Breaking The Barrier
1 Capítulo 1
Na Comunidade ESTELA, haviam algumas famílias como a minha, aqui todos se ajudam, o máximo que podem.
Anos após a última guerra que acabou com a vida das pessoas de classes baixas, os Nobres tomaram forças e com seu poder, o governo. Um único governo para 18 Distritos. Os Nobres são das casas Um e Dois, da casa Quatro á Dez são de funcionários que os servem particularmente e realizam trabalhos para o governo ao mesmo tempo.
Na casa Três ficam os Herdeiros.
Filhos das majestosas casas Um e Dois, recebem uma casa diferente, para receber a educação que o governo julga ser diferencial dos Distritos, para que futuramente, os herdeiros tomem seu lugar por direito.
A partir dos vinte anos, todos os herdeiros podem escolher em qual casa ficar, entre Um e Dois é claro. Não que os Distritos não estejam incluídos, até seria possível, mas aos olhos das casas, isso seria um ato de muita desonra para uma família Nobre.
Mas um dia isso aconteceu, um herdeiro desafiou sua casa e por amor escolheu um Distrito, escolheu o amor ao poder.
* * *
— Pode me deixar ler em paz agora ? — Digo furiosa á Edmundo, meu irmão mais velho. Ed adora me perturbar quando estou lendo. Ele diz que ler não me ajudará a ganha dinheiro e a saciar minha fome.
— Faça algo que preste, só saber ler e ficar de beijinhos com o... — Antes que ele pudesse terminar, atirei meu abajur, por pouco não o atinge.
— Sai daqui Ed. — gritei.
— Cala a boca, mamãe está dormindo, não grite !
— Não gritaria se você não estivesse aqui.
— Falo maninha! durma cedo, vê se não fica pensando no... — Enquanto Ed falava, me levantei da cama e fechei a porta em seu nariz, antes mesmos de terminar oque estava dizendo.
Suspirei, ah! droga, meu abajur, ótimo, como vou conseguir ler agora... — Obrigada Ed, muito Obrigada! — sussurrei.
Mason, era dele que Ed se referia, estamos juntos a pouco tempo. Mason é do Distrito 12, sua vida não era diferente da minha, sempre dizia, embora não fale muito de sua vida.
Vejo ele quase todos os dias depois do pôr-do-sol, tudo bem que eu nunca vejo o pôr-do-sol... ah! acho melhor ir dormir.
*
Acordar cedo é a pior coisa para se fazer, pior que isso é acordar muito mais cedo. Culpa desse despertador barato que não sabe medir meu nível de sono e preguiça.
— Lensy, por que não se levantou da cama ainda ? — A voz de minha mãe, Lena, ecoou no quarto.
— Não consigo. — Bufei, me afundando na cama.
— Consegue sim, levanta ai.
— Não dá, mãe... acho que estou doente...
— Claro, claro que sim, levante e pegue um remédio.
— Mãe...
— Lensy...
— Mãe...
— Lensy...
— Mãe... ... — esperei sua vez, mas ela nem estava mais no quarto. — Tudo bem então. — Sussurrei.
Levantei e me troquei, como um zumbi andando pelo quarto. Fui até a cozinha, tomei o café e fui ... digamos, trabalhar. Como nos Distritos abaixo do 11 não tem comércios como hipermercados, nem mesmo um mini mercado que preste... na verdade tem o mini mercado do Lenni, pobre homem, os únicos clientes para seus enlatados são as irmãs Nara e Mara, senhoras gente fina, adoro todos seus quarenta e dois gatos.
Nosso Distrito produz produtos orgânicos, na comunidade todos trabalham no campo, o 13 é o único de todos os outros Distritos que possui um campo limpo e bem adubado, pronto para produzir, mas isso não rende muito, pois a renda é distribuída por muitas famílias. Várias de nossas vendas são para os comércios do 10.
Assim que a Dona Ivy saiu da pequena loja, que minha família conseguiu construir, entrou uma pessoa, vestida toda de preto, com uma caixa na mão. Uma caixa rosa, com lacinho rosa, e um cartão rosa escrito "Para Lin". Odeio rosa.
Quando a luz revelou seu rosto, meio pálido, seus cabelos castanhos e seus olhos... ah! seus olhos de mel...
Mason.
Suspirei, ta ... suspirei e abri um grande sorriso.
— Oi Lin — ele piscou.
— Acordou cedo ou caiu da cama ? — Perguntei.
— Queria trazer seu presente. — me entregou a caixa.
— Presente... e por quê mesmo ?
— Ora! Não seja má educada, apenas aceite.
— Mas quem disse que recusei...
— Feliz Aniversário. — ele sussurrou e se esticou até meus lábios. Maldito balcão!
Fiz a volta e então... o beijo mais suave do mundo... o beijo que eu acordei já desejando... o beijo que me fez esquecer oque ele me disse segundos atrás... ele disse Feliz Aniversário ? — Já se passou tanto tempo assim? — Perguntei.
— Vinte anos pesa muito pra você ?
— Talvez, mas agora sou mais velha que você...
— Abra. — Mason deu um sorriso e indicou a caixa.
Na Caixa havia a coleção de livros de Stephen King, Douglas Adams e um Cupcake. Que delicia! faz séculos que não vejo um Cupcake. Coisas que meu Distrito diria ser inúteis demais para se considerar um presente, o cupcake não, é comida, então está valendo.
— Como ? — Perguntei Surpresa — Como achou ?
— Eu... comprei em uma loja de antiguidade, por um ótimo preço, já que hoje em dia ninguém mais os procura.
Oque era verdade, livros não serviam para comer, então... ninguém ali os queriam. Apenas eu.
— Lembrei de uma noite em que você me disse " Quem lê, pode ter a vida que quiser." notei em seus olhos o quanto a leitura te faz bem... ter a vida que quiser ... — Mason parou por um segundo, respirou fundo, olhos em meus olhos, senti que ele iria dizer algo de muito importante, talvez já soubesse oque, e eu estaria pronta para ouvir...
— Preciso ir — disse Mason se afastando lentamente.
Ah! Claro, era exatamente isso que eu esperava ouvir...
— Precisa ir ? — Não, eu não estava sorrindo e perguntei da forma mais seca possível.
— é, escapei do meu pai pra vir te ver, e já deve ter notado minha ausência. — Como ele chegou na porta tão rápido.
— Mason ... — Chamei, mas a porta já tinha se fechado, suspirei, estava pronta para surtar, quando ouvi um barulho. A porta se abriu e Mason estava lá novamente.
— Eu te amo Lin. — ele me pegou pela cintura, enquanto seus lábios encontravam os meus, senti o calor de seu corpo passar pelo meu, sua mão deslizava em minha nuca e eu... eu fiquei sem fôlego, mas não queria terminar aquilo, ele se afastou lentamente, me deixando tonta, recuperei meu fôlego. Mason me olhou profundamente e pressionou seus lábios nos meus e então, ouvi apenas o barulho da porta novamente, é ele se foi.
Só por precaução, esperei alguns segundos ali, vai que decide voltar... foi quando notei que havia um pequeno pedaço de papel em minha mão. Que distraída, nem percebi como ele foi parar ali.
"Tenho mais um presente pra você. Depois do Pôr-do-sol, no lugar de sempre."
–M.
Sim, eu estava sorrindo, igual uma boba.
Os anos podem passar e levar muitas coisas, guerras cravadas matar muitas tradições, mas o tempo nunca vai apagar a coisa mais importante... e clichê, o sorriso bobo, as borboletas no estômago e claro, minhas pernas bambas depois daquele beijo. uau!.
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