ordem, todas as ligações que os moradores da cidade haviam feito, enfim, um bando de documentos chatos que só servem mesmo para serem arquivados. Mas então um daqueles documentos me chamou a atenção.
O Uchiha podia ser um idiota, mas até que ele tinha bom olho para essas coisas. Acontece que Kenji Yoda era um dos policiais responsáveis por cuidar do caso do assassinato dos pais daquela criança, mas segundo constava no relatório dele, as pistas foram insuficientes e o caso foi arquivado. Procurei por relatórios do mesmo caso dos policias que trabalharam com esse cara. Em um deles estava escrito:
“...e então nosso time ficou aproxidamente uma semana tentando recolher pistas para aquele caso. Além de três membros da família Okazaki terem sido mortos, a filha mais velha, chamada Meiko Okazaki, está desaparecida. Eu e o policial Gerin começamos a suspeitar se os culpados pelo assassinato também haviam levado a garota. Nosso também colega,Yoda-san, argumentou que isso era pouco provável e que a menina já devia estar morta, pois não fazia sentido deixarem-na de sobrevivente. Quando argumentei sobre a possibilidade de a menina ter fugido e estar perdida, Yoda-san disse que alguém a teria avistado.
Apesar de eu ter descoberto através do depoimento de vizinhos que Kazuto Okazaki era credor de um grupo de pessoas e estava tendo dificuldades em receber o dinheiro de seus devedores, o que poderia facilmente se transformar no motivo do assassinato, meu superior Yoda disse que as provas eram mínimas e pouco confiáveis. Assim, sem provas que convencessem meus superiores de continuar a investigação, ela foi interrompida e o caso, arquivado.
Policial Youhei Takagawa relatando o caso do assassinato da família Okazaki, ocorrido em 10 de janeiro desse ano.”
Estávamos no começo de maio, o que significava que esse caso havia ocorrido há quatro meses. No entanto, segundo o Uchiha, a criança havia ficado a maior parte desse tempo com um grupo de homens, e havia fugido deles nas duas últimas semanas, começando a morar nas ruas. Portanto, o tempo que eles estavam sem ela era pequeno. Isso pode significar preocupação por parte desses sequestradores, temendo que a menina seja encontrada e ajudada por alguém (o que para azar deles, aconteceu) e assim, pudesse denunciá-los. Ou seja, a hora para pegá-los tentando tramar alguma coisa era agora.
Por isso, mesmo depois dessa noite inteira sem dormir, eu não poderia relaxar e tinha de ficar atenta aos movimentos desse suspeito policial. Pelo relatório do colega dele, ele havia negligenciado testemunhos que claramente evidenciavam alguma coisa. Se o pai daquela garota estava cobrando dinheiro de pessoas, certamente haveria aí um motivo de assassinato. E justo esse Yoda parecia estar comandando a investigação desse caso. Muito esperto, Uchiha, admito isso. Mas agora deixe a parte mais emocionante para quem tem experiência, pensei eu enquanto Kenji Yoda saía apressado de sua casa pequena, na qual ele claramente morava sozinho e dava partida em seu carro simples de duas portas. A perseguição começou.
Ah é, depois não posso me esquecer de encontrar a Ino.
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Ino’s POV
Kyaa! Finalmente alguma coisa para fazer! Confesso que estava me sentindo mais sedentária do que alguém em coma durante a folga que Tsunade me deu. Tudo bem que um pouquinho de descanso faz bem, mas começou a ficar chato! Eu e a Sakurita ficamos sem missões por um tempo, não havia nada de emocionante para fazer e aquilo já estava me dando nos nervos.
Depois, a testuda ainda consegue uma missão do Tipo 31 e nem me leva junto! Vocês entendem a situação? Missões de espionagem, perseguição, de corrida contra o tempo em que fazemos descobertas chocantes são as de mais adrenalina! Não acredito que Sakura havia sido convocada para uma e eu não, ainda mais com o jeito de mosca morta que ela mostrou quando voltou ao quarto anunciando para onde ia: Konoha. A capital do nosso País do Fogo, uma cidade cheia de baladas, shoppings e restaurantes e tudo de bom! Como assim ela poderia ir trabalhar para o amorzinho Sasuke dela e eu teria que ficar enfurnada na base das Wings?
Fiquei muito frustrada, quanto tempo mais eu iria esperar para fazer alguma coisa interessante? Mas é por isso que a Sakurita é minha melhor amiga e nunca me deixa na mão: no outro dia, ela me ligou perguntando se eu poderia acompanha-la na missão! Foi a melhor notícia dos meus últimos dias. Claro, fiquei um pouco desapontada quando ela disse que eu ia fazer papel de babá (o que não é tão emocionante quanto perseguir alguém), mas mesmo assim, eu ia poder sair, conhecer gente nova, dar uma checada no tal de Sasuke (e ver o que esse menino tem que deixou a Sakura tão fixada nele) e ainda ensinar todos os meus segredinhos e truques para a garotinha de quem ia tomar conta. Ah, Konoha que me espere!
Saio do jatinho particular das Wings com todas as minhas malas e encontro a Sakurita me esperando na rodovia. Já está escuro, mas a estrada é bem iluminada. A testuda tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo médio (o que deixava a testa dela ainda maior) e estava toda vestida de preto, com cara de quem estava esperando a morte, mascando um chiclete. Mas tudo bem, a Ino está aqui para animá-la.
– Sakurita! Você me salvou daquele tédio! – falei abraçando-a.
– Ino, já disse para parar de me chamar de Sakurita. Assim aprece que eu tenho 10 anos. – é, o humor dela não havia melhorado.
– Então você prefere testuda? – ela me olhou com aqueles olhos verdes cheios de fúria e eu levantei as mãos, me rendendo. – Mas então, o Uchiha já sabe que eu vou passar os dias lá? – entramos no carro que ela havia alugado, com todas as minhas malas no banco de trás.
– Ele sabe, acredito que também tenha avisado a criança.
– Hum, então eu finalmente vou poder conhecer Sasuke Uchiha, aquele que conseguiu fazer Sakura Haruno sentir alguma coisa!
– Se você falar sobre isso mais uma vez, te mando embora. E por favor, não o chame pelo primeiro nome.
– Hum, alguém está com dor de barriga hoje. – eu disse meio desapontada. Sakura conseguia ser mais complicada que eu. – Mas de qualquer forma, obrigada por ter me chamado para ficar com você. Todas as meninas estão em missões, eu estava tão sozinha e carente...
– Mas você sabe que veio aqui para ser babá de uma menininha, né? Não tem nada de emocionante nisso, não é nem a sua cara, nem sei como você aceitou. – ela parecia se divertir falando isso.
– Como assim, não tem nada de emocionante? Eu adoro crianças! Vamos brincar, passear e ela vai aprender alguns truquezinhos com a tia Ino. – eu disse maliciosa.
– É isso o que eu mais temia. – parece que o humor dela havia melhorado. – Mas você lembra tudo o que eu te contei sobre a criança, não é?
– Sim, tudo guardadinho. Família assassinada, sequestrada, sofreu mals tratos e abuso, fugiu, morou nas ruas, e o bonitão do Sasuke a encontrou.
– Já disse para não chama-lo pelo primeiro nome.
– Ah, tanto faz. – Sakura era mesmo impossível. Isso é sinal de que ela não o superou, tenho certeza. Por que mais ela ficaria toda emburrada de reencontrá-lo e até de dizer o nome dele? – Mas voltando ao assunto, não se preocupe. Vou tratar aquela criança com cuidado. – ela pareceu mais aliviada ao ouvir aquilo.
– Certo. E já que o Uchiha volta para casa a noite e aparentemente ela gosta de passar tempo com ele, pensei que você podia usar essa folga para me ajudar. – hum, agora as coisas iam ficar interessantes.
– Deixa comigo, Sakurita. Esses bandidos não vão nem ver o vento que os atingiu.
– Ainda bem que você está aqui para me animar, porque eu não sei quanto tempo mais aguentaria. – ela falou cansada e agradecida. Olhei para ela inconformada.
– Sakura, quem está fazendo esse drama todo é você. Você é mais que isso, mulher. Encara aquele homem de frente e o mundo que se exploda! – eu disse animada fazendo gestos com as mãos de algo explodindo. Aquilo pareceu animá-la.
– Se fosse assim tão fácil, Ino... – ela disse aquilo com um sorriso triste. Fiquei quieta depois disso. Apesar de Sakura ser fechada em relação a seus sentimentos pessoais, ela sabe que pode contar comigo para ajudar a superá-los. Mesmo que em alguns assuntos nós discordemos, eu não posso obriga-la a se sentir como eu quero que ela se sinta. E ela é tão orgulhosa e tão teimosa... e de repente, me lembrei de algo.
– Ah é, quase me esqueci. Tsunade me pediu para ficar de olho em você. – o carro freou subitamente no sinal vermelho. Ainda bem que eu estava de cinto.
– O que? Ficar de olho em mim? Por quê? – Sakura me olhava com descrença e raiva.
– Sabe como é, por causa do Uchiha e tal.
– Por causa dele? – ela pareceu mais descrente ainda.
– É, você sabe, por causa da história de vocês...
– Não tem nenhuma história entre a gente. – ela parecia querer convencer mais a si mesma do que a mim.
– Ah, qual é, Sakura, até eu notei que rolou alguma coisa entre vocês. E eu nem estava aqui quando aconteceu! Pensa que Tsunade deixou de investigar? É claro que ela deu um jeito de pegar vocês no flagra. – ao dizer aquilo, a expressão dela mostrava tanto horror que até seria divertido, em outras circunstâncias.
– Não no flagra, literalmente, mas... você sabe do que eu estou falando. – ela virou-se para frente com raiva e o sinal abriu. – Enfim, ela pediu para eu ficar de olho para sua história com ele não interferir na missão. Achei que você deveria saber, então... – ela deu um grande suspiro, como tentando se acalmar.
– Certo. Obrigada pelo aviso, Ino. Mas isso não vai acontecer. – os olhos dela estavam focados na estrada.
– Eu sei. Mas você sabe que eu vou interferir se acontecer.
– Se acontecer. O que é claro, não vai. – e um silêncio se estabeleceu enquanto ficamos presas em um congestionamento de domingo a noite.
Isso era comum: quando pressentia qualquer problema que poderia atrapalhar a missão, Tsunade colocava uma Wing para vigiar a outra e controlar a situação. Quando isso acontecia, nós geralmente deixávamos quem íamos “vigiar” conscientes disso por uma pura questão de amizade e confiança. Foi o que eu fiz com Sakura agora. Ela estava avisada, e eu não podia desobedecer Tsunade. Mas algo dentro da minha cabecinha loira me dizia que o Uchiha foi a coisa mais interessante que já aconteceu na vida de Sakura. E em algum lugar, eu torcia para a que a relação deles acabasse bem.
É claro que eu só estava viajando nesse assunto. Com Sakura sendo quem era e pertencendo onde pertencia, ela e Sasuke nunca iriam dar certo. Ela estava ciente disso e acho que isso era o que mais a incomodava e a deixava assim: seca, irritada e hostil.
Não pude continuar pensando nisso, já que havíamos chegado ao que seria minha casa pelos próximos dias: um sobrado bonito, mas não muito ostentoso, com várias luzes douradas nos jardins e de aparência aconchegante. Alguns cômodos estavam com a luz acesa, mas nada mais chamava atenção naquele lugar, mas por algum motivo, eu não conseguia desviar meus olhos. Sakura tocou o interfone e uma voz grossa, mas dotada de gentileza, atendeu.
– Sakura? – a voz chamou.
– Infelizmente. – ela disse com um tom cansado.
– Poderia ser mais simpática, não acha? – a voz continuou em um tom divertido. Sinto que eu ia me dar bem com esse Sasuke.
– E você poderia ser mais rápido em nos deixar entrar. Ino também sabe invadir casas, e melhor do que eu, então se apresse. – apesar de saber que ela estava certa sobre mim, admito que seu tom de voz foi meio ríspido.
– Sakura, não cause uma imagem negativa de mim logo de cara. – eu disse sussurrando, enquanto o portão era aberto e entrávamos.
– Mas foi um elogio. – ela disse confusa.
– Não para o dono da casa onde eu vou ficar.
– Ah, é mesmo. Tanto faz, eu só estou irritada. – Ah, Sakura, às vezes sua enorme testa pode interferir com sua inteligência.
Esperamos uns 30 segundos na varanda bem iluminada e de boa vista da casa, com Sakura olhando seu relógio impacientemente e continuando a mascar seu chiclete e eu ao lado de minhas malas, observando os arredores. Até que a porta da frente se abriu e aquele que tenho certeza ser Sasuke Uchiha andou em nossa direção.
Well, you treat me just like another stranger
It's nice to meet you, sir
I guess I'll go
I best be on my way out
Ignorance is your new best friend
Bem, você me trata como um estranho qualquer
É bom conhece-lo, senhor
Eu acho que já vou
É melhor eu ficar no meu caminho
Ignorância é sua nova melhor amiga
Paramore – Ignorance
Notas finais
Gostaria de agradecer a Cherry Haruno pela linda recomendação que deixou da fic, realmente fiquei muito feliz, não esperava por aquilo XD. E também queria aproveitar e agradecer a todos que já comentaram, pelos elogios, críticas e sugestões :) Até o próximo ^^
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