Broken Strings
5 Quando os caminhos se cruzam
Notas iniciais
Muitos Kisskiss
PS: Re-chan, hoje estou atolada, mas prometo que a fic do baixista será postada até no máximo quarta feira.
Boa leitura
Cap. V – Quando os caminhos se cruzam
Dois anos antes, algum lugar de Fiore...
Estavam sentados sobre um grande rochedo olhando o rio correr sob seus pés muitos metros abaixo. Alguns metros distante, havia dois outros magos ao redor de uma fogueira brigando, a dupla olhou para trás e sorriu vendo aquela cena familiar. Principalmente para a mulher que a muitos meses não voltava a guilda.
– Por que faz um ano, mas toda vez que volto parece que foi ontem? – indagou o mago verde –
– Porque você não para de contar o tempo... Eu nunca sei que dia da semana ou do mês é, tanto que nem sabia que tanto tempo se passou.
Fried olhou para a mulher e invejou sua força. Cana havia reagido muito melhor e com certeza com muito mais dignidade do que ele. Sem dizer sua esperteza em afastar-se para curar as feridas, ao invés de ficar e sentir o ardor todos os dias.
– Como consegue lidar tão bem com isso? Eu não sei mais o que fazer para essa droga de dor desaparecer, toda vez que olho para ela tenho vontade ás vezes de quase matá-la... É horrível sentir esse monstro me corroendo e mimando minha vida, sentindo a pena dos meus amigos e não conseguir sair do fundo do poço.
– Não se engane, Fried, não lido bem com nada. Todo dia eu acordo e muitas vezes não sinto força para levantar, meu peito aperta como se meu coração fosse explodir, minhas noites insones são longas e cheias de lágrimas ridículas. E só kami sabe, oh sim, quanta raiva e ressentimento sinto. Mas o pior disso tudo é saber que meu sofrimento não vale de nada! Todos esses sentimentos ruins que me envenenam a alma, corrói a mim, não quem deveria. Por isso me afundo cada vez nas missões, na magia, no mundo confuso de previsões... Eu simplesmente me recuso a deixar seja quem for me ver sofrer!
E quando olhou nos olhos dela naquele momento, o Justine viu o quão quebrada estava a Alberona. Como se o mundo fosse um lugar distante e não houvesse ninguém mais perto, Fried passou o braço pelos ombros femininos trazendo-a para perto e sentindo os tremores e o som abafado das lágrimas que ela não queria que ninguém visse. Nesse momento sentiu mais raiva.
Nunca foram amigos ou tiveram muita intimidade, na verdade passaram a conviver devido ao namoro dela com Laxus, mas esse tempo foi suficiente para descobrir que ela era muito mais do que a garota que bebia mais do que qualquer um na guilda. Viu de perto o amor que ela sentia por Laxus como também presenciou a dificuldade dela em admitir isso. Cana tinha tido tanto medo de ser machucada e por fim foi traída como se não valesse nada. Ninguém tinha o direito de pisar em outro assim... Apertou o abraço como se dissesse que ela não estava sozinha.
Foi pura coincidência se encontrarem, mas o que levaria daquele encontro, não.
Ninguém mais veria seu sofrimento, não daria esse gosto a nenhum outro abutre, mas em compensação faria da sua presença um lembrete eterno de tormento para que não esquecessem o quão baixos e vis eram. Toda vez que o vissem bebendo, comendo, chegando de um trabalho, faria questão de quem lembrassem que não passavam de lixos. Não existe nada pior do que uma consciência pesada, e Fried Justine decidiu que faria as portas do inferno se abrirem.
Cana acordou do transe quando sentiu seu casaco ser posto sobre os ombros pelo amigo que trazia sua mochila num dos ombros. Estava chuviscando e por isso tinham que andar rápido. Lançou um olhar complacente ao amigo, havia sido ali que a amizade dos dois começara realmente.
De tudo ruim que se abateu, com certeza aquilo sim foi algo bom, porque se não fosse a presença esporádica do Justine, sabia que teria enlouquecido nas nuances do passado e futuro que a atormentavam dia e noite. Havia sido Fried quem fez runas de contenção quando perdeu complemente o controle quase um antes... Não sabia bem como ele a encontrou no meio daquela floresta nos confins de Fiore, mas agradecia a qualquer que fosse a entidade por isso.
Era um lugar com muita magia, quase como Tenroujima, e entre runas e feitiços trouxe a tona um poder que não estava pronta para dominar. Desde então seus poderes nunca mais foram os mesmo e suas previsões eram cada dia mais precisas... Entretanto, traziam cada vez mais confusão. Perdia-se em dias, meses, lugares... Quando não via o passado. Numa efervescência de acontecimentos que lhe tirava a graça das coisas. Não podia prever seu próprio futuro, mas como previa os dos próximos a si, acabava tendo vislumbres que lhe revelavam o que nenhum humano deveria saber sobre si mesmo.
– Algum problema? – indagou o mago já acostumado com os silêncios dela –
– A chuva vai engrossar assim que entrarmos em casa. – e sorriu –
Dito e feito, ao fecharem a porta, uma tempestade inesperada desabou.
Cana olhou ao redor vendo o lugar onde o amigo morava, notando sua extrema organização. Colocou o casaco no cabideiro e sentou-se no sofá vendo que ele sumiu por um corredor para provavelmente guardar sua mochila no quarto de hóspedes. Quando ele voltou, já sem o casaco e colete, com as mangas da camisa dobrada até os cotovelos, sentou-se ao seu lado.
– Essas suas previsões estão cada vez mais assustadoras... – disse numa tentativa de iniciar uma conversa –
– Eu sei... O futuro sempre é. – e novamente o olhar se perdeu por segundos e depois retornou – Mas então... Mora sozinho?
– Sim, sim... Eu acho que já estávamos ficando meio velhos para morar numa republica, o Bixlow se mudou logo após o casamento da Ever um ano e meio atrás.
– Nossa, a Ever casou mesmo... É estranho pensar em todas as coisas que perdi... Para mim é meio como se o tempo tivesse parado.
– Sim, Cana... A Ever casou, já faz três anos desde que se foi.
– Já disse para parar com essa mania de contar o tempo, me irrita, sabe que mal sei onde estou.
Ambos riram.
***
Na manhã seguinte, a entrada da dupla junto chamou atenção de todos e obviamente que uma série de burburinhos começou correr a respeito do tipo daquela amizade. Com um aceno de mão, Cana despediu-se de Fried e caminhou até um aglomerado de mulheres com as quais provavelmente faria compras. Os cabelos foram penteados cuidadosamente para cobrir as cicatrizes da face e ainda sim parecer só estilo.
Cumprimentou a todas e logo foi soterrada pelas conversas até que saíram para as tão faladas compras. Mirajane ficou para trás, cuidando do balcão, nenhuma das meninas se quer pensou em convidá-la, afinal, aquele era um momento com a amiga que a muito não lhes visitava e não queriam de maneira nenhuma criar algum tipo de hostilidade que pudesse acabar com o bom clima para o casamento de Juvia.
No balcão, a albina suspirou e ficou chateada enquanto ouvia a sequencia de burburinhos que começava a se formar. De repente parecia que tudo havia voltado e as pessoas novamente lhe olhavam com certa desconfiança... Sentia-se desconfortável sabendo que aquele assunto velho estava sendo desenterrado, como se não bastasse ter sido deixada completamente de lado para aquele momento de garotas.
Obviamente que as meninas pretendiam compensar Mira, mas isso não mudava o fato de que estavam em cima de um muro, divididas entre duas amigas e depois do acontecido não podiam pedir para que ficassem coexistindo. Com o rabo dos olhos claros viu Laxus no segundo andar, perto do parapeito somente observando em seu silêncio. Ele estava totalmente incomodado com aquela nova chegada, afinal, nunca havia lidado com Cana.
Durante todo o tempo tiveram que estar com a presença de Fried e com as rupturas trazidas. Ela sabia que não era a única a lembrar de sua culpa todas as vezes que viam o mago verde e toda vez que ele lhes era indiferente. Só que o Dreyar era orgulhoso demais para assumir isso. Preferia remoer sua culpa e frustração sozinho. Sem dizer que as palavras da Alberona naquela noite fatídica nunca saíram de sua mente... Era atormentado pelo medo de cair para o lado errado.
Com certeza aquilo era egoísmo grutal, mas desejava que Cana não tivesse voltado, porque sua volta desestruturava tudo o que com muito custo havia sido reconstruído.
***
Sentada sobre a maca, Cana estava sob os olhares atentos de Polyusca.
A mulher havia envelhecido naqueles anos de ausência muito mais no que nos sete anos referentes a Tenroujima. Não de uma maneira ruim, mas é que de repente todo o peso dos anos desabou sobre a figura carrancuda e esguia dela. Wendy estava ao seu lado esperando o aval, esperando sinceramente que tivesse uma perspectiva melhor do que a inicial, mas não tinha assim tantas esperanças.
– Não vamos conseguir eliminar todas as marcas, esses ferimentos vieram de uma criatura mágica, por isso não há realmente como fazê-lo desaparecer... – olhou para a garota esperando um olhar triste ou de horror, mas ao contrário ela parecia muito calma –
– Tudo bem, o que conseguirem tirar está bom.
– Pegue aquelas ervas que trouxe, Wendy e faça uma pasta... Vai fazer curativos durante uma semana com elas e depois usar magia para reconstrução dos tecidos lacerados. Será preciso pelo menos três sessões, mas vai ficar razoável e as marcas do rosto muito tênues.
– Pode deixar, Polyusca-san!
– Vou dar uma olhada naquele velho idiota e você garota... – olhou para Cana – Magia de cartão não é quase extinta por ser fraca, mas sim porque ver o futuro não é uma dádiva, e grandes magos perderam a vida e a sanidade... Não seja um deles.
– Estou tentando. – respondeu a morena –
Continua...
Notas finais
Kisskiss
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