Breath Of Life - Dramione

28 Capítulo 27 - As respostas vem com a neve


Ele sabia que estava fora da casa no momento que sentiu a neve em seus pés. Levantando os olhos viu os campos brancos e as árvores ao longe. Sentiu, também, olhos o chamando para a escuridão da noite. Olhos que a tanto tempo não via e mesmo assim ainda eram reconhecíveis.

– Pai? — perguntou confuso.

Lucius Malfoy tinha os mesmos olhos de seu filho, porém mais gélidos e sem emoção. Lhe deu um sorriso de canto quando se aproximou.

Não era realmente seu pai. Claro que não, ele estava morto. Mas era seu pai feito de flocos de neve que caiam em grande número por causa da tempestade. Draco reconheceu até mesmo a bengala.

– Que bom que me conhece mesmo depois de todo esse tempo, filho — a voz de Lucius parecia longe, como um eco — É bom saber que a família ainda é importante mesmo depois que ela se desfaz.

– Não pode ser você — Draco colocou as mãos em volta de seu corpo, tentando se proteger do frio e da neve — Você está morto.

– Grande conclusão — a voz do pai era quase tão fria quanto o gelo que formava seu corpo — Vim lhe dar um aviso, filho. Lhe explicar os seus sentimentos.

– Dos meus sentimentos quem cuida sou eu — Draco rosnou — Não você. Você já me controlou por tempo suficiente. Agora chega.

– Ousa desafiar os mortos, Draco? — Lucius não mostrou raiva, muito pelo contrário — Sabe que está se decaindo, ou melhor, nos salvando.

Ele levantou o olhar para o pai.

– Como...?

– Ela, a sangue-ruim — cuspiu o nome — Está se apaixonando por ela, assim como eu planejei que se apaixonaria algum dia por outro alguém. O feitiço das almas Draco, o ritual. Irá se apaixonar por uma pessoa que antes considerava inferior. Nunca teria feito se soubesse que seria Granger de todas as pessoas.

Ele lembrou de estar sentado em uma poltrona na Mansão Malfoy enquanto seus pais lhe davam a notícia do ritual. Sabia que não era exatamente um ritual, era algo que faria Draco se apaixonar por alguém que antes ele considerava menos que nada. Na época, achou que fosse uma garota qualquer. Antes, pensou que fosse Astória, mesmo a considerando legal. Agora, não sabia que mais nada.

Estava... confuso.

– Não estou apaixonado por ela.

– A negação já é a prova de que está — Lucius sorriu de lado e ergueu uma sobrancelha — Não há volta, agora, a segunda fase irá acontecer... sugiro que aceite a Srta.Granger mesmo isso me dando uma grande vontade de vomitar mesmo com meu corpo apodrecendo.

A segunda fase seria as escolhas. Sabia disso. Sabia que alguma hora iria fazer uma escolha que mudaria sua vida ou até mesmo acabaria com ela. Era inevitável, seu pai fez questão disso.

– Quando? — perguntou.

– Não se sabe — Lucius respondeu — Perto, espero.

Draco passou a mão pelos cabelos

– O que eu faço pai? — sua voz continha desespero.

– Não cabe a mim, mas sim a você — Lucius era severo — Esse é o motivo principal Draco, faça a escolha certa pelo menos uma vez na sua vida. Eu estou morto... dessa vez não posso interferir.

Draco...

Seu pai agora estava se indo, o vento levando a neve de seu corpo para longe.

Draco...

– Pai! — gritou, tentando correr atrás dele.

Draco!

Ele acordou suando frio, na cama apenas com uma calça de moletom preta. Ao seu lado Granger o olhava preocupada, vestindo a sua camisa. Os cabelos cacheados pareciam maiores do que o habitual.

– Você... estava gritando — ela disse — Estava chamando, ahn, o seu pai.

Draco se sentou na cama, passando as mãos pelo rosto. Sentiu Granger se aproximar. Não sabia o porque, mas não a queria perto.

– Vá embora Granger.

Ela o olhou confusa, ainda com o ar de preocupação. Ele não a culpava, afinal, acordar com gritos não era nada relaxante durante aqueles tempos.

– Mas... — Granger tentou argumentar.

– Eu disse vá embora! — explodiu, gritando — Não entendeu? Eu já fodi com você, não preciso mais da sua merda de presença. Sai daqui Granger, você me da nojo.

Hermione se sentiu como se tivesse levado um tapa. As lágrimas vieram em seus olhos, mas não derramou nenhuma. Assentiu com a cabeça e se levantou.

– Certo então — disse baixinho.

E saiu do quarto, o deixando pensando no quão idiota ele era.

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Gina chorava baixinho. De tristeza, não de felicidade. A maioria das mulheres chorava de felicidade quando descobriam que estavam grávidas. Mas não agora, não naquele lugar. Não ela.

Olhou para a neve em busca de respostas. O que iria fazer? Como ela iria ser uma boa mãe? Claro, ela já era tecnicamente a mãe de Teddy já que cuidava do menino uma boa parte do tempo quando Andrômeda não podia. Mas aquilo era diferente. Seria um bebê, um simples bebê.

– Gina?

Harry havia aproximado de sua cama.

– Ah, Harry... — suspirou, deixando as lágrimas escorrerem — Não me deixe mais, por favor.

Harry a pegou e abraçou contra seu corpo, a deixando chorar por uma meia hora. Ele a balançou para frente e para trás levemente, tentando a acalmar. Em nenhum momento perguntou o porque dela estar chorando e por isso Gina o agradeceu.

– Me perdoa? — ele perguntou.

A ruiva olhou em seus olhos verdes que pareciam olhar dentro dela. O amou desde que colocou seus olhos nele. Devia desistir de tudo isso agora? Quando mais precisava dele ali, junto com ela?

– Sim — beijou-o suavemente — Sim, lhe perdoo.

Harry aprofundou o beijo, a empurrando na cama e fazendo os cabelos lisos e ruivos se esparramarem pelo travesseiro. A beijou como fez quando a guerra terminou. Como se finalmente a tivesse visto depois de muito tempo.

– Harry — ela sussurrou em seu ouvido — Você vai ser pai.

Gina observou ele se afastar em choque e então viu como seus lábios formaram o sorriso mais brilhante que ele deu em sua vida.

Então soube que tudo iria valer a pena.

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Hermione se sentou no sofá, olhando para a lareira onde o fogo queimava. Se sentia como lixo. Talvez ela fosse exatamente isso para ele. Theo estava sentado ao seu lado, a cabeça de Steve em seu colo. O cão rosnou para ela, como sempre.

– Ele é um idiota — Theo disse.

– Sim — Hermione suspirou — Um idiota.

Theo rosnou.

– Você é Hermione Granger pelo amor de Merlim! — exclamou — Desde quando você se ajoelha pro Malfoy? Que eu me lembre você dá um soco na cara dele.

– Eu fiz isso apenas uma vez... — ela tentou argumentar. E naquele tempo eu não estava apaixonada por ele, completou em pensamento, notando o quanto aquilo soava infantil.

– Não interessa — Theo retrucou — Vá lá e mostre quem você é.

Sempre achou que Theodore Nott era uma pessoa impulsiva, totalmente o contrário dela que era uma pessoa racional. Mas naquele momento ela deixou o lado direito do cérebro funcionar e se levantou, correndo para as escadas.

No fim, não foi necessário pois Draco Malfoy já estava descendo e ela bateu diretamente contra seu peito. Ouviu o assovio baixo de Theo.

– E-eu... — começou, se sentindo mais estúpida que nunca — Você não pode me tratar daquele jeito!

Draco apenas levantou uma sobrancelha.

– Eu não sou um animal para ser tratada assim, também não sou sua prostituta particular que você leva na cama quando quiser! — foi levantando a voz, se sentindo cada vez melhor — Não pode gritar comigo como se eu fosse sua propriedade, Malfoy! Sabe porque eu me preocupo com você? É que eu... argh, esquece, você é um idiota e nunca, nunca mesmo vai ser amado por alguém na sua vida!

Ele apenas ficou lá, olhando para ela com um olhar divertido. Então, pegou seu braço e a puxou para o quarto ao lado, fechando a porta com um chute. Hermione pode ouvir Theo rindo baixinho enquanto saiam.

Draco a jogou na cama e ficou por cima, beijando seu pescoço, sua mandíbula e finalmente chegando a sua boca. Ela não podia se controlar, o beijou de volta, soltando um gemido baixo.

– Desculpa — ele murmurou em seu ouvido.

– Pensei que não soubesse dizer desculpar — ela se sentou na cama, o empurrando longe — E pensei que não queria a minha presença.

– Eu menti — ele tentou se aproximar — Eu sempre preciso da sua presença.

Hermione o empurrou de novo.

– Então por que me tratou daquele jeito? — perguntou confusa — Eu fiquei preocupada, acordei com os seus gritos e você estava suando frio e se contorcendo...

– Não somos um casal — Draco a interrompeu.

– Não vejo o porque disso ser relevante agora — Hermione cruzou os braços.

– É sim — ele mexeu um cabelo cacheado dela — Você não deveria estar preocupada comigo, deveria estar preocupada em descansar mais. Deveria estar preocupada com sua família.

Hermione sabia que aquilo não fazia sentido, mas não discutiu.

– Eu não tenho mais família — disse baixo — Não mais.

– Nem eu — Draco levantou seu queixo a forçando a olhar para ele. Para seus olhos cinzas — Mas também não tenho nenhum amigo e...

– Você tem amigos — Hermione o interrompeu — Tem Theo, Blaise, Pansy, Astória...

Draco a empurrou novamente no colchão, a forçando se deitar nos travesseiros nada macios. Seus olhos não estavam negros, ela percebeu, estavam normais. Então, sabia que o que quer que ele esteja fazendo não iria os levar para apenas sexo.

– Mas eles estão longe, bem, menos Theo — ele riu fraco — Eu sonhei com o meu pai hoje, Granger. E... — ele respirou fundo e a libertou, se sentando novamente e passando a mão pelo rosto — Ele era um monstro mas ainda assim era o meu pai. Eu o amava. Fiz coisas por ele, destruí a minha vida por ele. Matei por ele. Isso faz de mim... um monstro também?

Ela se sentiu estúpida por ter gritado com ele.

– Não — respondeu rapidamente e se sentou na sua frente — Não, você não é um monstro. O amar não lhe faz igual a ele, lhe faz superior a ele Draco. Por que não me contou? Por que...?

– Porque você é real e você está aqui — ele respondeu — Porque você pode me julgar, porque você está viva e respirando. Porque é o seu corpo quente que eu sinto ao meu lado durante a noite e é você que me faz pensar em tudo isso. Porque eu estou confuso e porque eu não quero me sentir assim. Porque eu adoro seu cheiro e adoro esse cabelo porque ele é incrivelmente...

– Crespo? — ela interrompeu, sorrindo.

– Também — ele sorriu de lado — Mas eu ia dizer bonito.

– Draco — ela riu — Isso é idiota, assim como você. E eu te odeio.

– Também de odeio — Draco respondeu rapidamente — Só para deixar claro, não existe mais nada aqui entre nós.

– Eu estou apaixonada por você — ela confessou — E isso me assusta, porque eu...

Ele ficou rígido e se afastou.

– Não.

– Não?! — ela perguntou chocada — Mas...

– Eu não estou apaixonado por você, na verdade, eu ainda lhe odeio — a sua mandíbula estava apertada — Mas eu não tenho mais nada que me prenda ao passado. Minha mãe enlouqueceu. Meu pai está morto. Meus amigos de Hogwarts estão longe e Theo... eu o conheci faz pouco, ele não é algo familiar. Mas você é, e por isso eu prometo que eu vou te proteger com a minha vida se for preciso...

– Mas você não está apaixonado por mim — Hermione completou.

Draco soltou o ar dos pulmões que ele nem mesmo sabia que estava segurando.

– Mas não estou apaixonado por você — entrou em negação.

Nunca iria lhe falar isso. Nunca.

Hermione sentia algo em seu peito. Dor, talvez? Mas ao mesmo tempo sentia alívio. Sem relacionamentos, sem compromisso. Não queria ficar sozinha embora e se era isso que Draco iria lhe oferecer... ela aceitaria.

– Eu sei — foi sua resposta — Isso... basta.

Ele a beijou suavemente, a deitando de volta na cama. Nenhum dos dois percebeu que a porta havia se aberto e lá estava Theodore Nott, os olhando com o enorme cachorro ao seu lado.

Theo fechou a porta e se jogou novamente no sofá da sala.

– Veja o que acontece... — começou a cantar alto.

Draco e Hermione se separaram, ouvindo a voz do amigo. Hermione sabia o que era enquanto o loiro parecia totalmente confuso e perdido.

– O que virá depois? — Theo continuou a cantar.

Steve latiu.

– Esses pombinhos vão se apaixonar... — Theo olhou para o cachorro, cantando — Seremos só nós dois...

Quando Hermione começou a rir loucamente pela primeira vez durante semanas, ela se sentiu quase completa. Quase porque seu sentimento não era retribuído, mas quase também por estar rindo com um amigo assim como ria com Harry e Rony. Por estar naqueles tempos de sangue com um sorriso no rosto, mesmo este sendo quebrado. Estava sorrindo porque ela estava meio feliz. Meio completa.

Ela estava... meio tudo.

Meio contente.

Meio salva.

Meio amada.