Breath Of Life - Dramione
41 Epílogo - Um sopro de vida.
3 anos depois.
Certas coisas mudam com o tempo, mas nunca o sentimento de perder alguém. A dor as vezes é forte demais, como se fosse recente. Mas, ao mesmo tempo, existe as memórias que são algo que durarão para sempre. Hermione Granger, agora com vinte e seis anos, andava pelos corredores do Ministério da Magia, inaugurado novamente um ano atrás. Ela se lembrava muito bem da festa que teve e de como Gina e Harry riam sem parar com o pequeno James, na época com dois anos.
A volta da missão não havia sido fácil.
Momentos depois que Draco e ela estavam ali, nos braços um do outro, pensando no que iriam fazer agora que estava tudo terminado, bruxos aparataram. Confusos, Draco perguntou bruscamente o que aconteceu. Então souberam da guerra, que havia terminado e que Harry sentiu o bolso queimar e então por um pergaminho, soube que eles estavam com a cura.
Então estavam em Hogwarts.
Hermione não aguentou, e chorou nos braços do amigo que não via a tanto tempo. Chorou mais quando viu a barriga grávida de Gina. Quanto tempo havia perdido? Quantos acontecimentos? Ela viu um Rony quebrado, mas não mais dependente do álcool, que deu um sorriso estranho para ela. Os Weasley contaram tudo, de George, da gravidez nova de Fleur. E então contaram sobre Blaise e então, foi a vez de Draco de chorar.
Ele havia perdido ambos os melhores amigos.
Theo e Blaise.
E então eles souberam também de Astória. Hermione tentou guardar o ciúme quando Draco saiu correndo para ver a ex-namorada, mas entendeu. Ela viu ambos chorando pela morte de Blaise, abraçados, e embora sentisse muita raiva pela loira, entendia muito que eles haviam perdido amigos em comum.
Não apenas Blaise ou Theo, é claro. Pansy Parkinson também. Rony lhe contou tudo sobre Pansy e o que aconteceu com Astória. Eles até conheceram Harriet. Em uma breve conversa.
– Blaise me falava muito sobre você — disse a ruiva para Draco, antes de sumir.
.Ninguém nunca mais viu Harriet desde aquele dia.
Ela havia sido uma heroína quando matou o próprio pai e todos estavam gratos por isso. Os trouxas que os ajudaram receberam abrigo em Hogwarts, comida e tudo mais. Kingsley conversou um um dos sargentos que lutou no lado deles. Hermione e Draco conversaram com ambos, sobre a cura e então, começou o que era o "recomeço". Quando a guerra na Inglaterra acabou, nos outros países também. E assim começou a preparação da cura e uma pesquisa que durou dois meses. Hermione queria muito ajudar, mas Draco insistiu que eles precisavam de algumas férias.
Ela nunca iria esquecer a cara dos amigos quando disse que estavam noivos. Rony até mesmo desmaiou. E naquele momento ela soube que tudo iria voltar quase ao normal. No momento em que a cura foi aplicada nos trouxas e nos bruxos totalmente, quase um ano depois dela ser encontrada, ambos os povos trabalharam na construção das cidades. Londres foi limpa dos andantes restantes e das ruínas. Trouxas sobreviventes começavam suas vidas. E bruxos também.
Ainda existia casos de andantes nas redondezas das cidades ou até mesmo dentro delas, mas, no caso de mordidas, ninguém nunca se transformava. E isso era o que importava.
Decisões foram feitas. Ronald Weasley decidiu viajar pelo mundo, pois não queria enganar mais alguém com um falso amor, como fez com Pansy. Prometeu escrever todos os dias e foi exatamente isso o que fez.
Astória Greengrass decidiu ir para o mundo trouxa. Se despediu de Draco e do restante dos seus amigos, como Gina e Luna, e até mesmo de Hermione com um "cuida dele". Hermione não gostou desse ato, mas não comentou nada. Astória não escrevia, porém, arranjou um dos poucos celulares restantes e deu outro para Malfoy, ligando todas as noites contando suas novas descobertas.
Gina e Harry tiveram o pequeno James no fim daquele ano e se mudaram para Grimmald Place. Os Weasley voltaram para a Toca e os visitavam todos os dias. Nunca se viu Arthur Weasley mais feliz do que quando segurava seu novo neto.
Ah, e eles finalmente se casaram. Em segredo. Você provavelmente não quer imaginar a cara de Molly Weasley quando soube.
E agora, Hermione estava arrumando seu vestido de gala vermelho, enquanto entrava no Hall novo do Ministério. Pessoas gritaram em saudação, porém ela não sorriu muito de volta. Havia se tornado uma Malfoy dois anos atrás e era verdade o que diziam: Ela havia se tornado um pouco mais fria. Mas não pelo fato de ser agora uma Malfoy, mas sim por ter visto a morte de Theo.
– Srta.Granger? — perguntou uma voz, de um dos repórteres — Poderia nos dizer o que sente nesse aniversário de três anos desde a terceira guerra?
– Acho que não há palavras para descrever — respondeu, com uma voz calma — Todos nós sabemos o quão triste aqueles tempos foram. Mas o hoje é um novo tempo. Podemos apenas guardas as memórias do que aconteceu.
– E o que tem a dizer sobre o seu livro? — outra voz perguntou, curiosa.
– Não era exatamente um livro, mas sim, mensagens para alguém desconhecido que talvez estivesse nas redondezas. Eu escrevia todos os dias, relatando o que estava acontecendo para alguém que talvez precisasse de ajuda, entende? — suspirou — Mas fico feliz que ajude todos a entender como foi a busca da cura.
– E sobre Theodore Nott? — o mesmo homem de antes perguntou.
– Theo foi um herói — Hermione respondeu firmemente e mais penas deslizavam no papel — Se vocês estão aqui, é por causa dele. O memorial Theodore Nott para todas as vítimas do apocalipse zumbi é a prova disso. Ele se sacrificou. Eu e meu marido estamos mais que honrados em dizer que a cura não foi apenas obra nossa, mas sim de um homem com espírito de garoto, que não tinha esperança em si mesmo, mas deu esperança para todos nós.
Todos ficaram em silêncio por um minuto, recolhendo essas palavras de Hermione. Ela fechou os olhos e olhou para a luz do lustre pendurado, tentando não pensar em Theo. Afinal, hoje era o dia em que ele completava três anos de falecido. Antes de vir para esse comunicado público, ela havia parado no cemitério que havia sido criado em uma das colinas perto de Hogwarts e largado lírios. Harry vivia dizendo que lírios eram o simbolo de descansar em paz. Ela tinha certeza que Theo iria gostar.
– E onde está o seu marido ? — perguntou a repórter feminina.
Hermione sorriu.
– Ele teve que estar em outro lugar.
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Draco Malfoy andava com uma pequena bebê nos braços. Os cabelos loiros cacheadinhos na cabeça e seus olhos castanhos escuros. Tudo nela o fazia se lembrar de Hermione, coisa para qual ele agradecia. Nunca iria se esquecer do dia em que a esposa veio até ele e sussurrou em seu ouvido "Estou grávida". Ele gritou em pavor, dizendo que não estavam prontos. Hermione então gritou de volta, dizendo que para ele, nunca estariam prontos para qualquer coisa.
"Você não tem coragem nem ao menos de visitar sua mãe!" ela berrou, antes de correr e se trancar no quarto. Ele podia ouvir seus soluços por trás da porta. Então, ele olhava as cicatrizes que ganhou com ambas as guerras e pensaria nas dela. E iria subir as escadas. E iria bater suavemente em sua porta. E ela iria abrir, tentar sorrir e limpar as lágrimas, mas não iria adiantar e novamente, Hermione iria chorar. E então finalmente ele iria murmurar "desculpas", algo que antes era tão difícil, mas se tornou tão fácil quando se tratava dela. Ele se lembrou: naquela noite, ele a embalou em seu abraço até ela dormir, a observou um pouco antes de fechar os próprios olhos.
Três meses atrás, sua filha nasceu. E ele ficou apavorado. Fugiu de casa e voltou apenas dois dias depois do nascimento, embora ficou segurando a mão de Hermione todo o parto, preocupado por ela. Preocupado pela quantidade de sangue que ela estava perdendo. Mas então, quando ouviu o choro dela e viu sua esposa sorrindo para a criança, ele murmurou um "eu não posso" e saiu de casa. Quando ele voltou, na segunda, ela estava com um vestido de seda branco e com a criança minuscula em seus braços. Ele olhou para longe, envergonhado, mas ela o forçou olhar em seus olhos e disse: "Eu sei, lhe entendo, eu também estou com medo". Depois daquele dia, ele não se separava da pequena Aurora. E ficava ainda mais possessivo sobre Hermione, que cada dia parecia ficar mais bonita. Ela sempre dizia "eu te amo" antes de irem dormir. Quando ela já estava com a respiração controlada, ele respondia "eu também te amo". Mesmo assim, ele sabia que ela escutava. Ela o conhecia como ninguém. Draco nunca precisava dizer, ela sabia que ele a amava, e ele sabia que ela o amava.
Draco bateu na porta do quarto 378 e entrou. Lá estava sua mãe. Quando Aurora nasceu, ele finalmente teve coragem de ir visitar sua mãe, que parecia ter piorado sua sanidade mental desde a morte de Andrômeda.
– Lucius? — Narcisa perguntou, com voz rouca — L-Lucius, é você?
– Não, mãe — ele respondeu, fechando a porta atrás de si com a mão livre — Sou eu. Draco.
Narcisa virou os olhos vagos lentamente e então em sua boca veio um sorriso brilhante. Ele tentou sorrir de volta, principalmente quando a pequena bebê se mexeu em seus braços.
– Lucius, você finalmente veio me ver, achei que não me amasse mais — ela disse, se levantando bruscamente — Merlim, senti sua falta. Ninguém nunca vem me visitar. Sou tão sozinha... Draco não se importa comigo. Ele nunca vem.
Draco fechou os olhos e tentou não chorar. Todas as vezes que ele vinha a visitar, era assim. Nunca se importava com ela. Nunca... vinha. Mas ele vinha! Todos os dias, durante três meses.
– Mãe, sou eu, Draco, papai não está mais aqui — respondeu, se ajoelhando ao lado da mãe — Lucius não está mais aqui, mãe. Eu sou o seu filho. E eu trouxe alguém para lhe ver.
E então ele colocou Aurora nos braços da mãe, os olhos cinzentos dela brilhando com a visão da neta que quase não reconhecia. A pequena loira fez sons breves antes de mexer as perninhas alegremente. Draco observou fascinado sua mãe fazer "sssh" para acalmar sua filha.
– Lucius, ela é linda — murmurou — Qual o nome dela? Draco sabe? Fala com Draco? Já disse para ele que sinto saudades? Sinto saudade dele, sinto saudade do meu filho.
Draco sorriu e pegou novamente a criança, que se aconchegou contra o seu peito.
– O nome dela é Aurora — respondeu — Aurora Narcisa Malfoy.
Os olhos de Narcisa se encheram de lágrimas e pela primeira vez em muitos anos, a realidade lhe chegou. Ela estendeu as mãos trêmulas e passou pelo rosto do filho, que finalmente havia visto não com os olhos, mas com o coração. Ela deu um sorriso leve por entre as lágrimas e disse com um voz suave:
– Eu vou ficar bem, Draco.
Ele a olhou surpreso antes de deixar finalmente as lágrimas caírem pelo seu rosto. Ele se aproximou da mãe, que agora era mais baixa do que ele e beijou sua testa, como ela costumava fazer com ele quando ele era menor.
– Eu sei, mãe — ele disse — Eu sei que vai.
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Quando ele entrou na casa verde, naquele antigo rancho onde haviam ficado durante a missão, que agora havia se tornado sua casa, ele encontrou Hermione no sofá, lendo um livro. Ela estava descalça, anda com o vestido de gala e os cabelos cacheados caiam pelas costas. A morena o olhou preocupada quando viu seu estado.
– O que aconteceu? — perguntou, dando espaço no sofá.
Ele se sentou e colocou Aurora entre eles. Hermione deu um enorme sorriso para a filha.
– Ela se lembrou de mim, finalmente, depois de todo esse tempo — disse, olhando para um ponto vago — Mas acho que essa foi a primeira e a última vez que isso vai acontecer.
Ela lhe deu um olhar solidário e se se sentou em seu colo, ele puxou para mais perto, sentindo o cheiro que estava acostumado, mas nunca havia enjoado.Ela beijou seus lábios suavemente, como fazia quando ele estava chateado.
– Uma única vez é melhor do que nenhuma — disse, e passou a mão pelo seu rosto — Talvez esteja na hora de parar de levar Aurora com você nessas visitas.
– Mas... — ele tentou retrucar.
– Eu acho que ela precisa mais de você do que você dela, não é? — Hermione riu um pouco e pegou ela em seus braços, a colocando entre eles novamente, sã e salva para não cair — Imagina quando ela crescer e dizer por ai que o pai é um covarde? Apenas eu posso dizer isso.
Ele riu e a beijou novamente, a risada de bebê da pequena Aurora entrando na sala. Ambos se separaram, rindo com o som alegre e Draco observou feliz como Hermione a pegou novamente e brincou com ela no tapete, fazendo cocegas e mais risadas entrarem na sala. Ele observou tudo com um sorriso de lado. Mesmo ainda sendo um homem frio, ele amava sua família mais do que tudo. No fundo, ele nunca pensou que um dia iria ter uma família. Embora o mundo ainda fosse escuro, pelo menos agora os raios de sol conseguiam entrar.
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Anos depois. Teddy e Victoire haviam se casado. Finalmente, depois de anos. A cerimônia havia sido linda e até mesmos com os resmungos de uma Dominique adolescente e do pequeno Loius entrando nessa fase, tudo estava lindo. Porém, ainda tinha aquele ar monótomo de tudo. Um andante havia entrado na festa, mas Harry cuidou dele rapidamente e o casamento não foi estragado. Ninguém entrou em pânico, já que era comum um e outro por ai.
O mais surpreendente, foi Harriet Zabini ter retornado. Não havia mudado o seu tamanho pequeno e seus cabelos ruivos continuavam curtos. Porém, a surpresa havia sido um jovem ao seu lado. De cabelos pretos, pele branca, sardas e olhos escuros. Todos ficaram extremamente chocados e tudo piorou quando Harriet começou a chorar, dizendo que quando havia ido embora, não sabia que estava grávida. Gina a abraçou, dizendo que estava tudo bem, que pelo menos, Blaise estava vivo de alguma forma, que era como se ele estivesse ali com ela. Harriet então sorriu e disse "Bem, o nome dele é Blaise Júnior Zabini".
Albus e Lily Potter estavam brincando com os filhos mais novos de Hermione e Draco. Caelum George Malfoy e a pequena Cassiopéia Jean Malfoy. Eles haviam concordado em manter o costume de por os nomes de estrelas em descendentes Black. Cassiopéia era chamada de "Cassie" por todos, principalmente por Aurora, que agora já estava uma adolescente.
– Não acredito que Astória está casada com um trouxa — Draco murmurou.
Hermione olhou para a loira, que estava segurando um braço de um homem de cabelos negros muito familiar. Christopher. Aquele que a ajudou no resgate de seu pai, que aliás, estava muito bem sendo professor de Estudos dos Trouxas em Hogwarts. Heyna e sua família estavam bem, já que Hermione cumpriu sua promessa de os avisar e os buscar quando tudo tivesse terminado.
– Ele é um bom homem, vai fazer ela feliz — respondeu, o olhando com o canto do olho — Está com ciúmes?
– A pergunta, querida Granger, é se você está com ciúmes — a puxou para perto e beijou sua testa — Você é incrivelmente idiota.
– Eu não sou mais Granger e você sabe disso — ela respondeu, saindo do seu abraço e então olhando para cima. O céu estava nublado e todos os convidados do casamento já estavam indo embora, já que a festa havia terminado — É tão estranho como tudo mudou. Rony me mandou uma carta dizendo que adotou uma menina, acredita nisso? Ele pôs o nome dela de Daphne, acho que ele precisava de uma nova espécie de amor. Harriet voltou. Astória está casada. Blaise tem um filho que ele nunca poderá ver e nós estamos aqui e ao mesmo tempo, eu me sinto triste e feliz ao mesmo tempo, porque...
– Tudo está destruído — ele completou, a puxando novamente para perto — Mas temos um novo começo, que acontece todos os dias.
Hermione sorriu para ele e o beijou profundamente.
– Exato — ela disse, contra seus lábios — Hoje é o aniversário dele. Parou para pensar? Acho que precisamos fazer uma visita. Ele iria gostar.
Draco assentiu e então chamou Aurora, que saiu do abraço de James Potter. Ela corou forte quando viu o olhar do pai. Hermione se orgulhava muito da filha mais velha, que era inteligente como a mãe e astuta como o pai. Além de ter se tornado uma jovem linda. Aurora beijou novamente o namorado e Hermione teve que segurar o marido para que ele não tentasse matar o mais velho dos Potter.
– Nojento — disse Caelum, em seus onze anos.
– Exato, por isso quero que você fique de olho naquele rapaz, está me ouvindo? Quando não estou por perto, você é o homem da casa — disse Draco para o filho, seriamente, que assentiu.
– Não seja idiota, pai — disse Aurora, fazendo uma pose idêntica a de sua mãe, quando se aproximou — Sou capaz de me cuidar sozinha. Onde estamos indo aliás?
Hermione sorriu para a filha mais velha, que piscou para a mãe de maneira cúmplice e jogou os cabelos louros cacheados para trás, como se tivesse ganhado uma briga com o pai. A morena viu o marido resmungar algo contra sua respiração.
– Visitar um velho amigo — disse — Tome conta de Cassie, ok? Não quero que ela se perca. Caelum, vá com sua irmã.
O menino de cabelos castanhos assentiu e pegou a outra mão pequena de Cassiopéia, que riu em seus singelos quatro anos. A menina de cabelos cor caramelo e olhos cinzentos tentava correr. Draco e Hermione viram seu filhos correr pela colina, e desviando das pedras conforme iram a subindo cada vez mais, saindo de perto dos terrenos de Hogwarts.
Eles finalmente chegaram em uma pedra em forma quadrada e Hermione se ajoelhou, passando a mão pelas escritas.
" Aqui jaz Theodore Nott. Um homem com o espírito de um garoto, que não tinha esperança em si mesmo, mas deu esperança para todos nós".
– Feliz aniversário, Theo — disse Hermione, que sentiu Draco colocar a mão em seu ombro em conforto — Sentimos sua falta.
E ela colocou os lírios que conjurou em seu túmulo. Draco viu Aurora olhar de longe, com um olhar compreensivo para os pais antes de dizer para os irmãos mais novos "vem, vamos apostar corrida até o fim da colina". Os risos de seus filhos vieram ao seus ouvidos e ele sorriu com saudade. Olhando para Hermione, conjurou um cobertor e colocou-o em baixo do carvalho que estava ali, no topo da colina.
– Eu te amo — ele disse, em seu ouvido, firmemente — Agora e sempre. Até o fim dos tempos.
Ele sabia que ela estava sorrindo.
– Eu também te amo.
Draco olhou para suas mãos, onde haviam pequenas cicatrizes de vidros quebrados ou outros machucados. Olhando para suas próprias mãos, também viu cicatrizes. Estavam cheios delas. Mas nenhuma era feia o suficiente para a fazer ficar feia. Era sempre linda, em sua opinião. E para ela, ele também seria.
Viram uma sombra e riram quando o velho Steve, o cão de Theo, agora com pelos brancos e aparência cansada correu atrás de seus filhos, com uma energia de filhote mesmo por causa de sua idade. Ele era como seu antigo dono, Theo. Ambos haviam resgatado Steve e o cuidado como se fossem deles, embora o cão continuava com seu gênio indomável. Era comum ver Steve ao lado do túmulo de Theo, deitado sob os raios de sol que vinham por entre as folhas do carvalho.
Então Steve passou por eles e rosnou para Hermione. Como sempre fazia. E ela sorriu com saudade.
– Aquele cão me odeia — disse.
Draco então sorriu de lado.
– Não se preocupa, Granger — disse, pondo ênfase em seu antigo sobrenome — É impossível te odiar por muito tempo.
Olharam-se e sorriram um para o outro, ambos sabendo que aquela frase significava mais do que parecia transmitir. A verdade era, que certas coisas acontecem na vida das pessoas. Algumas morrem. Outras, nascem. Outras voltam de maneiras inesperadas. Outras vão e nunca voltam. Mas tudo no fim tinha um caminho. Como o amor muitas vezes se torna ódio, o ódio puro pode se tornar o mais lindo dos amores.
E esse era o verdadeiro sopro de vida.
F I M

Quando tudo ao seu redor se torna negro, você não tem o luxo de deixar seu coração iluminado, pois a escuridão irá o corromper e a dor se tornará mais intensa. Dizem que as melhores histórias estão escritas nos livros antigos e ninguém melhor do que Hermione Granger sabe disso. Enquanto o Lorde das Trevas ainda não é derrotado e o mundo ao seu redor entra cada vez mais em regras de preconceito e violência, a Ordem tem a missão de por a chama da esperança no coração das pessoas. Mas certas coisas não funcionam muito bem.
Salvar nem sempre significa continuar com a vida de outro alguém. Muitas vezes é destruir. Quando Draco Malfoy faz exatamente isso, novos mistérios surgem em meio de uma guerra onde ele não possui lado. Onde ele é caçado. O livro de histórias é sujado com sangue, uma cabana surge, um mistério, um terror, duas almas perdidas no tempo e uma maldição.
Até quando se pode tentar salvar os outros, sem se destruir primeiro?
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