Brilliant Mind

1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21...


A dupla de amigos chegou à cozinha e, enquanto Jennifer procurava a vela e os fósforos nas gavetas empoeiradas da cozinha quase abandonada, Sherlock apenas a analisava. Pensava em quão perto este de seus lábios dessa vez, em quão próximo ele esteve de beijá-la e o quão burro era de não tê-lo feito.

Ou o quão bom era isso.

Afinal, viviam juntos e ambos tinham uma mente avançada. E ele... Qual foi a ultima vez que realmente sentiu? Quando se arriscou por Jonh? Ou talvez, quando soube que A Mulher estava morta, mesmo que falsamente? Bem, sendo como é ele mal saberia o que fazer e Jennifer merecia alguém que pudesse fazê-la feliz, depois de todas as tragédias que já lhe aconteceram. E com toda a certeza, Sherlock Holmes não era essa pessoa.

Não com todo seu jeito reservado e sem sentimentos.

Não é?

- Achei! - Ela disse, se sentando na bancada junto do detetive. Ela lhe entregou o equipamento e deixou que Holmes resolvesse o enigma. O fogo foi passando pela folha, formando letras e números. Não eram de grande informação, mas pareciam importantes e tão logo os primeiros números surgiram, Jennifer e Sherlock exclamaram em reconhecimento.

- A seqüência de Fibonacci! - Disseram juntos. Olharam-se e, apenas por um momento, se sentiram livres. Gargalharam juntos, uma gargalhada amiga e confidente.

- Bem, tem mais algumas letras... - Ela disse.

- Atrás dos quatro anos... Isso faz sentido para você? - Sherlock Holmes perguntou. Jennifer Mars precisou de poucos segundos para desvendar o segredo. Atrás dos quatro anos não era nada mais e nada menos que o retrato que havia no quarto dos pais. O retrato de sua ultima festa de aniversário em família.

- Vamos, acho que depois de toda essa caça, estamos no fim. - E então se dirigiram ao quarto.

Sherlock tirou o quadro e, atrás, havia um pequeno cofre forte, que, na época, deveria ser de ultima geração, mas agora já era obsoleto. Havia um teclado, empoeirado com o tempo fora de uso, mas que ainda funcionava. Jennifer se aproximou, digitando os oito primeiros números da seqüência Fibonacci, os que estavam escritos no papel com a tinta invisível.

- 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21. - O cofre aceitou o código, abrindo a tranca.

Com o coração batendo tão rápido quanto o de um beija flor, com mão suando e a mente correndo um bilhão de vezes mais rápido, Mars abriu o cofre, encontrando apenas um CD.

O tesouro final.

- Isso é um Cd? O que tem ai, música? - Ela disse, brava, pegando o cd.

- Talvez tenha alguma coisa gravado nele... Porque não o colocamos em um notebook? - Disse Sher, lembrando-se do que o irmão mais velho lhe havia dito:

“Era um projeto, chamava-se projeto Mentor e tinha como objetivo, criar um código de uso comum para os bancos.” Talvez seja isso, talvez ali dentro esteja o projeto Mentor.

- Bem, você tem razão. Voltamos para a Baker Street e lá vemos se há algo. - Já era tarde, a noite chegava e a dupla de detetives estava acordada a quase 48 horas. Mesmo cansados e com um pouco de sono, eles queriam tanto terminar esse caso que nem sentiam mais o cansaço que se incrustara em seus ossos.

- Então, vamos voltar. - Ele disse, acompanhando-a para fora da casa, indo em direção a rua para chamar um táxi.

Já dentro do táxi, o silêncio reinara. Sherlock Holmes e Jennifer Mars estavam presos em seus próprios pensamentos e devaneios. Os pensamentos se encontravam presos na mesma linha: a do mistério e a do sentimentos. Enquanto um pensava no caso, o outro pensava em porque amar era tão complicado e quando um finalmente desistia de se concentrar no cd que tinham em mãos e começava a “viajar” sobre esse sentimento o outro decidia que era estupidez e começava a pensar no caso. Era um ciclo vicioso e que, Sherlock decidira, só acabaria quando ele contasse a verdade para Jennifer ou se afastasse dela. Como a verdade seria tão impossível quanto ver ele e Mycroft passando o natal juntos, a opção que sobrava era, quando esse caso terminasse, ele se afastar da loira, para o bem de ambos.

Mas porque seu coração parecia apertar com tal idéia?

O táxi parou na frente do 221B já quando o sol não se encontrava mais no céu e as primeiras estrelas surgiam em uma tela azul avermelhada com nuvens. Sherlock abriu a porta, deixando-a entrar primeiro.

- Oh, estava esperando você Sherlock. - Disse Mrs. Hudson. - Espere um momento, tenho que pegar uma coisa.

- O que... - Sherlock começou a dizer, mas tão rápido Mrs. Hudson foi, ela voltou, com a velha fantasia de Ares em mãos.

- O que eu faço com isso, querido? - Jennifer olhou bem para o que estava em sua frente e logo ficou branca, perdendo qualquer controle sobre o corpo. Ela teve dois segundos, bem longos por sinal, para encarar os olhos azuis do detetive e então tudo escureceu.

- Oh Sherlock! O que ela tem? - Perguntou Mrs. Hudson, quando Jennifer Mars desmaiou. Por sorte ela não chegou ao chão, já que o moreno a segurou antes disso, colocando-a aninhada em seus braços.

- Ela só teve um dia... Um dia comprido. - ele respondeu, indo em direção a escada. - Pode doar essa fantasia Mrs. Hudson e depois, poderia levar um chá para ela?

- Claro! Estarei lá em um minuto. - E então, Sherlock subiu as escadas com uma pálida e quieta Jennifer.

Como se eu pudesse esconder a verdade para todo o sempre!