Broken Hearts

32 Desde que você chegou...


Notas iniciais
Quando Barack Obama fez sua despedida da Casa Branca, um dos momentos mais emocionantes do contundente discurso de adeus foi a homenagem que ele fez à primeira-dama, Michelle. Diante do público de mais 20 mil pessoas que lotou o centro de convenções em Chicago, ele agradeceu à mulher. Isso me emocionou profundamente. Bastou dirigir a palavra a “Michelle LeVaughn Robinson, a garota do Sul” para a plateia levantar-se e saudar a primeira-dama com mais de 30 segundos de aplausos ruidosos. Mas não só o público se emocionou. Obama também secou as lágrimas ao dizer: “Pelos últimos 25 anos você foi não apenas e minha esposa e mãe das minhas filhas, você foi minha melhor amiga. Você assumiu um cargo que nunca pediu e fez isso com graça, estilo e bom humor”. Fica aqui meu aplauso às relações de amor, carinho e amizade, entre amigos-amantes. Feliz aquele que amou e foi amado com a mesma intensidade. Meu capítulo de hoje é dedicado à elas! Beijos, Wonderbaties! ♥ Lembrem-se que amar não é um fardo.

*** Gotham City / Apartamento dos Grant ***

Andrea Beaumont não era mais a jovem ingênua que Bruce conhecera quando se apaixonaram, na Faculdade. Ela experimentara um tipo de experiência trágica que a fez crescer em demasia, por causa das cicatrizes emocionais.

Dizer que só Bruce sentira a dor de tê-la perdido seria mentira. Ter que deixá-lo foi, de longe, a coisa mais difícil que já fizera na vida. Mas uma coisa que eles tinham em comum era o senso de responsabilidade e amor desmedido pela família, submetendo-se à auto-sacrifícios, se fosse necessário.

Ambos tinham a mesma ideia de que a família vinha em primeiro lugar. Por isso, mesmo perdidamente apaixonada pelo homem com quem ia se casar, Andrea decidiu fugir com seu pai, ameaçado de morte pelos mafiosos de Gotham, para Europa, abandonando Bruce.

A relação deles não acabou bem. Ela partiu o coração dele sem dó ou piedade. Não foi uma ruptura amigável. Ela não se deu ao trabalho de explicar-se, de ser cuidadosa com ele. Ela simplesmente o deixou. O homem disposto a deixar a promessa que fez a seus pais por ela.

Por isso mesmo, após anos, ela se sentia culpada e sabia que o que fizera a ele demoraria a cicatrizar – se é que um dia cicatrizasse. E mesmo tendo a chance de voltar e recomeçar com ele, ela nunca teve coragem de fazê-lo.

Mas há três anos, ela conhecera Peter Grant, advogado de Chicago. Ela nunca pensou que outro homem ganharia sua atenção. Não depois de um relacionamento com Bruce.

Ela teve namorados, mas nada sério. Porque ninguém era tão bonito, inteligente ou excelente amante como Bruce.

Até Grant chamar sua atenção. Ele era bonito, ambicioso, perspicaz, sedutor e eles se casaram um ano depois de se conhecerem.

Agora ele era o novo promotor de Gotham e seu slogan promocional era acabar com a máfia. E Andrea viu sua grande chance de vingança contra os homens que destruíram sua vida.

Porém, conhecendo a máfia e Gotham como ninguém, ela sabia que seu marido não teria chance se fizesse isso sozinho. Eles precisariam do Batman. E de alguém dentro do esquema, para servir como agente duplo. Então ela se aliou ao Pinguim. Dando a ele a impressão de que sua aliança eliminaria a concorrência e apenas ele teria domínio sobre a cidade, após a prisão dos outros chefões.

Ela amava Bruce. Sempre amou. Sempre amaria. Mas a família estava em primeiro lugar e ela iria se vingar a qualquer custo. Mesmo se o custo fosse magoá-lo novamente.

E seu plano de reconquistá-lo e manipulá-lo ao bel prazer tinha agora um novo obstáculo: uma mulher estonteante. E pelo jeito de Bruce, ele parecia amá-la. Logo, era preciso cuidado e muito tato para lidar com a situação. Por isso, seu primeiro passo seria descobrir quem é a tal morena!

*** Gotham City / Mansão Wayne ***

Diana continuou a estudar Alfred enquanto ele colocava a chaleira sobre o fogão e depois pegou duas xícaras e alguns pacotes de chá.

Nesse ponto, ele finalmente se virou e olhou diretamente nos olhos dela, segurando um olhar que confirmou sentimento de Diana: ele estava olhando para ela com um sentimento de aprovação. E ela sentiu que não apenas a água na chaleira era aquecida, mas seu coração também. Olhar que só foi quebrado quando a chaleira começou seu assobio, indicando a fervura.

— Mestre Bruce me pediu para organizar o jantar do seu aniversário, minha querida. Você tem algo especial que queria que seja providenciado? – O mordomo foi lentamente derramando o líquido nas xícaras.

— Isso é engraçado, Alfred. Wally me explicou sobre aniversários, mas em Themyscira não comemoramos esse tipo de coisa. A passagem de um ano.

— Eu presumo, senhorita, que o motivo seja porque um ano para uma amazona deva ser algo insignificante dentro da cadeia imensa de séculos que elas vivem, estou certo?

Diana gargalhou e fez o estóico mordomo sorrir, satisfeito. Ela estava inadvertidamente sentada no balcão, balançando as longas pernas. Usando uma camisola de seda lisa, sobreposta pelo robe de mesma tonalidade. Descalça, sorridente e os cabelos presos em um coque mal feito que lhe conferia ainda mais graça e faceirice desmedida.

— Alfred, você pode fazer o que quiser. Confio em seu bom gosto. – Ela disse – O que você e Bruce estão aprontando? – Ela sondou, tomando um gole do chá.

— Eu, mestre Timothy e mestre Bruce estamos em uma jornada para dar-lhe um dia especial, minha querida.

— Hum... eu amo surpresas. – Ela sorriu. – Mas porque tenho a impressão que você está preocupado, Alfred?

— Não sei, senhorita. Minha impressão é que teremos tempestades à vista. – Alfred foi sucinto.

Um pigarro de Bruce na porta da cozinha os fez parar de falar. Era a deixa de ambos para terminar a conversa.

E a deixa também para manter os olhos abertos!

*** Istambul / Turquia ***

Bruce Wayne e Mulher Maravilha não eram um casal perante a opinião pública. Ao menos, não ainda. Mas toda expertise do Grande Detetive deveria servir para algo, certo? – além de sua fortuna, obviamente. Então, para dar a sua estonteante namorada uma noite memorável, ele decidiu levá-la para jantar em um lugar onde, com o disfarce certo, ambos não seriam reconhecidos.

Ele a levou para jantar no Matbah Ottoman Palace Cuisine, um dos restaurantes mais sofisticados do país, premiado com as cinco estrelas Michelan, situado em Istambul, na Turquia.

O vê-la desfilar pelo corredor de acesso ao restaurante, com os olhares todos voltados para ela, como se hipnotizados com um único golpe, em uníssono, Bruce não se perguntou se ele iria se acostumar com a aparência de Diana. Ele sorriu porque sabia que nunca se acostumaria com aquela visão divinal.

Especialmente quando ela estava usando o vestido vermelho de seda que ele amava, com um corte que mostrava toda sua vantagem sobre as pobres mortais.

A parte de cima do bustier empinando os seios, que, se não fosse a echarpe por cima, cobrindo a lindíssima clivagem, o efeito seria quase obsceno, de tão sedutor. A seda descia em uma bainha skintight até o meio da coxa, no máximo. Quase toda a sua volta estava exposta. Saltos altos vermelhos completavam o traje arrebatador, que teriam sido estragados se ela usasse meias. Mas ao contrário, do jeito que ele gostava, suas pernas longas estavam nuas.

Bruce cavalheirescamente puxou a cadeira para que ela sentasse, ainda com o olhar faminto por ela. Sua princesa. Diana parou por um momento e sorriu para o maître, que sequer conseguia passar-lhe o cardápio, ainda um tanto atordoado pela beleza diante de si.

— Obrigado por ter me trazido para jantar, Bruce – disse Diana.

— Valeu a pena, minha querida – Bruce acenou com os pedidos e maître saiu, para buscar o vinho e as entradas.

Diana sentou-se, inclinando-se para a frente ligeiramente para acomodar-se em sua cadeira, e mesmo que ainda fosse uma organização de seu assento, quando a echarpe foi tirada, o playboy teve um vislumbre generoso de sua clivagem.

Sendo muito honesto consigo mesmo, Bruce tinha íntimo conhecimento dos seios de sua amada, mas de repente ele se sentiu curioso novamente.

“Nem uma memória treinada pode substituir a coisa real”, ele disse sem perceber que havia falado em voz alta.

— O quê? – Diana disse.

— Nada, princesa. Nada! – Ele sorriu.

A noite seguiu agradável, como se nada mais os importasse. Em breve Bruce deveria voltar para Gotham, para sua patrulha. Mas por hora, ele seria só dela. E Diana soube, mais uma vez, que poderia se acostumar com essa felicidade.

*** Mansão Wayne ***

Saindo da limusine que os havia devolvido à casa, Diana demorou-se um momento para olhar através do enorme portão dianteiro da majestosa Mansão Wayne. A cerca alta, de ferro forjado, cercando um quintal de inúmeros hectares’, a grama limpa e bem aparada, com uma abundância de árvores esculpidas.

Ela ficou lá parada quando Bruce se aproximou e colocou seu paletó sobre seus ombros.

A mansão tinha uma estrutura gigantesca de pedra e vidro, permeada com chumbo. Três andares de altura e, provavelmente, mais de um século de idade. Com um amplo telhado de ardósia cinzenta e portas de carvalho polido, a enorme mansão parecia tão majestosa.

Quando voltaram para Gotham, graças ao fuso horário, ainda lhes restava um par de horas antes do Caped Crusader assumir seu manto e sua patrulha. Então, resolveram aproveitar a noite estrelada com um passeio pelos jardins da mansão, para esticar as pernas e aproveitar a companhia um do outro.

*** Jardim / Arboretum / perspectiva de Diana ***

Eu amo este homem, mas não poucas vezes eu sinto um pedaço da minha mente protestando. A minha herança amazona sente-se irritada por um homem ter esse tipo de efeito em mim. Mas eu não posso fazer muito, senão ceder-lhe o coração. Não há luta quando ele sorri dessa maneira para mim.

Estamos andando pelo jardim. Os braços trancados um no outro. É uma caminhada vagarosa. Eu trago a imagem de Alfred em minha mente. Sempre que eu chego, há um sorriso polido em seu rosto. As mãos sempre presas atrás de suas costas, em respeito elegante. O queixo está sempre posto para cima, régio, nobre. É inconfundível. E eu o amo. Sim, eu o amo. Alfred é meu amigo. Um grande amigo.

Eu adoro o ar de alegria que sinto hoje quando chego a esta casa. Não era assim tão proeminente antes. Alfred era apenas educado e respeitoso, apesar de amigável desde a primeira vez que nos vimos. Hoje não. Hoje eu adoro sentar no balcão da cozinha, para beliscar os cookies que ele faz para mim e Tim. Eu amo as panquecas e toda comida deliciosa que ele prepara sempre que estou aqui. Eu amo roubar as sobras da geladeira e sorrio sempre ao vê-lo corar quando eu o esmago com um abraço.

Eu sei que é pretensioso da minha parte. Mas eu sei que ele está feliz por mim e Bruce.

A lua aparece reverberante no céu. Ainda é inverno, mas eu posso ver o céu de Gotham. Uma coruja passa por nós em direção ao bosque – que faz parte da propriedade. Há uma corsa e dois cervos, de longe, nos observando em meio a densidade da mata. Eu posso vê-los e ouvi-los com a meta audição e visão. Mas não acho que Bruce possa.

Não importa que revistas digam sobre a beleza feminina. Ou que me mostrem nessas fotos aqui no Ocidente. A beleza não está em mim. Isso sim é que bonito: a vida. Mãe Gaia criou a verdadeira beleza: A natureza. As rosas de Themyscira, crescendo junto às rosas de Martha Wayne. As aves. Os movimentos de luz e sombra que a luz da lua projeta pelo caminho. Eu não...

Bruce quebra o silêncio por um instante.

— Eu a vi lendo “Ana e o Rei do Sião”, Diana. Mais uma indicação de Alfred, eu suponho?! – Ele a viu assentir. – Eu lembro-me das aulas de literatura. Obrigavam-nos a recitar alguns trechos. Este é um dos meus preferidos.

— Pode recitar algo pra mim? – Eu olho para ele.

— “Estou começando a gostar de você. Esperando ansioso que você goste de mim. Quero conhecer você. É fácil sentir-me livre quando estou com você. Eu sei o que dizer quando estou com você” – Bruce dirigiu o olhar para longe.

— Eu já li esta parte. O rei de Sião gosta dela. Ana... – Eu aperto-o em meu abraço.

Lembro que os nossos primeiro encontros foram ligeiramente tensos. Acho que era por causa da expectativa de que poderíamos ser interrompidos por alguma emergência. Era difícil relaxar.

Mas minha curiosidade e teimosia ganharam no final. A gente consegue passar um tempo agradável juntos, mesmo que não sejamos um casal convencional, como a maioria.

Eu ainda não entendo coisas sobre relacionamento, mas Dick, Zatanna e Shayera têm de ajudado. Eles disseram que é normal querer saber tudo sobre o outro em relacionamentos. Como a descoberta de hábitos e manias, que só namorados acham encantadores um no outro.

Dick disse que conhecia Bruce o bastante. Que via o rosto dele se transformar quando olhava pra mim, apreciando o modo como eu mordo o lábio quando estou em silêncio, ou quando eu aperto os olhos quando tento lembrar de algo. É engraçado. Porque eu nem sabia que fazia isso.

Já Alfred me disse que Bruce queria passar mais tempo comigo e por isso ele estava me ensinado algumas técnicas forenses que ele costumava usar. Eu sou uma caçadora. Eu amo essa caçada em busca de criminosos. Acho que ele sabe disso. Eu quero que ele saiba que eu amo cada segundo ao seu lado.

Tim me disse que o via sorrir de relance, quando via minha disposição e excitação em aprender. Que ele disse uma vez “o sorriso dela é infeccioso. Eu não posso deixar de gostar disso”.

Eu amo a maneira como Bruce brinca com meu cabelo quando pensa que não estou olhando. Eu percebi a primeira vez quando estávamos lendo em sua biblioteca. Ele estava sentado no sofá, absorto no mais recente volume da revista de Ciência Forense. Eu estava com a cabeça no colo dele. Lendo algum tradicional romance de Jane Austin. Meus pés estavam pendurados no braço do sofá. Eu estava suspirando quando Elizabeth Bennett começou a brigar com mister Darcy e senti uma sensação deliciosa no meu couro cabeludo. Ele estava brincando com as pontas dos meus cabelos, enquanto lia. Como um TOC.

Depois disso, virou uma constante. E ele fazia isso sempre. Especialmente depois que ele chegava da patrulha, achando que eu estava dormindo.

Bom, eu nunca vou admitir, mas eu amo o olhar presunçoso que ele exibe sempre que está prestes a dizer algo que ele sabe que era particularmente engraçado. Às vezes, seu sorriso "antes da piada" me faz rir mais do que a piada em si. Essa extrema confiança é arrogante, mas eu amo essa arrogância nele. Amo. Pelos deuses... o que eu estou dizendo?

— Daqui a duas semanas é seu aniversário, princesa.

— Eu sei... Eu aprecio isso, mas eu não sei bem em que dia eu nasci, Bruce.

— Bom, mas há três anos na Liga nós comemoramos seu aniversário no dia que você chegou. Acho que foi a única idéia inteligente que West sugeriu em anos.

— Não seja tão mal, Bruce. O Wally é um ótimo amigo. Ele só queria que eu tivesse um dia especial, como todo mundo.

— É um dia muito especial pra mim, princesa. Foi a primeira vez que eu a vi.

Um beijo sob a luz da lua selou o carinho entre os amantes.

A perfeição do dia deu-se, contraditoriamente, pela manhã, quando ela acordou, mas ele já havia saído. Um bilhete na cabeceira a fez encher-se novamente de ternura.

“Desde que você chegou, os dias são bons. Até as segundas-feiras”

Para sempre seu, Bruce

Notas finais
Oasis - Little By Little https://www.youtube.com/watch?v=tM1RS_5IAiE Cos little by little We gave you everything You ever dreamed of Little by little The wheels of your life Have slowly fallen off Little by little You have to give it all in all your life And all the time I just ask myself why You're really here? Porque pouco a pouco Nós lhe demos tudo Que você sempre sonhou Pouco a pouco O controle da sua vida Tem lentamente desaparecido Pouco a pouco Você tem que abrir mão de tudo na sua vida E tempo todo eu me pergunto Por que você esta aqui?