Notas iniciais
Eu estava lendo algumas fanfics que o Carlos era assim meio solitário, e eu tive a ideia dessa fanfic, espero que gostem.

Bjs.

Ele estava quebrado, ou melhor, ele sempre foi quebrado, mas ninguém nunca percebeu isso, nem mesmo os seus amigos, que estavam ocupados demais com a própria felicidade para perceber que cada sorriso era forçado e que seus olhos viviam cheios de lágrimas e gritando, mas ninguém ouvia.

Hoje ele tinha o resto do dia livre, e já sabendo que seus amigos iriam atrás de seus namorados ou conversar com os meninos do time, ele decidiu ir para a floresta perto da escola e uma das coisas que ninguém sabia sobre ele, era sobre a sua paixão pela música, e que ele sabia tocar violão.

Então ele levou o violão na floresta, se sentou na sombra de uma árvore e começou a dedilhar trechos aleatórios de várias músicas e pensar em como seus amigos sempre estão felizes e que ele queria ser assim também, mas ele sabia que sempre seria o menino quebrado da ilha.

E pensando em tudo isso, uma música começou a vir em sua mente e ele foi tocando e escrevendo ela, já que ainda estava com a sua mochila, e percebeu que essa música retratava bem o que ele sentia e quando ele terminou e leu a música inteira soltou um suspiro e sabia que aquela seria mais uma música que ele teria que esconder, uma música que ninguém mais ouviria além dele, e talvez o dude e o mais importante, ele sabia que ninguém descobriria como ele se sentia, mesmo escutando a música ele sabia que ninguém entenderia ele, nunca entendem.

A um tempo atrás Mal estava falando que sentia saudades da ilha, e que sentia que não conseguia se encaixar aqui, e por um momento ele sentiu uma chama de esperança, esperança que alguém finalmente iria entender o que ele sentia, depois de 16 anos ele teria alguém para conversar sobre essa solidão que ele sentia e que parecia ser infinita, mas mais uma vez ele se sentiu desmoronar ao descobrir que Mal conseguiu sentir que pertencia a algum lugar. Se sentiu um pouco egoísta, por desejar que Mal se sentisse como ele, mas não conseguia evitar.

Estava cansado de passar horas pensando alto e falando sozinho, pois sabia que ninguém o entenderia, mesmo que ele explicasse, ele já havia tentado, mas quando dizia que se sentia sozinho logo chegava alguém dizendo que ele tinha muitos amigos, mas ninguém entendia, que se sentir sozinho não quer dizer não ter amigos, e sim estar cercado de milhares de pessoas, mas no fundo do peito sentir que não tem ninguém. Ele odiava quando ele expressava seus sentimentos e as pessoas tendiam a imediatamente tentar faze-lo acreditar no oposto. É como se ele não pudesse falar sobre as suas emoções, porque as pessoas não ouviam realmente. Eles apenas dão a opinião delas.

Ele só queria que alguém entendesse, que ele era aquele amigo que tem que caminhar atrás do grupo quando a calçada não é larga o suficiente. Ele era aquele amigo que é interrompido quando está falando. Ele era aquele amigo que é deixado para trás quando pedem para esperarem. Ele era aquele amigo que não recebe muitos convites pra sair. Ele era aquele amigo que, se quiser sair com algum amigo tem que convidar para ter certeza de que será incluído nos planos. E ele sabia que sempre seria aquele amigo.

Ele ainda estava cansado de ser o menino quebrado da ilha, mesmo que apenas ele soubesse disso, e se pudesse ele mudaria isso, mudaria a sua vida, ou talvez não, pois tinha medo de que se mudasse algo seus amigos não seriam felizes como são hoje, e ele prefere continuar quebrado do que ter que ver os seus amigos tristes e sofrendo.

Mais um dia havia se passado e nada havia mudado, todos continuavam com as suas vidas perfeitas e ele tentava achar pelo menos uma coisa boa no dia e as vezes chegava a pensar se não era bom ser sozinho, ele tinha muito tempo para pensar, sem ninguém interromper, mas também tinha que esperar a vontade dos seus amigos se quisesse fazer alguma coisa, já que eles estavam sempre muito ocupados aproveitando a própria felicidade.

E essa era uma das poucas coisas que deixava ele pelo menos um pouco feliz, saber que pelo menos os seus amigos eram felizes em Auradon, que pelo menos eles tinham conseguido algo que os fazia verdadeiramente felizes, diferente da ilha, que a felicidade era uma coisa rara, e que durava pouco e geralmente era uma felicidade fantasiada, mas era o que eles tinham, e eles sabiam aproveitar isso.

Mas agora só restava ele com essa falsa felicidade, só restava ele quebrado, e por mais egoísta que fosse, ele queria voltar no tempo em que eles eram quebrados juntos, mesmo sabendo que ele nunca teve concerto, mesmo na ilha, seus amigos tinham pequenos e rápidos momentos de alegria verdadeira, e ele não, mas eles não sabiam, já que ele sabia fingir muito bem, coisa que teve que aprender, para não preocupar seus amigos e acabar com a rara felicidade.

Várias vezes ele já parou para pensar se existia alguma cola que pudesse concertar ele, colar todos os seus pedaços, mas ele sabia que não, pois se caso existisse ele seria o primeiro a comprar, mas ele sabia que era algo impossível, que ele nasceu quebrado, e os pedaços eram de um jeito que não se encaixavam, nunca se encaixaram, e ele não tinha concerto e sabia disso, mesmo tendo esperança de um dia alguém o concertar ou parar para ouvi-lo de verdade, ele sabia que isso não iria acontecer e também sabia que um dia a esperança chega no fim.

Ele soltou mais um suspiro e se levantou, limpou a sujeira em sua roupa, não por se importar, mas para ganhar tempo, ganhar tempo para não ter que voltar tão rápido a realidade, mas infelizmente não deu certo, então ele pegou seu violão, colocou nas costas e foi em direção a escola, mas desejando poder ficar no seu próprio mundo por mais tempo.

Ele foi até seu quarto, escondeu o violão e a nova música, como sempre fazia, fez carinho no dude e foi em direção ao refeitório e mais uma vez colocou um sorriso falso no rosto, e ficou triste por saber que não seria o último sorriso falso que daria.

https://www.youtube.com/watch?v=CDkN9d63kpU

Notas finais
https://www.youtube.com/watch?v=CDkN9d63kpU

Esse é o link da música que o ´´Carlos`` fez.

Espero que tenham gostado.

Bjs.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!