Breath Of Life - Dramione

7 Capítulo 6 - Solitários


Draco percebeu que Granger odiava alturas. Mas parecia que ela tinha percebido aquilo só agora quando olhou a distância do telhado para o próximo. Ele obviamente não tinha medo já que era acostumado a jogar Quadribol e os outros membros da equipe, tirando Mike, eram treinados para situações como aquela.

- Você não vai cair Granger — ele disse do lado dela.

Ela riu sarcástica.

- Essas são suas palavras de conforto? Que eu não vou cair? — ela perguntou, tentando olhar pra baixo.

Ele apenas deu de ombros e sorriu de lado.

- Caia então, eu não poderia me importar menos.

Hermione então se perguntou se por acaso ela caísse ela iria ter os ossos quebrados, de preferencia o pescoço, assim ela iria morrer logo e não viraria comida dos zumbis. Qualquer coisa parecia melhor que isso.

Jarold foi o primeiro a pular, depois Scott e Myla, Draco foi o próximo e então sobrou Hermione e Mike. Hermione foi na frente, pulando de olhos fechados, caindo perfeitamente no outro telhado. Mike não teve a mesma sorte e prendeu a perna na calha. Ele tentou puxar e um estralo alto foi ouvido assim como seu grito de dor.

- Calma, não se meche Mike! — Scott gritou.

- Está doendo muito, e-eu acho que q-quebrei — disse Mike, fazendo urros de dor — Provavelmente foi o tornozelo

Jarold pegou Mike no colo, fazendo uma careta de desgosto. Eles pularam o que parecia ter sido cinco telhados até chegarem no ultimo, que era o da casa que ficava na esquina do posto.

Já estava noite e podia se ouvir os gemidos e rosnados dos zumbis á distância, junto com o ruido dos seus passos lerdos.

- Está limpo, estão todos perto da casa — anunciou Myla.

Eles desceram do telhado por uma escada de incêndio e se viram no meio de um beco sujo com latas de lixo. Correram para o posto de Gasolina, Jarold ia a frente com Mike.

Havia cinco carros ali, todos estavam com as portas abertas, abandonados. Eles viram um cadáver saindo do carro que estava mais sujo e quando eu digo isso significa sujo de sangue e do que antes havia sido um orgão de alguém.

Entraram na loja de conveniência. Ou o que sobrou dela. As prateleiras de onde antes tinha comida estavam vazias, tirando algumas embalagens abertas. A maquina de café estava quebrada ao meio, pingando leite e achocolatado pelo chão fazendo os líquidos se misturarem com a poça de sangue que saia de trás do balcão do atendente. Quem sabe o sangue era do antigo atendente. A caixa onde se guardava dinheiro estava aberta e a caixinha onde todas as lanternas que eram dadas de brinde estava vazia.

- Alguém veio aqui antes — disse Scott alto.

- Algum morador que queria pegar comida e o que precisava para sair daqui, talvez eles tenham saído da cidade — Hermione constatou.

- Duvido muito, provavelmente foram comidos e aqueles que não foram estão tentando nos lanchar — Draco retrucou enquanto procurava algo atrás dos balcões — Procurem munição e armas.

- Por que não usam a sua preciosa magia? — Perguntou Myla irônica.

- Porque aqueles bichos foram criados com um vírus para matar todos os bruxos, se usarmos magia é como se dessemos um tiro para os acordar e vir aqui — Hermione explicou — A menos que você queira ser morta, não que alguém vai sentir a sua falta...

- Hey, retire o que você disse agora — Scott disse entre dentes e com raiva. Hermione não se afastou.

Draco se pôs entre os dois. Um sorriso sarcástico no canto da boca.

- Você não brigaria com ela não é? Olha pra ela, mais fracote que uma folha seca, vai lá com sua esposa vagabunda e deixe a gente em paz que o mesmo será retribuído — Draco disse zombando, mas ela percebeu que não era completamente.

- Certo — Scott murmurou, ele parecia que ia pular nos dois em qualquer momento — Outra palavra e eu te mato — isso ele disse virado para Hermione.

Scott pelou Myla pelo braço e saiu para uma porta que até agora não havia sido notada. Hermione se virou para Draco com raiva nos olhos.

- Por que você fez isso? — Perguntou com raiva.

- Simples, não quero mais problemas com a prostituta e com o mariquinha — ele disse indiferente, olhando em volta como se fosse a coisa mais interessante.

Ela não estava certa de o que ele disse era verdadeiro. Por um momento ela ficou olhando para o chão de ladrilhos sujos antes de levantar o rosto e o olhar nos olhos, fazendo questão de dizer com o maior nojo possível.

- Eu te odeio.

Malfoy levantou uma sobrancelha divertira e deu uma risada curta.

- Ah é? As melhores mentiras escondem as piores verdades — ele disse e piscou um olho.

Ela pensou por um momento o que aquelas palavras significavam. Ou se elas significam alguma coisa ao todo já que muitas vezes as pessoas dizem coisas apenas por dizer. Ela mesma já fez isso muitas vezes.

- O que isso significa exatamente Malfoy? – ela perguntou depois de um breve momento.

- Não conseguiu descobrir por si mesma eu vejo – ele zombou – Vou deixar você com suas próprias duvidas

- Hey vocês dois, parem de conversa e venham nos ajudar a achar alguma coisa para ajudar no tornozelo de Mike – Jarold chamou.

Hermione lançou mais um olhar de raiva para Draco antes de se afastar. Ela chegou perto de Mike que estava no chão, ela tirou seu tênis e viu o tornozelo e parte do pé incrivelmente inchado. Ela fez uma careta quando percebeu que havia um corte ali também, um corte muito feio.

- Isso está bem feio – ela disse fazendo uma careta.

- Eu sei, sou um médico esqueceu? – Mike brincou – Olha ér... tentem achar alguma coisa pra amarrar ou uma pomada ou coisa parecida

Draco bufou alto.

- Esse lugar está vazio, a única coisa que podemos achar aqui é gasolina, isso se os tanques não tiverem vazios – Malfoy disse.

Myla e Scott saíram da sala ao lado, de mãos dadas. Scott lançou um olhar de raiava para Draco que retribuiu da mesma maneira. Myla parecia ignorar os dois bruxos do lugar.

- Dentro da sala tem uma porta embutida no chão, provavelmente vai dar pra algum depósito, Scott e eu já checamos e ela está trancada – Myla disse com uma lata de energético na mão.

- Onde achou isso? – Jarold perguntou e apontou pra lata.

Myla deu de ombros.

- Tava em cima da mesa de algum agora defunto – ela disse sem emoção – Mas vão lá ver com os próprios olhos se estão duvidando de mim.

Hermione foi a primeira a sair dali, entrando na sala. Era um lugar com pintura já descascando, uma pequena mesinha com um computador, na parede havia uma prateleira cheia de chaves e um telefone. Ela pegou o telefone na mão.

- Sem linha – anunciou para os outros.

Scott empurrou o tapete mostrando a entrada para o depósito, havia uma grande fechadura de ferro. Jarold suspirou alto e se virou para Hermione.

- Quanta comida você tem? – ele perguntou sério.

Ela abriu a bolsinha de contas, checando a comida visível. Ela suspirou tristemente.

- Pouca, eu basicamente carrego comida pra mim mesma mas agora que nós vamos dividir deve durar uns três dias ou menos – contou desanimada.

Draco rosnou alto e ela lhe lançou um olhar sujo.

- Não me venha com esse olhar de merda Granger – ele xingou – Escuta, vamos atrás da bosta da chave e abrir o depósito, se está trancado significa que quem quer te tenha vido aqui antes não abriu e isso significa que tem comida lá dentro.

- Ou gasolina – Hermione completou – Podemos botar gasolina em um dos carros e sair da cidade.

- A estrada esta trancada com aquele caminhão incendiado – Scott disse.

- E a interestadual? – Myla perguntou.

- Infestada com os bichos, não conseguiríamos passar com armamentos, imagine agora – Jarold contou desanimado.

- Deve ter alguma estrada de chão passando pela área rural, é só ir em direção ao sul da cidade e ir reto ao contrario de Londres – Mike sugeriu.

Hermione pegou o mapa de Kingsley havia dado. Ela viu um pontinho brilhando no norte do mapa, perto da cidade de York, muito distante de Londres.

- Não, a pedra estaria muito longe de onde vamos, nós temos que ir pela interestadual ou ir a pé pelas florestas ao redor da estrada 42 – contou a todos.

- Se formos a pé o risco iria duplicar – Myla retrucou, com raiva.

- Tem alguma ideia melhor? – Draco perguntou pra ela, que logo se calou – Ótimo, vamos a pé, agora o nosso problema é achar armas e comida.

Todos pensaram por um breve momento. Mike começou a dormir num sofá desconfortável. Myla parecia com sono e estava deitada no colo de Scott enquanto ele passava a mão nos seus cabelos. Draco bebia o resto do energético e Jarold era o único que parecia pensar realmente junto a Hermione.

- Eu acho que vi uma loja de caça a umas quatro quadras daqui, descendo o beco e a loja de roupas – Hermione anunciou – Eu vou até lá e pego armas, munição e passo na loja de roupas já que a de vocês ficou na casa.

- Eu vou também – Malfoy disse ela o olhou – O que? Não vou deixar você escolher minhas roupas.

- Muito bem, mas vão amanhã, está de noite e não queremos que mais ninguém se machuque por agora – Jarold disse alto – A primeira hora de vigia é minha, Scott a segunda, Mike terceira e Myla a quarta. Vocês dois durmam e descansem para amanhã. Boa noite a todos.

E Jarold foi para a loja de conveniências enquanto eles ficaram ali no escritório. Myla e Scott se aconchegaram no outro sofá velho e dormiram abraçados. Mike roncava alto. Draco estava sentado numa cadeira de rodinhas balançando para um lado e para outro.

Hermione suspirou e tirou o notebook que Harry havia lhe dado. Era a primeira vez que ela ia o usar. Apareceu o símbolo do Windows e lá estava o papel de parede deprimente do campo. Ela suspirou pela segunda vez e foi ver a conexão com a internet. Ela clicou no link da anteninha e lá apareceu a mensagem:

Sem sinal de internet, gostaria de tentar uma rede Wireless?

Ela clicou “Não”, duvidando muito que alguém estaria em casa com o Wi-fi ligado. Ela riu para si mesma, os meios de contado já tinham ido, ou pelo menos quase todos. A televisão ainda funcionava, como eles haviam testado naquela casa, mas eram sempre as mesmas propagandas e previsões de tempo e é claro os programas de TV aberta repetidos. Eles não haviam testado o rádio e ela se perguntou se a situação estava tão feia assim.

Ela clicou no aplicativo para escrita e começou a escrever:

Caro amigo ou qualquer pessoa que esteja lendo isso,

Hoje foi um dia terrível. Aposto que você teve já teve dias que você sentiu vontade de se matar. Acredite, eu já tive vários dias assim mas nenhum chegou perto de hoje. Mas eu sei que não posso dizer que esse foi o pior pois dias piores virão e eu sei que tenho que estar preparada pra isso. Eu ainda não acredito que eu estou escrevendo aqui para você, seja lá quem você seja. Mas eu sei que você, assim como eu, está se sentindo sozinho ou um pouco abandonado. No meu caso, eu estou no meio de um apocalipse zumbi e acho que você também. Parece que todo mundo a sua volta está andando estupidamente, são sem cérebros ou inteligência e você não vê o motivo da existência deles. Eu sei como é.

O fato é que eu estou me sentindo muito sozinha agora, sei que a conexão de internet se foi mas, se alguém por acaso, ler isso, saiba que não está sozinho.

O outro fato é que a vida de bilhões de pessoas está na minha mão e eu estou com medo disso. Se você quem está lendo morrer por minha causa, eu peço desculpas, eu tentei.

Mas agora eu estou aqui, presa com trouxas que me odeiam e o pior, com meu inimigo de infância que eu odeio e que me odeia também. Eu vou salvar isso aqui agora porque eu não tenho mais nada pra escrever mas eu acho que eu vou publicar isso em algum lugar, Harry parece ter achado um aplicativo pra isso. Acho que vou escrever o que está acontecendo pra você, quando eu tiver tempo. Quem sabe assim eu me sinto menos solitária.

Amor e sorte porque você pode precisar,

Hermione Granger.

Ela ficou olhando para a tela do notebook antes de clicar em salvar. A mensagem do aplicativo “What´s up?” que Harry havia posto logo apareceu.

Publicar o novo post em todas as redes próximas?

Hermione suspirou e pensou que não custava tentar. Quem sabe alguém poderia ler sua “carta” e tentaria se comunicar de volta? Nunca se sabia. Ela clicou em “Sim” e logo a mensagem dizendo que o post foi enviado para as redes próxima estava na tela.

Ela suspirou pela terceira vez.

Então, ela olhou para Malfoy que estava ainda sentado na cadeira de rodinhas, olhando fixamente pro nada.

Por um momento, ela se perguntou se ele se sentia solitário assim como ela.

Notas finais
Obrigada pelos comentários, tipo são apenas 6 capitulos até agora e eu já tenho tudo aquilo. Muito obrigada mesmo e espero que estejam gostando. Quem já leu minha outra história sabe como eu funciono: Um relacionamento que vai indo aos poucos e em fases, sem aquela coisa de "eu te amo" já no terceiro capitulo. Tipo, por favor, olha de quem estamos falando, as coisas não funcionam assim, tem que ter um ótimo motivo para eles se ajudarem então imaginem se apaixonarem.
Tem que ser algo muito importante. Por isso eu peço para terem paciência e não ficarem esperando SÓ romance de mim porque eu vou muito além disso e acho que ação, terror e romance é tudo a ver. Novamente quem já leu a outra sabe.
Sem enrolar:
Espero que tenham gostado :3