Breath Of Life - Dramione

27 Capítulo 26 - Uma escolha certa e outra errada


Andrômeda Tonks andava pelos corredores rapidamente. Fazia tanto tempo desde que estivera ali. Agora, novamente naquele local, parecia que fantasmas gelados a seguiam. Virou a esquerda, batendo em uma porta forte feita de madeira. Ouviu um resmungo e tomou como permissão para entrar.

Narcisa estava sentada em uma poltrona com uma xícara de chá na mão. Olhava para o nada, como sempre fazia mesmo com alguém por perto. Estava em um vestido preto elegante que realçava os cabelos louros claros. Mesmo com mais de quarenta anos, Narcisa parecia ter no máximo trinta.

- Sabia que ia vim me ver logo, irmã — disse numa voz com classe, largando a xícara de lado — Lucius não vai ficar feliz.

Lucius Malfoy está morto, Andrômeda pensou, E você vai estár também se não ajeitar sua mente.

- Lucius é o que menos me preocupa agora — respondeu, se sentando na poltrona do outro lado da mesinha — Ciça, vim aqui lhe falar sobre outra pessoa.

Narcisa ergueu o olhar de olhos gélidos, pareciam vazios mesmo quando falavam do marido que acreditava estar vivo.

- Diga então — piscou confusa.

- Vim falar sobre seu filho — Andrômeda colocou a mão sob a de sua irmã — Vim falar sobre Draco.

Narcisa deu um leve sorriso com o nome do filho. Os olhos sem emoção tinham agora um carinho que parecia transbordar. Andrômeda sabia que havia um medi-bruxo do outro lado da porta, pronto para entrar se acontecesse uma crise de loucura.

- Ah Draco, meu menino — ela parecia estar feliz, mas uma sombra de preocupação chegou em sua face — Lucius o fez ir para outro lado, tenho medo que o Lorde das Trevas o faça... fazer coisas.

- Não é sobre esse assunto Ciça — Andrômeda apertou sua mão — Quero saber sobre o que Lucius fez quando Draco nasceu, quando ele tinha um aninho. Irmã, me fale sobre o ritual das almas.

Narcisa olhou para ela confusa, mesmo assim, tinha um olhar de que sabia sobre o assunto.

- Lucius largou o feitiço logo que Draco nasceu — contou, com a voz suave — Para me proteger. Para proteger nossa família dela mesma. Ensinou a Draco tudo sobre puro-sangues, a quem odiar e quem deve amar. Porém o ritual fez algo diferente com meu menino... — Narcisa colocou a mão na testa — Ele vai amar uma única mulher na vida, uma mulher que ele nunca vai poder ter. Ele vai entrar em colapso sobre o que acredita... o que lhe foi ensinado... e.. e... com o amor.

Andrômeda suspirou.

- Irmã — começou — Draco está na companhia de uma nascida-trouxa nesse momento. Creio que se lembre da Srta.Granger, não?

- Claro que sim, não estou louca — Narcisa ralhou — Se ele se apaixonar pela Srta.Granger ele vai ter que fazer uma escolha, esse é o feitiço que Lucius pôs nele. Veja, meu marido sempre soube que nossa família é formada de pessoas que fizeram as escolhas erradas. Para salvar nosso filho, ele colocou o feitiço para que Draco se apaixonasse por aquilo que ele acredita ser menor do que ele... quando isso acontecer, as almas vão fazer surgir em seu caminho uma escolha. Essa será a salvação de nossa família.

- Uma escolha certa e outra errada — Andrômeda suspirou — Obrigada irmã, acho que tenho que ir agora.

- Espere, não quer um chá? — Narcisa perguntou se levantando também — Como soube disso tudo?

- Eu sou sua irmã — foi o que disse apenas — Você me contou tudo em segredo, mas não se lembra. Queria apenas relembrar algumas coisas com tudo isso acontecendo.

Narcisa olhou em volta confusa, parecia não saber onde estava e esqueceu completamente de Andrômeda ali. Sorriu para uma parede de pedras, um sorriso amarelo.

- Ah! Gertrudes! — exclamou feliz — Minha amiga, você ficou linda nesse vestido.

Andrômeda Tonks segurou as lágrimas. Sua irmã estava louca desde que descobriu sobre como Lucius morreu. Talvez ela estivesse louca faz muito tempo, mas ninguém notou. Ambas estavam sozinhas, perdendo a mente. A família longe e com tudo parecendo estar perdido. Balançando a cabeça, saiu da sala, deixando os medi-bruxos entrarem para colocarem Narcisa Malfoy novamente em um sono profundo.

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- Está fazendo tudo errado — a voz de Granger chegou em seus ouvidos — De novo.

- Não estou não — retrucou — Sinceramente, eu sei cortar madeira, tá legal?

Theodore Nott assistia os dois sentado em um tronco caído, Steve deitado na neve ao seu lado. Observou como Hermione tentava dizer que um arco não era feito desse jeito, que flechas eram levez e tinham que ter ponta... se não não passavam de palitos de dente. Viu como Draco retrucou, dizendo que ela estava dizendo isso apenas para manter o título de "sabe-tudo".

- Ah claro! — ela abriu os braços, em sinal de rendição — Porque esse título é muito importante de se manter no meio de um apocalipse.

- Na verdade — Theo se meteu — É importante mesmo, quando tudo isso acabar é capaz de você ganhar uma medalha escrito "sabe-tudo chefe". Seria maneiro.

- Maneiro vai ser minha mão na sua cara se você não calar a boca! — exclamou, o dedo apontado para ele — Você também poderia ajudar sabe? Precisamos fazer armas silenciosas para a caça, não queremos chamar atenção.

- É mesmo — Draco fingiu concordar — Os vizinhos podem reclamar.

- Mas não temos vizinhos — Theo entrou no jogo.

- Exatamente.

Os dois riram e Hermione ficou os olhando com a mão na cintura. Ela não queria fazer barulho caçando com as armas de fogo que tinham e os rapazes discordaram, dizendo que era ridículo. Então ela argumentou dizendo que não deveriam gastar munição. Então ali estavam eles, no meio da floresta catando madeira para fazer lanças e um arco. Até agora não havia dado em nada.

- Acho que vou ir cavalgar por ai — disse, indo até Ginger que estava amarrada em uma árvore — Se divirtam sendo idiotas.

Pegando as rédeas, fez a égua galopar por entre as árvores, saindo e deixando os rapazes para trás. Ignorou Draco a chamando. Quando já estava longe o suficiente, fez Ginger caminhar devagar. Olhou em volta, seria um lugar muito bonito. Mesmo com toda aquela neve. Suspirando, desceu do cavalo e amarrou em um galho, acariciando-a.

Ouviu passos e um rosnado, se virando para trás viu um andante em decomposição. Lhe faltava a parte de baixo da mandíbula e olhava para ela com muita fome. Pelos restos de cabelo longo no crânio o a roupa larga se percebia que algum dia havia sido uma mulher. Sangue jorrava de uma ferida no braço.

Com o cheiro horrível, Ginger começou a querer fugir e ficava nas patas dianteiras, relinchando alto. Hermione foi em busca de sua pistola ou seu punhal, mas não estavam ali. Merda, havia esquecido na casa. Rosnando, pensou em fugir.

Infelizmente, seu raciocínio foi lerdo demais. O mordedor pegou sua perda, a puxando para ele. Dando um berro de puro horror, tentou espernear e atingir a face da criatura podre. As unhas enormes pareciam querer furar a sua calça, querendo entrar em sua carne. Enquanto era arrastada, ouviu passos correndo em sua direção. Os gritos de Malfoy chegando aos seus ouvidos.

Sentiu algo furar sua perna, uma ardência e então tudo ficou preto.

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Gina Weasley olhava pela janela do dormitório da Grifinória. Fazia quatro anos desde que dormira naquela cama. Lavender Brown estava do seu lado naquele momento, assim como Luna. Astória parecia ter sumido do mapa desde que aquela garota trouxa chegou. Gina não a culpava, sabia como era ter medo de perder quem ama.

- Como você controla Lilá? — perguntou — Digo, desde que Greyback lhe mordeu.

- Poções — respondeu a outra garota, olhando em volta — Embora nesses últimos tempos tenha sido mais difícil, está tudo em falta. É tão estranho estar aqui, não é?

- É diferente do dormitório da Corvinal — Luna olhava para os tecidos vermelhos e dourado — O nosso é um pouco mais espaçoso.

- Vamos parar de falar como se ainda estivéssemos na escola — Gina disse — Vamos falar de outra coisa, esse assunto já está me dando dor de cabeça.

- Harry Potter — Luna disse do nada, sonhadoramente — Ele anda me perguntando como você está, você sabe. Talvez ele queira falar com você mas tenha medo.

- É verdade — Lilá concordou, mexendo as mãos no colo rapidamente, como fazia nos tempos de escola quando sabia de alguma coisa nova — Você deveria falar com ele. O coitadinho parece arrasado.

- O Sr.Potter devia ter pensado nisso antes de... — Gina respirou fundo — Antes de pensar em me abandonar.

- Gina Weasley, você tem que parar se ser tão orgulhosa! — mesmo querendo, Luna nunca conseguia parecer brava — Ele estava apenas confuso, aposto que se fosse você na situação dele teria feito a mesma coisa!

- Não teria não! — Gina quase gritou, seu temperamento falando mais alto — Eu nunca faria algo assim com ele! Eu o amo! — fechou os olhos — Eu o amo.

- Então deixa de ser metida e vá falar com ele! — Lilá gritou e então se levantou — Se me dão licença, Simas está esperando por mim. Temos que ir atrás de mais cobertores para os doentes.

Saindo e fechando a porta, Lilá deixou Gina olhando para o rosto sonhador da loira. Dando um suspiro, Luna se sentou ao lado da ruiva na cama.

- Quer que eu chame Harry Potter aqui? — perguntou.

Gina fechou os olhos, viu os olhos verdes olhando para ela. Ela o amava... talvez, tivesse sido dura demais. Talvez deixou seu orgulho falar mais alto.

- Sim — respondeu — Sim Luna, o chame aqui.

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Hermione acordou em uma cama macia. Novamente estava no quarto de casal. Levantando o olhar, viu um prato com alguma meleca marrom escura junto com uma colher. Mexendo o olhar pelo quarto, viu Draco ali a olhando.

- Por que é sempre você? — ela perguntou, com voz rouca.

- Coma alguma coisa — ele ignorou sua pergunta — Theo fez essa gororoba com as raízes comestíveis... o que sobrou delas pelo menos. Ah e eu terminei o seu arco.

Ele pegou algo embrulhado em um tecido fino. Tirando-o, ela contemplou um arco simples de madeira, que cabia na palma de sua mão. Nos treinamentos no subsolo, haviam aprendido muitas coisas, inclusive armas desse tipo.

- Obrigada — falou baixinho e então se lembrou — Minha perna... não diga que...

- Não — ele interrompeu — Foram as unhas, não os dentes. Eu matei a criatura a tempo mas você bateu com a cabeça em uma pedra e apagou. Você ficou toda suja de sangue. Tive que lhe dar um banho.

Olhando para si mesma, percebeu que estava apenas na sua camisola. Nunca usava, quase sempre dormia de roupas ou roupas íntimas. Isso quando não dormia nua. Sentiu Draco se aproximar e então, ela o beijou. Esperava que ele levasse isso como um agradecimento e pensou que sim já que ele correspondeu.

- Está nevando — ela disse, olhando para a janela aberta que dava para uma pequena sacada — É tão lindo quando neva, eu sempre amei o inverno.

Sentiu ele sorrir contra seus lábios. Ele pegou sua mão pequena com a dele, grande e áspera mas ao mesmo tempo quente e acolhedora. Não queria largar a mão dele. Se levantando, ele a puxou e ambos ficarem de frente para a janela.

- Feche os olhos — ele disse baixinho, a voz rouca seu ouvido — Imagine uma música.

- Como se imagina uma música? — perguntou de volta.

- Não sei — ele riu — Você é a sabe tudo por aqui.

Então ela lembrou da música calma, a última música que escutou. Sentiu suas mãos em sua cintura, a puxando para perto. Então ela fechou os olhos e deixou ele a guiar em uma dança cega, sem som... apenas em suas mentes e em seus corações. Ouviu novamente a risada baixa quando ele pegou sua mão e a fez dar um giro. Rindo também, ela abriu os olhos para o ver olhando para ela. Olhos negros de desejo.

Assim como ele a beijou e a levou carinhosamente para a cama, Hermione teve certeza que estava apaixonada. Reconhecia aquele terror que sentia afinal.

Notas finais
Olá cupcakes, eu retornei!
Então, obrigada pelos comentários no último capítulo ♥ vocês são incríveis. Espero que tenham gostado desse que foi pequeno também... eu acho que preciso aumentar mais os capítulos, mas já demora um monte pra esquecer duas mil palavras... umas duas horas já que tenho um monte de coisa pra fazer. Mas espero realmente que tenham gostado!
Então, vou deixar um cookie pra vocês antes de ir o/
Vejo vocês no próximo cap!! Hasta la vista!