Broken Inside
1 Treason
Notas iniciais
Oi, meu nome é Matthew Williams, tenho 16 anos,estou no ensino médio, e como hoje eu tenho aula, vesti minha roupa de sempre, uma calça preta com alguns rasgos propositais, a camisa de minha banda favorita, Green Day, e minhas botas pretas. Depois, apenas baguncei um pouco meus cabelos, passeio lápis preto na parte inferior de meus olhos e por fim arrumei meus piercings no nariz e na boca. Assim que notei minha demora, fui para cozinha tomar o café da manhã.
Ao chegar na cozinha, vi meu irmão mais velho, Alfred, já estava sentado na mesa tomando o seu café.
– Bom dia onii-chan.
–Bom dia Matt, não demore com o café, senão vamos nos atrasar.
– Tá, pelo visto você já fez as pazes com o Arthur.
–Como você sabe?
– Ah, não sei... Talvez por aquela barulheira toda vinda do seu quarto ontem? – Perguntei de um jeito irônico.
–Ah, desculpe pelo incômodo... – Ri um pouco ao notar o tom vermelho tomate de suas bochechas.
– Tudo bem.
***
Terminei meu café e fui para sala pegar meu celular que estava sobre a mesa de centro,assim que o desbloqueei, vi mensagem do meu namorado, Gilbert. Fiquei surpreso com isso, fazia três semanas que ele não ia à aula porque estava viajando. Abri uma delas para ler o que estava escrito.
''Oi amor, só quis avisar que volto hoje de viagem, quero falar com você hoje no intervalo, pode me encontrar no nosso lugar secreto?''
Logo, tratei de respondê-la.
''Oi, Estou com muitas saudades, claro que posso''.
Enquanto enviava a resposta, percebi que Alfred estava atrás de mim, vendo tudo aquilo.
– Quando você pretende me apresentar esse seu namorado, o Gilbert?
– E-eu não sei.
Peguei minha mochila, botei o celular dentro do bolso lateral e saí correndo de casa. Eu gostava muito do Gilbert, então estava ansioso pela hora do intervalo, a propósito, nosso lugar secreto era o terraço, como era proibido subir até lá, ninguém tinha o atrevimento de ir, apenas nós dois.
Alfred pelo jeito não havia ido para a aula hoje, ele era incrível, faltava todas as aulas, mas sempre tirava as melhores nota da sala, e a máxima nas provas, ninguém sabia como ele conseguia fazer isso,nem mesmo eu.
***
Quando cheguei na sala de aula, fui para o meu lugar de sempre,a última classe, na fileira do meio. Mal havia colocado minha mochila ao lado de minha mesa, quando o professor entrou na sala anunciando uma prova surpresa.
No mesmo instante senti o meu corpo inteiro gelar,não sabia absolutamente nada daquela matéria, com certeza eu me sairia muito mal. Quando o professor me entregou a prova, li todas as questões, porém não sabia responder nada. Por sorte, eu havia sentado ao lado do garoto mais inteligente da sala.
Consegui copiar todas as respostas com a habilidade de colar nas provas de desenvolvi ao longo dos anos. Entreguei a prova para o professor, o mesmo me olhou por um tempo e em seguida voltou a fazer anotações em seu caderno.
Sentei no meu lugar novamente, estava muito ansioso para a chegada do intervalo,mal podia esperar para encontrar Gilbert, permanecia a aula toda me perguntando quantos minutos ainda restavam. Claro, eu havia demorado para copiar as respostas do nerd, pois ele havia demorado para fazer as contas.
– Acabou o tempo da prova, os alunos que ainda estão com a prova, por favor me entreguem, os que já entregaram estão liberados.
Peguei minha mochila, colocando-a no ombro e saí correndo da sala de aula. Segui reto pelo corredor da minha sala até entrar em uma porta que se localizava no final do mesmo, onde as escadas levavam até o nosso lugar secreto.
Subi as escadas e abri a porta que dava para o terraço da escola. Me arrependi profundamente ao ver uma cena nada agradável. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, Gilbert estava beijando Roderich, um cara da outra sala, por quê? Por que ele fez isso comigo? Eu estava tão ansioso para vê-lo,eu o amava.
– Matthew, não é o que está pensando.
Não conseguia falar nada, simplesmente fiquei ali, completamente paralisado, a pessoa que eu mais confiava e amava nesse mundo havia me traído diante de meus olhos. Sem falar nada, me virei e corri por corredores e escadarias, às vezes atropelando uma pessoa ou outra pelo caminho. Quando cheguei na frente da escola, saí andando normalmente, lágrimas ainda teimavam em escorrer por meu rosto.
Novamente me perguntei, por quê? Eu gostava de verdade dele, eu realmente estava apaixonado, por que as pessoas que eu amo sempre me traem desse jeito?
***
Quando cheguei em casa,tinha certeza que eu não poderia entrar daquele jeito. Alfred com certeza não descansaria até saber o que havia acontecido, mas a cada vez que eu lembrava do ocorrido, chorava mais.
Com um suspiro, tentando prender as lágrimas, entrei dentro de casa. Ao passar pela sala, consegui ver que Alfred estava na companhia de Arthur e de outra pessoa que não consegui reconhecer.
– Matthew,você está chorando? Oque houve?
Sem responder, corri nas pelas escadas, adentrei meu quarto e tranquei a porta. Não via mais motivos para viver. Peguei o retrato de Gilbert, no nosso primeiro encontro, que guardava em cima de minha cômoda. Fitei aquela foto até que lágrimas começaram a cair e escorrer sobre o vidro do porta-retrato.
Peguei o objeto e com muita raiva, atirei-o no chão, em seguida comecei a pisoteá-lo violentamente. Agachei-me para pegar aquela foto, e quando finalmente a tinha em mãos, rasguei-a em milhões de pedaços, jogando o resto no chão.
Desabei no chão, juntando-me aos cacos de vidro e os pedaços de papel picotados. Com lágrimas nos olhos, peguei maior e mais afiado pedaço de vidro que encontrei, encostei-me na cama e coloquei o objeto afiado sobre o meu pulso, fazendo pressão para que ele corta-se minha pele, fazendo inúmeros cortes.
***
Alfred POV
– O que será que houve com ele, Arthur? — Perguntei encarando-o preocupado.
– Eu não sei, mas você deveria ir lá, se ele estava chorando, não é por qualquer coisa, ele não é assim.
– Se alguém tiver machucado meu irmão, vai se ver comigo, eu juro...
– Vá com calma Alfred, você nem sabe o que aconteceu.
– Não importa, em breve vou saber, qualquer um que machucá-lo terá uma conversa desagradável comigo.
Levantei do sofá em um pulo e subi as escadas correndo, até chegar na frente do quarto de Matthew. Encostei a cabeça na porta, mas não escutei nada vindo de lá, bati na porta.
– Matthew, você está bem?
Ele não disse nada.
- Matt, abra a porta.
Mais uma vez obtive o silêncio em resposta, estava muito preocupado, não tinha outra escolha, tive que arrombar a porta. Dei alguns passos para trás, peguei impulso e me joguei em direção a porta fazendo-a cair no chão.
A primeira coisa que vi no quarto de Matthew, foi o mesmo sentado no chão, encostado na cama com os olhos cheios de lágrima, vidro quebrado e muito sangue em sua volta.
– O que você fez?...
Quando me ajoelhei, vi seus braços inteiramente retalhados e cheios de sangue, e com cuidado, peguei-o no colo e carreguei-o até a sala
– A-Arthur! O Matthew... Ele... Tentou se matar.
– O que?..
– Olhe os braços dele...
– Precisamos levar ele para o hospital, agora!
***
X- Chegando em casa após uma visita ao hospital -X
– Por que ele fez isso?
– Acho que tem alguma coisa com o namorado dele...
– Por que acha isso?
– Porque quando entrei no quarto dele, o retrato com a foto do namorado dele estava quebrado, e também acho que ele se cortou como vidro do retrato quebrado.
– Ah, mas o que importa é que ele está vivo... O médico disse que ele perdeu muito sangue, mas conseguiu se salvar por pouco, mesmo assim tem que descansar bastante.
– É, já volto, vou ajudá-lo a ir para o quarto.
– Tudo bem.
***
X- Um dia depois (Matthew POV) –X
Acordei um pouco tonto, será que havia morrido? Levantei da cama, estava com os braços enfaixados e dentro do meu quarto, é, infelizmente, eu não havia morrido. Saí do quarto e desci as escadas, não tinha ninguém na sala, então fui abrir a porta para sair , até que Alfred saiu da cozinha.
– Onde o senhor Matthew Williams pensa que vai?
– Dar uma volta.
– O senhor não vai a lugar nenhum desse jeito. — Olhei bem para Alfred, tentando fazer pressão psicológica por telepatia. Vá no quintal, Arthur e Francis estão lá.
– Quem é Francis?
– O primo do Arthur,por que não vai lá para se conhecerem?
– Como você disse, não vou a lugar nenhum.
Saí andando irritado para o quintal, mas ao invés de ficar lá, subi as escadas que exteriores que levavam para o terraço, e fiquei lá em cima sozinho. Lembrei de tudo que havia acontecido, Alfred devia ter me levado no hospital, mas eu queria ter morrido, o que adianta continuar vivendo com um peso nas costas? Comecei a chorar novamente.
– Que saco! — Escutei um barulho atrás de mim, e quando me virei, pude ver o rosto de alguém que eu não conhecia. - Q-quem é você?
– Desculpe aparecer do nada, eu sou Francis Bonnefoy, primo do Arthur.
– O-oi...
– Você deve ser o Matthew, suponho?
Virei-me de volta para frente, ignorando o suposto indivíduo, observando a paisagem escurecer, até que senti uma mão me puxando e a outra segurando meu queixo, era Francis, ele me olhava fixamente para meus olhos cheios de lágrimas.
E então, ele me beijou.
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