Breath Of Life - Dramione
9 Capítulo 8 - Na estrada para o Inferno
No fim, a saída da cidade havia sido extremamente fácil já que os Mordedores ( eles se acostumaram a chamar os zumbis por esse termo) estavam entretidos com a quantidade de corpos causados pela explosão. Os dois haviam dado um volta e foram na direção rural dos arredores, saindo da cidade e indo parar em uma estrada de chão e pedras. Havia árvores ao redor e junto a toda vegetação estavam em um tom de cobre que anunciava o Outono. Se eles olhassem para trás, poderia ver a pequena cidade completamente deserta.
Mas o fato era que eles já haviam caminhado por horas. No minimo nove horas e os pés de Hermione aclamavam por descanso. Sim, eles não haviam pego carro nenhum pois estavam com muita pressa de sair da cidade logo.
- Malfoy, já está anoitecendo, vamos parar — ela disse.
- Não — ele respondeu firme, não olhando pra ela, só para frente.
Hermione olhou pro céu que estava em um tom alaranjado, indo para o azul escuro. Já havia algumas estrelas surgindo e daqui a pouco seria noite. A sola de seu sapato estava se indo, já que ela caminhou muito. Seus pés estavam incrivelmente doloridos e ela já estava tonta.
- Malfoy eu realmente acho que devemos parar, já é quase noite e precisamos achar abrigo, estamos no meio do nada pelo amor de Merlim! — Ela exclamou, apelando para a razão.
- Eu não me lembro de perguntar o que você acha Granger — ele respondeu mal humorado.
- E eu não me lembro de pedir para morrer, pois é exatamente isso que vai acontecer se nós não pararmos e encontramos um lugar para passar a noite! — Hermione quase gritou.
Draco levantou uma sobrancelha e sorriu friamente de canto. Hermione se perguntou quando ele se tornou assim, não ligando para nada e para ninguém. Nem ao menos na escola ele era dessa maneira. Claro, sarcástico e frio ele sempre foi. Mas nunca isso.
- Não — ele respondeu e voltou a andar.
Ela rosnou alto. Pensou seriamente em parar e deixar ele ir até o inferno. Mas então lembrou que ficaria sozinha no meio do nada. Não, por mais que a companhia de Malfoy era horrível e irritante, poderia ser a diferença entre a vida e a morte.
Hermione tentou correr atrás dele mas tropeçou em uma pedra e caiu no chão, rasgando a calça jeans preta e cortando o joelho. Ela gritou um "argh" e olhou para frente. Malfoy não tinha olhado para trás, continuava andando. Pior, agora ele estava assoviando, como se estivesse tirando sarro dela.
Ela ficou no chão, se sentindo completamente derrotada e humilhada. Ela até mesmo sentiu vontade de chorar. Mas então, lá estava ele, indo em direção a uma das árvores no canto da estrada. Hermione tomou forças e se levantou, o seguindo.
Draco se sentou e puxou uma garrafa de água e começou a tomar. Hermione então percebeu o quanto sua boca estava seca.
- Poderia me dar um gole por favor? — ela perguntou, já sentindo a tontura de antes se formar em uma dor de cabeça insuportável.
Malfoy então sorriu. Ela pensou que ele iria entregar a garrafa pra ela, já que tinha apenas um resto de água. Ao invés disso, ele fez uma coisa cruel e que a fez ter vontade de matá-lo.
Draco Malfoy lentamente virou a garrafa, deixando a água cair no chão seco. Hermione ficou boquiaberta.
- Você está louco?! Está disperdiçando água e nós só temos cinco garrafas, agora quatro! — Ela não conseguiu gritar por causa da sua garganta seca.
- Eu não me importo com você — ele disse — Por que não cala a boca? Já sentamos, não era o que queria? Agora fique quieta e me deixe em paz.
Hermione sentiu uma raiva incontrolável e sem pensar ergueu a mão para lhe dar um tapa. Mas Draco foi mais rápido e pegou seu braço pelo pulso e o torceu. Hermione chorou de dor, ele era muito forte. Ele a largou finalmente.
- Vá a merda Malfoy — ela jurou.
Ele apenas riu, zombando dela. Foi quando eles ouviram o som de um motor e a musica Highway to Hell no volume máximo. Draco se levantou, tirando o revolver das vestes e ela fez o mesmo. Foi quando uma camionete vermelho-sangue apareceu ali na frente.
Dentro dela havia um rosto familiar. Cabelos castanhos e olhos castanhos incrivelmente claros. O olhar de zombamento sempre presente com o sorriso irônico.
Theodore Nott.
- Hey gatinhas, querem uma carona? — ele perguntou, buzinando — Pensando melhor, vou querer só a morena, não sou muito fã de loiras.
Draco mostrou o dedo do meio para ele, que virou a cabeça para trás e riu. Hermione não pensou duas vezes e entrou no carro. Malfoy foi logo atrás. Theo então, ligou a música novamente no máximo e o carro começou a andar.
- Que porra você está fazendo aqui? — Malfoy perguntou.
- Eu não ia deixar toda a ação para vocês — Theo sorriu mas então viu a expressão séria de Malfoy — Aquilo ta um inferno cara, não está pior que aqui fora. Eles estão controlando os alimentos, tem horário pra tudo e estamos sendo obrigados a vestir uma roupa listrada. Parece até mesmo Azkaban.
- Controlando comida? — Hermione perguntou — Isso é um absurdo, as pessoas devem ter direito de comer o quanto quiserem.
- Parece que os trouxas não acham isso — Theo disse — Está tendo uma guerra interna. Os trouxas estão querendo controle total das missões de suprimentos, nós queremos liberdade total. Kingsley está tentando resolver por meio de negociações mas não está resolvendo merda nenhuma. Os trouxas querem que abandonemos nossas varinhas e entremos no exercito deles, querem acabar totalmente com a magia. Varinhas estão sendo queimadas e o laboratório que antes era para ir atrás da cura está sendo usado para experimentos — Ele contou.
- Experimentos — Draco zombou — Duvido que consigam achar qualquer coisa.
- Eles acham que a magia vem de algum orgão ou coisa parecida dentro da gente — Theo rosnou — Estão todos loucos. O subterrâneo trouxa foi fechado. Já havia algumas pessoas lá dentro, todas soterradas.
- Eles demoliram o subterrâneo trouxa? — Hermione perguntou horrorizada — Havia mais de trinta mil pessoas lá dentro!
- Todas mortas — Theo disse — Todos os bruxos estão tentando sair do subterrâneo e ir para Hogwarts. O castelo é a melhor opção. Os feitiços daquele lugar vai manter os zumbis longe e sem contar a estrutura. Mas os trouxas não colaboram, é diário encontrar casos de bruxos espancados ou mortos.
- Eles querem manter todos presos — Draco disse em voz alta.
Theo assentiu. Ele então ligou os faróis já que a noite chegou. Hermione estava sentada entre ele e Draco. Ela ainda estava morrendo de sede, então, percebeu uma mochila no chão do carro. Ela puxou, mesmo sem pedir permissão, e encontrou latas de cerveja trouxa.
- Serve — ela disse para si mesma, antes de abrir uma e tomar tudo em quase um gole.
- Cerveja trouxa Nott? — Malfoy zombou — Pensei que tivesse mais classe. Aliás, como sabe dirigir?
- Eu aprendi com o tio do primo de terceiro grau do pai do meu cunhado — Theo contou — Ele era nascido trouxa e me ensinou. Não é difícil, é como uma vassoura que não voa. E sobre as cervejas, o que eu posso fazer se são melhores que as cervejas bruxas? Além disso, elas fazem você ficar bêbado mais rápido.
- Como você nos encontrou? — Hermione perguntou, entre os goles de cerveja.
- Eu estava indo em direção a vila bruxa de Greackshool quando eu vi a explosão — Theo riu, mesmo não tendo piada alguma — Imagine eu, dirigindo esse lindo clássico esportivo, quando eu vejo uma explosão enorme. Dai eu pensei "Meu deus, essa explosão só pode ter vindo de um dos peidos de Malfoy!" e dai eu encontrei vocês nessa linda estrada, brigando sob o pôr-do-sol.
Draco lançou um olhar de ódio puro para Theo. Hermione perguntou se eles eram amigos mesmo ou se era apenas uma encenação na frente das pessoas. Theo não parecia se importar porém.
- Acho melhor pararmos e fazermos uma fogueira para dormir a noite — Hermione sugeriu.
Nenhum dos dois quis discutir. Theo parou o carro dentro de uma clareira. Draco desceu, fazendo questão de bater a porta com força. Ela ergueu uma sobrancelha, se peguntando se a presença de Nott era algo que não o agradava.
Eles logo acharam madeira e fizeram fogo com a caixinha de fósforos que Hermione tinha. Como já dito, magia atraia os zumbis que foram criados especialmente para aniquilar bruxos. Eles se sentaram em volta da fogueira. Malfoy começou a reclamar que a comida que Hermione trouxe era ruim. Sim, eram apenas biscoitos, lanches e sacos de arroz e feijão. Resumindo: comidas que não estragassem tão rápido.
- Malfoy, cale a boca e pare de reclamar apenas por um minuto! — Hermione berrou e se levantou — Em menos de vinte e quatro horas pessoas que nós conheciamos morreram e você está ai reclamando que não gosta dos biscoitos que eu trouxe. Você não tem o direito de reclamar, se você não percebeu, nós estamos lutando pela nossa sobrevivência e pela sobrevivência de quem nós nos importamos. Então, pare de achar que você ainda está na sua mansão, onde sua mamãe fazia tudo por você! Você não sabe o que é perder alguém!
- Eu não me importo quantas pessoas morrem, eu não me importo se o mundo inteiro morrer! — Draco berrou de volta se levantando também — Eu não me importo e sabe o porque? Porque todas as pessoas que eu um dia já me importei estão mortas! Não diga que eu não sei o que é perder alguém! Você não sabe o que é ver seu pai apodrecer na cadeia e depois de meses tento esperança receber a noticia de que ele foi a cobaia para esse vírus maldito! Você não sabe o que ouvir os gritos da sua mãe, os berros, enquanto ela acha que está queimando até a morte quando na verdade ela está apenas em um quarto de um hospício! Você é que nem eu Granger, se acha melhor que todos, mas nunca olha pra si mesma.
O silêncio que veio depois dos gritos parecia atravessar todos como uma lamina afiada. Hermione olhou pro chão. Draco olhou para fogueira. Nott apenas bebia uma garrafa de cerveja.
- Ér... acho que vou ali ficar bêbado, já volto — Theo disse, levando a mochila e sumindo por entre as árvores.
Hermione se sentou no chão, escondendo o rosto nas mãos. Ela chorou silenciosamente e se perguntou desde quando a sua vida havia se tornado um inferno.
- Eu... estou estressada — ela disse para ninguém, mas Malfoy estava prestando atenção — Eu lembrei dos meus pais enquanto você falou dos seus — ela ergueu o olhar — Eles estavam desaparecidos até alguns meses atrás. Foi quando o rastreador deu minha mãe como morta. Meu pai ainda está desaparecido. Mas eu sei de uma coisa: Foi ele o cientista que criou esse vírus de merda. Ele perdeu a memória com o feitiço que eu lancei a quatro anos atrás. De acordo com Kingsley ele largou a carreira de dentista, diferente da minha mãe e se tornou o cientista responsável pela criação do vírus. Você sabe como eu me senti?
Draco se sentou no outro lado da fogueira, comendo um dos biscoitos. Ele negou com a cabeça.
- Eu me senti culpada — ela finalmente disse — Eu ainda sinto.
- A vida é uma merda — Draco riu alto, mesmo sem graça — E eu sou um merda também.
- Disso eu não discordo — Hermione disse sem emoção.
Nott então voltou, com a mochila de latinhas vazia, as latinhas foram largadas no canto. Ele estava rindo para si mesmo.
- Tinha uma zumbi ali atrás, ela veio e agarrou meu pé e dai eu disse "Calma queridinha, você não faz meu tipo" — Theo disse rindo, completamente bêbado — Mas ela não me escutou continuou tentando me morder. Dai eu tive que matar ela. Muito parecido com o que eu fiz com a minha ultima namorada.
Hermione revirou os olhos e tirou sua jaqueta de couro, já que estava calor o suficiente com a fogueira. Ela dobrou a jaqueta e fez de travesseiro, deitando e colocando a cabeça em cima. Theo agora estava cantando uma versão de "Mary tinha sete carneirinhos" mas substituindo Mary por Clary e falando que "Clary tinha sete pêniszinhos". Ela ouviu Malfoy mandar Theo ir tomar no cu. Ela quase riu por um momento. Mas antes disso, ela caiu no sono.
Notas finais
Obrigada pelos comentários *-* e comentem nesse também.
Bjos :*
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