Broken Promise.
8 Capítulo 8: Pieces.
Notas iniciais
Boa leitura.
Depois do que houve nunca mais tocamos no assunto. Tudo voltou ao normal, pelo menos aparentemente. Não que as coisas tenham ficado mais fáceis, porque na verdade ficaram mais difíceis, embora eu tenha decidido que o melhor a fazer era fingir que estava tudo bem. A apatia em seu rosto e ações, o modo como conseguia fingir que nada aconteceu me irritava, mas mais do que tudo me entristecia. Por muitas vezes o encontrava me encarando quando ninguém estava olhando, mas sempre que eu o fazia ele se demonstrava incomodado. Mandava-me mensagens dizendo que sentia falta de quando saíamos sozinhos, nos divertíamos, virávamos noites encima do telhado conversando, ou simplesmente rodando sem rumo, cantando as músicas ruins do rádio e rindo de nós mesmos por isso, mas como era de se esperar esses momentos nunca mais se repetiram, já que Gerard passou a evitar qualquer situação que nos pusesse a sós, e se porventura isso acontecia ele ficava tenso, evitava meus olhos, usava respostas curtas. Eu sabia qual a única possível razão para essa mudança súbita de comportamento, mas esse tipo de coisa não combinava com ele, e de todo modo ELE quem havia me beijado e deixou bem claro que não haviam motivos para estranhamentos.
Num desses raros momentos em que ficamos sozinhos tentei puxar conversa, mas como sempre só recebi respostas distantes. Perguntei se havia algo de errado, o porquê do estresse entre nós, e mais uma vez recebi uma resposta nada satisfatória.
“Nada. Por que estaria?”, disse fitando as mãos, tocando suas unhas roídas. “Eu que te pergunto.”, respondi mais irritado do que planejava, “Desde o que aconteceu... Desde o beijo – eu nem sei por que estamos evitando falar sobre isso em primeiro lugar – você mudou completamente. Você não fala mais diretamente comigo, você me evita como se eu fosse te agarrar ou algo do tipo, você parece estar sempre pisando em ovos comigo, e eu não entendo isso, não quero entender! Você mesmo disse que eu não tinha nada pelo que me desculpar, então porque você está se empenhando em fazer eu me sentir tão culpado? Porq...” “Frank!”, me interrompeu, “Meu problema não é com você. Eu não estou com medo de você. Eu tenho medo... É de mim.”. Como era de se esperar essa resposta me calou. Tentei balbuciar algo, mas tudo que consegui foi encará-lo sem reação, esperando por ele para quebrar o silêncio que se formou entre nós. “Eu tenho medo, Frank. Medo de não resistir... A você.”. Ao dizer isso ele me beijou, tão inesperadamente como da última vez, mas com mais intensidade e calor, com uma dose incômoda de tensão que não existiu na primeira vez. Assim que nos separamos nos olhamos por alguns segundos, até que desconcertado ele saiu sem falar mais nada, me deixando ali, confuso, completamente petrificado.
Depois daquele dia me encontrei perdido em um imenso quebra-cabeça, sem nada além de mais uma razão de tormento para minha coleção. Assim como da última vez não tocamos mais no assunto, apesar de agora ele já não conseguir manter aquela velha apatia. Às vezes ele dizia ou fazia coisas que soavam como um sinal positivo, um passe para eu ir adiante e botar tudo na mesa, e segundos depois era como se ele demonstrasse exatamente o contrário. Proveniente dele tudo era uma imensa incógnita, e me perdi tentando descobrir o que era sincero e o que era automático; o que era espontâneo e o que era necessário; o que era de fato ele e o que era apenas minha necessidade desesperada por uma certeza. Cheguei a sentir raiva, evitá-lo, mas ele me ganhava com súbitas demonstrações de carinho, palavras doces, e até outros beijos igualmente inesperados, me colocando completamente fora de guarda e cheio de falsas esperanças. Porém, para minha infelicidade, no dia seguinte tudo voltava a ser como era, e ele voltava a me tratar como um amigo qualquer, como se aqueles momentos nunca houvessem acontecido, como se aquelas palavras nunca houvessem saído de sua boca, e lá estava eu, machucado de novo, confuso de novo, me recusando a aceitar que tanto sentimento fosse unilateral, me negando a acreditar que ele fosse assim tão bom ator, com sua bipolaridade cruel que me levava do céu ao inferno em um segundo e me fazia queimar com um sorriso no rosto, uma satisfação mórbida, necessidade de sentir algo proveniente dele ainda que fosse dor.
Cada dia eu me afastava mais de Jamia; não fisicamente, mas emocionalmente. Não só dela como de todos. Eu estava ali, fisicamente presente, os mesmos risos e as mesmas piadas, mas por dentro eu estava completamente perdido, frustrado. Frustrado. Essa era a palavra que descrevia todos os meus dias. Eu me sentia péssimo por não conseguir lidar com essa situação, e culpado por ter começado tudo isso. Sentia-me de mãos atadas e estava realmente. O que mais me doía era o medo de perder o Gerard. Eu já nem ligava se não podia tê-lo do modo que desejava desde que eu tivesse a sua amizade; Tudo que eu queria era que as coisas voltassem a ser como eram, e isso estava me matando por dentro.
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