Broken Wing - Aprendendo A Voar

18 Capítulo 18 - Antes que Vire uma Tragédia


Notas iniciais
Boa leitura :)
Não deixem de ler as notas finais!!

Sentia as lágrimas correrem-lhe pelas bochechas coradas de raiva. Não era paixão e muito menos amor. Não podia ser. O que sentia por ele era algo estranho, e ao mesmo tempo que era bom, também era confuso. Talvez gostasse dele mais do que o odiasse, e apesar de não saber nada sobre o amor, tinha medo que aquele simples sentimento de “gostar” evoluísse para algo a mais.

Sasuke não conseguia acreditar naquela mulher. Ela não se cansava de fugir dele e ainda pensava que ele fosse algum tipo de vilão que só estava se aproveitando dela. Ficou com mais raiva quando seu grito foi inútil, ela só continuou correndo, como se fugisse de alguma maldição.

Voltou para dentro da casa, foi até a sala e viu o cômodo meio desarrumado, almofadas jogadas no chão, sua camisa embaixo da mesinha do telefone e o sofá onde eles antes tiveram outro momento de prazer. Mas agora era raiva que Sasuke sentia. Sabia que Sakura sentia algo a mais por ele, isso estava claro.

Mas quando você gosta de uma pessoa, o normal seria você querer ficar com ela, e não fugir, como Sakura havia feito. Mas ela era muito orgulhosa para admitir aquilo. Além disso, provavelmente nunca deve ter tido a chance de amar ninguém, devido ao seu “contrato” com Tsunade, então estava confusa. Certo, Sasuke entendia até aquele ponto, mas como ela pode pensar que ele só estava usando ela? Já tinha feito isso antes com outras mulheres, mas depois ele nunca mais as via, e elas estavam cientes de que seria daquele jeito.

Mas com Sakura não era assim. Não estava apaixonado, mas a rosada o atraía de uma forma diferente. Ele queria estar ao lado dela, queria sentir o corpo dela em contato com o seu, queria ouvir os gemidos que ela dava enquanto ele proporcionava prazer a ela. Não sabia que tipo de sentimento era aquele, talvez ele só tivesse persuadido-a para descobrir o que ela sentia por ele. Mas ele mesmo queria provar dela, ele mesmo queria decifrá-la. Ou seja, é correto dizer que ele também queria descobrir se sentia algo a mais por aquela ladra que nunca saíra de vida e que estava nela agora de uma forma totalmente diferente e provocante. Será que seria isso, então?

Sasuke ficou ali, parado na sala, pensando. Não ia deixar que terminasse daquele jeito, aquela mulher ainda teria que ouvi-lo. Que absurdo, não a estava usando. Talvez estivesse tentando descobrir por que ela lhe atraía tanto, apesar de ter medo de descobrir a reposta. Sentou-se no sofá e ficou relembrando de mais cedo, quando ele havia atingido o ápice com a cabeça afundada no ombro da rosada. Não podia deixar ela fugir achando que ele era uma espécie de maníaco, principalmente quando gostava dele. E estava começando a achar que ele mesmo nutria algum tipo de sentimento a mais por ela.

Você acha que eu sou louco

Mas tudo vai se encaixar

Sakura saiu do condomínio de luxo apressada, e antes de chegar na mansão Uchiha, tratou de se recompor. Enxugou as lágrimas, ajeitou o cabelo, colocou um sorriso falso no rosto e ajeitou a pose. Fazia muito tempo desde que chorara, nem lembrava mais como era sentir os olhos úmidos e o gosto salgado da lágrima. E não acreditava que um homem a tinha feito aquilo.

Maldito Uchiha. Como ela, justo ela, foi sentir aquilo por ele? Nunca havia acontecido isso, como podia? E ainda mais por alguém que estava acostumado a seduzir mulheres e depois descarta-las. “Como pode ter sentimentos tão confusos justo por esse tipo de homem, Sakura?”. A rosada pensava em seu caminho para a mansão.

E agora, mais do que nunca, não podia deixar nada daquilo se repetir. Nunca mais se entregaria aos lábios dele, nunca mais se deixaria abraçar por aqueles braços fortes, nunca mais sentiria prazer ao ser tocada por aquele bastardo. Com mais algum tempo, iria ter pagado toda a dívida naquela família amaldiçoada, iria embora para nunca mais voltar e aqueles sentimentos que ela pensou serem utópicos, mas que sentia agora com o próprio coração e corpo desapareceriam com o tempo.

Depois você me vê vermelha e acha graça

Mas eu não ficaria bem na sua estante

****

Sasuke estava muito ansioso. Sakura estava trabalhando na mansão nesse domingo, e seus pais haviam viajado junto com Itachi para o sul do País do Fogo a negócios. Ele foi privado da viagem porque teve que resolver negócios dentro de Konoha mesmo, e as empregadas ficaram tomando conta da casa. E agora que tinha o dia livre, poderia finalmente confrontar Sakura. De novo. Só não queria que a cena se repetisse como outras. Dessa vez, ele não ia deixá-la fugir.

Entrou na mansão e Ria, uma das empregadas, abriu o portão, permitindo sua entrada e foi recebê-lo na porta.

– Bom dia, Sasuke-san! O senhor não costuma vir aqui de domingo! Algum evento especial? – Ria, assim como a maioria das empregadas, tinha uma “queda” pelo Uchiha mais novo, por isso sempre falavam animadas e queriam se exibir perto dele.

– Na verdade, eu vim aqui conversar com Sakura. Coisas da empresa. – ele disse levantando alguns papéis. – Você poderia pedir para ela subir ao meu quarto?

– Sem problemas, senhor.

– E peça para ninguém nos interromper. – a empregada lançou a ele um olhar duvidoso, mas fez como o ordenado.

Sakura só xingava o mundo mentalmente em sua cabeça enquanto subia as escadas e ia ao quarto do moreno. Ele era mesmo muito chato, não a deixava em paz! Quanta obssessão! Mas ela sabia que ele só fazia isso porque queria vê-la sofrer. Finalmente estava tendo sua vingança. Mas ela já havia decidido que ia ser forte e não ia cometer nenhum equívoco enquanto estivesse sozinha com ele. Entrou sem bater, olhando-o normalmente.

– Bom dia. – ele disse olhando-a. Ela se limitou a um aceno de cabeça, e viu que ele estava assinando alguns papéis.

– Precisa de algum favor da empresa?

– Não, na verdade esses papéis não são da empresa, é um outro tipo de negócio que eu estou providenciando.

– Não me chamou aqui por causa da empresa, né? – Sasuke percebeu que ela estava fria, tanto na voz como na postura.

– Não, te chamei para conversar. – ela deu um suspiro.

– Se você me agarrar de novo, vou enfiar suas bolas no seu ânus. – Sasuke teria rido da frase se não percebesse que Sakura estava falando sério. Melhor não arriscar.

– Não se preocupe. Só quero saber o que se passa na sua cabeça. – Sakura fez uma cara sarcástica.

– Quer abri-la para conferir? – Sasuke deu um suspiro.

– Sabe, Sakura, não é incomum se apaixonar por alguém. Na verdade, é algo que as pessoas consideram bonito e necessário para que o amor não acabe no mundo.

– Mas não você? – ela arqueou uma sobrancelha.

– Não é sobre mim que eu estou falando.

– Tem certeza? Ou só esqueceu seu cartão do Clube do Narcisismo? – ele não gostava da posição defensiva que ela estava, com os braços cruzados, o cabelo rosa preso, os olhos verdes fulminantes e a expressão de deboche. Mas não podia perder o controle ali.

– Não, tenho certeza de que estou falando de você.

– Vá logo ao ponto.

– Já cheguei.

– Está dizendo que eu estou apaixonada?

– Sim, por mim. Mas você não consegue admitir.

– Quanto tempo tem essa consulta psiquiátrica? Porque eu preciso mesmo terminar de limpar o quarto dos seus pais.

– Viu? Está fugindo de novo! Quando não sai correndo de mim, me ignora. Não acho que você seja aquela mesma mulher corajosa que invadiu minha casa e depois tentou me matar. Você é só uma covarde. – Sasuke queria pressioná-la, fazê-la reagir, admitir alguma coisa.

– Sasuke, não grite, por favor. Estou com dor de cabeça. – o que? O que essa menina estava pensando? Sasuke já estava perdendo a paciência. Deu um longo suspiro antes de continuar.

– Eu sei que você só está com medo de admitir e é muito orgulhosa para isso. Mas acredite, Sakura, até as pessoas mais frias se apaixonam.

– O que você quer com isso, afinal, hem?

– Quero que você admita que se apaixonou por mim e encare isso! Não que fique fugindo como uma covarde, me evitando.

– Claro, porque toda garota que você conhece tem que se apaixonar por você! É impossível não resistir a seu charme! Até lésbicas abrem uma exceção para você. – o jeito sarcástico de Sakura já estava irritando o moreno.

– Certo, então não admita. Mas eu já sei a verdade, não vai adiantar nada ficar fugindo de mim.

– Sabe, Sasuke, eu acho que na verdade é você quem gosta de mim. Eu não fujo de você, é você quem me persegue. Tem certeza de que não está invertendo os papéis aqui? – eles ficaram em silêncio por algum tempo. Sakura só disse aquilo para fazê-lo parar de falar, mas se interessou quando o moreno não soube o que responder.

– Eu gosto de você, já te disse isso ontem. Mas não sei o que deu em você para sair de lá dizendo que eu te usava.

– E o que faz então? Me ama? Me venera?

– Eu não te uso, Sakura, você não é uma prostituta, que droga!

– Não foi isso o que você disse no outro dia. – de repente, Sasuke lembrou-se do que ele havia dito quando ela estava trabalhando com ele em sua casa.

“Você acha que é tão inocente, mas já fez muito pior! Tira sarro de prostitutas, mas acho que você se esqueceu de que também é uma! Ou pensa que eu não sei que parte das suas missões com aquela velha da Tsunade incluem sexo por dinheiro?”

– Naquele dia eu estava com raiva. – ele falou tentando se justificar. – Mas eu não te usei.

– Então me explique o que foi aquilo, porque agora eu quero entender. – ela o olhou profundamente, esperando por uma resposta. O Uchiha não tinha certeza do que dizer.

– Eu... – ela erguia as sobrancelhas, ele gaguejava. – Você me atrai. Você é diferente de todas as outras mulheres que eu conheci e acho que isso chamou minha atenção. – ele respondeu com sinceridade. — Eu queria... te conhecer. Descobrir por que você me atraía daquele jeito. E ficou mais interessante agora que você também se mostrou interessada em mim.

– Que bom então. Já conseguiu me conhecer agora? – ela ainda estava sarcástica.

– Não completamente, porque você não deixa! Você só foge! Eu não sou um vampiro que vai sugar sua vida. Não sei por que tem tanto medo de me encarar. Justo você. – Sakura deu um grande suspiro. Realmente, ele estava certo. Uma Wing como ela não poderia bancar esse papel de covarde. Mas também não podia se deixar seduzir de novo por ele.

– Certo, Sasuke. Você venceu. Estou perdidamente apaixonada por você, não consigo imaginar minha vida sem você, quero que você me possua agora! – ela abriu os braços em uma cena sarcástica, e ele só se irritou.

– Você é impossível.

– E você é um idiota. Minha vida não se resume a você.

– Então não vai admitir e parar de fugir de mim? – ela deu outro suspiro. Agora já estava irritada.

– E o que acontece se eu, por um acaso, admitir? Vamos sair para comemorar? Vamos começar uma comédia romântica? Você vai se declarar também e viveremos felizes para sempre? Me poupe, Sasuke.

– Admitir algo é o primeiro passo para lidar com isso.

– E desde quando estamos em um comercial de clínica de reabilitação?

– Certo, Sakura. Vou considerar isso como um “sim, Sasuke, eu gosto de você”.

– Oh, e o que vai fazer agora?

– Eu iria fazer, mas não quero minhas bolas no meu ânus. – Sakura então começou a rir.

– Então está admitindo também?

Também? Vejo que evoluímos aqui. Sim, eu gosto de você, pela terceira vez.

– Mas de jeito nenhum vamos engatar um romance.

– Nem pensar.

– Eu só sou interessante enquanto você ainda não tiver me decifrado.

– Exatamente. Mas vai demorar muito para eu conseguir te “decifrar”, com certeza.

– E o que quer fazer em relação a isso?

– Você sabe o que eu quero. – ele riu maliciosamente. Incrível como a conversa já tinha tomado um rumo totalmente diferente.

– Infelizmente, não vai conseguir. – a expressão dele agora era de repentina decepção.

– Por quê? Eu quero, você quer, é divertido.

– Uma Wing não deve se apaixonar e ter relacionamentos amorosos.

– Ninguém precisa saber.

– Não quero me arriscar.

– Covarde.

– Sou realista. Isso pode não ter mais volta. Não quero me apaixonar por você.

– Você já está apaixonada por mim.

– Não, assim como você, eu só acho tudo isso interessante.

– Então não há problema em tentarmos.

– Não, Sasuke. Em breve irei embora e provavelmente, não nos veremos mais.

– Você não vai conseguir resistir.

– Se eu consigo hoje, consigo nas futuras vezes.

– E o que vai fazer em relação ao que sente?

– O ódio é momentâneo, o amor também pode ser. O que quer que eu sinta por você, vai passar.

– Não quero que passe.

– Não posso fazer nada quanto a isso. – ela fez menção de abrir a porta.

– Sakura, não fuja de novo! – ele disse irritado se dirigindo à porta.

– Não vou fugir. Só vou terminar o que nunca começamos.

– Portanto, vai fugir.

– Mas enquanto você puder me encontrar, não haverá problema, não é? – e ela o surpreendeu com um beijo. A língua dela não demorou a encontrar a dele, causando sensações quentes e de “quero mais” em ambos.

Infelizmente, ela interrompeu aquele beijo cedo demais, e Sasuke ficou surpreso por aquela “brincadeira”. Ela deu um último sorriso malicioso para ele e saiu, voltando ao serviço de empregada. Ao passar pelo quintal, Sasuke a encontrou começando a limpar a piscina, e eles se olharam novamente. Sem trocar nenhuma palavra, a rosada viu o Uchiha virar-se e ir embora, sentindo como se uma parte dela estivesse indo também. Aquilo era muito doloroso.

Nenhum dos dois sabia o que ia acontecer agora entre eles. Relações carnais estavam completamente descartadas, como a rosada havia dito. Pelo menos por enquanto, é o que Sasuke esperava, e ela mesma também, no fundo. Quanto ao que sentiam, esse era um assunto mais complicado. Tentar esquecer ou investir aos poucos? Como Sakura disse, o que escolhessem poderia não ter volta e ambos eram muito orgulhosos para tentar arriscar algo que aprofundasse esses sentimentos. Então, só restava esperar e confiar nas palavras da rosada: enquanto você puder me encontrar, não haverá problema.

Só por hoje não quero mais te ver

Só por hoje não vou tomar minha dose de você

Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam

E essa abstinência uma hora vai passar

****

A neve havia começado a cair mais uma vez em Konoha. Naquela manhã de fim de dezembro, logo após o Natal, tudo estava branco. Era com certeza uma visão muito bonita. Sakura adorava aquela forma curiosa de água congelada, caindo do céu. E ao acordar de seu quarto na mansão Uchiha, e ver aquela paisagem toda branca e pura na propriedade da família, sentiu uma felicidade estranha.

Mas talvez tenha se sentido bem ao perceber que sua estadia lá não iria durar muito mais tempo. Esperava ficar no máximo por mais um mês. Sim, isso mesmo. A dívida estava quase completamente paga, depois de quase seis meses vivendo ali. Sakura não via a hora de largar aquilo tudo e voltar ao esconderijo das Wings, para retomar sua vida normal.

Na semana anterior, havia tido uma grande ceia de Natal, com toda a família Uchiha. Sakura tinha sido liberada para passar o feriado com as outras Wings, que sempre celebravam juntas. Mas um imprevisto na empresa fez Fugaku implorar à rosada para ficar, e assim ela participou da ceia junto com a família. Todos da família se reuniram na mansão para comemorar: Fugaku e Mikoto, Yusuke e Madoka, Itachi e a namorada (uma tal de Konan, com quem Sakura rapidamente simpatizou), outros parentes de Fugaku, as crianças Uchiha, e finalmente, Sasuke.

Sim, havia se passado mais de um mês desde a última conversa em que eles confessaram a atração que sentiam, mas decidiram não complicar a situação. Sakura deixou Sasuke com aquelas palavras misteriosas e um último beijo, e a partir de então, os dois passaram a agir como se nada nunca tivesse acontecido. Se cumprimentavam na empresa, ela fora a casa dele outras vezes para tratar de negócios, confrontava-o em jantares familiares, mas tudo com muita disciplina e sem alardes. Por enquanto, esse era o melhor a fazer. Sasuke sabia que por enquanto, nada aconteceria entre eles, mas sabia que ela sempre estaria ali, mesmo que fosse para entregar-lhe relatórios de negócios relativos à corporação Uchiha.

A ceia aconteceu com muita fartura. Não só comemoravam o Natal, mas também comemoravam o grande salto que a empresa dava. Fugaku alegou com um brinde de champanhe que outra filial Uchiha seria aberta no País do Trovão, e isso era motivo de muita comemoração. Itachi também tomou a liberdade de anunciar seu noivado com a bela moça de cabelos azuis curtos e olhos cor de bronze, e Mikoto chorou de felicidade. “Só falta você, Sasuke”, ela comentou depois.

– E por falar em Sasuke – lembrou Yusuke – aquele negócio que você tinha começado parece que vai dar certo, hem?

– Não fui eu que comecei, tio – falou Sasuke enquanto a empregada servia o peru – só dei ajuda a uns amigos.

– Aquele tal de Suigetsu? – Fugaku entrou na conversa – Ele vem de uma boa família, mas às vezes acaba exagerando.

– Mas do que vocês estão falando? Faz tempo que quero saber disso, Sasuke, e ninguém me conta. – Mikoto disse meio decepcionada. Em seguida se virou para Sakura. – Sakura, você sabe o que eles escondem?

– Não, Mikoto-san. – falou sinceramente. Ela só sabia que tinha algo a ver com aquela tal de Karin, e que aqueles papéis que ela uma vez mandou a rosada entregar a Sasuke eram relativos a esse novo “negócio”. – Não faço ideia do que seja.

– Estamos abrindo um lugar na cidade, mãe. É só isso. – Sasuke falou com tédio na voz.

– Sério? Tipo um restaurante? – Mikoto disse animada.

– Claro, se você gostar de strippers para comer. – falou Itachi rindo, mas Mikoto deu a Sasuke um olhar horrorizado.

– Estão abrindo um clube de strip? – ela falou com os olhos arregalados, não acreditando. Sakura segurou um riso. “Seria surpresa se não fosse isso”, ela pensou.

– Não é um clube de strip, Mikoto, não se preocupe. – Yusuke a acalmou. – É uma casa de descontração, Itachi é que exagera na hora de contar.

– E o que terá exatamente nessa “casa de descontração”? – Mikoto perguntara nervosa.

– Alguns jogos, um pequeno restaurante, um local para dançar e sim, algumas mulheres para distrair o público.

– Então é um clube de strip!

– Não, querida. Esses clubes são ilegais. No de Sasuke e Suigetsu, as mulheres não são prostitutas, são dançarinas profissionais que estarão ali para entreter o público. E sinceramente, acho que mostrar essa imagem leve e descontraída da família será bom para nossa reputação. Esse clube parece promissor, Sasuke. Estou orgulhoso por meu filho estar assumindo um negócio próprio e paralelo à nossa empresa. Só não misture os dois. – Fugaku terminou com uma risada.

Mikoto não estava muito contente com aquilo, mas sabia que nada poderia fazer para impedir. Quando deu meia-noite, todos trocaram presentes, como costume, e até Sakura ganhou uma lembrancinha em nome da família.

– Não sabíamos o que te dar Sakura, mas então vimos essa caixinha de música e pensamos que combinava com você, mas não tínhamos certeza. – Mikoto entregou uma pequena caixinha quadrada e rosa para Sakura, que a abriu, revelando uma pequena bailarina dançando uma música linda, com um pequeno espelho no fundo e até um compartimento para se guardar jóias ou algum objeto pequeno. Sakura ficou surpresa, e gostou genuinamente do presente, era algo diferente do que ela costumava ganhar.

– Muito obrigada, Mikoto-san, gostei muito.

– Que bom que gostou. Sasuke quem escolheu o modelo. Ele disse que essa era sua cor.

Agora era quase ano novo, e a neve que começara há pouco tempo não parecia querer parar. Sakura usou os dias restantes para trabalhar na casa, como sempre fazia, e ajudar Fugaku com a empresa. Depois, até planejou uma viagem com Itachi e Konan ao País do Trovão, para ajudá-los a inspecionar a obra da nova filial Uchiha, mas isso só para depois do ano novo.

A “casa de descontração” de Suigetsu e Sasuke, chamada “Into the Groove” estava mesmo dando o que falar na cidade. Os jornais davam a opinião sobre se tornar um novo ponto de jovens e solteiros, as pessoas falavam animadas que iriam à inauguração, que seria no ano novo. Sim, um pouco antes da meia noite, o novo clube seria aberto, com tudo de graça. Haveria uma área para alguns jogos (não ilegais, apesar de Suigetsu reclamar disso), seguida de uma área para refeições, com música ao vivo, uma pequena boate e dançarinas e dançarinos que se apresentariam para os convidados, convidando-os a passarem mais tempo no local.

No dia 31 de Dezembro, uma fila se formara para entrar no clube. Os sócios – Sasuke, Suigetsu, Karin e Juugo – e donos do clube estavam lá, prontos para cortar a fita vermelha e inaugurar o lugar. O resto da família esperava ansiosamente ao lado do filho, sendo entrevistados, tirando fotos e incentivando o pessoal. Sakura foi contratada como garçonete nesse dia, o que faria sua dívida ser paga mais rapidamente.

Às 9 da noite, o clube foi aberto ao público e rapidamente se agitou. Jovens e pessoas mais velhas aproveitavam tudo o que o lugar oferecia, esperando o ano novo. As artistas que dançavam em cima do palco e depois escolhiam um cliente em particular e começavam uma dança sensual perto deles eram muito bonitas, todas com máscaras, roupas provocantes, cabelos compridos e maquiagem. Sakura estava aproveitando sua pausa de servir bebidas de dentro do bar para observar o ambiente, que era elegante e rústico ao mesmo tempo. O jeito de Sasuke estava em todo aquele lugar. Quando, ao pensar no demônio...

– Ei. – ele a chama, sentando-se de frente para o balcão, fazendo-a voltar ao “mundo real”. A expressão de surpresa dela fez ele soltar um sorriso divertido.

– O que, precisa de algo? – ela disse tentando ignorar o quanto ele estava bonito naquela noite.

– Uísque. Puro. – ela arqueou as sobrancelhas.

– Sério?

– Karin está pegando no meu pé. Preciso de algo pra relaxar.

– Claro, e uísque é a melhor opção para isso. – ela falou rindo, servindo o moreno.

– Sasukee, vem dançar comigoooo. – Karin chegou por trás, se dependurando nas costas de Sasuke, enquanto Sakura o observava fazer uma careta. Ela mesma não se lembrava de aquela mulher ter uma voz tão irritante.

– Já vou, Karin. Me espera lá, tá? – ele disse soltando-a dele, observando ela ir em direção à boate.

– Namorada? – Sakura perguntou inocentemente.

– Espero que não. Ciúmes? – ele falou de repente, fazendo-a corar.

– Não. – ele tomou um pouco da bebida, olhando-a profundamente.

– Meu pai disse que você vai embora mês que vem.

– Sim, eu vou. Triste? – ela perguntou sarcástica. Ele só riu, mas não respondeu.

– Não quer tentar uma última vez? – ele a convidou maliciosamente. Ela entendeu na hora o que ele queria, mas sem chance de atendê-lo.

– Sasuke, havíamos combinado que não. Não quero ser outra de suas transas insignificantes, e também não quero servir só para matar seu tédio hoje a noite.

– Não vai ser insignificante, porque eu gosto de você.

– Mas também gosta da Karin.

– Não exatamente...

– E daquela outra que eu vi saindo da sua casa toda descabelada quando fui entregar o relatório das empresas Kurama.

– Sakura...

– Não, Sasuke.

– Eu sei que você quer.

– Eu sei que você está bêbado.

– Não, esse é na verdade meu primeiro copo a noite inteira.

– Nossa, e já são 11 horas. Parabéns. – ela deu uma risada, ele também. Mas depois, ele ficou sério.

– Você vai fugir de novo agora. E dessa vez eu não vou poder te encontrar. – Sakura olhou-o surpresa involuntariamente, lembrando-se de suas palavras. “Enquanto você puder me encontrar, não haverá problema”.

– Sinto muito, Sasuke, não há nada que eu possa fazer.

– Há sim. E não vai ser insignificante. – Ele a olhou chamativo, provocante. Ela sabia que deveria recusar. Mas seu próprio corpo não a deixava.

– Vão notar nossa falta. Eu preciso trabalhar e você precisa... dançar com a Karin. – ele deu uma risada, mas ela não entendeu. – Qual é a graça? Estava só brincando comigo? – ela falou furiosa, já preparava seu punho para acertar o moreno.

– Não, mas você está com tanta vontade assim?

– Sasuke, não me enrola!

– Não aqui, mulher. É impossível. Temos mais um mês para fazermos isso. – ele se afastou do balcão, deixando seu copo de uísque vazio e uma rosada pensativa.

O ano novo foi um sucesso. A contagem regressiva foi feita por Itachi, e a meia-noite, houve um grande brinde entre os clientes do clube, que fechou somente às 5 da manhã.

****

Janeiro começou nevando em Konoha, e continuou assim nas duas primeiras semanas. Depois, o tempo ainda estava frio, mas mais ameno. Sakura acabara de voltar do País do Trovão, onde o clima estava parecido, para ajudar Itachi a supervisionar a nova filial Uchiha que surgiria ali. Uma semana depois, em uma sexta a noite, Mikoto a chamou na sala de visitas da mansão, e ao entrar lá, a rosada notou que toda a família a esperava.

– Sakura – começou Fugaku – Creio que já sabe por que te chamamos aqui, mas por cortesia, falaremos mesmo assim. – ele olhou para Yusuke.

– Sua dívida foi completamente paga, senhorita. E nesse tempo que esteve aqui, nos ajudou muito. A partir de amanhã, é uma menina livre. Tsunade já avisou que virá te buscar às 9 da manhã, para você voltar à sua vida habitual.

Sakura estava muito feliz. Finalmente se veria livre dos Uchiha, apesar de não achá-los uma família ruim, mas só pelo fato de não ter mais nada que a prendesse a eles. Bem, exceto por uma coisa, mas que também seria esquecida com o tempo. A rosada nem acreditava que já podia arrumar as malas e voltar a morar com as Wings. Estava com saudades delas, do lugar onde vivia, das missões, por mais arriscadas que pudessem ser...

Deixou ser abraçada por Madoka, depois por Mikoto, que afirmou que sentiria saudades e a incentiou a fazer visitas quando quisesse. Fugaku lembrou que aquilo não era impossível, já que a família Uchiha e a organização de Tsunade tinham um “contrato”. Fizeram um pequeno brinde com champanhe, conversaram um pouco, e no final, Mikoto aconselhou Sakura a separar as malas, pois partiria cedo no dia seguinte.

A rosada se recolheu em seu quarto, e começou a arrumar suas coisas. Reservou um lugar na mala para guardar a caixinha de música que havia ganhado no Natal. Já era um pouco tarde quando ouviu batidas na porta, imaginou que fosse Mikoto e disse gentilmente para entrar. Era Sasuke.

– Ah, precisa de alguma coisa? – ela disse vendo-o, parecia um pouco confusa.

– Todos já foram dormir.

– Hum... obrigada pela informação? – ela disse, ainda confusa.

– Antes de você fugir... – e agora ela havia entendido, e se apressou em cortar o moreno, se levantando.

– Olha, Sasuke, sinceramente, acho que não devíamos... – e de novo, ela nem conseguiu terminar a frase.

Sasuke a pegou em um beijo desesperado, empurrando-a para a cama. Ela não resistiu, seu corpo não deixou. Sabia que essa poderia ser a última vez que o veria, e não queria desperdiçar aquele “encontro”. Sasuke se colocou em cima da rosada na pequena cama de solteiro onde ela dormia, descendo os beijos para o pescoço, enquanto ela tirava a camiseta dele. Ele fez menção de tirar a dela, mas ela rapidamente inverteu as posições, ficando por cima dele, enquanto dava um sorriso malicioso. Ele, surpreso, retribuiu o sorriso.

Ela mesma tirou a camiseta, e voltou a beijar o Uchiha. Suas pernas estavam entrelaçadas, e agora ela é quem o beijava no pescoço. Ele tirou o sutiã branco que ela vestia, jogando-o longe. Em seguida se sentou na cama, fazendo-a curvar-se para trás enquanto descia os beijos para seus seios. Sakura afagava os cabelos dele e o mantinha ali, enquanto ele apertava e chupava essa parte tão feminina da rosada. Mas Sakura não queria só ser a passiva. Deitou-o novamente na cama e o chupou no pescoço, descendo os beijos para o peito definido dele, enquanto ao mesmo tempo arranhava e sentia a respiração dele acelerar. Sentiu com os dedos o abodmen também definido, e decidiu brincar um pouco ali.

Sasuke esperava mais resistência da parte dela, mas sabia que ela gostava dele e não ia recusá-lo. Afinal, depois daquele dia talvez nem se veriam mais. Aquilo era uma despedida. Sakura chupava e mordia cada parte daquele tanquinho, arranhando e deixando o moreno sentir sua respiração ali. Ele estava ficando louco, sentia seu pênis se agitar dentro da calça. Sakura voltou aos lábios dele, que aproveitou a chance para agarrar um dos seios dela, que soltou um pequeno gemido. Ele inverteu as posições novamente, chupando o pescoço dela sem soltar o seio. Sakura abriu suas pernas, e ele se colocou no meio delas.

A rosada abriu o zíper da calça dele e a retirou, acariciando o membro já duro por cima do tecido. Sem querer esperar mais, Sasuke também abaixou a calça e a calcinha de Sakura, observou-a nua durante um tempo e depois abaixou a própria cueca, penetrando-a. Aquela vez foi mais intensa que as outras, talvez porque sabiam que não iriam sentir aquilo por um bom tempo. Sasuke fazia movimentos rápidos, Sakura fincava as unhas em suas costas e gemia, não queria se separar dele. Enlaçou as pernas no quadril do moreno e soltou um involuntário “mais rápido”. Ele sorriu malicioso e a “obedeceu”. Sentia um prazer imenso, gemia e sentia que iria gozar. E assim foi. Com um último gemido de ambas as partes, eles atingiram o ápice. Sasuke caiu ao lado dela, quase caindo da cama também, mas ela o segurou enquanto ria. Depois ficaram se olhando.

– Você nunca vai encontrar alguém melhor que eu na cama. – ele disse safado, e ela arqueou a sobrancelha.

– Aposto que você vai.

– Não tenho tanta certeza.

– Eu tenho. Ainda mais com aquele clube cheio de dançarinas do qual você é dono agora. – um silêncio se fez.

– Diga que se apaixonou por mim. – ele respondeu, olhando para o teto.

– Não. – ele olhou-a surpreso. – Não importa o que sentimos um pelo outro, vai acabar aqui. E sinceramente, estou feliz por ir embora. – não era totalmente verdade. Ele continuou olhando-a de um jeito profundo. Por fim, só puxou-a para outro beijo, enquanto eles se abraçavam para começarem outra rodada de prazer.

Então era aquilo. Não importava se os dois se gostavam ou até se haviam se apaixonado. Sakura iria embora, iria fugir, como Sasuke preferia dizer, e não iria mais voltar. Por enquanto. “Enquanto você puder me encontrar, não haverá problema”. Era só o que ele pensava enquanto a fazia gemer de novo.

She said "I can't take this place,

I'm leaving it behind"

She said "I can't take this town,

I'm leaving you tonight"

Ela disse “Não aguento mais esse lugar,

Vou deixar tudo para trás”

Ela disse “Não agüento mais essa cidade,

Estou te deixando esta noite”

Pitty – Na Sua Estante

Green Day – Letterbomb

Notas finais
O que acharam do capítulo?
Tenho algo para falar: eu estou pensando em fazer mais dois arcos nessa fic. O primeiro arco provavelmente vai acabar com esse capítulo, e no próximo um outro arco irá começar, claro, envolvendo os mesmos personagens e dando continuidade à história. Eu só estava na dúvida sobre realmente fazer mais dois arcos ou finalizar a história com somente mais um, e vocês, leitores, poderiam me ajudar comentando o que acham, ok? Até o próximo :)