Breath Of Life - Dramione
24 Capítulo 23 - Cicatrizes em nossa pele
Ela acordou com o som de uma criança brincando e risos baixinhos. Abriu os olhos e viu esferas verdes a olhando com preocupação. Se apoiou com os braços e sorriu para Harry, que tinha círculos pretos em baixo dos olhos.
- Você devia ter dormido — Gina disse.
- Eu sei — ele sorriu — Mas não pude. Fiquei preocupado com você, todos estavam na verdade. Teddy não queria sair do seu lado, tive que fazer Andrômeda levar ele.
- Falo com ele mais tarde — suspirou e então se lembrou de algo — Blaise me trouxe aqui. Ele está...?
- Bem, sim — Harry assentiu — Greengrass está com ele. Ela sempre está com ele de qualquer maneira. Sente algo errado? Devo chamar Madame Pomfrey?
- Eu... — parou com um momento, parecia que faltava algo em seu corpo — Harry, eu perdi algum membro?
- Não que eu saiba — ele franziu a testa — Por que?
Ela sentiu seu coração acelerar.
- Porque eu não sinto minhas pernas.
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O barulho de um animal colidindo com o metal parecia uma explosão. Draco e Theo pularam para frente, colidindo contra o vidro. Escutaram um relinchar e um grito estranhamente familiar. A dor na cabeça era quase insuportável e nas suas testas agora havia um corte de onde saía sangue. Percebeu que estavam de cabeça para baixo. O carro havia capotado.
Saiu pela janela e Nott fez o mesmo. Ambos viram a mesma coisa: um cavalo negro coberto de sangue escuro, a língua para fora debilmente e os olhos esbugalhados como se estivesse em choque. Estava morto, com certeza. Ao seu lado, jazia uma mulher, totalmente arrebentada. Sua perna estava numa posição horrível, sua barriga parecia em carne viva... aliás, estava em carne viva. Porém, ela ainda respirava e seu corpo parecia tem espasmos a cada trinta segundos.
Mas não foi ela quem chamou atenção.
Hermione Granger estava ali, olhando em choque para ambos os corpos. Ele se perguntou por um momento, se ele havia morrido naquele acidente. Ignorando a forte dor na cabeça que lhe dava vontade de se deitar, tentou se aproximar.
- Granger? — perguntou, surpreso.
Sua voz não teve o resultado que esperava. Hermione correu para o corpo da mulher no chão e colocou a mão sobre seu ventre. Parecia querer salvar algo que estava ali, ou alguma vez esteve.
- Não... não.. não... — ela sussurrava rapidamente, como se esquecesse tudo o que estava ao seu redor — Não... não...
- Você está viva — ele murmurou, para si mesmo. Sabia de uma coisa: mortos não falam e não sentem. Se Hermione Granger estivesse morta, ela não estaria ali, com dor em seus olhos olhando para aquela barriga. Para aquela mulher.
Ela começou a tentar apertar a barriga da mulher caída, que começou a chorar de dor. Não era um choro silencioso, eram berros de dor. Como uma criança assustada que quebrou um osso pela primeira fez. Granger estava chorando também, embora silenciosamente.
- Por favor... — murmurou — Por favor, não. Por favor! POR FAVOR!
- Você está viva — ele falou alto dessa vez, a olhando em completo choque.
- Viva! Vamos, levanta! — Granger começou a tentar fazer o coração da mulher bater — Vamos! Viva! Vamos, vamos! Você consegue.... levanta... por favor... não...
- M-Malfoy — Theo veio ao seu lado — Aquela é...?
Hermione chorava compulsivamente agora, suas mãos de um vermelho doentio. Ela, que nem a mulher, agora berrava. Draco não queria ir e a abraçar. Sim, tinha sentido um pouco de falta dela, isso ele poderia confessar. Mas não era para tanto. Feliz em vê-la? Talvez. Mas não naquela situação. Olhando para a mulher, viu que era Myla... aquela da equipe no início da missão. A dor nos olhos de Granger eram quase tão grandes quanto quando ela havia perdido Lucy, a garotinha. Seu escândalo agora ela maior porém.
- Hermione — a chamou.
Ela o olhou, seus olhos vermelhos das lágrimas. Prensou os lábios quando o reconheceu. Se levantou lentamente, em surpresa total. Talvez alegria era o que sentia? Não, estava muito longe disse.
- V-você — sussurrou — Você!
- Sim, eu — levantou a mão.
Seus olhos eram de ódio puro, independente do tempo em que estiveram separados. Não estavam apaixonado. Não estavam envolvidos. Eram, no máximo, companheiros. Confiavam um no outro, ao menos, um dia confiaram.
- Você fez isso — ela disse em voz alta, ainda chorando — Você fez isso!
- Granger... — Theo tentou a acalmar — Não fomos nós.
- Vocês a atropelaram! — ela gritou, apontando a mão vermelha para o corpo de Myla — Vocês a mataram! Vocês são a culpa de tudo isso acontecer!
- Granger... — Draco tentou se aproximar.
- VOCÊS A MATARAM! — Hermione berrou, descontrolada — VOCÊS SÃO A CULPA DE TUDO ISSO! VOCÊS A MATARAM! VOCÊS MATARAM SEU FILHO! EU TE ODEIO TANTO! VÃO PRO INFERNO!
A morena tentou avançar em Draco, correndo até ele com ódio nos olhos. Porém Steve havia saído dos ferros torcidos e pulado nela antes que Nott ou ele pudessem impedir. Theo chamou o cachorro, mas não antes do animal ter empurrado ela para o chão, onde bateu a cabeça e ficou inconsciente.
- O que fazemos com ela? — Theo perguntou — Ela tentou atacar você.
- Ela estava descontrolada, não sabia o que estava fazendo — retrucou — Leve a outra.
- O quê?
- Eu disse para levar a outra — Draco ralhou — Ela está viva, pelo menos por enquanto. Eu levo Granger. Tente... pegar aquele cavalo ali também.
- Nossas coisas... — Theo tentou argumentar.
- Depois voltamos e pegamos, estamos na montanha ninguém vai roubar — Draco pegou o corpo inconsciente de Hermione no colo — Só... faça o que eu disse.
Não foi difícil achar a casa da fazenda ali perto, no fim. Haviam seguido o caminho de pedrinhas de cascalho. Porém o cavalo marrom não queria colaborar e então, tiveram que levar as duas mulheres no colo. Steve andava ao lado deles, olhando ameaçadoramente para Hermione, que ainda estava inconsciente.
Theo ligou a lareira e colocou Myla em um quarto pequeno no primeiro andar. Disse que ia voltar e pegar as coisas que haviam sobrado do acidente e saiu. Draco ficou preocupado porém, Theo estava ferido, não era bom sair, ainda mais com uma tempestade de neve se formando.
Suspirando, colocou Hermione na cama de casal que ficava no quarto do segundo andar. Se sentando na beirada, olhou sua figura adormecida. Havia lágrimas secas em suas bochechas, ela estava mais pálida do que o normal, seus lábios um pouco roxos por causa do frio. O sangue havia secado em seus braços e mãos. Suspirou novamente e conjurou uma bacia de água quente e um pano. Começou a lavar o sangue seco e os pequenos cortes que tinham em seu ombro e queixo. Mesmo naquele estado, ele pensou que ela era linda.
- Ela estava grávida — ouviu Theo, que entrou no quarto e se sentou em uma poltrona — Aquela mulher lá embaixo estava grávida.
- Se pensarmos de uma maneira fizemos um favor — Draco não desviou o olhar da morena — A criança ia nascer no mundo onde sangue é mais normal do que água.
- Não importa, Malfoy — Nott suspirou — Ela esta agonizando de dor, tenta falar algumas coisas mas não entendo nada. Argh... essa dor de cabeça...
- Suma daqui, arranje algo pra sua dor, não me importa — Draco ralhou o olhando com raiva. Se levantou em um pulo — Não foi nossa culpa, não importa o que Granger diga. Aquela mulher la embaixo é uma entre mais de mil pessoas que morrem todos os dias, se pararmos para pensar em cada morte que causamos vamos parar de andar, de continuar. A vida não é assim. Não mais. Não me importa quem morrer, eu estou pouco me fodendo.
- Oh, sério? — Theo perguntou sarcástico — E se Granger morresse?
- O que tem ela? — desviou o olhar — Ela estava morta até agora.
- Estava, não está mais. Hermione Granger está aqui, naquela cama, deitada depois de lhe atacar acusando-o de matar uma mulher grávida — Theo caminhou pelo quarto — Mas está viva. E se ela morresse agora, neste instante, como ia se sentir? Com dor, com raiva, com tristeza ou como se nada tivesse acontecido? Iria sentir pela morte de Granger o mesmo que sente pela morte daquela mulher?
- Você é um bastardo Nott.
- Claro — Theo sorriu — Eu sou um sonserino.
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Madame Pomfrey fez um monte de feitiços e com um suspiro saiu da sala. Harry e Gina se olharam, ambos preocupados. Teddy e Vicky estavam sentados no chão, brincando com varinhas de borracha e alheios ao o que estava acontecendo.
- Harry... — a ruiva começou — E se eu não poder andar mais?
- Não diga isso — ele ralhou — Vai ficar tudo bem, talvez... seja alguma coisa que ainda não descobrimos que lhe atingiu por engano.
- Mas e se não for? — ela chorou — Temos que aceitar a provabilidade disso acontecer. Eu aceito isso, e você?
- Não — Harry se levantou a passou a mão pelos cabelos, frustrado — Não Gina, isso não vai acontecer. Eu não vou deixar, vou ir atrás de uma cura para seu problema...
- Problema?! — Gina exclamou, surpresa — Não, isso não é um problema e eu não preciso de uma cura. Há pessoas nessa mesma enfermaria em situações piores do que a minha.
- Sim mas eu amo você e não elas! — Harry exclamou de volta — Não quero ver você sendo carregada ou empurrada em uma cadeira de rodas para sempre.
- Então o problema não é eu não andar — Gina falou calmamente — O problema é você não querer se envolver com uma aleijada.
- Não se chame disso...
- Mas é o que eu serei! — Gina gritou — Por Merlim Harry, aceite o fato de que talvez eu nunca mais possa levantar de uma maldita cama sem precisar de sua ajuda! Aceite o fato de que talvez eu não seja a mulher certa para você!
A face dele se tornou escura.
- O que quer dizer?
- Quero dizer que talvez o fato que você não ia me aceitar como uma pessoa dependente de você me faz ver que eu fiz bem recusar seu pedido de casamento — Gina disse séria — Ou será que estou enganada? Me diga Harry, me diga que se eu nunca mais andar, você estará lá por mim.
- E-eu — ele gaguejou — Não posso dizer isso.
- Então eu estava certa — a ruiva suspirou — Nunca vou me casar com você, Harry. Nunca.
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Hermione acordou com uma dor de cabeça terrível e uma dor horrível em suas costas. Havia sem dúvidas caído, e feio. Suspirou. Então um baque de realidade lhe atingiu. Myla... o acidente, tudo. Colocou uma mão sobre a boca, em choque. Sentiu novamente lágrimas querendo sair por seus olhos.
- Não chore — disse uma voz — Não de novo.
Draco Malfoy estava sentado em uma cadeira de madeira ao lado de sua cama. No chão tinha uma bacia de água quente e um pano sujo de sangue. Ele parecia exausto. Tinha um corte em cima de sua sobrancelha que ainda sangrava. Sua pele estava muito mais pálida do que de costume -- se era possível -- e ele a olhava com uma seridade que a fez tremer.
- Malfoy? — perguntou calmamente — O que faz aqui?
Ele sabia que ela sabia o porquê dele estar ali.
- Você sabe — ele respondeu secamente — Tirando o fato que você me atacou mais cedo...
- Não era minha intenção — interrompeu, se apoiando melhor nos travesseiros — Foi a pressão de tudo que aconteceu, passou pela minha mente, eu quis culpar alguém. Sinto muito.
- Eu sei — ele assentiu friamente — De qualquer maneira, você estava coberta de sangue, lavei você cuidei das suas feridas.
- Obrigada — sussurrou — Novamente, sinto muito.
- Granger, eu juro, se você não parar de se desculpar eu vou lhe jogar nessa maldita tempestade de neve — Malfoy a olhou sério — Entendeu?
- Sim — ela sorriu — É bom ver você de novo Malfoy.
Ele não respondeu, porém se sentou na cama ao seu lado e olhou atentamente para seu rosto, com a testa franzida. Hermione então percebeu que estava tremendo que nem uma louca e que o frio era muito alto.
- Eu coloquei um feitiço de aquecimento aqui — ele disse mais para si mesmo — Não deveria estar tremendo.
- Febre — respondeu prontamente — Eu estou com febre.
- Certo — ele resmungou e pegou mais cobertas, passando em cima dos dois — Faça suas malditas perguntas Granger, posso sentir o cheiro delas no ar.
- Myla, como ela está? — perguntou o olhando, o frio estava um pouco mais suportável em baixo das cobertas, mas não muito.
- Não muito bem — respondeu honestamente — É uma questão de tempo até ela morrer, Theo está lá com ela. Murmura coisas que não podemos entender e o sangramento é impossível de ser estancado. Feitiços de cura não são o suficiente, já tentamos.
Hermione fechou os olhos.
- Foi tão horrível — murmurou — Eu disse para ela que era perigoso, mas ela não me escutou.
- Pare com isso.
- E-eu me sinto culpada de alguma maneira — o olhou com lágrimas nos olhos — E-eu sei que t-talvez poderia ter impedido, ter insistido mais...
- Eu disse, pare com isso — ele repetiu com os dentes cerrados — Merda, mulher, só pare de se culpar.
- Tudo bem — ela murmurou e se cobriu mais.
Surpreendentemente, ele passou seus braços a redor dela e a puxou contra seu corpo quente. O calor era agradável e aconchegante. Hermione então, passou o dedo pelo corte em sua cabeça.
- O que está fazendo? — ele perguntou.
- Cuidado de seu corte — ela respondeu — Já que você cuidou dos meus.
- Bem... — ele suspirou — Infelizmente vai deixar uma cicatriz.
Hermione sorriu.
- Não tem problema, eu também tenho muitas cicatrizes.
Notas finais
Obviamente.
Então... essa coisa Harry e Gina ainda não acabou, próximo capítulo vai ter um desfecho. Tenho que decidir algumas coisas, novamente vai pelo meu humor. Rezem pois estou de TPM ( hehehe )
Enfim,
Obrigada pelas reviews *--* 400 pra mais comentários, gente essa é a minha fic mais comentada agora! Passou de The Other Side of Me! Mas continuem com os comentários, me ajudem a chegar a 500? Vamos lá.
Ah é, recomendações são sempre bem vindas viu paçocas? E desculpe o pequeno atraso :D
Whathever,
Adios! Hasta la vista!
(Aliás, desculpem para quem estava esperando um reencontro romântico rrçrçrçrç não foi dessa vez )
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