Broken Heart - O Diário de Hanakichi
9 Cedendo aos Flashes.
Notas iniciais
Querido Diário...
As coisas meio que se complicaram para nós, porque algo completamente inesperado aconteceu. Quando pensei que finalmente voltaria pra casa com o Shuya, eis que uma multidão de fãs enlouquecidos se encontrava na porta do restaurante. Pensei em sair de fininho, mas eles já haviam me visto, então não era uma boa saída. Pude ouvir com um pouco de dificuldade as pessoas gritando meu nome, pedindo para que eu aparecesse.
Enquanto isso, todos no restaurante me olhavam de uma maneira meio atônita, e eu ainda com uma expressão pensativa e sorrindo feito uma boba... Até que sou interrompida pelo Shuya, que já estava me chamando há alguns minutos.
– Yumene... Acorda!
– Ah, desculpe... Eu estava pensando alto.
– Eu percebi. Daqui a pouco você estava chegando em Marte. — Ele riu, e depois ajeitou a gola da camisa — Parece que estamos presos aqui, ou vamos ter que passar por essa leva de gente.
– Eles não vão sair dali tão cedo. Disso você pode ter certeza. — Então dei alguns passos e fui em direção a porta — Eu poderia jurar que ainda iria demorar um pouco para a notícia se espalhar...
– Aonde quer chegar com isso?
– Você é bobo ou o quê? — Dei uma gargalhada para tirar sarro dele — Eu sou uma estrela da música pop. Era de se esperar que alguém contasse que eu estaria em Inazuma, as vésperas de um show no Japão!
– De certa forma, você tem razão... Mas pretende ir lá sozinha?
– Meus fãs querem me ver, e vou dar a eles esse pequeno presente.
Ouvindo isso, percebi que o Shuya ficou perplexo. Ele sabia que algo estava diferente em mim. De fato, há coisas que nunca mudam nas pessoas, mas todos estavam livres para fazer tudo o que acharem que tem que fazer... E eu não era uma exceção. Ele havia percebido que eu tinha evoluído, de certa forma.
– Por isso mesmo que não deve ir sozinha! Eu irei com você!
– Não vou resistir em perguntar, ficou maluco?
– Bem, pense um pouco, Yumene... — Ele então andou um pouco e ficou ao meu lado — Eles podem querer chegar perto demais, nunca se sabe como os fãs são, não é?
– Tem razão. Vamos lá! — Acenei para o recepcionista do restaurante, para que ele abrisse a porta — Eu estou ansiosa!
Assim que as portas se abriram, e apareci por completo do lado de fora, junto com o Shuya, alguns seguranças já estavam na porta, e ficaram a postos. Como não falei nada a respeito, deve ter sido obra do Kim. Aquelas coisas de artista, sabe? Mas aí vem a melhor parte... Meus fãs. Algumas garotas tinham o corte de cabelo parecido com o meu, ou apenas as mechas roxas.. Algumas até usavam flores na cabeça, que eram minha marca registrada. Vi vários cartazes com dizeres variados, como "Hanne, nós te amamos!", ou "Nossa flor virou estrela!", fora que alguns tinham algumas fotos minhas que bati na Coréia do Sul, e até fotos de momentos meus no Inazuma Japão. Céus! Era tanta coisa que confesso que fiquei atordoada!
E ainda esqueci de mencionar os infinitos flashes que estavam focados em mim e no Shuya! Algumas das garotas até falavam coisas do tipo "Goenji, gostoso! Me leva pra sua casa!", o que me fez rir pra caramba da cara dele. Ele me olhou com uma cara de poucos amigos, certeza de que ele ouviu o que as garotas disseram. Tudo isso misturado as minhas músicas que tocavam ao fundo. Aquilo parecia um sonho... Fui andando em direção a um pequeno grupo que estava bem perto de mim, ainda com minhas "companhias". Pude ver vários blocos de papel estendidos em minha direção, e as vozes das fãs pedindo autógrafos.
– Hanne, assina aqui por favor! Sou uma grande fã sua!
– Ah, claro! — Peguei vários bloquinhos de uma vez e os enfileirei, assinando cada um deles com muito carinho — Aqui está!
– Obrigada, Hanne... Mesmo! — Uma das garotas disse radiante — Mal posso esperar para o dia do seu show!
– Espero te ver lá, hein? — Dei uma piscadela para ela e acenei me despedindo — Até mais!
Continuei com a minha sessão de autógrafos, atendendo várias pessoas e escutando o que elas achavam tanto da minha música, quanto da minha pessoa... Dei até uma pequena entrevista sobre a carreira, e até tentaram fazer fofoca dizendo que eu estava saindo com o Shuya e tendo um caso com ele... Mas levei na esportiva, e desmenti a história rapidinho. Essa imprensa tentando ser sensacionalista de qualquer jeito, ai ai... Só rindo mesmo.
Porém, uma cena me chamou a atenção. No meio de todo aquele glamour, havia uma pequena garotinha que trajava uma roupa que lembrava muito o meu uniforme no time, e uma flor no cabelo. A roupa não era das melhores, estava desfiando e tinha alguns remendos, e ela se espremia no meio da multidão enquanto chamava meu nome. Aquela cena me tocou o coração, e pedi algo para o Shuya.
– Hey, vá lá dentro e peça um bouquet de flores, com as melhores que tiver no lugar. Pode dizer que eu pago tudo.
– Para que você quer isso, Yumene?
– Espere e verá. Pode fazer esse favorzinho?
– Ok...
Ele saiu e adentrou o restaurante, enquanto fui até aquela garotinha que tanto me atraiu. Pedi para que os outros se afastassem e cheguei perto dela. Sem esbanjar uma reação com palavras, a menina apenas me olhou da cabeça aos pés. Então estendi a mão para elas e ouvi suas palavras ditas com dificuldade.
– Hanne-sama... Sou sua maior fã... Desculpe não ter vindo de uma maneira mais bonita, foi tudo o que minha mãe conseguiu fazer...
– Não se preocupe... Você está linda... Como se chama?
– Tsubaki... — Ela respondeu tímida — Minha mãe me deu esse nome porque te admira muito...
Olhando para ela, parecia que tinha uns 5 anos. Era perigoso uma menina estar sozinha nas ruas desse jeito, ainda mais no meio dessa multidão... E depois me dei conta que "Tsubaki" significava o nome de uma flor, se não me engano, Lírio... A minha flor favorita, e a que relembra as minhas hissatsu no Inazuma Japão. Aquele tempinho fora o suficiente para o Shuya chegar com o bouquet que eu havia pedido mais cedo. O peguei com um sorriso no rosto e entreguei para a menina.
– Aqui, isso é para você. São as melhores flores do lugar, escolhi especialmente pra você.
– Hanne-sama, não precisa...
– Eu faço questão. — Fiz um carinho na cabeça dela, e depois tirei minha carteira, entregando uma quantia em dinheiro e dois ingressos para o show — Fique com isso também. Sua presença é muito importante para mim, e traga sua mãe também, ok?
– Obrigada, Hanne-sama...
Ela ficou um pouco chorosa, e me abraçou de surpresa. Me sentindo feliz de uma maneira que nunca havia sentido, a retribuí. Pude perceber também vários flashes no momento, registrando tudo. De certa forma, não me importava com isso. Ver o sorriso no rosto daquela criança me deixou aliviada e satisfeita. Tinha ganhado minha noite com tudo aquilo.
Chamei Tsubaki para dentro do restaurante, e todos os que estavam comigo entraram junto. Acenei para meus fãs me despedindo deles, e as portas finalmente se fecharam. O Shuya me olhou de uma maneira, digamos... Orgulhosa. Nunca tinha visto algo do tipo vindo dele. E parece que ele gostou de minha nova amiga também.
– Então quer dizer que é uma fã do Inazuma Japão?
– Você deve ser Goenji-sama, né? — Ela disse sorrindo — Aquele que chamavam de "Fire Striker"...
– Hehe, sou sim. Bons tempos aqueles...
– Eu gosto muito desse time... Sempre quis estar ao lado deles... Pena que minha mãe e eu somos pobres...
– Não se preocupe, Tsubaki. Vou dar um jeito nisso. — Me coloquei na conversa dando uma piscadela — Você vai realizar seus sonhos!
– Mesmo! Obrigada, Hanne-sama!
– De nada...
Alguns minutos se passaram, e meu celular toca. E para minha surpresa, era o Kazemaru-kun. E disfraçando um pouco, o atendi.
– Que surpresa, me ligando assim do nada...
– Estava com saudades, Hana. — Pude ouvir uma risadinha dele ao fundo — Fiquei sabendo que está presa aí no restaurante..
– Sim, é verdade. Porque me ligou?
– Porque vim te ajudar, oras. Já havia falado com o pessoal desse restaurante, conheço alguns contatos... Resumindo, vim te buscar.
– Mas e quanto ao Shuya?
– Vou falar com ele depois, tenho certeza que vai ter uma ótima desculpa. Estou te esperando na saída dos fundos do restaurante. Assim o povo lá na frente nem vai te ver saindo.
– Tudo bem, estou indo...
– Ah, Hana... Esqueci uma coisa... Eu te amo.
– Kazemaru-kun! — Rebati com um pouco de vergonha — Eu também te amo...
Desliguei o celular e logo olhei para o Shuya, dizendo o meu mais novo plano. Que de meu não tinha nada, pra variar.
– Shuya, quero que faça o seguinte. Leve a Tsubaki até a casa dela, irei sair pelos fundos.
– Mas se eu não chegar junto com você, a Aiko vai desconfiar...
– Me viro com a Aiko-san depois. É melhor fazer isso, a não ser que queira passar pela multidão lá fora.
– Tudo bem, estamos saindo.
Demos o sinal e cada um tomou seu rumo. E quando abro a porta dos fundos do local, eis que o Kazemaru-kun estava me esperando, montado na moto, e já com o motor rangindo mais que um cachorro raivoso. Bem, eu não deveria falar isso, mas tudo bem, foi o momento...
Um pouco desconsertada por causa dos meus trajes, subi na moto e enlacei meus braços na cintura dele, me segurando com uma certa força. Pude ver um sorriso dele antes de saírmos.
– Vai ser um passeio bem turbulento, Hana... É melhor segurar firme!
– Se me derrubar daqui, juro que te dou uma voadora de salto alto mesmo.
Ele gargalhou e me chamou de boba antes de saírmos em disparada. Percorremos as ruas de Inazuma sem sermos notados, o que foi um alívio... Já pensou uma perseguição no meio da noite com flashs e fãs enlouquecidos? Seria divertido, mas aquela não era a hora.
Se passou algum tempo e chegamos em casa. Quando desci da moto, eu olhei para o Kazemaru-kun de uma forma agradecida, ele realmente salvou minha pele... E claro que aproveitei o momento para ficar mais juntinha dele.
– Pensei que não queria mais me ver sabia?
– Como não, Hana? — Ele então me pegou pela cintura, deixando nossos corpos praticamente colados — Eu precisava estar com você, sabe que sinto saudade...
– Obrigada por hoje. Você me ajudou muito.
– Disponha. — Em seguida, ele levou uma das mãos ao meu queixo, levantando meu rosto — Tenho uma coisa para você...
– Não guarde segredos... Apenas me mostre.
Sem pensar duas vezes, ele me beijou com o mesmo desejo daquela noite. O correspondi na mesma hora, levando minhas mãos ao pescoço dele. Eu não podia negar... O Kazemaru-kun sabia mesmo me provocar... Eu nunca iria imaginar que ele faz a linha de sedutor. Me surpreendeu, mas eu queria cada vez mais.
Por estarmos na porta da minha casa, não pudemos aproveitar muito tempo, então logo nossos lábios se separaram... E nosso momento foi interrompido quando ouvimos o barulho de uma buzina bem perto.
– Opa, parece que o Goenji chegou.
– Sim, e numa hora inoportuna...
Esperamos ele chegar e guardar o carro, e em alguns minutos meu algoz já estava a caminho. Ao ver nós dois em um momento, er... Romântico, ele riu um pouco da situação.
– Parece que as coisas estão esquentando a cada dia...
– Não enche, Shuya!
– Estou brincando, Yumene. E Kazemaru, obrigada pela ajuda... A gente estaria numa fria se não fosse por você.
– Relaxa cara. — Ele então riu por um breve momento — Isso não foi nada. Bem, eu tenho que ir agora. Hana... Eu vou te ligar, está bem?
– Tudo bem, Kazemaru-kun, tome cuidado.
– Você também, querida. — Ele então deu um selinho em mim e foi até a moto dele — A gente se vê!
Não conseguia acreditar que ele fez aquilo na frente do Shuya, sem ter medo de absolutamente nada! Bem, talvez não tivesse nada a perder, pelo fato eu não ter mais compromisso algum com o Fubuki. Ou então para mostrar que era ele a pessoa que estava comigo agora. Mas que seja.
Entramos na casa e encontramos a Aiko-san desesperada, parecia que tinha passado um furacão no lugar!
– GRAÇAS A DEUS VOCÊS ESTÃO BEM! PORQUE RAIOS DEMORARAM TANTO?
– A Yumene parou pra falar com os fãs, só isso... E a gente teve que driblar a imprensa e os flashes do lugar pra sair em segurança.
– Mas de qualquer maneira, está tudo bem. Aiko-san, aconteceu algo aqui enquanto estivemos fora?
Nessa hora, ela gelou. Parecia que estava com medo de alguma coisa, não queria contar algo... Mas logo deixei minha desconfiança de lado quando ela resolveu falar.
– Bem, a imprensa veio até aqui, mas eles deram azar, despistei eles numa boa... Provavelmente a matéria vai pra TV amanhã.
– Céus, as coisas chegaram nesse nível?
– Pra você ver, Yumene... É o que dá ser uma estrela. — Ele então riu e seguiu pra seus aposentos — Ai-chan, eu estou muito cansado, a noite foi agitada... Vamos pro quarto, sim? Precisamos conversar...
– Sobre o que?
– Só vou te contar se vier comigo. — Ele deu um abraço apertado nela e beijou sua testa — Vamos indo?
– Tudo bem... E quanto a você, Hanne-chan?
– Não se preocupem comigo. Vou tomar um banho e assistir a TV, não estou com sono ainda..
– Certo... Qualquer coisa, nos chame, ok?
– Pode deixar.
Cada um seguiu pro seu canto, eu fui tomar banho, e eles foram pro quarto. Mas algo me deixou curiosa. Aiko-san e o Shuya não costumam conversar assim, do nada... Ali tinha coisa. Então depois que terminei liguei a TV pra disfarçar, vesti meu pijama florido, soltei meus cabelos e saí do quarto na ponta dos pés, e percebi que a porta do quarto dos dois estava entreaberta... E eu sabia que a Aiko-san não guardava segredos pro Shuya, então apenas esperei, silenciosamente. Até que ela fala em um nome muito familiar.
– Shuya-kun, você precisa falar com o Fubuki... Algo terrível vai acontecer!
Quando ouvi isso, arregalei os olhos. Eu de certa forma não me importava, mas porque ela estava falando do Fubuki? Eles dois são rivais declarados... E o que ela quis dizer com "algo terrível"? Será que era por minha causa...?
Eu estava com medo de descobrir, mas ao mesmo tempo, me sentia obrigada a fazer isso.
Diário... As coisas estão cada vez mais estranhas... Eu preciso ir agora, e saber o que está realmente acontecendo!
Eu juro que volto, ok?
Beijos.
De sua amiga, Hana.
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