Breathe Again
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Espero que gostem!
Um amor que te consome...
As palavras ainda ecoam em minha mente, fluem por minha alma, se tatuam na minha pele. Ele sabia tudo que eu queria, ele me conhecia sem nunca ter me conhecido... Eu nem sei o que dizer, talvez eu nunca saiba. Só posso dizer que eu me encantei naquele momento... Todo meu corpo se arrepiou...
Quando eu me lembrei, senti meu coração se acelerar mesmo quando ele já havia dado sua última batida, depois que a minha vida se esvaiu de minha alma e eu era vazia...
O que ele me dizera preencheu o vazio, iluminou a escuridão onde eu estava.
Eu eu abri meus olhos pela primeira vez depois do acidente que tirou minha vida, eu era outra pessoa. Senti todo meu corpo pulsar de uma forma diferente. Eu queria um amor que me consumisse, que fosse intenso que fizesse com que eu perdesse a razão.
Eu não sou mais a mesma. Até meus pensamentos não fluem mais em uma linha lógica, perdem-se em minhas emoções, se emaranham em lembranças que eu nem sabia que possuía, mas quando as recuperei, agradeci a Deus por isso.
Aventura, um pouquinho de perigo...
Talvez seja exatamente o que eu queria e talvez, ele estivesse certo novamente.
E ele me encantou. É isso que Damon sempre faz. Ele sempre me encanta.
Damon sempre pareceu me conhecer de uma forma tão profunda, eu nunca soube como nós poderíamos ter uma conexão tão forte. E agora eu sei, há uma cumplicidade, uma ligação muito maior entre nós. Eu sinto como se nossas almas estivessem destinadas a se encontrar em algum ponto ou outro.
E agora, mais do que nunca, eu quero um amor que me liberte. Não quero mais estar presa a definição que eu sempre tive desse sentimento.
Eu pego o telefone, disco o número dele. Não é a primeira vez que eu tento falar com ele, mas eu não consigo. A mensagemque eu sempre escuto do outro lado é perturbadora.
O número chamado não existe
Eu insisto, eu ligo de novo. Eu preciso falar com ele. Eu preciso dizer tudo que eu não disse. Eu preciso dizer que eu estava errada.
Eu preciso dizer que eu escolhi errado.
A mesma mensagem. Eu tento mais uma vez.
E mais uma...
Mais uma...
A mesma mensagem...
Mais uma vez...
Novamente...
Eu ligo várias vezes.
Tudo isso é inútil. Eu não consigo falar com ele. Eu nunca consigo.
Sinto a frustração me golpear duramente. Meu corpo baqueia, entorpecido pela angústia que sinto agora.
Damon desapareceu da minha vida. Isso não pode ser verdade. Não pode estar acontecendo. Eu tento me manter inteira, eu tento não desabar... Eu tento manter meu coração intacto, mas ele se despedaça e eu não posso evitar.
Eu não sei o que fazer. Eu pego o celular de novo e insisto em algo que já sei que não funciona. Eu ligo novamente e escuto a mesma mensagem. Já deveria esperar por isso, mas a mensagem me afeta mais do que eu posso imaginar. Meus sentimentos estão no limite, tão fortes, tão intensos, é como se eles se revoltassem contra mim e rebelassem. Eu não tenho mais controle de mim mesma. Eu não consigo mais ser ponderada, eu não sou mais assim, aquela Elena foi embora junto com minha vida humana.
Eu tento ligar. De novo, eu escuto a mesma mensagem.
Sinto meu corpo vibrar; raiva, frustração, desepero.
Eu não penso no que eu estou fazendo, apenas jogo o celular contra a parede com tanta força, uma força que eu não estou familiarizada ainda, que ele se estilhaça.
Meu coração está quase como o celular despedaçado que cai no chão, com a diferença que está ainda mais machucado, mais quebrado, estilhçado em milhares de pedacinhos.
Só preciso dizer uma vez, você precisa ouvir.
Eu fecho meus olhos, a cena é recriada em minha mente. Meu coração acelera, eu já sei o que vem a seguir. Por mais que eu pudesse dizer que não, eu queria ouvir, porque eu sentia algo, eu sentia algo muito forte por ele.Eu sempre senti.
Eu te amo, Elena.
As palavras tem muito mais significado do que poderiam ter. Eu quis responder, mas não consegui, fiquei paralisada, sem reação. A verdade é que eu nunca tive coragem de assumir o que eu sentia. Eu sempre tive medo. Tive medo de ser julgada, tive medo de não estar fazendo o certo. Tive medo de me entregar a um sentimento tão forte, um sentimento que fazia todo meu corpo pulsar de uma forma que eu não tinha controle. Era isso, eu tinha medo de perder o controle e me entregar de uma forma como eu nunca tinha me entregue a ninguém.
E agora, essas palavras são tudo ao que eu me agarro. São tudo que eu tenho. As memórias são a maior riqueza que eu tenho. Nesse momento me alegro em ser uma vampira, me alegro porque assim, essas lembranças voltaram para mim. Elas nunca mais serão tiradas de mim.
Eu também o amo. Eu sempre amei.
E é porque eu te amo que eu não posso ser egoísta com você.
Meu coração se aperta. Eu não sei o que dizer. Como um amor pode ser tão puro e honesto? Ele me ama tanto que seria capaz de me deixar, de nunca demonstrar que realmente me amava para que eu fosse feliz.
Só que eu nunca seria feliz sem ele, eu só não tinha percebido isso. Eu não me deixava perceber.
Na verdade não era ele que estava sendo egoísta, sempre fui eu.
Eu não mereço você...
Isso não é verdade, nunca foi. Meu coração pulsava acelerado por ele naquela época. Sempre pulsou. Eu o queria, uma parte de mim sempre quis. E agora tudo em mim o quer. Eu acho que sou eu que nunca o mereci, eu nunca mereci um amor desses, tão puro, tão profundo, que me acalma, na mesma medida que me agita, que faz com que eu me sinta melhor do que eu realmente sou.
Gostaria que você não precisasse esquecer isso, mas precisa...
Eu vejo as lágrimas rolarem do azul dos olhos dele, eu quero confortá-lo. Eu quero falar, mas a cena desaparece de minha mente, mas permanece gravada em minha alma.
Eu sorrio com as lembranças, mas a realidade me atinge com um duro golpe. Eu não consigo falar com ele, eu não sei onde ele está. Damon desapareceu de minha vida. Eu preciso encontrá-lo. Eu preciso que alguém me leve até ele.
Eu me sinto perturbada, desorientada. Eu não sei o que é certo, talvez eu deva esquecer o certo ou errado. Eu deveria me arriscar, isso é o que eu sempre precisei fazer; correr riscos. Acreditar que o amor pode ser muito mais do que eu sempre pude imaginar.
Essas lembranças não são tudo, nunca foram tudo que estiveram gravadas em mim sem que eu mesma soubesse, embora, incoscientemente eu nunca tivesse esquecido...
Eu nunca imaginei que minha história com Damon fosse muito além disso, eu nunca imaginei, mas eu deveria ter desconfiado. Eu nunca imaginei que existiam mais lembranças, muito além do nosso primeiro encontro na noite em que meus pais morreram e da declaração que ele me fez esquecer.
...
~Início do Flashback~
Mystic Falls ~ Dois anos atrás.
Eu havia perdido meu chão. Eu mal sabia como faria para ficar de pé mais um dia. Eu havia perdido meus pais, eu tinha perdido tudo e não sabia como poderia lidar com isso. A ferida ainda estava aberta, sangrava, doía muito, muito mais do que eu podia suportar.
Eu precisava de um lugar onde eu pudesse ficar sozinha, onde eu pudesse chorar sem que ninguém visse. Não era orgulho, não era nada disso. Eu apenas queria ficar sozinha, não queria que ninguém tentasse me consolar porque isso não era possível. Eu não achava que eu pudesse me recuperar.
Eu dirigi não sei por quanto tempo. Eu não tinha noção do tempo, não me preocupava, apenas rezava para que ele passasse o mais depressa possível e que a noite caísse logo, porque quando eu dormia eu não me lembrava, os fantasmas da dor e da perna não vinham me atormentar.
Finalmente, eu achei o que poderia ser um parque. Um lugar afastado, onde ninguém realmente parecia frequentar. [i]Ótimo[/i], aquele era o local perfeito. Parei o carro, peguei meu diário e uma caneta que estavam guardados no porta luvas e saltei do carro.
Senti o vento balançar meus longos cabelos castanhos, senti os raios de sol acariciarem a minha pele. Eu respirei profundamente e continuei andando até encontrar um cantinho onde eu pudesse ficar. Abriguei-me embaixo de uma árvore, sentei-me,ali, utilizando seu tronco como encosto.
Desejei não pensar em nada, apenas ficar ali, observando a paisagem, observando como o vento fazia a grama verde farfalhar, dançar em seu ritmo e como os pássaros pareciam tão calmos em seu voo. Desejei ter aquela mesma calma, aquela mesma paz.
Suspirei mais uma vez. Peguei meu diário, mas não conseguia escrever. Eu estava tão entorpecida que só conseguia chorar. Arqueei minha cabeça para trás apoiando-na no tronco das árvores e fiquei ali rezando para que a dor fosse embora, mas ela só ficava masi forte.
Eu ouvi um barulho, virei-me para olhar. Era apenas um corvo que pousara em um dos galhos da árvore onde eu estava apoiada. Por alguns instantes, eu fiquei observando aquele pássaro, como se houvesse algo de especial nele. Fechei meus olhos, e quando os abri, tive certeza que aquele corvo estava olhando para mim
Senti-me louca, mas quis aquele pássaro para mim, ele despertava uma curiosidade quase insana em mim. Coloquei o diário em um canto e preparei-me para subir na árvore, iria pegar aquele corvo. Ele era tão lindo. Apoiei um de meus pés em um galho e minhas mãos se agarraram em outro.
Em nenhum momento, pensei que eu pudesse cair, nem havia considerado isso. Quando eu estava quase pegando aquele pássaro, ele voou para longe e eu me desequilibrei.
Eu iria cair, ou melhor estava caindo. Seria uma queda horrível, mas ela nunca aconteceu. Senti braços fortes me segurando com firmeza. Senti meu coração acelerar, não apenas pelo susto, mas também pela a forma como ele me segurava. Era como se provocasse um formigamento delicioso em minha pele.
Ele me colocou no chão cuidadosamente e quando eu finalmente consegui olhá-lo, senti meu corpo todo se arrepiar. Ele era lindo, tão lindo que parecia um sonho. Eu senti que havia algo familiar nele, como se eu o conhecesse, mas eu não o conhecia.
Eu fiquei o olhando, admirada para aqueles olhos tão azuis, tão lindos.
–Muito obrigado. – Eu agradeci envergonhada. Ele deveria estar me achando uma tonta.
–Você tem muita sorte por cair nos meus braços, não acha? Muitas garotas sonham com isso. – Ele me falou exibindo um sorriso sedutoramente irônico em seus lábios.
Rolei os olhos, como se dizesse que ele era um metido, mas não podia negar que eu tinha mesmo muita sorte.
–Eu prefiro apenas falar muito obrigado. – Eu respondi torcendo para que o calor de meu rosto não me denunciasse, que as minhas bochechas não estivesse tão rosadas. – Ah, sim, eu me chamo Elena. – Falei tentando manter a compostura. – Qual o seu nome?
–Isso é segredo. – Ele respondeu com o mesmo sorriso zombeteiro em sua face.
–Não acredito que você não vai me dizer seu nome.
–Eu não vou. – Ele retrucou, como se estivesse se divertindo.
–Tudo bem, Sr. Misterioso. – Respondi e não pude evitar de sorrir, algo nele me contagiava.
Ele apenas ergueu uma das sombrancelhas e me olhou de uma forma divertida.
Ele realmente não iria me falar.
–Sério...- Eu pedi.
Senti-me tão leve, era como se aquela brincadeira tão ridícula me fizesse bem, eu me sentia normal, eu me sentia apenas uma garota, sem nenhum problema grandioso. Eu era apenas Elena Gilbert e era assim que ele fazia com que eu me sentisse. Eu apenas ria e pedia que ele falasse, mas ele não dizia.
–Por que você estava chorando? – Ele me perguntou num tom carinhoso, mudando completamente de assunto, e por um instante eu achei que ele estava preocupado comigo. Ele deve ter me visto chorando enquanto caminhava, eu decidi apenas responder, era bom falar com alguém diferente, alguém que não me conhecia, alguém que fazia com que eu me sentisse bem.
–Eu perdi meus pais recentemente. – Respondi tentando manter meu tom de voz, controlando-me para não chorar. – Num acidente. – Completei.
–Eu sinto muito. – Ele respondeu no mesmo tom de antes.
–Não sinta. – Eu respondi quase desequilibrada. – Eu não quero mais que as pessoas sintam pena de mim. – Desabafei.
–E o que você quer então?
–Eu quero ser feliz. – Respondi sinceramente. Era tudo que eu queria. – Mas eu não consigo ser.
–Você estava rindo, agora. – Ele respondeu, levando uma das mãos até meus cabelos, ajeitando uma mecha que caía sobre minha face. – Isso não é ser feliz?
–Talvez...-Eu não consegui responder direito.
–Você deveria pensar... – Ele acariciou minha face gentilmente. – Ah sim, eu sou Damon.
–Damon... – Eu sussurei o nome dele como uma garota boba.
–Mas você não pode contar para ninguém sobre mim. – Damon falou olhando diretamente nos meus olhos, como se quisesse penetrar em minha alma. Eu jamais contaria.
~Fim do Flashback~
...
Essa foi a segunda vez que eu conheci, a primeira, foi na noite do acidente de meus pais. No dia no parque ele não apagou minha memória, ele apenas me compeliu para não contar para ninguém. Ele só me fez esquecer de tudo que vivemos algum tempo depois.Existem muito mais memórias além dessa. Nossa relação começou antes de tudo, até mesmo de eu conhecer Stefan. Damon fez parte da minha vida de uma forma tão intensa. Eu posso dizer que ele sempre foi tudo para mim.
Ah, como eu me arrependo! Como eu me arrependo de não ter me entregue ao sentimento. Eu escolhi errado, nunca deveria ter escolhido o Stefan, eu sempre fui do Damon, sempre!
E agora eu sei de tudo, mas não posso estar com ele. Eu não consigo falar com Damon, eu não faço a menor idéia de onde ele possa estar. Eu só sei que eu preciso falar com ele, eu preciso....
Notas finais
Por favor comentem e me faça a autora mais feliz desse mundo!
Gostando ou não gostando a opinião de vcs é super importante!
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