Breath Of Life - Dramione

26 Capítulo 25 - Um coração pesado demais


Harriet não se lembrava muito desde que acordou, há uma semana atrás. Ela era a filha do Ministro, havia visto mais assassinatos do que podia contar e agora estava ali, vendo magia sendo feita por todos os lados. Lembrou de sua irmã pequena, de como ela amava histórias de fantasia. Como ela iria estar feliz sabendo que tudo era real...

Ela não saia muito da enfermaria, pois ainda sofria de dores de cabeça. Porém, aquele rapaz sempre vinha ali uma vez por dia... não sabia quem ele era, apenas que era muito bonito. Ele apenas ficava parado em um canto, a olhava por alguns minutos e não falava nada. Então, ia embora.

Duas loiras vinham ali também, uma com um cabelo meio acastanhado e bastante magra, de olhos verdes. Nunca descobriu o nome desta e, para ser honesta, não queria saber. Parecia o tipo de garota que não aceita que havia perdido, doce demais para seu gosto. Tinha medo de lutar. Porém, a outra que tinha um cabelo muito longo e se vestia de roupas coloridas, com os olhos azuis bondosos claros... dessa ela gostava. Luna Longbottom, era o nome. Luna vinha ali para mudar suas bandagens e ela gostava de sua companhia.

Se levantou da maca e começou a andar pela enfermaria, os pés descalços no chão. Odiava ser tão baixinha. Examinou uns vidros coloridos e tocou em um com a cor azul, sua favorita. Deixou cair no chão quando escutou um ruído.

- Não devia estar mexendo nisso — era aquele rapaz de novo, desconhecido. Tinha os cabelos pretos, uma barba rala e os olhos também escuros. Sua pele era um pouco morena e ela soube imediatamente que ele deveria ser italiano — Não sabe que é feio mexer nas coisas dos outros?

- Não sabia que é feio espionar? — retrucou e ergueu uma sobrancelha — Você vem aqui todos os dias e não diz uma palavra.

- Não se preocupe, não tenho o costume de perseguir trouxas — ele se sentou em uma poltrona — Principalmente alguém como você.

- Bom saber disso — sua voz saiu fraca e ela voltou para a maca, se sentando — Quem é você?

- Blaise Zabini, prazer — ele sorriu de lado — Você não precisa se apresentar minha cara. Harriet Prinsley, filha do Ministro Trouxa. Tem vinte anos. Trabalhava de florista em Londres e sua irmã morreu em um acidente com o ônibus escolar.

Harriet olhou para baixo, ele parecia saber tudo sobre sua vida enquanto ela não conhecia o seu nome até uns momentos atrás. Se sentiu exposta, mas sabia de alguma forma que ele não iria a machucar.

- Legal ver que você andou fazendo sua tarefa e descobriu quase tudo sobre minha vida — disse e sorriu de lado — Não sei nada sobre você.

- Você não quer saber nada.

- Claro que quero, se não eu não teria perguntado, teria? — riu fraco e desviou o olhar — Você não é um médico, não parece como um. Não me conhece. Não tem motivos para vir me visitar... então por que vem?

- O termo certo é curador — Blaise a corrigiu — E eu não sei porque venho, não tem mais anda de interessante por aqui.

- Wow — ironizou — É esplendido saber que eu sou sua fonte de diversão, realmente.

Ele revirou os olhos mas sorriu largamente. Ela ficou o observando, era bonito... para um bruxo. Desde que tudo isso começou, essa história de zumbis e tudo mais, seu pai sempre havia lhe dito que bruxos eram seres inferiores. Mas naquela semana que estivera ali, só tinha visto o contrário. A maioria deles a tratava bem, gentilmente, cuidando de suas feridas. Blaise parecia ser outra prova disso.

- Tenho que ir agora — ele disse suavemente — Lhe vejo depois, baixinha.

Enquanto ele saia pela porta, Harriet pensou o quanto odiava que a chamassem de baixinha. Embora, desta vez, ela apenas sorriu.

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Haviam enterrado Myla de baixo do grande carvalho. Era em um morro, longe da casa e cheio de flores. Hermione pensou que ela iria gostar de ficar ali para a eternidade.

A água da banheira estava quente, assim como o corpo de Draco. Estava sentada em seu colo, ambos nus, conseguia sentir seus lábios beijando seu pescoço. Estavam ali parados depois de terem feito... algumas atividades. Ela fechou os olhos e suspirou.

- As vezes eu queria... — começou e mordeu o lábio — Apenas desaparecer.

- Desaparecer é o que todos querem, Granger — ele murmurou contra seu pescoço — Infelizmente, não é possível.

- Eu poderia alterar minha memória, sou boa nisso — argumentou, se lembrando dos seus pais. Sabia que Malfoy iria entender também — Eu não sei... quem sabe se eu for Daisy tudo pareça mais fácil.

- Eu poderia ser o Bryan — ele concordou e Hermione riu baixinho — Estaríamos casados, acho que isso seria algo que teríamos que aceitar na força.

Ela se virou para ele, colocando suas mãos em seus ombros largos. Se beijaram lentamente, como se tivessem com preguiça de sair daquela banheira com água quente. Sua mão pegou em sua cintura fina, a puxando para mais perto. Se separaram ofegantes.

- Ou poderíamos começar a se amar — ela murmurou, beijando seu mandíbula e queixo — Já fazemos, ahn... relações sexuais. Além de que não vamos lembrar das nossas brigas, nem nada.

- Acho que você está começando a gostar da ideia de estar casada comigo, Granger — ele zombou, fechando os olhos como ela brincava com seu cabelo — Não lhe culpo, todas gostam.

Revirou os olhos e saiu da banheira, não precisou olhar para trás sabendo que ele estava fazendo o mesmo. Se enrolou em uma toalha e foi até o quarto. No acidente, as roupas saíram intactas. Felizmente, Myla também tinha as suas ali além as dos antigos moradores. Se vestiu com um suéter e sua amada jaqueta de couro. Calças jeans e os coturnos já surrados. Quando se virou, Malfoy já estava totalmente vestido.

- Achei que íamos fazer outras coisas — ele levantou uma sobrancelha.

- Estou cansada — disse-lhe, usando a varinha para secar os cabelos — E com fome também.

- A comida está acabando — Draco franziu a testa em preocupação — Água temos na neve, é claro.

Hermione escondeu um sorriso e deixou a varinha em cima da cômoda.

- Nossa — riu baixinho e se virou para ele, colocando as mãos na cintura — Não sabia que logo você ia se lembrar de algo que eu falei, estou impressionada.

- Nessas circunstancias Granger, eu me lembro de tudo — se aproximou dela — Mas realmente precisamos achar comida... além de que tenho medo que Theo matou uma das galinhas.

- Ótimo — resmungou — Não aguentava mais comer ovos.

- Então não vai mais transar comigo? — Malfoy zombou.

- Cale a boca — ela seu um soco em seu ombro — Vem, vamos ir atrás de algo para comer.

Desceram as escadas com passos rápidos. Theo estava no sofá, olhando fixamente para a lareira. Ele fazia muito isso naqueles tempos. Steve, quando a viu, rosnou mostrando seus dentes afiados. Hermione aprendeu que não deveria o encarar, se não era capaz do animal arrancar sua perna.

- Theo — o chamou suavemente — Você matou a galinha?

- Sim — ele sorriu de lado — Foi nossa janta de ontem.

- Mas... — Draco parecia confuso — Você disse que era um peru selvagem, pelo menos eu achei que fosse um peru selvagem.

- Simples — Nott acariciou atrás das orelhas de Steve — Eu menti. Querido Draco, até parece que você não me conhece.

Hermione revirou os olhos e saiu da sala, deixando os dois discutindo. Foi até a cozinha e abriu todas as prateleiras, feitas com madeira podre que estava quase caindo. Suspirou quando percebeu que não tinha nada ali a não ser poeira e um biscoito mofado.

Voltou a sala e os dois rapazes estavam se olhando com raiva. Deu um assovio baixo anunciado que estava no cômodo.

- Más notícias — levantou as mãos — Não tem nenhuma comida. Theo, tem certeza que não sobrou nada da galinha?

- Novamente — Theo colocou a mão na barriga — Meus queridos, até parece que vocês não conhecem a minha fome de baleia prestes a dar cria.

- Nott — Malfoy rosnou — Você vai ser uma baleia morta daqui a pouco se não calar a boca.

- Parem vocês dois! — Hermione ralhou — Olha... não temos escolha, vamos ter que caçar e ir até a floresta em busca de algo comestível.

- Mas é inverno, está tudo congelado! — Theo protestou, se levantando — E está muito frio. Eu não sei vocês, mas eu não vou lá fora.

- Ótimo, então eu e Malfoy vamos — Hermione disse firmemente e um pouco com raiva. Se virou para o loiro que a observava — Não vamos?

Ele suspirou e resmungou alguma coisa sob a respiração.

- Claro, vamos matar alguns animais — Draco estralou as mãos — Ah e não se preocupe Nott, não estou falando de você.

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A mata era um lugar calmo onde o único som que podia ser escutado era o do rio não muito longe. Felizmente, não estava nevando e o som transmitia um calor agradável. Claro, não estava tão calor assim, afinal era inverno.

Draco observou Granger cavando na neve para colher raízes comestíveis. Era a única coisa que parecia ter por ali. Se ao menos eles encontrassem um coelho gordo ou um cervo teria mais coisas para comer.

- Malfoy — ela disse se aproximando, com uma sacola cheia de raízes — Eu achei apenas isso, da para uns dois dias ou menos.

- Theo come isso em duas horas — Draco resmungou — Tem um rio por aqui, podemos ir pescar.

Hermione parou de andar e o olhou.

- Wow — disse.

- O que foi?

- Uma ideia inteligente vinda de você — Hermione fingiu estar surpresa — Nunca pensei ver um dia isso acontecer.

- Ha ha — Draco imitou uma risada sem graça — Que engraçada. Vamos andar Granger e por favor, mantenha essa boca fechada.

O rio felizmente não estava congelado, mas era possível ver pequenas camadas de gelo serem levadas pela correnteza. Hermione se agachou e passou a mão na água.

- Não está tão gelada — disse surpresa — Bem, podemos pegar algum pau e fazer uma ponta afiada... como uma lança, e então usar para pescar.

- Certo — ele concordou indiferente.

Acharam as madeiras minutos depois e usando o punhal de Hermione fizeram as pontas. Draco definitivamente não sabia pescar, nas suas dez tentativas, ele apenas havia pegado um peixe minusculo.

- Para, para! — Hermione exclamou, pegando seu braço — Você está fazendo tudo errado!

- Desculpa, óh mestre, se eu não sei pescar — ele retrucou mal-humorado — Pegue você então.

- Eu vou lhe ensinar — ela pegou sua lança e ficou na margem, apontando para um ponto qualquer da água — Você deve fazer menos barulho possível, se não vai espantas os peixes... se você ver alguma sombra sob os seus olhos... — fica a lança e puxa com um peixe na ponta — Então é um peixe.

- Parabéns — Draco disse sem emoção.

- Obrigada — imitou uma reverência. Tirou o peixe e colocou na outra sacola junto com os outros. Sorrindo, lhe entregou a lança — Agora é sua vez.

Depois de quase trinta e uma tentativas, Draco pegou seu primeiro peixe. Os outros um minuto e meio foram de "Eu te disse que conseguia Granger" "Eu posso pescar sozinho de agora em diante" "Amanhã vou pegar mais peixes do que você, guarde minhas palavras".

Quando eles voltaram para a fazenda, tudo estava muito calmo. Tão calmo, que parecia por um momento que eles estavam vivendo uma vida normal.

No fim, Bryan e Daisy talvez não iam ser necessários.

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Harriet acordou novamente com olhos verdes claros a olhando com raiva. Era aquela enfermeira que ela não conhecia. Se ajeitando na cama, tentou sorrir para ela.

- Olá, eu sou... — tentou.

- Eu sei quem você é — ela retrucou, com veneno nas palavras — E eu vim aqui lhe dar um aviso. Fique longe de Blaise, está me entendendo? Ou eu vou ter certeza que você não vai sair desse lugar, nunca.

- Eu não tenho nada com ele! — Harriet exclamou, quem ela pensava que era? — E você não tem o direito de levantar o tom de voz pra mim. Você não me conhece e nem eu lhe conheço.

- Claro que não e é melhor que continue assim — Astória levantou o nariz — Afinal eu não me misturo com lixo.

Quando a loira saiu da enfermaria, seus passos estavam pesados. Se sentiu mal em fazer isso... mas não ia perder mais outra pessoa que amava. Ela já perdeu demais em sua vida, Daphne, sua irmã... seus pais... Draco, o seu primeiro namorado que se tornou seu melhor amigo. Não ia perder Blaise também, aquele por quem ela estava perdidamente apaixonada.

Astória Greengrass tinha um coração pesado demais para ser carregado.

Notas finais
É isso meus queridos leitores, está meio pequeno mas prometo que compenso no outro ok?
E um pequeno atraso pelo simples fato de eu ter ficado com preguiça, sorry kkkk mas está aqui! E espero que tenham gostado no minimo um pouquinho. Obrigada pelos comentários ( como sempre vocês são incríveis)
Um agradecimento especial para a:
Sincere Tears ♥
Izzy sua linda eu te amo demais e esse capítulo foi todinho pra você.
Enfim,
Até o próximo o/