Broken Wing - Aprendendo A Voar

23 Capítulo 23 - Desejo Despertado


Notas iniciais
Capítulo menor, mas os outros serão mais desenvolvidos. Boa leitura :)

Esperamos uns 30 segundos na varanda bem iluminada e de boa vista da casa, com Sakura olhando seu relógio impacientemente e continuando a mascar seu chiclete e eu ao lado de minhas malas, observando os arredores. Até que a porta da frente se abriu e aquele que tenho certeza ser Sasuke Uchiha andou em nossa direção.

Sasuke’s POV

Eu deixei a Gata tomando banho enquanto fui atender a irritada da Sakura e a “amiga” dela. Eu ainda não sei como esse negócio de ter uma Wing como babá de uma criança traumatizada funcionaria, e se tinha uma parte de Sakura que me fazia agir com cautela, era a parte de ela ser uma Wing treinada para matar. Quando ela disse “Ino também sabe invadir casas, e melhor do que eu” eu soube que aquela ideia não tinha sido nada boa.

Eu já havia visto outras Wings além de Sakura (como a Kurenai) e várias outras que ficavam entrando na casa dos meus pais na época em que estávamos procurando por Sakura, e o que todas tinham de beleza também tinham de perigo. Eu não estava contente com essa situação. E ainda mais sendo amiga de Sakura, imagino que deva ser uma louca ainda mais assustadora do que a rosada, que anda com uma metralhadora escondida debaixo da saia.

Tá, posso estar exagerando, mas foi nisso que eu pensei enquanto ia recebe-las. Abri a porta e encontrei a rosada olhando para o relógio (possivelmente para me evitar) e uma outra mulher um pouco mais alta do que ela olhando para todos os lados distraída.

– Demorou, Uchiha. – a rosada me encarou, sem expressão. – Seja um bom anfitrião e leve as coisas da Ino para dentro. – ela me jogou algumas malas, e enquanto eu as pegava de surpresa, pegou a tal de Ino pela mão e começou a leva-la para dentro da minha casa. Sem convite.

Entrei com umas cinco malas diferentes, depositando-as no hall de entrada, finalmente podendo respirar para encarar as duas figuras à minha frente. Sakura, vestida de preto novamente, seu cabelo rosa preso em um rabo de cavalo e seus olhos verdes contrastando com a pele clara e lisa e uma cara de quem estava ali contra a vontade. E ao lado dela...

– Oi, prazer! Eu sou a Ino, você deve ser o Sasuke! – com a voz fina e animada demais para aquela situação, a garota me estendeu a mão, e eu, hesitantemente, apertei. – Pode apertar, Uchiha, eu não mordo. – ela sacudiu minha mão alegremente.

Ela era um pouco mais alta do que a rosada. Cabelos lisos, muito loiros e muito compridos presos em um grande rabo de cavalo, deixando a franja cobrir inteiramente um de seus olhos azuis claros. Seu rosto era animado e ela era muito bonita, com um corpo atraente até demais em roupas de menos. Ela não usava nada mais do que uma blusinha roxa que ia até abaixo dos seios, deixando a barriga à mostra, uma minissaia também roxa, e nos pés, um tênis all-star de cano alto também roxo. Achei aquilo um pouco vulgar para uma babá, mas o sorriso feliz que ela me mostrava parecia me impedir de reclamar.

Murmurei um “oi” e fiquei parado ali, observando a cena, sem saber o que fazer em seguida. Ouvi barulhos de passos e me deparei com a Gata descendo as escadas, descalça e com outra de minhas camisetas. Sakura a encarou como se ela tivesse uma doença. A loira olhou para ela em um misto de horror e diversão.

– Sakura, você voltou! – a garotinha disse animada, olhando para a outra. – E você é...

– Essa é a Ino, Meiko. Lembra que eu te disse que ia arrumar alguém para brincar com você quando eu fosse trabalhar? É essa moça aqui. – finalmente consegui falar algo, e Gata olhou para Ino com os olhinhos brilhando.

– É mesmo?

– É mesmo, Meiko-chan. – a loira se abaixou para ficar na mesma altura que a Gata e disse, sorrindo e animada: – Vai querer brincar comigo?

– Claro que vou! Quando você quer brincar? – ela se animou ainda mais.

– Agora não. – Sakura cortou a conversa. – Quer dizer, agora eu, a tia Ino e o tio Uchiha vamos ter que conversar um pouco, então depois vocês brincam, tá? – ela continuou em um modo mais gentil, que pareceu contentar a Gata.

– Tá. E me chamem de Gata. – ela voltou a subir as escadas, me deixando sozinho de novo com as duas. Por algum motivo, eu estava tenso. A loira virou para mim muito de repente e começou a falar.

– Que toalha de mesa você deu para a pobre menina vestir, Uchiha? – ela aperguntou indignada. Estou com medo de responder, esperando que ela tire a metralhadora de debaixo da saia.

– Eu não tenho roupas para ela. – tentei me justificar. – E as pessoas na cidade me conhecem, se eu saísse para comprar, ia chamar atenção. – o que era verdade! Sakura rolou os olhos como se não se importasse.

– Nem calcinhas ela tem, então? – a loira continuou, irritada. Não quero responder isso.

– Depois vocês discutem sobre isso. – Sakura, por incrível que pareça, me salvou. – Agora há outras coisas para falar. Uchiha? – ela olhou para mim.

– O que? – rolou os olhos mais uma vez como se me achasse um caso perdido e continuou.

– Vai nos convidar a ir para a sala ou vai querer ficar conversando em pé? – sempre simpática. Indiquei a sala com um olhar de desgosto e as duas sentaram em um dos sofás. Bem naquele onde eu e Sakura transamos uma vez. Me pergunto se ela também se lembrou disso.

– Sasuke, você tem que me apresentar a casa depois. E o quarto onde vou dormir. – a loira não perdia a animação.

– É, sobre isso... – eu comecei falando, sentando-me no outro sofá. – Não acho uma boa ideia você dormir aqui. – Não me bata, não me bata, não me bata.

– Ué, e por que não? – ela parecia mais confusa do que brava. Ótimo.

– Porque... é estranho. – foi tudo o que eu consegui dizer. Sakura deu um riso de escárnio.

– Se suas prostitutas dormem aqui, Uchiha, tenho certeza de que com a Ino, não haverá problema.

– O que você quis dizer com isso? – falamos eu e a loira ao mesmo tempo. Pelo visto eu até posso me dar bem com ela. Talvez...

Sakura rolou os olhos novamente. Aquilo estava me irritando. Ela olhou para mim.

– Ino não vai cair no seu charminho, então não tem perigo de qualquer relacionamento não profissional. E já que ela vai passar a manhã e a tarde aqui enquanto você trabalha, é mais fácil passar a noite também. Além disso, ela vai poder vigiar a menina em tempo integral caso algo aconteça.

– Algo?

– E vai haver noites que ela nem vai dormir aqui, e sim me acompanhar na perseguição dos suspeitos. – ela havia me ignorado, e ao mesmo tempo me convencido a aceitar a loira na minha casa. Sakura não estava para brincadeiras.

– Tá... mas ninguém pode saber. – acrescentei de imediato.

– Sério? Porque nós já fizemos questão de anunciar isso em um alto falante! – ela disse sarcástica. Aquilo estava começando a me irritar.

– Sakurita, seja mais boazinha. – a loira pediu.

– Não me chame de Sakurita, Ino-porca. – a rosada havia revidado.

– Quem é porca, sua testuda? – ai meu Deus, elas iam se matar.

– Ah, chega! Só não me chame de Sakurita. – Sakura emburrou e desviou o olhar da loira, que por sua vez olhou para mim.

– Que cara é essa, Uchiha, viu fantasma? – não, mas eu estava preparado para fugir se alguma de vocês sacasse uma arma. – E a propósito, posso te chamar de Sasuke? – ela perguntou animada de novo.

– Pode. – Sakura deu outro suspiro sarcástico. Por que de repente ela odiava meu nome?

– Bom, agora, pra acabar logo com isso, vamos conversar sobre negócios. – ela olhou para mim e a loira fez uma cara séria. Aquilo foi algo novo.

– Está falando do...

– Kenji Yoda. Sim, eu o segui o dia inteiro. Quando sair daqui, continuarei.

– Posso ir junto? – a loira perguntou.

– Você nem guardou suas malas e já quer vir junto? – Sakura começou brava novamente. Ai Deus.

– Não briguem, por favor. – eu disse de modo estúpido, e me senti mais estúpido ainda quando elas me olharam.

– Não se preocupe, isso é normal. – o sorriso nunca saía do rosto dessa Ino? – Mas a Sakura tem razão. É melhor eu me ajeitar aqui antes, conhecer sua casa e a Meiko.

– Chame ela de Gata. Ela não aceita outro nome.

– Por que Gata? – a loira era curiosa.

– Longa história. – eu simplesmente respondi.

– Hã-ham. – Sakura forçou uma tosse para chamar atenção. – Kenji Yoda, por favor. – começamos a ouvi-la. – O que eu descobri foi pouco, mas acho que é um bom começo. Foi ele quem se encarregou do caso do assassinato dos pais da criança, que parece ter sido motivado por uma dívida que os assassinos tinham com o pai dela. No entanto, ele negligenciou todos os testemunhos de vizinhos e praticamente empurrou o caso para ser arquivado, mostrando também zero interesse em encontrar a menina, na época “desaparecida”. Além disso, ele tem uma pequena ficha na polícia por excesso de velocidade no carro e por ter sido pego em um clube de strip ilegal. Ele também mora sozinho, em uma velha casa afastada do centro. Conversei com alguns vizinhos e...

Sakura continuava falando e falando, absorta no assunto. Eu comecei prestando atenção nas palavras dela, mas logo me peguei observando os lábios de onde elas saiam e devo ter me perdido ali. Eles eram naturalmente rosados e carnudos, não sei por que eu nunca tinha reparado nisso antes. E então me lembrei da primeira vez quando os meus lábios tocaram os dela. Depois disso, comecei a reparar nas outras feições de seu rosto delicado. As bochechas pálidas, a pele clara e sem marcas, os olhos tão verdes e tão ferozes, sem nenhuma maquiagem, o cabelo incomum preso em um simples rabo-de-cavalo. E logo me vi saindo de seu rosto e percorrendo seu corpo sentado no sofá. A blusa preta de mangas escondia as clavículas e disfarçava o tamanho dos seios, mas eu me lembrava exatamente de quão delicados e perfeitamente redondos eles eram, com os mamilos róseos eriçando-se a cada toque meu. Percorri seus braços finos, mas carregados de força e reparei nas unhas bem cuidadas. As coxas torneadas apoiadas no sofá também me...

– Uchiha! – arregalei os olhos e a olhei confuso e surpreso. Merda, me distraí. Em minha defesa, a culpa foi dela. – Se for para você dormir enquanto eu fico falando com as paredes, nem preciso gastar meu tempo vindo aqui. – ela estava muito brava.

– Desculpe, não vai acontecer de novo. – tentei parecer arrependido. Ela só deu um suspiro nervoso e continuou. Foi bem rápido, mas logo depois eu percebi que a loira me observava de um jeito curioso, com seus olhos azuis estreitos, como se tentasse descobrir alguma coisa.

– Bem, como eu estava dizendo antes dessa criatura dormir de olhos abertos, Kenji Yoda foi a três lugares hoje. Primeiro, na casa da mãe, mas ficou lá por pouco tempo. Depois voltou para casa e não saiu até depois das 14h, quando foi ao cinema. Entrei na sala e ele estava mesmo vendo filme, “O Discurso do Rei”, então aproveitei o tempo e invadi a casa dele. Não encontrei nada suspeito lá, mas instalei algumas escutas em locais estratégicos.

– Essa é minha Sakura! – a loira comentou, mas Sakura ignorou.

– Depois voltei ao cinema e ele continuava vendo o filme, sozinho. Assim que acabou, voltou para casa, mas não conversou com ninguém suspeito. Antes de eu ir buscar a Ino, saiu de novo para um bar e começou a beber, sozinho de novo. Observei-o lá por vinte minutos e quando eu sair daqui vou voltar a observá-lo.

– Eu diria que esse cara é mais do que suspeito e já está na mira. – a loira voltou a falar imitando um revólver com uma das mãos.

– Eu concordo. Tenho que admitir que teve bom olho pra isso, Uchiha. – Sakura estava me elogiando? Pela primeira vez desde que nos reencontramos? Era isso mesmo?

– Foi mais sorte. – eu respondi e era verdade. Se Yoda não estivesse na delegacia quando inventei aquela história, eu não teria nenhuma pista para continuar.

– Sorte ou não, não podemos deixa-lo escapar. Então agora é o seguinte: Ino vai fazer duplo papel – a rosada continuou, entregando um dispositivo para a loira, que o pegou. – Com isso, você vai poder ouvir as conversas que o suspeito tem dentro da casa. Eu vou instalar escutas no carro dele também e fico responsável por analisar essa parte. – a loira pareceu ficar animada com isso. – Trocaremos informação diariamente. Enquanto você cuida da menina, fique atenta nos movimentos de Yoda e me contate sempre que puder. Vou continuar a perseguição, coletando também informações dos colegas de trabalho e amigos. Não sei se poderei voltar todas as noites, pois ele pode sair nesse horário também, mas Ino sempre terá contato direto comigo. Tudo o que você precisar, Uchiha, diga a ela e eu ficarei sabendo. O contrário também serve para mim. – ela se levantou.

– Se precisar revezar na vigia noturna, é só me chamar! – a loira se levantou também.

– Obrigada, mas essa noite pode deixar comigo. – em seguida, ela olhou para mim. – Acho que é só por hoje, Uchiha. Não tente nenhuma gracinha com a Ino, ela sabe bater.

– Deixa disso, Sakura. Eu e o Sasuke aqui vamos nos dar bem. – a loira olhou para mim e piscou.

– É, que seja. Ino, não chame atenção desnecessária e tente controlar sua animação perto daquela criança.

– Tá falando sério? Ela vai me amar logo no primeiro dia depois dos segredinhos que eu ensinar a ela... – percebi malícia no som da voz da loira. Peraí, segredinhos?

– Ei, calma aí, que segredinhos? – entrei na conversa e a loira me olhou com divertimento.

– Segredinhos de garota, Sasuke. – ela continuou sorrindo, e eu dei a ela o olhar mais indignado que consegui.

– O que você vai por na cabeça dela? – soei ameaçador, mas a loira só riu.

– Uia, até parece um papai preocupado. Não se preocupe, Sasuke, eu sei o que fazer.

– Eu ainda não confio em você. – disse me aproximando e dando a ela um olhar frio. O sorriso dela sumiu e ela me encarou séria.

– Sakura me contou sobre o que aquela menina passou. Acredite, eu sei como é. Não vou fazer nada que possa prejudica-la, pelo contrário. Eu sei que você me estranhou aqui, mas vai ver que pode confiar em mim, tá? – o sorriso amigável dela havia voltado, e ela me olhava inocentemente. Eu vi Sakura acenar positivamente com a cabeça, e de alguma forma fiquei mais tranquilo.

– Bom, eu já vou então. O suspeito me aguarda. – ela abraçou a loira e eu comecei a acompanha-la até a porta. – Eu sei a saída, Uchiha. – Ela destrancou o portão pelo interfone e abriu a porta, e antes que pudesse fechá-la, eu a segurei (a porta), observando suas costas se afastarem.

Não sei por quanto tempo a mais fiquei admirando a figura posterior de Sakura se distanciando, só sei que hoje ela tinha despertado em mim o desejo que eu sentia por ela. Aquele corpo tão delicado, aquele rosto tão de menininha, e ao mesmo tempo tão forte, tão insensível. Sakura me atraía de um jeito que nenhuma outra me atraía, e eu senti essa atração hoje a noite. Eu a desejei. Não sei por que estou tão surpreso com isso. Há muito eu já havia admitido que gostava dela, que alguma coisa nela me fascinava, me prendia.

E, no entanto, o jeito frio e rude como ela me tratava estava me deixando inquieto. Eu sei que ela sempre teve problemas em se expressar e nunca confiou totalmente em mim. Mas eu esperava um pouco mais de simpatia da garota que eu tinha certeza que havia se apaixonado por mim. E agora parecia uma tortura para ela me ver de novo. Como se eu fosse alguma coisa ruim da qual ela tentava desesperadamente se afastar. E é por isso que não consigo entendê-la. Nem um pouco. Só sei que eu não gostava daquilo. Eu não havia feito nada de errado. Não merecia esse descaso por parte dela.

Quando percebi, fechei a porta com força, devido à irritação. Por que você é assim, Sakura? Dei um longo suspiro, me virei e percebi que a loira me encarava de forma curiosa e como se dissesse “eu sei como é”. De repente, ela falou:

– Dê um tempo a ela.

– Como? – arqueei uma sobrancelha.

– Você sabe como aquela testuda é cabeça-dura. A antipatia vai passar. Só... deixe ela se acostumar com você de novo. – eu não sei o que aquela Ino sabia, mas parecia fazer sentido.

– Quando ela se acostumar, já será hora de ir embora. Como da outra vez. – não sei por que eu disse aquilo. Só saiu. Com minha voz frustrada e irritada. Olhei para as malas que continuavam no hall. – Vem, vou te mostrar seu quarto.

****

Sakura’s POV

Acho que estou ficando louca, porque sinto uma sensação de alívio e ao mesmo tempo de vazio quando me afasto daquele ser de cabelos negros. Mas se ele pensa que vai ser como da outra vez, está muito enganado. Tenho mais a fazer do que ficar sendo gentil com ele. Minha missão aqui só havia começado, e agora eu seguia direto para onde havia visto meu alvo pela última vez: em um bar bem no centro de Konoha. Ele continuava lá. Acho que não iria fazer nada arriscado em uma noite de domingo, mas eu iria ficar na cola dele até descobrir alguma coisa. Apesar de ter de concordar com o Uchiha agora, esse cara era muito suspeito.

Here she comes, she's cool like sin,

I can feel my blood get thin

Here she comes she'll suck me in

Take a deep breath and begin

Aí vem ela, ela é fresca como o pecado,

Posso sentir meu sangue ficar ralo

Aí vem ela, ela irá me sugar

Respire fundo e comece

Pete and the Pirates – Blood Gets Thin

Notas finais
O que acharam? Tentei deixar o capítulo maior, mas essa semana foi uma loucura, espero que tenham gostado XD. Até o próximo ^^