Broken Wing - Aprendendo A Voar
25 Capítulo 25 - Os Quatro Criminosos
Notas iniciais
Olhei para Sasuke e expliquei a situação, o que o fez ficar sério. Sim, essa noite prometia. E eu e Sakurita iríamos cumprir todas essas promessas.
Sakura’s POV
Estava esperando Ino no local onde combinamos, a uns duzentos metros do condomínio do Uchiha. Acho que ter uma parceira nesse caso poderia me ajudar bastante, pois além de eu ter alguém para conversar, ela poderia trazer novas informações para o caso, segundo conversamos mais cedo.
E eu também havia descoberto outros fatos: aparentemente, Kenji Yoda havia visitado o bairro Kusurugi, o mesmo onde o Uchiha encontrou a criança, diversas vezes no fim de semana. E conversando com um dos colegas de trabalho dele, descobri que Kazuto Okazaki, o pai da menina, era conhecido de Yoda e alguns outros, e eles aparentemente se reuniam para discutir sobre “negócios”, mas tudo levou os colegas de trabalho a acreditarem que as reuniões não terminaram nada amigáveis, pois Yoda e os outros acabaram devendo para Okazaki.
Eu achei aquilo estranho e me perguntei por que os policiais, que sabiam desse acontecimento entre Yoda e Okazaki, não suspeitaram dele depois do assassinato. Mas eu não precisei me esforçar muito, pois o policial completou dizendo que isso aconteceu um ano antes do assassinato da família Okazaki, e que Yoda tinha um álibi para aquele dia. Eu digo que tudo isso ainda é muito suspeito.
Mas além disso, através das escutas que instalei na casa do policial, descobri sobre uma reunião que ele faria na casa com alguns amigos, então eu e Ino ficaríamos no carro ao lado de fora da casa ouvindo a conversa. As palavras de Yoda enquanto telefonava para os demais eram bem simples, mas esclarecedoras: “Reunião como nos velhos tempos.”. Eu tinha certeza de que havíamos pegado o cara certo. Só precisávamos pegá-lo no flagra, conseguir alguma prova sobre o triplo homicídio que eles cometeram e o maltrato àquela criança. Assim eu conseguiria sair logo dali e nunca mais veria a cara do Uchiha de novo.
Saí de meus pensamentos quando notei uma batida no vidro do carro. Abri a porta e Ino entrou. Estava com o cabelo loiro preso em um coque e toda vestida de preto, assim como eu.
– Você parece perigosa hoje, Sakurita. – ela disse entrando, me olhando maliciosamente. Retribuí o olhar.
– Digo o mesmo, porquinha. – dei partida no carro e começamos a seguir para a casa de Yoda.
– Sasuke teve um susto quando me viu vestida assim. Disse que trouxe lembranças de quando uma certa rosada invadiu sua casa. – ela apenas riu, e eu apenas trinquei meus dentes.
– Uma pena que não o matei naquela noite. Teria me poupado tantos problemas... – ela me olhou confusa.
– Sério que você disse isso? Você é um perigo mesmo, hem, Sakura? Coitado do rapaz.
– Coitado? Ino, você o está defendendo? – não conseguia acreditar naquilo. Minha melhor amiga, tomando o partido dele!
– Calma aí, mulher. Em primeiro lugar, quem quebrou a lei foi você. E você poderia tentar pelo menos ser indiferente perto dele. Esses sentimentos de ódio também estão interferindo na missão, sabe? Além do mais, Sasuke é um cara legal. – eu só suspirei.
– Eu agradeceria se você não o chamasse pelo primeiro nome na minha frente. – certo, isso até podia ser um exagero, mas quanto menos eu lembrasse daquele ser, melhor. Mas Ino parecia não entender isso.
– Ai, Sakura, o que tem de mais? Parece que assim, você só o está evitando! – bem, essa era a ideia! – E além do mais, isso é inútil, porque não dizer o nome não apaga tudo o que vocês já passaram juntos. – brequei o carro com toda a força no sinal vermelho.
– Nós não tivemos nada juntos! – dei a ela o meu maior olhar assassino. – E além disso, não era você quem não iria deixar meus “sentimentos interferirem na missão”? Me encorajar a dizer o nome daquela criatura não vai contra isso? – falei indignada.
– Não estou tentando te reconciliar com ele, estou tentando fazer você agir como uma adulta. Trate-o como você trataria uma pessoa qualquer, não dê olhares feios a ele e não o chame pelo sobrenome ou outra coisa qualquer só para irritá-lo ou mostrar que você tem raiva dele. – dessa vez ela havia me calado. Eu não sabia o que responder.
– Dizer o nome dele me traz certas... sensações. E eu quero ficar longe de tudo o que me lembre dele. Se não chama-lo pelo nome sirva para criar alguma distância entre nós, então que seja assim. – agora foi a vez dela suspirar longamente.
– Eu não entendo você. E pode falar que isso vai contra eu te impedir de ter sentimentos por ele, mas está na cara que essa é a situação. – brequei com toda a força de novo. Ela estava querendo morrer.
– O que? – falei de forma aguda e inconformada.
– Não estou dizendo que o ama, Sakura, mas claramente alguma cosia entre vocês ficou mal resolvida e você está com medo de terminar de resolver. Por isso está agindo tão friamente perto dele, se recusando a até mesmo dizer a porcaria de um nome! Saiba que isso só piora as coisas. Já ouviu falar daquela brincadeira do elefantinho cor-de-rosa?
– O que? Ino, você está me irritando!
– Estou falando sério. Ninguém vence essa brincadeira. Você chega nas pessoas e diz: não pense em um elefante cor-de-rosa! E sabe qual é a primeira coisa em que elas pensam? – virei meu rosto do olhar condenador dela. – Sim, em um elefante todo cor-de-rosa, o elefante mais cor-de-rosa de todos!
– Chega.
– Saiba que é isso o que você está fazendo agora, Sakura. Sasuke é seu elefantinho cor-de-rosa.
– Não. Diga. O. Nome. Dele! Como você é irritante! – estávamos quase chegando no bairro de Yoda, e eu tentava não pensar no que Ino me disse... no elefantinho cor-de... ah, merda!
– Sasuke, Sasuke, Sasuke, Sasuke, Sasuke... – Ino começou a cantarolar exibindo um sorriso triunfante.
– Ino, chega! Já estamos chegando! Faça silêncio! – olhei para ela ameaçadoramente.
– Eu vou parar agora porque estamos em campo, mas depois nós vamos resolver esse assunto todinho, mocinha. – dei a ela um olhar de “você não ousaria”, mas ela me interrompeu.
– É essa a casa dele? – ela chamou minha atenção em um sussurro. A partir de agora, éramos Wings profissionais, não Sakura e Ino.
– Sim, é essa. – comecei a atualizar Ino sobre as informações que eu havia coletado durante o dia, e ela também me contou sobre a grande confissão que conseguiu da garotinha. Confesso que senti pena dela, realmente deve ter sido horrível perder os pais daquele jeito e ainda ser maltratada por esses lixos.
Mas é para isso que estávamos aqui. Faríamos um favor para a sociedade, só para variar.
– Então é isso. – continuei, olhando para a rua. – Ouvi Yoda ligar para outros três homens marcando uma “reunião” na casa dele, mas não ouvi nomes. Vamos esperar esses caras chegarem e tentar ouvir o que dizem pelas escutas.
Não demorou muito até o primeiro chegar. Andando apressadamente com as mãos nos bolsos do casaco (e nem estava frio), olhando nervosamente para os lados, bateu algumas vezes na porta e conseguimos ouvir, pelas escutas, o som de Yoda indo atender a porta.
– Uau, esses aparelhos são poderosos mesmo. – Ino comentou.
Vimos Yoda deixa-lo entrar e fechar a porta. A partir daí nos concentramos em ouvir a conversa.
– Faz tempo que eu não venho aqui. – o convidado começou. – Espero que seja realmente importante, Yoda.
– Isso nós veremos. – respondeu Yoda com uma voz nada amigável. – Café?
– Só faz algumas semanas que não nos encontramos e já se esqueceu que odeio essa gosma preta? Me dê cerveja. – seguiu-se uma risada nervosa por parte de Yoda.
– Não me esqueci que você sempre está de mau humor. Aqui está sua maldita cerveja.
– Chamou os outros também? – o convidado perguntou depois de abrir uma latinha.
– Não faria sentido virmos só nós dois, não é? Já que estamos juntos nessa. – o tom de voz de Yoda foi sombrio.
– Falando assim, parece que somos bichas combinando sexo coletivo.
– Pois é, quem iria adivinhar que somos cúmplices de algo maior? – Yoda estava entregando o ouro aos poucos.
– Agora parece mais bicha ainda. Vai transar, cara. – seguiu-se uma risada nervosa.
– Com quem? Uma boneca inflável?
– Sakura. – Ino me chamou e apontou o outro lado da rua. Olhei afirmativamente para ela. O segundo convidado havia chegado. Com touca e óculos escuros (cara, eram nove horas da noite!), parecia mais tranquilo do que o primeiro convidado e não parecia intimidado por ter sido chamado à “reunião”. Bateu na porta.
– Parece que mais alguém chegou. – Yoda disse.
– Se for o Sugu, diz para ele tirar aqueles malditos óculos de sol. – o outro falou, e Ino saltou de seu assento.
– Sugu! – ela disse sussurrando. – Meiko mencionou esse nome para mim hoje.
– Vamos esperar até falarem dos outros. – era só uma questão de tempo para isso. Com certeza havíamos pegados os caras certos.
– Se for o Martinez, diz para ele que se disser mais uma palavra dos meus óculos, quebro a cara dele. – o tal Sugu entrou falando, enquanto Yoda fechava a porta. Martinez riu um riso de deboche.
– Você não mudou, cara.
– Não faz muito tempo desde nossa última “reunião”. – Sugu continuou.
– Certo, só falta o Aloka. – ótimo, temos todos os nomes. Agora é só esperar pelas confissões involuntárias.
– E aí a bichinha do Yoda vai finalmente nos dizer por que nos chamou aqui. – Sugu continuou. Ele parecia ser o mais expressivo do grupo. O que dá a ele grandes chances de ser o líder e o mais perigoso. – Por acaso tem a ver com a putinha? – Ino fechou o punho ao meu lado e fez uma cara de raiva. Só podiam estar se referindo à criança.
– Vamos esperar até estarmos todos aqui para conversar sobre isso. – Yoda respondeu de um jeito nervoso.
– Ah qual é, Yoda, você sempre foi paranoico demais. – Martinez caçoou do parceiro de crime. – Sempre pensando estar sendo vigiado, sempre mijando nas calcinhas...
– Desculpe se eu trabalho na polícia e tenho receio de estar sendo monitorado, seus idiotas. – Yoda respondeu, irritado.
– Em primeiro lugar – Sugu o cortou – ninguém disse para você contar à putinha que trabalhava na polícia. Talvez você nos chamou aqui para contar que ela escapou e te denunciou na delegacia, seu bosta. – o tom dele havia ficado ameaçador. Yoda não respondeu. A campainha tocou.
Eu e Ino nem percebemos que o último integrante do grupo havia chegado. Com roupas desleixadas e cabelos até os ombros, com um tique na perna direita (que não parava de tremer), ele foi convidado a entrar.
– Finalmente, Aloka! – a voz de Martinez se fez presente. – Agora será que dá pra parar com a enrolação e nos contar por que nos chamou aqui, Yoda?
Fez-se um silêncio dentro da casa.
– Posso usar o banheiro antes? – uma voz infantil se fez presente. Imagino que deva ser do tal do Aloka.
– Vai logo, então. Você ainda está drogado, Aloka? – disse Sugu, enquanto os passos de Aloka eram ouvidos.
– Sabe, eu poderia ganhar um prestígio enorme na polícia se denunciasse os traficantes do Aloka. – ouvimos Yoda dizer, seguido de uma risada alta e debochada.
– Até parece, seu hipócrita de merda! Mal sabem eles o grande policial honesto que você é. – Sugu cuspiu em algum lugar.
– Deixando isso de lado, vamos ao que interessa? – ouvimos mais passos. – Aloka, pare de tremer a perna. Você e esses seus tiques.
– É uma doença, tá? – o homem falou com uma voz esganiçada.
– Pode ser o caralho a quatro, ainda é idiota. – Sugu disse novamente.
– Silêncio, vocês! – Martinez se fez presente. – Então, Yoda? Vai nos dizer o que estamos fazendo aqui?
– Sim, mas eu peço paciência...
– Desembucha logo, seu rato!
– Vamos... – a voz de Yoda estava hesitante. – Vamos ao porão.
O que? Por aquela eu não esperava. Porão? Eu não havia encontrado nenhum porão quando revistei a casa dele e instalei as escutas, como... como eu pude ter passado aquele detalhe despercebido? Olhei para Ino com uma expressão de horror e desculpas ao mesmo tempo, ela só retribuiu com o olhar de “que pena”. Ouvimos alguma coisa ser arrastada, e logo as vozes, junto com os passos, começaram a sumir, e a casa de Yoda estava silenciosa como um cemitério. Minha irritação era profunda e notável.
– Droga! Merda! – bati no volante, me amaldiçoando. Eu já havia feito esse tipo de missão várias vezes, e nunca havia deixado de procurar por passagens secretas. Eu deveria ter notado se havia alguma entrada para um porão ou um sótão, mesmo que estivesse debaixo de algum móvel pesado. Merda, estraguei tudo! Completamente tudo! Fui uma inútil! Não sei por que eu não fiz uma busca mais detalhada, eu nunca deixava passar os detalhes, nunca! Merda! – Merda!
– Acalme-se, Sakura. – Ino me dizia, mas eu estava com tanta raiva que poderia sair rua abaixo gritando. Eu nunca admitia erros meus em alguma missão. E esse havia sido um grande erro.
– Me acalmar? – virei-me para Ino, gritando. – Por causa da minha estupidez, aqueles caras estão confessando tudo agora! Poderíamos ter saído daqui com uma gravação completa, mas não iremos, porque a idiota aqui não vasculhou a casa inteira! Merda! – bati no volante novamente.
– Eu disse para se acalmar, foi um erro normal, o porão estava bem escondido.
– Não foi um erro normal, Ino! Eu nunca cometi erros antes, e por causa desse estúpido erro, estamos perdendo a parte mais importante da conversa! Merda!
– E se eu disser que nem tudo está perdido? – olhei para ela confusa. O que ela estava sugerindo?
– Ino, não podemos mais ouvir o que eles estão falando!
– Calma, testuda! Como você é cabeça-dura! – fiz um olhar tão assassino que estou surpresa por não ter conseguido explodir a cabeça dela mentalmente. Mas ela só sorriu de canto. – Meiko me disse que era confinada em um porão.
– Quer dizer que...
– Há grandes chances de o cativeiro dela ter sido bem aí. Além disso, ela falou que era muito longe da casa do Sasuke, e que lugar melhor se não na casa de um deles?
– Você pode estar certa, Ino. Mas mesmo assim, agora não podemos...
– Relaxa, Sakura! Essa não foi nossa única chance! Amanhã podemos vasculhar a casa de novo, e aí encontramos o porão e colocamos escutas. Simples! – Ino estava pegando muito leve com meu erro.
– E se eles não fizerem outra reunião dessas? E se combinarem em outro lugar? – Ino deu outro suspiro impaciente.
– Sakura, você é inteligente, põe seus miolos para funcionar! – ela gesticulou apontando para a própria cabeça. – Você acha que o Yoda convocaria uma reunião para falar sobre a Meiko se ele tivesse como objetivo não fazer nada a respeito disso? É óbvio que haverá outras! E pelo que falaram, esse parece ser o único esconderijo deles. Você acha que eles se arriscariam ficar se encontrando em vários outros lugares? Tá na cara que não! Só temos que ficar atentas e preparadas da próxima vez. Não precisa praticar harakiri * por causa disso!
– É, mas... – Ino não entendia o quanto eu estava frustrada. Não só por ter cometido um erro que eu nunca havia cometido antes, como também por estragar aquela parte da missão. – Ino, vamos perder uma conversa importante cheia de informações que poderiam ser nosso triunfo nesse caso!
– Testuda, eu já disse que podemos recuperar essas informações nas outras reniões que eles fizerem! Não adianta se punir por causa disso agora. Vamos usar as informações que já temos para contra atacar em dobro da próxima vez! – Ino exibia um sorriso, mas tenho certeza de que só estava tentando me animar. Burra, burra, burra! Por que eu havia errado? Por quê?
Era só isso que eu queria entender. O porquê do meu erro. Eu nunca havia feito isso antes, e por mais que Ino dizia que íamos consertar aquilo, eu só pensava nos testemunhos importantes que poderíamos estar coletando agora. Fiquei com cara emburrada no carro e não trocamos mais nenhuma palavra, até que depois de uma hora e meia, mais ou menos, ouvimos barulhos de algo sendo arrastado e de passos se aproximando.
– Eles terminaram! – Ino chamou minha atenção, e eu, ainda constrangida, torci para eles falarem mais alguma coisa.
– Provavelmente isso é só sua costumeira paranoia, Yoda, não se preocupe com isso. – ouvimos a voz de Martinez, seguida pelos passos dos outros.
– Não sei não, agora eu fiquei com medo também. – continuou Aloka.
– Você está sempre com medo, Lokinha. Parece uma donzela na noite de núpcias. – Sugu interveio. – Mas eu tenho que admitir que também fiquei com um pé atrás com isso.
– Sim, é por isso que essa reunião não foi perda de tempo! – por último, Yoda se manifestou, logo depois fazendo o barulho de móveis arrastando novamente. A entrada do porão devia estar debaixo de alguma mesa ou armário.
– Mesmo assim, temos que pensar com calma sobre isso, Yoda. – Martinez disse.
– Mas não podemos ser descuidados! – Yoda continuou, exaltado.
– Silêncio! – Sugu o cortou. – Não podemos agir precipitadamente. Vamos para nossas casas e pensaremos nisso com cuidado, Yoda, e terminamos de discutir em uma próxima reunião.
– Quando? Amanhã? – Yoda sugeriu.
– Não, amanhã eu vou à casa do meu primo na cidade vizinha. Só volto quarta de manhã. – Martinez opinou.
– Então quarta a noite! – Yoda disse.
– Eu tenho compromisso quarta a noite. – a voz esganiçada de Aloka se fez presente.
– Ainda está envolvido com aquela boca de tráfico, Aloka? – Sugu perguntou indignado. – Cara, do jeito que você é molenga, ou a polícia te pega, ou os caras lá te matam!
– Eu... – Aloka quis dizer algo, mas Yoda o interrompeu.
– Precisamos nos reunir de novo o quanto antes! Quinta a noite então!
– Quinta a noite não é seu horário de ronda noturna pela cidade, espertão? – Martinez caçoou Yoda.
– Merda! – ele praguejou, seguido por outros risos debochados. – Então que seja sexta a noite, no mesmo horário. Todos podem?
– É, né, senão a bichinha paranoica não sossega. – Sugu caçoou novamente, mas Yoda nada respondeu.
Yoda abriu a porta e conferiu se não havia ninguém na rua, e em seguida, os outros três saíram lá de dentro. Aloka e Sugu pegaram a descida da rua, e Martinez foi pela subida. Yoda deu uma última checada e trancou a porta, ligando a televisão em seguida para ver o noticiário.
– Bem, parece que não iremos conseguir mais nada deles essa noite. – Ino quebrou o silêncio.
– Poderíamos ter conseguido muito mais se eu não tivesse sido tão burra...
– Sakura, quer parar com isso? Já sabemos os nomes deles, e a data e hora para a próxima reunião.
– Sim, mas eles obviamente estavam conversando sobre alguma coisa importante, Ino! Parece que estavam planejando alguma coisa, mas não sabiam como agir... e por minha culpa, não sabemos do que se trata!
– Eles irão retomar esse assunto sexta a noite, então não se preocupe! – Ino tentava me acalmar. Sem sucesso. – E não se esqueça que agora temos mais suspeitos.
– Sim, amanhã descobrirei onde eles moram e também instalarei escutas. Descobrirei o que posso sobre eles e também encontrarei aquele maldito porão!
– Não quer ajuda nisso? Eu posso me encarregar de um deles.
– Você não tem um papel de babá a cumprir?
– Sakurita, você está falando com a Ino! Posso muito bem fritar o peixe enquanto vigio o gato! – ela piscou para mim, animada. Eu só estava muito agradecida por ter Ino aqui comigo. Se não, eu com certeza estaria muito nervosa e sem alguém que me fizesse sentir melhor.
– Bem, vamos então? – falei, ligando o carro.
– Sim, vamos. Estou doida por um chá de erva-doce. – Ino disse aquilo alongando os braços.
– Chá de erva-doce?
– Sim, parece que o Sasuke gosta de chás. Não sabia disso? – ela disse ao olhar minha expressão confusa.
– Não, eu... nunca vi ele tomando chá. E por favor, não...
– Não me peça isso, Sakurita. Vou continuar chamando-o de Sasuke. Eu te disse que isso não adianta, por mais que você tente evita-lo, não vai conseguir tirar o elefantinho rosa da cabeça enquanto não resolver seu assunto pendente com ele. – suspirei pesadamente e fiz uma cara emburrada. Por mais que eu odeie admitir isso, Ino estava certa.
– E o que você sugere então, sra. “Conselheira dos Casos Mal Resolvidos”? – falei sarcasticamente.
– Ora, o mais normal dessa situação. Primeiro, comece a chama-lo pelo nome. – dei uma risada cínica. – E depois – Ino me ignorou – tranque ele em uma sala e resolva tudo isso!
– Tudo isso o que, Ino?
– Sakurita, eu só sei uma parte do que aconteceu com vocês, então não posso te dizer o que falar. Mas eu sei tanto da sua parte quanto da dele que existem sentimentos mal resolvidos aí. Então se resolvam. Explique para ele a situação de vocês. E tente trata-lo como um cliente, não como alguém que você já viu nu. – espero que ela não tenha notado como meu rosto corou nesse momento. Droga, Sakura!
– Não sei, Ino. Ainda acho melhor eu só me afastar dele.
– Sakura, você é masoquista, por acaso? Quer resolver o caso não resolvendo o caso! Assim você só vai ficar com sentimentos de remorso e arrependimento! E eu sei que você não sente por ele esse ódio que está tentando transmitir.
– Você agora sabe o que eu sinto por ele, é?
– Eu não disse isso, Sakura. – ficamos em um silêncio tenso. – Eu só quis dizer pelo que Sasuke deixou a entender...
– Quê? O que o Uchiha deixou a entender? – eu havia freado bruscamente mais uma vez. Essa conversa estava demorando muito, e a casa do moreno nem estava tão distante assim.
– Nada que não dê para perceber só de olhar! – ela respondeu irritada. – Enfim, o que eu percebi disso é que claramente você e ele precisam ser sinceros um com o outro e resolver a melhor maneira de terminarem essa relação. Porque sinceramente, eu acho que ele está tentando te alcançar, e você está fugindo da pior maneira.
– Não estou fugindo!
– Pois parece que está! – nesse ponto, havíamos gritado uma com a outra. Eu estava com tanta raiva de Ino, e ver ela repetindo as palavras daquele moreno só me fez ficar mais puta. Você está fugindo. Ainda sinto-as ecoar com a voz dele na minha cabeça.
Parei o carro em frente ao condomínio, mas Ino não se mexeu. Ao invés disso, olhou para mim (olhar que não correspondi) e começou a falar:
– Eu não sei o que vocês disseram um para o outro antes de se separarem, mas isso claramente está afetando a relação de vocês agora e consequentemente, a missão. Não sei se vocês brigaram, não sei se prometeram fugir juntos, não sei se transaram, não sei se dançaram a Macarena. Mas eu sei que vocês precisam resolver isso. E como são dois adultos, podem fazer isso sem ajuda, não é? E de um jeito maduro, de preferência.
Não respondi. Apenas fiquei olhando emburrada para o outro lado.
– Sakurita, você sabe que eu te amo. – ela disse cansada. – E sabe que eu odeio te ver assim. E que você mesma odeia se ver assim. Então não resolva isso como se fosse uma obrigação, resolva isso para poder ficar em paz consigo mesma. – Ino terminou de falar em um tom gentil e eu, vagarosamente, me virei para ela.
– Também te amo, porquinha. – ela me abraçou. Ino era a única pessoa para quem eu já disse “eu te amo”. E eu sei que ela era a única capaz de me convencer a fazer algo abominável.
– Promete que vai falar com ele? – revirei os olhos. – Prometa, testuda.
– Tá, tá. Vou ver o que posso fazer. – ela abriu um enorme sorriso e saiu do carro, não sem antes dizer: – Ah, e pode deixar o Sugu comigo.
– Não se preocupe, quero compensar por meu erro essa noite. Eu consigo cuidar dos três. Só divirta-se com a menininha.
– Tá bom, e não se esqueça do elefantinho cor-de-rosa!
– Tá, Ino! – já percebi que ela não ia largar do meu pé enquanto eu não desse um jeito no elefant... quer dizer, naquele moreno. Ah, droga! Agora por culpa dela, eu não tinha escolha!
Ino entrou no condomínio e fui para casa com o peso da promessa que havia feito a ela. Eu iria conversar com o Uchiha. Só mesmo a Ino para me convencer a fazer aquilo que eu mais estava evitando. E eu sei que ela não iria me deixar em paz até eu ter me “resolvido” com ele. Ai, droga, por que ela tinha que ser tão complicada? Ou melhor, por que eu tinha que ser tão complicada? Por que aquele moreno tinha que causar isso em mim? E por que quanto mais eu não pensava no elefantinho cor-de-rosa, mais eu me lembrava dele?
Ah, merda. Uchiha, a culpa é toda sua. Tá, eu aceito essa missão suicida, eu converso com você. Merda, sinto que não ia sair nada de bom dessa conversa. Eu nem sabia o que falar! Nem sabia o que eu queria falar! Pior, não sabia o que ele teria para me falar! “Sentimentos não-resolvidos”... Ino, admito que você tinha lábia. E ainda por cima, amanhã terei que seguir mais três homens, invadir a casa de todos e ainda descobrir onde era o porão. É, não sei o que seria mais difícil: fazer isso em menos de 24 horas ou encarar o Uchiha a sós. Maldito moreno. Dei um longo suspiro, desejei sorte a mim mesma e voltei ao meu apartamento no centro de Konoha.
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Sasuke’s POV
A loira voltou para casa por volta das 23h30. Gata estava dormindo faz tempo, mas eu estava bem acordado. Fiquei esperando ouvir o barulho do portão quando ela chegasse, mas ao invés disso quase tive um ataque cardíaco quando a flagrei entrando pela janela da sala.
– Qual é o problema de vocês, Wings? – eu gritei depois de ter me recuperado do susto. – Não conseguem entrar como pessoas normais? E nem é a casa de vocês! – continuei gritando, enquanto a loira só me olhava como se eu fosse louco.
– Ei Sasuke, calma! Entrei pela janela porque tinha umas pessoas na frente da sua casa e acho que ia chamar atenção se me vissem entrando! – ela tentou se justificar, mas tenho certeza de que estava se divertindo com a situação. – E espera aí, você disse “nem é a casa de vocês”, no plural.
– O que? Eu não disse isso. – tentei disfarçar, mas a loira me olhava acusadoramente. Nem eu percebi que havia cometido essa gafe, mas diferente do que eu esperava, ela não deixou passar.
– Sim, você disse. Por acaso estava falando da Sakura? – ela me olhou como se estivéssemos na escola e ela tivesse descoberto a garota de quem eu gostava. E depois ela começou a rir alto.
– Ei, você vai acordar a Gata!
– Era você quem estava gritando agora há pouco. Mas me conta sobre isso, a Sakura entrava na sua casa pela janela? – ela parecia estar se divertindo muito com isso.
– Não era sempre, foi só uma vez! – tentei me justificar, mas ela ria mais ainda. – Aquela apressadinha não esperou eu atender a porta e resolveu invadir. – falei irritado, me lembrando daquele dia.
A loira ainda estava se divertindo.
– Parece que você e a Sakura realmente tem umas poucas e boas para contar.
– O que quis dizer com isso? – falei ameaçadoramente olhando para a loira, que agora me encarava com... seria gentileza?
– Você tem que se resolver com ela. – ela simplesmente falou. Eu não entendi.
– Resolver...?
– Sasuke, eu sei que você é inteligente e menos cabeça-dura que a Sakurita. A história de vocês ainda não acabou.
– E o que você sabe sobre isso? Para quantos infernos diferentes aquele cabelo de algodão-doce me mandou? – o que a loira falou havia me irritado. Eu sabia que ainda tinha muita coisa que eu queria conversar com Sakura. Mas eu não sabia exatamente o quê. Não sabia nem o que nós éramos um do outro.
– Calminha, não precisa descontar em mim. Você e a Sakura são tão difíceis de lidar... – ela falou levantando as mãos. – Saiba que hoje ela nem te amaldiçoou muito. – soltei um riso de escárnio. – Converse com ela.
– Como assim conversar?
– Eu já falei isso para ela. – ela me cortou. – Você precisa fazer ela te encarar para decidirem o melhor jeito de acabarem com isso. – fiquei olhando para ela, pensativo, sem saber o que responder. – Bem, então, se me der licença, eu vou tomar um banho e dormir.
– Espere. – ela parou de andar. – Como foi hoje? Vocês descobriram alguma coisa? – percebi que ela notou meu olhar ansioso.
– Posso dizer que fizemos um avanço.
– E o que desobriram? – cheguei mais perto dela para pressioná-la, mas ela só se afastou.
– Desculpe, Sasuke, mas você é só o cliente, e está envolvido demais com o motivo dessa missão. Não posso liberar os dados para você.
– Mas...
– É regra. – a voz dela me fez pensar que eu não iria conseguir arrancar mais nada. – Eu sei que você está preocupado, mas agora precisamos nos focar na missão. Preocupações de uma terceira parte ia dificultar o processo. Quando resolvermos tudo, você ficará sabendo, tá? – e deu outro de seus sorrisos gentis. – Boa noite. Não se esqueça de falar com a Sakura.
E ela saiu da sala, me deixando sozinho com meus pensamentos. Conversar com a Sakura, não é? Isso não seria uma má ideia... me joguei no sofá, no mesmo sofá que transamos aquele dia. Fiquei olhando para o teto e me lembrando de coisas bestas.
Apesar de ter receio disso, sinto que conversar com Sakura seria a melhor abordagem para eu terminar logo com aquilo. Com a ansiedade que ela me causa toda vez que a vejo, com a raiva que fico toda vez que ela me ignora. Conversar com ela seria o ideal, apesar de assustador... mas como eu a convencia disso? Como eu a faria ouvir todas as minhas palavras? Palavras que nem mesmo eu sei quais são...
**
Acordei na manhã seguinte com a voz da Gata.
– Sasuke! Sasuke! Você não tem que trabalhar hoje? – acordei sonolento e irritado.
Quando vi o rosto da garotinha me encarando, levantei de um salto e percebi que eu havia dormido no sofá a noite passada, ou seja, não pude ouvir o despertador tocar... o que significa que...
– Merda. – murmurei enquanto corria escada acima para me trocar e escovar os dentes. Não queria saber quantos minutos eu estava atrasado, só não queria aumenta-los. Encontrei a loira descendo a escada com uma cara de sono.
– Bom dia Sasuke, por que está correndo? – ela perguntou enquanto eu passava por ela como um jato.
– Estou atrasado, não deu pra perceber? – eu não tinha tempo para gentilezas. Ela começou a rir.
– Não se preocupe, você não está atrasado. Seu despertador me acordou junto com a Gata e ela foi te acordar.
Ah. Mas então...
– Não estou atrasado? – falei ofegante, olhando para ela.
– Talvez uns 5 minutos. – ela falou dando de ombros, mas eu dei um grande suspiro de alívio. Por algum motivo, aquilo foi engraçado para ela. – Dormiu no sofá, Sasuke?
– Cala a boca. – fechei a porta bloqueando o som da risada dela e fui tomar um banho.
Não acredito que eu havia me deixado levar e acabei dormindo no sofá. Isso explica a dor que estava sentindo nas costas agora. Merda, tudo isso era culpa da Sakura. E da loira também. Uma não saía da minha cabeça, a outra me incentivava a pensar nela com aquele papo de “vocês tem que conversar”. É claro que tínhamos que conversar, o problema era aquela rosada irritante, que sempre que me via, fugia como o diabo foge da cruz. Como eu consigo conversar com uma pessoa que nem sequer quer falar meu nome?
Fechei os olhos e dei um pequeno soco na parede, enquanto a água fria escorria por meu corpo, e eu esperava que ela levasse também esses pensamentos.
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Ino’s POV
Depois de Sasuke ter ido trabalhar, perguntei à Gata se ela não queria sair para brincar em um parquinho que eu havia visto ontem perto do shopping. Ela gritou “oba!”, foi se trocar (vestiu uma das roupas que compramos ontem) e eu dirigi com um carro alugado até uma grande praça no centro de Konoha, rodeada por alguns prédios e algumas lojas.
De minutos em minutos, eu observava os arredores, para ver se não havia ninguém suspeito por perto. Agora que eu e Sakura já sabíamos os nomes e aparências dos quatro filhos da puta, ficava mais fácil identificar o perigo. Como o movimento da praça se restringia às mães com suas crianças e velhinhos alimentando pombinhas, não observei nada de suspeito. Senti meu celular vibrar no bolso da calça, peguei e percebi que era Tsunade. Achei mesmo que estava demorando para ela ligar.
– Bom dia, mestra. – atendi simpática.
– Ino, filha, pode conversar agora? – veio a voz dela do outro lado da linha.
– Sim, manda ver.
– Como está em Konoha? Já que Sasuke Uchiha é um cliente novo, queria saber como estão lidando com ele e com a missão. – eu até já sabia onde ela iria chegar.
– Ah, está tudo bem, Tsunade-sama. Eu e Sakura estávamos trabalhando juntas, fizemos bastante progresso e estamos aguardando o próximo movimento dos alvos.
– Que vocês com certeza já sabem qual é. – eu podia senti-la sorrindo de orgulho do outro lado da linha.
– Sim, com certeza. – sorri também. Sucesso nas missões era o que mais deixava Tsunade orgulhosa de nós.
– Mas partindo agora a um assunto mais delicado... – eu sabia – como Sakura está lidando com o Uchiha? – a voz dela havia voltado a ficar séria. Tsunade havia me encarregado de ficar de olho em Sakura para impedir que ela não deixasse sentimentos pessoais interferirem no relacionamento profissional deles.
– No começo estava mais difícil, mas agora ela está se acalmando. – era difícil mentir para Tsunade, ela sempre desconfiava. Por isso, o máximo que eu podia fazer para proteger minha amiga era contar a verdade em partes.
– Espero que ela não tenha passado dos limites de alguma forma.
– Não se preocupe, Tsunade-sama. Sakura está bem controlada. Eu estou garantindo isso. Nada que Sasuke faça ou diga a impede de fazer seu trabalho. – falei aquilo com a maior convicção que consegui.
– Isso é bom. Fico contente por tudo estar indo bem. Vocês tem previsão para retorno? Combinei com Shikamaru de ele dar um curso a vocês de expressões corporais e faciais para ajudar a identificar mentiras e segredos. Eu devia ter feito isso há muito tempo já. – cursos ensinados por Shikamaru eram difíceis, mas sempre eram interessantes.
– Ficaremos aqui essa semana, mas acredito que na outra já teremos resolvido tudo.
– Ótimo, então. Façam um bom trabalho. Até o retorno.
– Até o retorno, Tsunade-sama.
Desliguei e Gata veio até mim dizendo que estava com fome, e percebi que já passavam das 11h30. Perguntei se ela queria almoçar no restaurante de massas que havíamos visto no shopping ontem e ela acenou positivamente.
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Voltamos para a casa de Sasuke, e ela pegou algumas folhas e canetas para desenhar. Chequei meu celular e percebi que havia uma mensagem de Sakura. Ontem ela ficou tão encanada por não ter encontrado o porão na casa do Yoda que resolveu se punir seguindo todos os integrantes ao mesmo tempo hoje. Eu disse que se ela precisasse de ajuda, podia me ligar, mas só havia aqui uma mísera mensagem:
Câmeras instaladas, casas revistadas. Temos os quatro na mira. Parece que não farão nada suspeito até a próxima reuniãozinha deles, que a propósito, mudou para sábado a noite. Parece que Yoda fará hora extra na ronda noturna da sexta. Eu consegui vários dados de cada um deles, será que você poderia me ajudar a analisa-los? Eu faria isso sozinha para não te atrapalhar, mas Tsunade-sama prefere que análises sejam feitas em grupo e sua companhia seria de muita ajuda.
Até que era uma grande mensagem vinda da testuda. Respondi.
Certo, amanhã Meiko vai brincar na casa de alguns amiguinhos, então podemos ficar a tarde inteira nisso. Eu te dou um toque quando estiver disponível. Além disso, já se decidiu sobre a operação codinome “elefantinho cor-de-rosa”?
A resposta veio mais rápido do que eu esperava.
Vá se catar.
Dei um suspiro e um sorriso triste. Sakura não tinha jeito mesmo. Mas tanto eu como ela sabíamos que ela não podia escapar disso por muito mais tempo. Suspirei pensando no que fazer em seguida, andando pelo corredor da casa. Foi só então que reparei em um pedaço de papel junto com um envelope no aparador próximo à escada.
O papel era muito bonito, em um tom de bege opaco, com palavras escritas graciosamente em preto. O papel estava com marcas de dobra e estava fora do envelope. Com certeza era alguma carta importante para Sasuke. Desviei o olhar rápido. Ler a correspondência dos outros era crime. Mas desde quando eu seguia a lei? Virei-me vagarosamente para a carta de novo. Estava fora do envelope, havia sido deslacrada. Sasuke já havia lido. Se fosse algo embaraçoso, ele não deixaria o conteúdo jogado por aí, né? Então não tem problema se eu olhar. Mas ainda assim, era assunto dele, era particular. Mas o papel era tão bonito...
Aaah, droga. Curiosidade, você venceu. Peguei a carta com cuidado e comecei a ler. Era um convite:
Os senhores Fugaku Uchiha e Mikoto Uchiha, juntamente com os senhores Ryouhei Sawada e Karen Sawada têm o orgulho de convidarem familiares e amigos a participarem de um momento especial na vida de seus filhos.
É com muita alegria que Itachi Uchiha e Konan Sawada realizam sua cerimônia de casamento e tem a honra de aguardarem sua presença como convidado especial nessa data tão importante.
Dia: 15 de Julho
Horário: 10:00 horas – cerimônia de matrimônio;
12:00 horas – almoço e festa de celebração
Local: Mansão Uchiha
Contamos com sua presença.
Estava endereçado a Sasuke (obviamente) e ainda mostrava a foto dos noivos do lado direito do convite. Também vinha com outro papel pedindo para confirmar presença até dia 15 de junho. Então era isso. O irmão mais velho de Sasuke iria se casar. Olhando para a foto dele com a noiva no convite, admito que, assim como o irmãozinho, ele era um belo pedaço de mau caminho. Mas algo nos olhos dele era diferente. Ele parecia mais sério e mais cansado do que Sasuke, os cabelos não eram arrepiados e sua expressão era de a de um verdadeiro homem de negócios, enquanto Sasuke ainda conseguia disfarçar com seu jeito mais juvenil. A noiva dele, a tal de Konan, também era muito bonita e um tanto ousada. Cabelos azuis, olhos cor de cobre e piercing no lábio, sorrindo inocentemente.
Me pergunto o que Sasuke achava daquele casamento. Será que gostaria de ver o irmão feliz, e assim como ele, esperava se casar um dia? Ou será que pensava em tudo isso como uma perda de tempo e encheção de saco? Se bem que aposto que essa festa seria coberta por todos os jornais do país. Não era todo dia que um herdeiro de uma das empresas mais importantes do país se casava. Bem, realmente, foi só um ato de curiosidade, e graças a ele, descobri sobre um casamento. Pelo menos não era uma carta, sei lá, intimando Sasuke a comparecer no tribunal ou convidando-o a participar de uma seita secreta. Às vezes eu tenho cada ideia...
No final da tarde, Meiko me mostrou seus desenhos infantis e eu a elogiei. Ela foi tomar banho e eu resolvi fazer a janta. Acho que isso mostraria a Sasuke que ele não precisava ser tão inseguro perto de mim. Quando ele chegou (lá pelas 19h) eu estava quase terminando de cozinhar.
– Que cheiro é esse? – ele perguntou indo até cozinha.
– Ah, boa noite. – respondi animada. Eu adorava cozinhar. – Pensei que você chegaria cansado, então resolvi fazer a janta de hoje. – ele olhou para os pratos semi-prontos em cima do fogão e fez uma cara de surpresa.
– Você fez? – perguntou suspeito. Por que era tão difícil de acreditar?
– Sim. Você não gostou? – perguntei já decepcionada.
– Não, é só que... não esperava por isso. Obrigado, eu estou mesmo cansado. Comer isso vai me animar. – meu sorriso voltou enquanto ele subia para tomar banho e eu terminava minha culinária.
Jantamos juntos naquela noite, eu, Gata e Sasuke. Gata era quem mais falava, contando a Sasuke nossas aventuras do dia. Ele ficou meio inseguro quando ela disse que iria brincar na casa de uma nova amiguinha amanhã, mas eu o tranquilizei dizendo que ele não precisava se preocupar.
– Até pensaram que a Ino fosse minha mãe! – ela falava aquilo animadamente. Desculpe, garotinha. Apesar de gostar da ideia, eu nunca serei mamãe enquanto viver sob o mesmo teto de Tsunade.
Depois de jantar, Gata foi assistir a algum programa na televisão e Sasuke insistiu em me ajudar a arrumar a cozinha.
– Pensei que estivesse cansado. Não precisa me ajudar.
– Tudo bem. É um agradecimento por ter feito a janta. – ele respondeu. Sinceramente, o que a Sakura estava esperando para se resolver com ele? Ele claramente não era uma má pessoa e parecia se importar com os outros.
– Ino. – me surpreendi quando ele chamou meu nome. Virei-me para encará-lo. – Você conhece a Sakura melhor do que ninguém. – ele começou hesitante. Então era sobre isso. Finalmente alguém com bom senso para admitir que essa relação precisava de conserto.
– Sasuke, eu sei que a Sakura é difícil de lidar. Mas acredite, ela também está com muita coisa presa dentro dela. Por isso vocês precisam...
– O problema é que ela está me evitando. – ele me cortou. – Desde o primeiro dia ela tem sido hostil comigo e hoje tentei ligar várias vezes, mas ela não atendeu em nenhuma.
– Você ligou para ela? – perguntei confusa. Por que Sakura não tinha me dito isso? E como ele... – Como você arrumou o número dela? É um número exclusivo para comunicações nas missões. – ele virou o rosto.
– Eu posso ter anotado do seu celular enquanto você tomava banho. – ele falou aquilo rápido e em voz baixa, provavelmente esperando que eu avançasse nele com uma faca. Bem, eu não era Sakura.
– Aleluia! – eu disse alto, ele se virou confuso. – Finalmente alguém de vocês dois tomou a iniciativa de falar com o outro.
– É, mas não adianta nada se ela continuar me ignorando. – ele disse frustrado.
– Não se preocupe, Sasuke. Sakura me prometeu que falaria com você. Ela só deve estar confusa agora.
– Eu também estou confuso! Eu não sei o que fazer com ela. Não sei se passo a ignorá-la também, não sei se paro de me importar, não sei tento uma reconciliação... – fiquei com pena naquele momento, mas precisava ser dito.
– Sasuke, enquanto Sakura for uma Wing, vocês dois não tem a menor chance de ficarem juntos. – ele me olhou. – Desculpe, mas não podemos nos casar, nem morar fora da base de Tsunade. Sem contar que temos vários tipos de “compromissos”.
– Eu sei disso! – ele estava nervoso. Fiquei com receio de fazer a próxima pergunta.
– Você não ama ela... ama? – pelo bem dele e dela, essa resposta tinha que ser “não”.
– Não a amo, mas... eu sinto por ela algo diferente. Não sei explicar. – ele parecia desconfortável falando sobre isso para mim. – Ela me interessa de um jeito que nenhuma outra interessou. Ela tem esse ar de mistério, perigo e beleza que me faz ficar pensando nela. Eu vejo algo diferente nela, e eu não consigo saber o que é. Acho que é por isso que eu... gosto de ficar com ela. – certo, aquilo era bem mais complicado do que eu esperava.
– Vocês dois precisam conversar urgentemente. Você é inteligente, vai conseguir fazê-la te ouvir. Mas você precisa descobrir logo o que são esses sentimentos para poderem resolver a melhor maneira de superá-los. Desculpe pelas coisas não correrem do jeito que você quer...
– Não é sua culpa. Nem eu sei exatamente como quero que elas terminem... – ficamos em silêncio por um tempo. A louça estava lavada e a cozinha, arrumada.
– Olha, eu sei que a Sakura ainda sente algo por você. Está bem disfarçado, mas está lá. – falei por fim, fazendo-o me olhar. – É só... ela também sabe que isso não pode dar certo, e acho que isso a assusta, então ela prefere ignorar, como se fazendo isso ela fosse esquecer tudo em um passe de mágica, mesmo ela sabendo que mágica não existe.
– Sua amiga é a pessoa mais complicada da face da terra. – ele deu um suspiro.
– Mas você é o único que pode fazê-la perceber e admitir como se sente. Por isso você precisa dar um jeito de conversar com ela. – falei enérgica, incentivando-o.
– Mas...
– Mas nada, Sasuke. Você não é um homem? – ele revirou os olhos como se minha fala fosse a coisa mais óbvia e clichê da face da terra. Não me dei por vencida. – Você não é um homem que chama atenção? – obriguei-o a olhar para mim, segurando seus ombros e o encarando. Ele se assustou com meu gesto, mas me ouviu até o final. – Não é alguém que consegue ser ouvido sem falar? Não é um homem que faz as cabeças das pessoas virarem na rua? Não é alguém que impõe respeito? Não é? – falei a última parte mais alto, sacudindo-o um pouco. Eu diria que a cena estava engraçada. – Você não é um homem sério? É um homem ou um saquinho de pipoca? Hã?
– Um... homem? – ele respondeu receoso e com medo, como se duvidasse da minha pergunta. Dei tapas em seus ombros com minhas mãos e apontei um dedo para o seu rosto. – Então você sabe o que fazer: vá atrás da Sakura e faça-a te ouvir. E resolvam esses sentimentos mal acabados por bem ou por mal, tá me ouvindo, mocinho? – eu falava séria, mas agora ele me olhava de um jeito divertido, como se quisesse rir.
– Tá bom. – e ele começou a rir.
– Não ria, estou falando sério. – e eu estava.
– Eu sei. Obrigado Ino. Você é tão doida como a Sakura, mas me incentivou. Vou falar com ela. – ótimo, mais uma fase da operação “elefantinho cor-de-rosa” completada! Sasuke se virou para o corredor.
– Ah, Sasuke. – ele se virou, ainda com o olhar divertido.
– Não se esqueça de resolver a situação de modo que vocês deixem tudo para trás. – foi cruel falar isso, e mais cruel ainda ver o sorriso dele sumir e o olhar de frustração aparecer. Mas ele afirmou com a cabeça, pois também estava ciente daquilo. Ele e Sakura não poderiam ficar juntos para sempre.
And I told you to be patient
And I told you to be fine
And I told you to be balanced
And I told you to be kind
And in the morning I'll be with you
But it will be a different "kind"
'Cause I'll be holding all the tickets
And you'll be owning all the fines
E eu te disse para ser paciente
E eu te disse para ficar bem
E eu te disse para ser equilibrado
E eu te disse para ser gentil
E de manhã, estarei com você
Mas será de um jeito diferente
Porque estarei segurando todos os tickets
E você terá assumido todas as dívidas
Birdy – Skinny Love
Notas finais
Não encontrei registro sobre os nomes dos pais de Konan ou seu sobrenome, então inventei hehe.
O que acharam do capítulo? Estou planejando várias coisas, espero que dê certo hehe. Até o próximo ;)
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