Notas iniciais
Olá! Sim, minha primeira fic. Eu sei, é muita emoção. Espero que entendam todo o conteúdo violento que coloquei na estória, por mais que eu não entenda muito disso. Sejam bonzinhos. ♡

A noite caía tranquila por Sydney. Enquanto a maioria das casas permanecia apagada deixando apenas os postes com o trabalho de iluminação, um pequeno galpão ao leste da cidade parecia não se ajustar ao relógio do restante dos cidadãos. Além do forte cheiro de cigarro que vinha do estabelecimento, o barulho da música alta se misturava com os gritos histéricos de todos que estavam presentes. Para qualquer um que passasse por aquela rua e notasse todo o caos que surgia dali, certamente correria. O amontoado de motos e os estranhos caras tatuados que ficavam na porta não ajudavam na estética do ambiente. Certamente nenhuma garota em sã consciência teria o tipo necessário para frequentar um galpão tão desconhecido e barulhento, ficar em casa dormindo ou em alguma lanchonete no centro da cidade com os amigos parecia bem mais prudente do que se submeter a essa situação. Mas Margo não era esse tipo de garota, e aquele parecia ser o lugar ideal para ela.

“Nos mostre o que você sabe garota!”

“Saia daí, sua otária!”

“Mulheres não podem lutar, branquela!”

“Por que não desiste dessa história e eu te pago uma bebida?”

“Teria mais sorte na minha cama.”

Os gritos nojentos que vinham de todos os cantos do galpão não abalavam a estrutura rígida de Margo. Ela estava decidida e sabia de todo o potencial que possuía para fazer aquilo. Havia treinado por mais de três meses para aquele momento, não deixaria velhos nojentos a fazerem desistir do que sabia que venceria. Vencer era a palavra chave, tantas vezes recitada em seu treino. “Não aceito outra coisa de você senão a vitória, Margo”, seu treinador sempre dizia. Claro, a estrela das lutas não perderia tão facilmente, nem em um lugar como aquele.

Então, por que por trás de toda aquela postura os ossos da menina tremiam mais do que nunca? O oponente certamente não ajudava muito na situação de controle. Um dos mais brutos homens de Sydney estava bem a sua frente, e ele parecia ter pelo menos dois metros de altura, além dos braços que faziam curvas extraordinárias até sua cintura. Margo precisava bem mais do que o incentivo que a palavra vencer a proporcionava, ela precisava colocar todo o seu suor naquela luta, sair vitoriosa e receber todo o dinheiro necessário para terminar de pagar tudo o que precisava.

– Margs, está na hora. – o treinador posou a mão no ombro da menina – Lembre-se de tudo que treinamos até hoje. De você eu não aceito outra coisa senão a...

– Vitória. – a menina consentiu.

Algumas meninas seminuas passaram segurando uma placa que dizia que a primeira rodada havia começado. Margo puxou todo o ar possível em seus pulmões e estalou o pescoço em dois movimentos rápidos. Era agora. Ela precisava lembrar todos os movimentos ensaiados durante esses três meses e acabar chutando a bunda do cara a sua frente.

Com um passo rápido, a menina se atreveu a dar o primeiro sinal de início. O homem do outro lado da área demarcada respondeu com mais alguns passos e socos precisos, que a garota desviou com astúcia. Margo pensou em enganá-lo com alguns socos por cima e logo após o surpreender com o chute na barriga, mas ele parecia experiente demais para cair em uma dessa. Talvez fosse melhor apelar para seu artifício mais especial: a velocidade. Atacaria com socos rápidos e o cansaria até se sentir segura para um golpe final em seu queixo.

O lutador não parecia paciente o suficiente para a menina franzina que estava a sua frente. Com uma violência brutal ele se atirou em um arsenal de socos para cima da garota, e após algumas tentativas acertou bem em cheio a mandíbula frágil da menina. Margo por mais que tentasse não conseguiu ficar em pé após aquele ataque. Sua boca inteira formigava e ardia simultaneamente. Ele não era fácil de lidar, exatamente como ela imaginara. Teria bastante trabalho com aquele grandalhão corpulento.

A ideia precisava ser executada antes que ele se jogasse novamente para cima dela. Com um salto, Margo levantou-se e logo partiu para o ataque ágil que planejara, ignorando totalmente a dor alucinante que vinha de seu queixo. Antes mesmo que o lutador pudesse pensar em se defender, a menina já havia o socado vezes demais para estar pronta para o ataque surpresa. Com menos de dois minutos, o corpo grande e forte se encontrava deitado no chão, enquanto Margo erguia os braços em forma de agradecimento aos gritos surpresos que vinham do grupo a sua volta.

“Você viu aquilo?”

“Eu não posso acreditar!”

“É, você luta bem para uma garota.”

“Docinho, eu ainda posso te pagar uma bebida.”

“A vencedora é Margo Oneal!”

– Nate?

A menina sussurrou para o apartamento escuro que acabara de entrar. Todas as luzes estavam apagadas, assim como o resto do prédio. O colega de quarto da menina, ou o melhor amigo dela, nunca dormia cedo, mas já eram quase cinco da manhã, por isso achou melhor perguntar antes de chegar batendo todas as portas do local.

– Hum, Margo? – bocejou.

Com um certo alívio, a menina adentrou a sala do apartamento com mais segurança do que no inicio. Odiava mais do que tudo acordar Nate, sabia o quanto ele trabalhava e quão cedo começava a empacotar todos aqueles presentes na loja de conveniências, nunca parecia justo o despertar a qualquer hora do dia.

– Achei que estivesse dormindo. – ela sussurrou – Está tarde, volte a dormir. Só vou tomar um banho.

– Não, ei! – ele já estava em pé ao lado dela – Seu queixo está machucado...

– Você sabe bem como é, Nate. – ela se desvinculou do toque do amigo – É apenas um arranhão, é o preço que se paga por precisar tanto de dinheiro.

O menino a olhou como se aquilo doesse bem mais que o soco que ela tinha levado mais cedo. Ele detestava todas as vezes que ela insistia com aquele modo de ganhar dinheiro, por mais que os dois precisassem. Só de pensar em qualquer sujeito a batendo, encostando a mão no rosto delicado de Margo, o sangue subia-lhe quente pelas veias.

– Sabe que não precisa mais fazer isso. – ele praguejou – Toda essa violência, Margo, só de pensar que algum cara encostou em você dessa forma eu tenho vontade de...

– Ei, ei, Nate! – a menina o abraçou forte – Nós já conversamos sobre isso. Eu não sou igual às outras pessoas, você sabe disso. Não posso simplesmente sair por aí e trabalhar dignamente com você.

– Eu odeio quando você fala assim! – ele a empurrou para longe – Por que, Margo? Você não é desonesta só porque seus pais eram, e muito menos precisa pagar por todos os erros que eles cometeram.

Margo sentiu seus olhos umedecerem e quase que como um reflexo deu um forte tapa em seu próprio rosto. Ela prometeu a si mesma que nunca mais choraria por qualquer coisa que estivesse relacionada a seus pais ou ao seu passado. Tudo deveria ser enfrentado de cabeça erguida, como vinha acontecendo todos esses anos.

Teve vontade de bater tão forte em Nate até que ele pedisse desculpa por tudo aquilo que ele havia falado. Mas percebeu que a ideia de bater em seu melhor amigo com o mesmo ódio que batia em seus adversários a causava ânsia de vômito. Não sujaria suas próprias mãos com o sangue da pessoa que mais amava no mundo. Teve vontade de se tapear novamente.

– Escute, eu vou tomar um banho. – a garota saiu em direção ao banheiro – A propósito, eu ganhei.

Ainda de costas, a menina jogou sobre a mesa da sala tudo que havia ganhado aquela noite. Um bolo de notas de cem se desfez na madeira escura e descascada do centro da sala. Se Nate tivesse a coragem de sentar-se no chão e contar todas aquelas notas, certamente se surpreenderia com a quantia ganha.

Ela era realmente boa naquilo, por mais que doesse para ele admitir isso. Como poderia negar a fonte de renda mais maciça que tinham atualmente, enquanto ele era apenas um empacotador idiota da loja da esquina, ganhando menos da metade do que ela conseguia em uma noite? Sentiu vergonha de si mesmo naquele momento, e como um impulso ensaiado, repetiu o tapa que a menina havia se dado minutos mais cedo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.