Broken Glass - Caco de Vidro
27 Capítulo 27 - Terrífico
Notas iniciais
Anyway, vim aqui com um cap novo e com um capacete na cabeça. Além de me proteger pelo fato de ir no Grenal domingo (e eu sou gremista = gaúchos entenderão, hehe, mas foi só uma brincadeira, viu? D:), tenho que me proteger das pedras!
Quatro meses sem postar! Sou muito cara de pau, não é? Mas eu não programei essa fanfic como as outras, porque sempre foi uma coisa muito... Criativa. Se a ideia viesse em mente, eu colocava. Foi uma bagunça só! Então, eu tinha me decidido por fazer um "resuminho" do que aconteceria nos caps, mas ele já acabou. A partir da vinda dos Volturi, eu não tinha escrito mais nada. hehehe
Por isso, o bloqueio frequente voltou. Mas espero que gostem e que, agora com "Isso É Amor?" e "Minha Vida Não é Nada Sem Você" terminadas e com "Dulce Pecado" quase, eu poste mais rapidamente. Duas semanas tá bom, né? hehehe
Beijão e quero críticas, ok? *-* Sejam duras comigo, mas sem ofender. Please! Adogo! ♥
Mas os meus pensamentos logo foram interrompidos pela trupe que alcançou o meu olhar. Aquelas estaturas eram-me conhecidas; por conseguinte, o meu coração deu um solavanco: nada daquilo poderia ser possível, nada daquilo passava de um mero pesadelo. Talvez fosse apenas um pesadelo muito real. Por mais que os meus instintos não me dissessem isso.
Capítulo 27 — Terrífico — Renesmee's Point of View
A dor que se apossou de meu corpo logo avisou-me: nada daquilo era sonho ou pesadelo, imaginário ou ilusório, umbrático ou quimérico, suposto ou figurado. A queima que adentrava em meu corpo inferia em uma constante dor em minhas veias, uma questão de pura adrenalina mortífera. A figura loira e de estatura baixa, que eu compreendia por ter avistado anteriormente, provavelmente, era a causadora de tudo aquilo.
- Vejamos o que temos aqui... — Jane pronunciou com a sua voz infantil e calma enquanto trajava o mesmo figurino escuro de sempre.
Minha respiração, instantaneamente, fraquejou. Por mais que ela não estivesse regular anteriormente, ouvir o soar dos sinos adaptados na pronunciação daquela pequena criatura fraquejava-a. Jane não era flor que se cheirasse e, com certeza, faria algo contra a minha família assim que acabasse comigo. Eu tinha de defender-me e acabar com a anãzinha; caso contrário, aqueles que eu mais amava estariam em perigo.
A dor pareceu cessar; e o meu olhar, em seguida, fitou-a amargamente. O ódio e rancor por ser tão fraca contra ela apossaram-se da minha alma. Eu queria morrer, eu merecia tal. O que uma grávida imbecil poderia fazer contra Jane? Imprestável: essa palavra descrever-me-ia.
- Não é que a híbrida está pateticamente grávida?! Aro adorará saber que um monstro meio lobo, meio vampiro nascerá de dentro dela. — Pronunciou a vampira loira, não se dirigindo a mim, como se eu não estivesse ali.
- Criança. — Sussurrei, erguendo-me do chão e fitando-a a apenas alguns passos de distância.
- Como?
- Ele não será um monstro: será uma criança. Assim como um dia você foi por mais árduo que seja imaginá-la inocente. — Envenenei o ar, procurando um confronto onde eu pudesse transformar-me em loba e acabar com aquela cretina.
- É, Jane, parece que alguém aqui quer briga. — Felix murmurou, chamando-me a atenção. Era estranho vê-lo tão descontraído. Ele sempre fora muito sério e rígido, principalmente com a sua postura. Era, no mínimo, peculiar.
- Se eu fosse você, eu não deixava... — Demitri completou, rindo-se. Claro, ele havia visto aquilo no facebook: era o melhor jeito de iniciar-se uma briga. Quem diria que a tecnologia adentraria as muralhas de Volterra, o berço dos vampiros mais sádicos da Terra!
Eu dei uma risada sem emoção, posicionando-me a fim de proteger o meu filho. Infelizmente, as poucas aulas de luta que eu havia tido não eram aplicáveis com um barrigão no caminho, pois chutes e saltos saíam prejudicados. Por outro lado, eles estavam apenas em oito pessoas, o que, além de surpreender-me, causou-me certo alívio.
- Irmã, espero que cumpra o que Aro pediu-lhe. — Sentenciou Alec, aproximando-se e tocando o ombro de Jane. A última sorriu maleficamente, fitando um novo integrante que eu não reconhecera e assentindo-lhe, cujo "apresentou-se-lhe" não houvera.
O vampiro de cabelos negros e curtos estralou os dedos, meramente ilustrando a cena. Inesperadamente, um círculo de fogo aparecera a partir do chão, cercando-me, mas dando-me certa distância daqueles que provocavam tudo aquilo. Fitei os seus olhos, e eles aparentavam queimar, pois estavam mais vermelhos do que o normal.
Uma chama atingiu a minha pele descoberta do braço, agoniando-me e trazendo alguns pensamentos de volta à minha mente. O colégio tão frequentado em meus dias mais confusos era apenas uma memória no fundo de minha mente. Desde que descobrira sobre a gravidez, não podia expôr-me de tal maneira, causando ausências incontáveis. As confusões entre Richard, Seth e Jacob pareciam um absurdo ao serem observadas de minha atual perspectiva já que nunca houvera dúvidas de quem eu amava. Catherine e as outras pessoas de quem eu estava afastada causavam-me um aperto no peito: que nunca mais as veria, nunca mais diria o quão importantes são para mim. Talvez eu nunca desse importância digna a eles, a Sam, a Jared, a Kim, a Paul... Sempre tão distantes que, apenas notei que sentiria a sua falta, na beira da morte.
Talvez fosse apenas a morbidez prevalecendo; entretanto, eu percebera que só dá-se o devido valor quando está prestes a perder algo. Infelizmente, a sociedade egocêntrica, com o seu indivualismo e o seu cepticismo, deixava-me enojada. A ganância dos Volturi far-me-ia morrer e abandonar a irmandade que necessitava de tanta ajuda (adjutório este que eu só percebera no meu leito de morte).
A chama em minha perna era o que menos doía em meu molestado coração. Se abandonasse Jacob e a sua família, acriminar-se-ia, onde quer que estivesse, pois sabia do quão culpados eles sentir-se-iam. Porém, morrer junto ao seu filho, servindo-se-lhe de túmulo e protegendo-o do mundo hediondo em que se encontrava, aparentava ser a melhor — e talvez a única — opção.
- Já chega, Gregory. — A voz insensível de Jane, ainda que a frase fosse em uma vã tentativa de parar o sadismo do companheiro de luta, era inalterável. Ela parecia basear-se em seus mestres, pois ora estava entediada como Marcus, ora estava zangada como Caius, ora estava ressentida (mas não o demonstrando) como Aro. Era incrível a semelhança dela com os demais; entretanto, o tal de Gregory não parecia seguir o seu espírito. O sorriso maroto em sua face demonstrava a sua perversão, e o fogo ainda picando levemente em minha pele confirmava a minha conclusão.
- Viemos aqui com um único propósito. — Sentenciou Alec, aparentemente relembrando os demais. Servia, decerto, como um aviso. Realmente, eles estavam muito alterados (pelo menos, internamente). Sorri, pois; sabendo que isso pesaria a meu favor.
- Certamente, meu caro irmão. — A voz impassível de Jane fez-se presente novamente. Revirei os olhos. Não aguentava mais aquele teatrinho.
- Aro quer integrá-la na guarda! Simples assim! — Determinou o impaciente Gregory.
Reparei nas suas madeixas escuras e na negritude de sua pele: certamente, pelo tipo de atitude, ele era um novo integrante, ainda sendo treinado. Sendo assim, tudo fora planejado para pegar-me desprevenida e não estar acompanhada pela minha família. Senão, não teriam trazido alguém tão destreinado para visitar-me. Era para ser algo rápido, prático e limpo. Nada de lutas. Suspirei.
- E se eu não quiser me juntar a vocês? Será simples assim? — Retruquei, buscando enervar o novo vampiro e procurando ganhar tempo. Talvez, com a minha demora, alguém desse por conta de que havia uma híbrida grávida faltando em casa.
Não consegui identificar quem; porém, alguém riu. Era uma risada sufocada em sua garganta, talvez porque não era o motivo mais propício para rirem-se. Entretanto, senti que as minhas chances diminuíam a cada segundo ao vê-los tão confiantes. Eles deveriam ter uma carta na manga para fazê-lo.
- Por isso, trago-lhe uma carta de meu mestre. — E Alec, com toda a sua elegância, sendo o contrário de sua irmã, começou a profanar as palavras sádicas de Aro. Ah, como ele deve ter divertido-se escrevendo-a! — Queridíssima Cullen... Ou devo dizer Black? Admiro-a muito pela sua coragem de encarar a minha guarda e fazê-los ler essa carta. Admito que seja o nosso último recurso, pois não vejo como obrigá-la a juntar-se a nós, mas há como convencê-la.
Senti certa hostilidade em suas palavras. Não saberia dizer-lhe que sentimento apoderou-se de meu peito; porém, era algo parecido com a coragem. Talvez fosse a minha prepotência falando mais alto, pois eu, nunca, conseguiria revidar ataques de mais de um guarda. Além disso, a minha barriga era um empecilho nessa luta. Suspirei, aguardando o resto daquelas palavras tão invasivas.
- Veja bem: se você tivesse de escolher entre o seu filho e os seus pais, quem você escolheria? — Continuou Alec a ler aquele maldito papel. Como eu queria destruí-lo apenas com um olhar!
Como eu poderia escolher entre aqueles que me amavam e aquele que eu amava? Claro que eu era absurdamente apaixonada pela minha família. Não haveria outro lugar onde eu gostaria de ter nascido. Eu sentia-me feliz apenas com a calma de meu tio Jasper, as brincadeiras de meu tio Emmett, os carinhos de Rose, as loucuras de Alice, a meiguice de Esme, os gestos relaxados e compenetrados de Carlisle... Eu não conseguia, sequer, pensar em não ter os meus pais.
A minha mãe... Ah! Minha querida mãezinha! Como ela pôde desistir de sua humanidade, de ver tudo erradamente certo, de sentir dez vezes mais, de viver com a adrenalina no sangue para ter-me? Por mais que eu tivesse consciência de que ela já queria tornar-se vampira, Isabella havia arriscado a própria vida para conceber-me. Era incrível o que nós, mães, fazíamos por amor, e era impressionante o quão bom era a sensação de participar desse ciclo que tanto espalhou amor para o mundo.
E o meu pai... Sem comentários para o meu herói. Mesmo que ele tenha sido um pouco rígido demais algumas vezes, eu sabia que era a preocupação dele comigo. Ele amava-me e, por isso, sofria ao pensar na possibilidade de ver-me machucada (tanto física quanto mentalmente). Edward Cullen era o meu protetor, mas, acima de tudo, era o meu pai, e isso justificava os meios.
Eu necessitava de ambos. Precisava, pelo menos, vê-los vivos ainda que longe de mim. Imaginava o rosto desgostoso de meus tios, as decepções expostas nos rostos de Esme e Carlisle e a face de meu tio Charlie, que aceitara adentrar o mundo sobrenatural em busca de uma aproximação com a sua filha e, depois, com a sua neta. Eu sabia que era difícil para ele aceitá-la tão mudada; porém, Charlie aceitava-o e ainda sorria ao vê-la. Sentia os braços gélidos ao seu redor e não reclamava. Era muito carinhoso mesmo não admitindo. Portanto, sabia que ele sofreria muito menos se eu sumisse no lugar de minha mãe. Ela seria mais madura para lidar com esse tipo de situação em que se tem de consolar as pessoas. Eu era, simplesmente, péssima nisso. Às vezes, sentia-me até insensível por não conseguir falar algo que fosse eficaz; porém, era simplesmente um bloqueio meu.
Enquanto isso, eu ainda tinha de pensar em meu bebê. Agradeci mentalmente a Alec por ter dado uma brecha aos meus pensamentos. Era bom esquecer, por um momento, que eu estava no meio de uma floresta com vampiros assassinos e maléficos ao meu redor. Era aconchegante pensar em minha família; e, ali, percebi que, por maior que fosse a falta que eu sentiria de meus parentes, eu poderia subsistir com a lembrança. Nunca seria a mesma coisa, entretanto seria uma saída.
O meu bebê, por mais que eu amasse loucamente a minha família, era fruto de um amor ainda mais louco. Primeiramente, ele era um filho de Jacob Black, o amor eterno de minha vida. Mesmo que ele errasse, eu nunca o culparia. Ele não era perfeito, tinha as suas falhas, e eu admirava-as. Como alguém poderia ser tão honesto e cuidadoso? Ele amava-me, e eu não seria louca o suficiente para não responder a um sentimento tão forte.
De maneira alguma, eu poderia sobrepôr o meu filho à minha família. Porém, imaginar que eu não seria a primeira pessoa a pegá-lo no colo, passear com ele pela praça, vê-lo sorrir sem dentes ( ou com dentes e, depois, banguela), vê-lo dar os primeiros passos, mostrar o primeiro sorriso, desabafar em uma primeira crise, apaixonar-se pela coleguinha da escola... Nada disso eu vê-lo-ia fazendo. E, sem isso, eu nunca conseguiria sobreviver.
Entretanto, com as lembranças dos meus momentos familiares e com o saber de minha família estar sendo consolada, eu escolheria a minha ida a deles. Era óbvio que os Volturi imaginaram que eu faria exatamente isso, mas não me preocupei. A felicidade de minha família e a saúde de meu filho eram as coisas mais importantes. Todavia, era claro que eu não cederia facilmente a eles. Veríamos os argumentos tão poderosos da guarda.
Percebendo que Alec não seguia a leitura, ergui os meus olhos e fitei os seus, que possuíam uma profunda e forte coloração púrpura. Pareceu enfeitiçar-me por alguns segundos até eles desviarem ao pedaço de papel e seguirem as linhas, enquanto a sua boca movia-se, tocando uma pequena sinfonia, digna de um concerto.
- Claro, não estou chantageando-a nem nada. Apenas acho que, se tivermos de ir até aí averiguarmos a sua situação, as condições em que se encontram os Cullen podem piorar. Sabe, ilustríssima Renesmee, a nossa guarda aumentou. Provavelmente, já conheceu o Gregory, mas ele é apenas um dos onze novos vampiros que decidiram juntar-se a nós. Imagine o motivo! Deve ser agradável estar próximo a nós, não é? Pelo menos, o perigo fica bem longe...
Eu não sabia se era para entender aquilo como uma indireta. Naquele momento, eu encontrava-me perdida em meus próprios pensamentos. Será que Aro seria capaz de tudo aquilo mesmo? Uma vez que a minha memória era quase perfeita, eu lembrava-me ainda do nosso último encontro. Fazia anos, mas, nem por isso, eu havia esquecido. Eu sabia como os meus familiares temiam-nos, então, ainda que eu não soubesse o motivo, deveria fazê-lo também.
Suspirei pesadamente. Saber que você é totalmente impotente era péssimo. Como lutar sabendo que se perderá? Era quase a teoria do Humanitismo, criada na Literatura Brasileira. Era engraçado eu saber disso; porém, sempre achei curioso o modo do pensamento tão pessimista de Machado de Assis. "Ao vencedor, as batatas!", profanava ele através de sua personagem Quincas Borba. Que as entreguemos logo aos Volturi e acabemos com isso! De acordo com o autor, a vitória, na sociedade, é relativa; os vencedores, logo, seriam os perdedores. Então, apenas, sorri. Em algum momento da vida, aqueles que me subestimavam teriam a minha revanche por mais que não fosse eu a fazê-la.
- E não vejo outras formas de convencê-la a unir-se a nós. Aposto que encontrará os seus próprios motivos. Assim, deixo-lhe encarregada de sua decisão. Espero que seja a mais sensatas. Atenciosamente, Aro Volturi. — Terminou Alec; vidrando, mais uma vez, os olhos nos meus. Por um momento, perdi-me novamente neles e assustei-me com a possibilidade de perder-me nos orbes vermelhos. O meu bebê, no mesmo momento, chutou fortemente, talvez irritado com a situação, constrangendo-me.
- E então, "querida" Renesmee? — Perguntou uma Jane enojada. Percebia-se a acidez em sua voz e a antipatia mútua que sentíamos.
Felizmente, eu sabia que os Volturi não me causariam mal algum, uma vez que Aro não comentou uma medida sequencial. Entretanto, depois, iriam atrás de minha família ou pegariam o meu filho. Ambos os casos, eu queria impedi-los. Como os faria, então? Eu apenas me negava a ver a verdade que estava diante de meus olhos: eu teria de entregar-me. Todavia, eu precisava despedir-me, não conseguiria deixá-los apreensivos ou preocupados. E a coisa mais importante de todos: eles teriam de descobrir o que Jose realmente era e a quem ela obedecia. Era óbvio que Seth prejudicar-se-ia; porém, seria melhor para ele desvendar os mistérios dela agora do que encontrar, em algum dia, a verdadeira identidade. Não sabia como ele reagiria, mas, às vezes, é necessário um choque de realidade para despertarmo-nos de pesadelos que parecem sonhos.
Uma única e solitária lágrima (representando o que eu logo seria) despencou de meu olho, tratando de extinguir-se no final de minha face, descendo pelo pescoço e sumindo. Um riso foi-se ouvido, e logo virei-me de encontro à abominável Josiane que se juntara àquele grupo. Fitei-a amargamente e vi, ali, um sorriso de vitória. E o pior era saber o quão rendida eu encontrava-me. Era idiota, estúpido, inútil tentar algo contra eles, ainda mais sabendo que eles revidariam em alguém de sua família.
Assim, ergui-me do chão à medida que as chamas, ao meu redor, dissipavam-se. Suspirei e assenti simplesmente. No entanto, não seria tão simples. Encarei os olhos de Alec, que estavam presos em mim, e gaguejei levemente, com medo da resposta:
- Eu irei com duas condições: quero despedir-me de minha família, nem que seja por uma carta, e, assim que o meu filho nascer, Jacob buscá-lo-á em Volterra. Vocês deverão deixar toda minha família ir ver-me.
Um breve olhar foi repassado pelos guardas, e agradeci mentalmente a Deus por ver Alec assentir.
- Tudo bem, mas nós entregá-la-emos. — Revirei os olhos. Era quase como se ele falasse: "não queremos vê-la ir e não voltar". Era patético os quão inseguros eles ficavam próximos à minha família. Eu sabia que, desde o último confronto, eles tinham certo ressentimento com ela, todavia imaginava que tivesse sido esquecido. Pelo visto, o meu pensamento não ocorrera.
"Trato feito. Tragam-me a folha e a caneta!", eu queria dizer com uma voz de general, uma vez que eu sentia-me mais no controle da situação do que eles. Ri baixinho, intrigando-os pelo que percebi em seus olhares confusos.
Entretanto, apenas balancei afirmativamente a cabeça e balbuciei alguma forma besta de confirmação. Eu queria escrever logo a carta e livrar-me do peso em meus ombros. Queria ir logo para Volterra a fim de que as lembranças em minha mente permanecessem fortes e perenes. Eu teria, afinal, de lembrar-me exatamente de minha família (e nesta se incluía Jake) se eu quisesse subsistir sem um coração despedaçado. Não que isso não fosse ocorrer, mas poderia ser evitado.
Suspirei. Amar, por mais que fosse em diversas maneiras, sempre causava sofrimento. Talvez fosse verdade mesmo: o ser humano poderia ser o animal mais estúpido que existe. Não por estragar o mundo em que vive ou por insistir nisso, mas sim por cometer o mesmo erro sempre: o de amar. Ainda que eu sentisse o quão prazeroso é quando se é correspondida, como eu senti com o Jacob, eu sabia que era um erro. Isso pois, conforme o fazíamos, sofríamos. Se ele não acabasse, em algum momento, enfrentaria uma crise. E, mesmo que isso apenas o reforçasse, eu não podia querê-lo. Eu não era, afinal, a única a sofrer por amor. Jacob, Edward, Bella, Alice, Jasper, Emmett, Rosalie, Esme, Carlisle, Charlie, Sue, Emily, Seth, Embry, Quil, Claire e todos os outros que me cercavam sofreriam. Pelo menos, imaginava eu.
Assim, a única coisa que eu desejava era nunca ter nascido. Ou melhor, nunca ter amado. Pessoas insensíveis, talvez, fossem mais felizes.
Notas finais
Beijão, bom fim de semana! Os amo *-*
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