Breath Of Life - Dramione
14 Capítulo 13 - As cinzas trazidas pelo vento
A fumaça fazia varias pessoas caírem no chão, tossindo e se sufocando com a falta de ar. A multidão de bruxos corriam para a porta central, onde Harry e Blaise ajudavam na saída principalmente das crianças e idosos. Quando viu que todos os bruxos ali saíram e que o fogo estava aumentando assim como a fumaça, Harry ergueu a varinha e gritou "Bombarda!", fazendo pedaços de concreto caírem ao chão.
Os bruxos do lado de fora tossiam, segurando as varinhas perto de sí no caso de algum errante chegar perto. Algumas crianças choravam.
– Precisamos sair daqui e andar o mais rápido o possível! — Harry gritou.
– Harry, não podemos — Gina disse ao seu lado, seu rosto salpicado de cinzas — Temos que cuidar dos feridos.
– Nós estamos no meio do Beco Diagonal, Gina, está cheio de errantes por aqui, podemos ser atacados a qualquer momento — Harry disse olhando firme — Além disso, daqui algumas horas eles vão ter controlado o fogo e tirado os escombros que impedem a saída. Nós temos que estar muito longe até isso acontecer.
Gina assentiu, mesmo indo contra. Ela então, passava entre os bruxos falando que precisavam começar a andar. Pansy e Astória estavam entregando garrafinhas de água para os idosos, muito deles já estavam tão exaustos que mal podiam falar.
– Vamos, precisamos ir, não chegamos tão longe para desistir agora não é? — Astória tentava incentivar uma senhora idosa — Vamos, os curandeiros vão ajudar vocês.
Assim como macas foram conjuradas e os feridos colocados em cima, as pessoas começavam a andar. A maioria mancava e a cada passo gemia de uma dor alucinante. Rony era um deles, mas rapidamente foi colocado em uma rede improvisada e bruxos voluntários o ajudavam a carregar. Andrômeda segurava um menino de quatro anos, cabelos roxos escuros e olhos verdes. Gina foi até eles e pegou o menino no colo.
– Está tudo bem Teddy, já passou — ela tentou acalmar o garoto.
– Eu vi um menino morto, eu vou ficar que nem ele mamãe? — Teddy perguntou, ele parecia com tanto medo que o coração da ruiva apertou.
– Não querido, nós não vamos deixar nada acontecer com você, me entendeu? — Teddy assentiu com a cabeça — Muito bem, agora segure minha mão e não a solte, ok?
O menino foi posto no chão e segurou a mão de Gina firmemente. Um choro horroroso foi escutado e lá, mais na frente, estava a mulher da reunião, chorando sobre um corpo de um menino morto, seu filho. A mulher chorava e gritava, abraçando do cadáver do menino sem vida. Ao lado dela, o irmãozinho mais novo, que chorava silenciosamente.
Fleur Weasley se aproximou, com um monte de cabelos loiros tão claro que parecia branco. A pequena Victoire estava chorando e tremia.
– Poso deiixar ela aqui? Gui estar cuidande dos ferridos — Fleur pediu, com o seu sotaque francês.
– Claro — Gina sorriu e pegou Victoire, colocando ao lado de Teddy.
O menino sorriu para a garotinha, que sorriu de volta. Teddy estendeu a mão e a loira, timidamente, a pegou.
– Não vou deixar nada acontecer com você, não precisa chorar — Teddy disse, com a sua voz desajeitada de um menino de apenas quatro anos.
A Victoire de apenas três assentiu, assim como todos os bruxos começaram a andar sem rumo, deixando para trás os cadáveres que serviriam de distração para os zumbis.
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Aquela cidade era de um tamanho médio, mas eles sabiam que entrar nela seria um risco. Os carros que haviam ali fora eram todos velhos demais ou estavam quebrados. Havia apenas um que poderia servir para alguma coisa, mas estava sem combustível.
– Podemos ir atrás de um posto de gasolina, geralmente na entrada da cidade tem para os viajantes — Hermione opinou — Não vamos precisar entrar no centro.
– Imagine quantas pessoas já tiveram essa ideia brilhante e chegando lá foram mordidas? Granger, por mais que essa seja a única ideia, ela é estúpida — Malfoy disse.
– Então, qual a sua ideia? Pegar um daqueles carros velhos? — Hermione perguntou sarcástica — Não iriamos nem 500m com um daqueles.
– Olha, eu acho que eu vi um caminhão de galinhas lá atrás — Theo disse e então viu o olhar que dois deram a ele — Certo, não foi uma boa ideia.
– Tem um depósito de carros mais adiante, entramos lá e pegamos o que tiver — Draco deu seu plano — É o melhor que temos até agora.
Por mais que concordar com Malfoy fosse contra todos os seus ideais, Hermione soube que era a única chance que eles tinham. Suspirou e colocou o revolver no seu cinto.
– Vamos logo então — disse e começou a andar, esperando que eles a seguissem.
Ouviu os passos deles atrás dela e andou mais rápido. Suspirou quando viu as copas dar árvores sem nenhuma folha. O Inverno estava se aproximando e ela sabia que, se a situação deles já não era boa, iria piorar assim que o frio e a neve chegassem. A comida iria diminuir e a que eles tinham provavelmente ia estragar. Além, de que o frio poderia matar tanto quando uma bala em seu cérebro.
Assim como Draco havia dito, havia um depósito de carros quase na entrada da cidade. Era feito de tijolos e a placa que dizia o nome da marca estava no chão, provavelmente tinha sido derrubada por algum vento. A porta de metal estava fechada com um cardeado.
– Vamos tentar a dos fundos — Malfoy disse.
Eles deram a uma volta enorme e acharam uma porta menor, que já havia sido arrombada. Dentro, era pura escuridão e um cheiro forte terrível. Hermione entrou primeiro, Draco logo atrás e depois Theo, que havia fechado a porta.
– Usamos magia? Está muito escuro aqui — Theo perguntou, sua voz dando eco.
– Não, esse cheiro não é bom sinal — Hermione respondeu, tirando o revolver e apontando pro escuro.
Draco sentiu que eles precisavam achar onde ligar a luz e rápido, ficar no escuro nunca era bom afinal, nunca se sabe o que está atrás de você. Ele andou mais pra frente, colidindo com o corpo de Granger que quase caiu, se ele não tivesse a segurado. Ele não conseguia vê-la, mas sabia que era ela pela moldura de seu corpo. A respiração dela estava ofegante e batia em seu rosto. Sentiu ela se desequilibrar com seus próprios pés, o que pensou ser uma coisa estúpida de se fazer, e a segurou pela cintura, para impedir que ela caia e ele também.
– Tenha mais cuidado onde anda Granger — ele disse em seu ouvido.
Foi quando as luzes se acenderam e Theo não estava muito longe, segurando uma alavanca. Ele olhou pra pose dos dois e sorriu divertido.
– Me desculpem, não sabia que estava interrompendo alguma coisa — ele piscou.
– Cala a boca Nott — Draco resmungou se soltou Granger, que estava corada até a raiz dos seus cabelos.
As luzes revelaram um depósito enorme, com paredes e chão cinzas. Havia uma cabine feita de vidro no canto mas o centro estava cheio de carros esportivos como camionetes para seis lugares, um Porsche, uma moto preta com desenhos de chamas vermelhas e muito mais. Todos pareciam nunca ter sido usados antes.
Hermione foi até a camionete amarela para seis lugares. Os pneus eram esportivos e poderiam andar até mesmo na lama. Provavelmente, era o tipo de carro que eles precisavam. Ela entrou e viu que os bancos eram feitos de coro. Viu no painel que o tanque estava cheiro. Porém, tinha um problema.
– Está sem as chaves — anunciou e saiu do carro.
Theo foi até a cabine e abriu a porta, várias moscas saíram de dentro e o cheiro ruim aumentou. Draco e Hermione se entreolharam e foram até lá, prontos para ver uma parede cheia de sangue e um cadáver inchado de um homem de meia-idade. Ele não parecia ter sido mordido. Ele provavelmente, tinha morrido de infarte com o susto do zumbi que estava caído ao seu lado, morto e despedaçado com um tiro.
– Ele viu o errante, deu um tiro mas com o susto teve um ataque e morreu — Draco chutou — Provavelmente meses atrás, ele já está em decomposição.
– Acho que ele não vai ligar se pegarmos um carro emprestado vai? — Theo perguntou se agachando e tirando do bolso do cara uma chave, que abriu uma gaveta que estava cheia de outras chaves — Qual carro vocês querem?
– Acho que a camionete amarela seria mais apropriada — Hermione disse e então se agachou e pegou a carteira do homem morto, a abrindo — Charles Devinin, quarenta e três anos, Atlanta.
– Um americano — Draco zombou — E veio trabalhar em um depósito de carros... ah e a propósito Theo, eu quero aquela moto.
– Sem chance, a moto é minha — Theo disse, se levantando e zombando com a chave da moto nas mãos.
Hermione ignorou os dois discutindo sobre quem ficava com a moto e guardou a carteira de Charles Devinin, o homem que ela nem conhecia mas se sentiu mal por ter morrido. Ela então, foi até a mesa de trabalho onde viu porta retratos. Um deles tinha a foto de uma menina de cabelos cacheados pretos e olhos castanhos, ao lado de uma mulher com cabelos vermelhos pintados de tinta. As duas estavam em baixo de uma árvore de Natal. Ao lado da foto, havia uma carta junto com um desenho de uma menina ao lado da mãe do pai. Havia uma casa de cabeça pra baixo desenhada também. Hermione leu a carta:
Papai,
Feliz Natal! Espero que ai no depósito não seja muito entediante. Mamãe e eu fizemos biscoitos. Eu ganhei uma boneca nova do tio Darl mas ele disse que o nome dela é Miranda quando eu queria que o nome dela fosse Júlia. Ele é um idiota. Mamãe escreveu isso porque eu ainda não sei escrever. Fiz um desenho.
Beijos, Lucy
Hermione deixou a carta de lado, com lágrimas nos olhos. Ela sentiu Malfoy atrás dela de novo, só que dessa vez ele estava olhando para a carta e as fotos também. Ela olhou pra ele, em busca de alguma emoção e não encontrou nada. Sentiu a sua mão gelada tocar o seu ombro e por um minuto achou que ele fosse dizer que estava tudo bem, que Charles estava em um lugar melhor. Essas coisas que as pessoas dizem em enterros, de pessoas que elas achavam que conheciam mas na verdade o que elas sabiam era 5% de quem elas realmente eram.
Em vez disso ele disse:
– Theo vai ficar com a moto — sua voz era rouca.
Ela se virou completamente, ficando de frente pra ele. Seu rosto mostrava indignação.
– Você não vai dizer nada? Esse homem aqui está morto e ele tinha uma família Malfoy, e o que você diz é apenas... isso?– ela perguntou e cutucou um dedo em seu peito.
– O que eu tenho a dizer? Eu não conheci o cara e eu não sou o tipo de pessoa que tem sentimentos por uma pessoa que nunca conheceu — Draco disse, impassível — Além disso, pessoas estão morrendo todos os dias e elas tinham famílias também. Eu não posso parar a minha vida porque o tempo dos outros já acabou.
Ele tinha um ponto. Ele estava certo. Ela quis pegar a sua arma e se dar um tiro por admitir que ele estava certo. Em vez disso, ela apenas bufou e o olhou.
– Você tem um ponto — disse e então começou a andar pra fora — Vem, vamos sair logo daqui.
Do lado de fora, Theo estava em cima da moto sem capacete e sem camisa. Hermione viu que ele tinha uma tatuagem em runas em todo o seu ombro e descendo pelo braço. Não tinha notado antes.
– Ponha uma camisa — Draco disse emburrado e atirando a camisa do chão pra ele.
– Por que? Eu sou sexy demais pra ficar vestido — Mas Theo colocou a camisa de má vontade — Vamos pra onde?
– Direção norte — Hermione disse, entrando na camionete e no banco do motorista — Apenas tente acompanhar a gente.
Draco sentou no banco do carona e ligou o radio onde Back in Black estava tocando. Ele aumentou o volume e sorriu de lado quando Theo clicou no controle e a porta da garagem se abriu, revelando que já havia anoitecido.
– Errado Granger — Theo acelerou a moto, fazendo um barulho alto que interrompeu a música — Vocês tentem me acompanhar.
Então ele acelerou e saiu em disparada, empinando a moto e gritando. Hermione também acelerou o carro indo logo atrás para não perder ele de vista. Dessa maneira, eles foram para o norte, não ligando se o som estava alto demais pois mais ferrados do que eles já estavam era impossível.
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A noite para os bruxos estava horrível, eles estavam andando há mais de cinco horas. Harry também já estava exausto . Viu em volta e percebeu que estavam em um ferro velho trouxa. Estava tarde e as pessoas estavam incrivelmente cansada, talvez, chegou a hora de descansarem.
– Vamos passar a noite aqui, os que tiverem armas e varinhas venham comigo para organizarmos os horários de guarda — ele disse alto e saiu com os homens e mulheres que ele havia solicitado.
Blaise e Astória estavam deitados em um canto, juntos. Pansy estava cuidando de Rony, que estava adormecido e com uma febre muito alta. Ela agradeceu por isso, já que ele nunca saberia que foi ela que cuidou dele e não Astória. Gina estava sentada com Teddy em um canto e ao lado dele estava Victoire, com uma boneca de pano suja.
– Por que papai não vem com a gente? — Teddy perguntou.
– Você conhece seu pai — Gina começou e então riu um pouco — Sempre tentando salvar o mundo.
– Ele já salvou o mundo uma vez Teddy — Victoire disse como se dissesse que ele é o maior bobo do mundo — Não é tia Gina?
– Isso mesmo, mas isso não é história pra criança dormir — Gina disse, repreendendo e então sorriu — Vão dormir, está tarde e amanhã vai ser um longo dia.
Gina pegou um cobertor que havia trazido e cobriu os dois. Eles estavam deitados em um banco velho de carro. Ela se levantou e foi ajudar com os feridos. Teddy e Victoire ficaram de encarando.
– Você acha que um dia ela vai contar a história pra gente? — a menina sussurrou.
– Talvez, se eu conheço a minha mãe ela vai contar quando a gente for mais velho — Teddy sussurrou de volta.
– Mais velho tipo cinco anos? — Victoire perguntou, no mesmo tom.
– Acho que já é velho o suficiente — ele sussurrou e então riu, fazendo ela rir também.
– Que ótimo, porque eu faço cinco daqui — Victoire contou os dedos e mostrou quatro — Cinco dias.
– Você mostrou quatro sua burra — Teddy riu e então mostrou cinco dedos — Viu? Isso é cinco.
– Eu não sou burra! — ela reclamou e então ficou emburrada — Não tem graça falar com você.
Teddy apenas sorriu e a abraçou, assim, as duas crianças dormiram rapidamente, não vendo o que estava acontecendo do lado de fora.
Pessoas olhavam para cima, assustadas. Por um momento, achavam que estava apenas começando uma leve chuva. Mas foi quando uma mulher gritou que eles perceberam o que estava caindo.
Eram cinzas. As cinzas do incêndio.
As cinzas que foram trazidas pelo vento, que mostravam que tudo o que eles iriam fazer o vento iria sempre trazer de volta.
E nunca iriam os deixar sozinhos.
Notas finais
Obrigada pelos comentários *-* é sempre bom saber que vocês estão gostando, me dá uma força pra escrever o capítulo o melhor possível. Espero que com esse aqui não tenha sido diferente e espero não ter decepcionado.
AGRADECIMENTO ESPECIAL: Rosalie Potter, que recomendou a minha fic e acompanhou a minha outra fic também. Flor, esse capítulo foi especialmente pra você.
Para terminar não se esqueçam que Theodore Nott é sexy demais para andar vestido.
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