Breve Histórias de Morte
1 Prólogo - James Carter
Notas iniciais
Bang!
Um tiro no ombro.
Errei a mira.
Bang!
Outro no peito.
Não funcionava.
Bang!
Mais um no pescoço...
... Mas então... Porque Melly não morria?
Ela ficou maluca de repente, havia passado mal – dores no corpo todo, vômitos e febre – o dia todo e do nada tentou me pegar e me mordeu. A mordida coça, arde, queima, coça, coça. Não me sinto bem, minha cabeça parece que vai explodir e meus miolos cozinham na febre. Ainda tive forças para pegar a arma que escondíamos na gaveta.
Não acreditava que estava baleando minha própria esposa. Não, não, aquela não era ela, seus olhos não tinham a vida de antes, eles eram mortos, ela estava morta. Então porque ainda se movia e porque quanto mais eu atirasse nela ela não parava de me perseguir pela casa?
Um tiro que passou de raspão na cabeça pareceu atordoa-la. Os dois estavam no fim do corredor. Havia sobrado apenas uma bala.
Aproveitei e corri para o terraço o mais rápido que pude, abri a porta e fui para a rua, precisava de ajuda o mais rápido que podia. Polícia? Ambulância? Bombeiros? Coça, coça.
Não sei se era a febre me dando alucinações ou se o que vi era verdade, mas toda a vizinhança estava um caos. Carros em chamas, viaturas policiais fazendo barricadas ao horizonte e famílias correndo para todos os lados. Vi os Morgans, vizinhos meus, correndo com o rosto confuso. Onde estava a pequena Lily? Não a vi perto do Sr. Morgan, apenas seu casaco vermelho em suas mãos...
Minha cabeça ainda girava. Coça, coça, coça. Me sentia queimando de dentro para fora e vomitei o jantar que não havia comido.
Estava escuro, ainda começando a amanhecer, aparentemente.
Não sei quem, pois as únicas luzes à noite eram as dos carros, olhou para mim e gritou, empurrando um garoto para trás de si:
“É um deles!”
As pessoas perto de mim gritaram e correram, amedrontadas. Não entendi. “Eles? Eles quem?” Pensei em meio ao caos que era a minha mente febril. Fui empurrado por trás, me virei de súbito quando estava prestes a desmaiar e fui jogado no chão pelo que um dia fora minha esposa. Vi seu rosto de perto, a boca que já beijara tinha os lábios ressecados, a pele corada agora era pálida como um papel, e os olhos nos quais me perdia agora estavam revirados, com as veias estouradas.
A arma na minha mão esquerda, sou canhoto. Não pensei, mas ao colocar o cano da arma na sua boca e disparar senti que estava matando a mim mesmo, uma parte de mim.
O sangue respingou para todo lado, fiquei surdo por alguns segundos. A dor de cabeça que já sentia junto do disparo da minha arma parecia fazer minha cabeça explodir. Sabia que deveria ter pego uma arma mais silenciosa quando fui trabalhar no departamento de polícia. Joguei seu corpo para o lado, as pessoas não gritavam mais de mim e voltavam a correr desesperadas. Conheciam a mim, o velho oficial Carter e sua esposa, assim alguns estavam em choque por ver essa cena. Me levanto só para cair de joelhos de novo, sinto que a vida sairá de mim a qualquer momento, já não me sento eu mesmo, é como estar sonhando que você é outra pessoa.
Duas pernas na minha frente, quem será...? Tentei ver quem era, mas as luzes da sirene da policia não deixavam. Tudo estava ficando azul, amarelo, vermelho, preto e branco, tudo e nada ao mesmo tempo. Não sabia mais o que estava pensando. Coçava mais e mais.
“Merda, James, por quê? Porra!”
Kevin? Era o Kevin? Ele é um dos policias que trabalham comigo no departamento. O que ele fazia? Porque reclamava? Eu estava me sentindo um lixo, mas ficaria bem, não? Não?
“Ke...” Tentei dizer seu nome, sem sucesso. Acho que ele não havia me escutado direito, pois... Espere, porque ele apontava uma arma para mim?
“Me desculpa”
Ele disse isso mais para si mesmo do que para mim, mas o fato era que eu já estava morto momentos antes disso, quando Melly ...
Coça, coça, coça.
Melly...
COÇA!!!
Mel...
...
Bang!
Um tiro na cabeça.
Certeiro.
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