Breaking Kurosaki

4 3º Golpe - Compactuando com o Demônio


Notas iniciais
Hey, pessoas! Eu demorei mais que 15 dias. Eu sei. MIM matem. Mereço. Mas veja só... dessa vez foram só 17 ou 18 dias, não 2 meses. Acho que estou melhorando :p Como sempre, meus agradecimentos mais sinceros a todos que comentaram e adicionaram a fic aos acompanhamentos e favoritos. Sério. Vocês não tem noção de como isso me deixa feliz. E claro, agradecimento MAIS QUE ESPECIAL pra Rafaela que recomendou a fanfic. Obrigada, obrigada e obrigada novamente. Esse capítulo é dedicado pra você. Obrigada por me dar esse super presente que mais que alegrou meu dia e me fez terminar até mais rápido o capítulo. Bem, como sempre esse capítulo não está betado. Assim que a Michele corrigir, eu atualizo a versão corrigida, tá? Peço desculpas se encontrarem muitos erros e não se sintam acanhados. Se tiver algo muito grotesco, só avisar que eu corrijo! PS: Peru, te amo sua vaca chata

Já passava das dez horas da manhã quando Rukia deixou a loja de doces. Recostado contra a lateral do estabelecimento, Grimmjow mascava um chiclete que imediatamente cuspiu no chão quando a avistou.

— Bom dia, shinigami! — cumprimentou, limpando os lábios com o dorso da mão. O sabor doce de tutti-frutti, que ele descobrira viciante na noite anterior após ser abandonado e estapeado pela shinigami, ainda permanecia em sua boca.

A garota revirou os olhos. Ele sabia seu nome, por que fazia tanta questão de continuar a chamá-la por sua raça? E ainda mais naquele tom escarnecedor que tanto a irritava. Acaso se achava superior?

Sacudiu a cabeça. Era melhor nem perguntar.

— Não vai responder, né? — Pegou outro chiclete no bolso da calça. Calças novas, que ele roubara na noite anterior de uma loja de departamento no centro comercial da cidade. — Tá bom então. — Deu de ombros e se virou para deixar o lugar. — Ia te explicar porque os hollows tem atacado pouco a cidade, mas já que você não está interessada...

Caminhou em direção à rua, mãos nos bolsos e expressão completamente inocente — se é que essa palavra poderia ser usada para descrevê-lo. Contou até três, bem pausadamente, sem pressa alguma, até que ouviu:

— Espere!

Grimmjow sorriu. Quase gargalhou, mas sufocou o riso em sua garganta. Se risse agora, faria tudo ir por água a baixo e não estava disposto a recomeçar do zero com a shinigami.

Mas não pode evitar sorrir, tampouco esconder sua satisfação, ao ouvir os passos dela, tão leves quanto graciosos, vindo em sua direção.

É o garoto estava certo. Essa porra funcionava mesmo.

Na noite anterior, tão logo ela o deixara, correndo por sua dignidade ou o que caralhos preferia chamar aquilo, o garoto que os colocara naquela situação se aproximou dele e pediu “desculpas”.

Não estivesse tão surpreso e atônito quanto a própria shinigami estava — e tão submerso em seus planos de quebrar seu inimigo favorito utilizando-a de outra maneira antes impensável —, teria batido no garoto. Teria quebrado aquela porra de skate, preferencialmente na cara do moleque abusado. Mas não o fez.

O garoto não deveria contar mais que onze anos. Pela forma como falava e se vestia deveria ter mais, mas era tão mirrado que Grimmjow preferiu acreditar que tinha apenas onze.

— Foi mal ae, tio! — exclamou, virando-se para fazer mais uma manobra em que praticamente bateu em outro casal. Dessa vez, pareciam se tratar de conhecidos e tão logo desmontou o skate, foi arrastado de volta pelas orelhas.

Devido aos seus sentidos aguçados, conseguiu ouvir o que o homem que não parecia contar mais do que trinta e poucos anos dizia: “Peça desculpas!” e “Presta atenção por onde anda com esse maldito skate, garoto!” estava entre as frases mais repetidas. “Tá, tá, tá, pai! Vou pedir desculpas!” Foi a resposta que deu enquanto tentava soltar os dedos grossos de suas orelhas já muito avermelhadas. A mãe, segurando um garoto ainda menor pela mão, assistia tudo de longe com uma face que era meio preocupada, meio condescendente.

— Ei! — o menino gritou ao se aproximar o suficiente. — Me desculpa, ca-, digo Senhor. Não foi de propósito.

Grimmjow deu de ombros. A desculpa não era necessária, mas tampouco indesejada. O garoto ajudara-o a perceber algo que, admitia, demoraria muito mais tempo para compreender por si só.

Se é que um dia viesse a perceber.

O casal e o fedelho — ainda arrastado pela orelha, diga-se de passagem — caminharam na direção oposta à que ele próprio estava. A mãe agora segurava o skate do filho, mas o outro pirralho não estava em nenhum lugar próximo.

Olhou para baixo ao sentir leves puxões em sua calça jeans. O outro filho, bem mais novo, tentava atrair sua atenção. Tinha algo que Grimmjow não reconhecia na boca e um pedaço de pano com carrinhos coloridos jogado sobre o ombro. Tinhas as pernas um tanto quanto arqueadas e andava meio esquisito.

Era um pirralho atrevido, mas corajoso. Não tinha nenhum medo nos olhos absurdamente verdes.

— Que é? — perguntou, mas quando o pivetinho respondeu, não conseguiu entender direito, então se agachou até ficar quase na altura dele.

Revirou os olhos ao ajudá-lo a se equilibrar. O que aquele monte de peles moles queria com ele? Não fosse mais desenvolvido, diria que era a chatinha da Nell travestida de macho.

— Que é, garoto? — questionou com mais firmeza ao vê-lo retirar do bolso da calça um pacotinho. Franziu o cenho. Que porra era aquela?

— Toma. — Depositou o embrulho na mão do Grimmjow. — Haha diz que sempre que você levar um fora de uma garota que você gosta, é só chupar um desses que tudo fica bem.

Não fosse tão pequeno, o fedelho bem que poderia ter levado uma sova. Levar um fora não fazia parte de seu dicionário e experiência de vida. Levar um fora de uma shinigami, então...

— Você sabe o que é levar um fora, pirralho?

— Não — admitiu com toda a inocência que só uma criança de sua idade poderia. — Mas quando Haha disse isso para o nii-chan ele tinha acabado de pedir uma amiguinha dele em namoro.

— Ken’Ichi! — A mãe o segurou pela mão, trazendo-o para perto de si. — Desculpe-me, Oji-san.

Não teve tempo para responder, pois ela já se afastava com o garoto ao seu lado. Grimmjow admirou sua coragem. Apesar de pequeno, o garoto não sentiu medo dele nem por um segundo. Estava se levantando quando o viu se soltar da mão da mãe e correr de volta em sua direção.

Corria desajeitadamente, com suas perninhas arqueadas, num passo desengonçado, engraçado e puramente infantil. Aproximou-se de Grimmjow e inclinou-se até poder sussurrar em sua orelha.

— E o Chichi sempre diz que para conquistar uma mulher você precisa deixá-la curiosa. Não sei o que isso significa, mas ele diz que isso sempre funciona com a Haha.

— Ken’Ichi! — gritava novamente, dessa vez pegando o garoto nos braços. Curvou-se diante de Grimmjow, pedindo desculpas de forma exagerada pelo comportamento do filho, mas, novamente, não esperou por nenhuma resposta e correu para acompanhar o marido que estava muitos passos à frente com o filho mais velho.

Nos braços da mãe, o pirralho corajoso, que agora ele já sabia ser Ken’Ichi, acenava para ele.

Botou o chiclete na boca enquanto via Rukia se aproximar e parar a dois braços de distância. Longe do alcance das mãos do Espada — mas perto o suficiente para que ele pudesse ver em seus belos e expressivos olhos arroxeados duas emoções bem distintas: raiva e medo. Ambos, ele sabia, eram decorrentes do inofensivo beijo na noite anterior.

Grimmjow sorriu mais.

Não podia negar que estava satisfeito em vê-las ali, tão claras quanto a água mais cristalina. A raiva sempre escondia mais do que apenas raiva. Aliás, estava a garota com raiva dele por não ter impedido que o beijo acontecesse, ou estava com raiva por que reagira de tal forma?

E o medo... Ah o doce medo... Como apenas uma pantera, ou um animal selvagem, Grimmjow podia cheirar seu medo. Novamente, o medo escondia mais do que apenas medo. E, se bem se recordava, a garota não era medrosa. Enfrentara-o de igual para igual. Ele, La Sexta Espada, um Arrancar temerário, forte e, ele mesmo admitia, maluco e sanguinário, como se enfrentasse alguém do mesmo nível que ela. Não recuara em nenhum momento. E o medo que vira em seus orbes chamativos logo fora substituído por resolução. E agora... Lá estava ele. Cristalizado. Sólido. Latente. O medo... Sabia que não era medo dele, mas do que aquele gesto simples e inocente havia significado.

— Por que os hollows tem atacado pouco a cidade? — Foi direta, como só ela sabia ser.

Ah, se tivesse sabido antes o que uma simples frase como aquela poderia provocar na shinigami...

— Venha comigo. — Sorriu quando ela pareceu hesitar. — Vou te contar.

#

Rukia soltou o canudo do milk-shake com uma careta pensativa. Não conseguia esquecer o que Grimmjow havia lhe dito. Ao menos estava contente, comprara uma bebida que continha um daqueles canudinhos que lhe deram tanto trabalho uma vez, mas que já vinha no devido lugar.

Continuou sentada na varanda da pequena lanchonete observando o sol se pôr. Porém não prestava realmente atenção nas cores alaranjadas que tomavam conta do céu, tampouco nas estrelas que já despontavam, brilhando timidamente.

Tentava compreender o que ele dissera, mas não conseguia. Era completamente absurdo, até mesmo para o Espada.

Era óbvio que ele não lhe daria nenhuma informação de graça. Rukia nem cogitara tal hipótese. Seria incoerente. Uma verdadeira asneira. Mas o que ele lhe pedira era muito... Simples? Não sabia se podia colocar dessa forma, mas acreditava que essa era a forma correta de descrever o que Grimmjow lhe propusera.

As palavras ainda ecoavam em sua mente, num zumbido infinito. Quase zombeteiro. E aquele sorriso... Ah, aquele sorriso... Tão cínico, arrogante, e completamente pretensioso que seguia sua fala, que estampava seu rosto másculo aonde quer que fosse e o que quer que fizesse.

Rukia o detestava.

Não conseguia identificar a razão. Não conseguia nomear o sentimento de desprezo que surgia dentro de si cada vez que o via adornar sua boca. Cada mínima vez que seus caninos salientes despontavam, roçando seus lábios.

Eu te ajudo, você me ajuda.

Justo. Nada menos que o correto a se fazer. Eram inimigos basicamente, ou assim poderia dizer. Sua raça fora criada para fazer frente aos shinigamis, bem mais antigos.

É simples, garota. Você me ensina a viver no Mundo Real e eu te dou as informações que você precisa.

Se esse não fosse um dos momentos mais surpreendentes de sua vida, com certeza beirava a isso. Grimmjow Jeagerjaquez, La Sexta, lhe fazia a proposta mais incomum do século!

Não acreditava nele. Nem um pouco. Não mesmo. Como poderia?

O que queria? O que tramava? O que tencionava?

Sacudiu a cabeça. Pensava sobre o assunto desde que o encontrara naquela manhã. Não conseguia chegar a qualquer conclusão. Só sabia que ele queria mais. Tinha que querer mais. Não fazia o menor sentido.

O barulhinho incômodo e grosseiro do canudo raspando o fundo do copo de plástico, anunciava que seu conteúdo acabara. Isso fez com que Rukia despertasse de suas conclusões e olhasse para o relógio na parede da lanchonete.

Seis horas.

A gente se encontra às seis horas. Não se atrase.

Arregalou os olhos.

Estava atrasada.

Jogou o copo na lixeira e foi em direção ao ponto de encontro.

Já havia se decidido.

#

O sol já havia se posto quando Grimmjow desceu a rua em direção ao Distrito de Compras de Karakura bem despreocupadamente. O vento ameno bagunçava seus cabelos e sacudia suas roupas.

Não se tratava mais a camisa florida que usara em seu primeiro dia no Mundo Real. Não. Usava algo muito mais a sua cara. Trajava calças jeans apertadas, com correntes que caíam para o lado esquerdo, e um colete de couro que deixava à mostra seus braços poderosos. Outra corrente, mais curta, adornava seu pescoço.

Gostava de como parecia dentro daquelas roupas humanas. Mesmo que seus poderes estivessem limitados, ainda exalava poder em sua aparência. Sentia-se importante.

A forma como os humanos o olhavam era algo curioso. Até elevava seu já gigante ego. As mulheres o desejavam. Não havia como negar. Estava escrito na forma como seus olhares luxuriantes o seguiam aonde quer que fosse. Os homens o invejavam por atrair a atenção da ala feminina tão facilmente. Alguns, por sua aparência, outros, por parecer tão poderoso. Como um Deus.

Mas aí é que estava o erro de todos eles.

Grimmjow não parecia. Ele era um Deus.

Era o Rei.

E ninguém diria o contrário.

Ou o provaria errado.

Era por isso que executaria sua vingança.

E era por isso que pedira à shinigami para lhe ensinar a viver no Mundo Humano (muito embora detestasse estar naquele corpo que o limitava). Se aproximaria de Kurosaki, aprenderia como os humanos viviam e o quebraria em toda a sua humanidade. Era superior, sabia disso, e, se bem desejasse, poderia ser um humano bem melhor que seu inimigo favorito.

E, claro, de quebra pegaria sua garota no processo, peça chave para a concretização de sua vingança. Mas Rukia não precisava saber disso.

Não poderia saber.

Ela era a protagonista de sua peça teatral. E tudo só seria perfeito se ela o desejasse. Se ela o quisesse. Se Kurosaki não fosse sua escolha. Se o adolescente não estivesse em sua cabeça, não dominasse seus pensamentos e ele, Grimmjow, fosse o único para ela, estaria, finalmente, vingado.

Era uma ideia cretina. Verdade. Imoral e até mesmo cruel.

Em seus poucos dias no Mundo Humano ouvira diversas frases. Todas elas bem clichês, pensava. Alguns chavões que definiam o quanto os humanos poderiam ser interessantes — nunca diria fascinante, embora a ideia do pivetinho o tivesse ajudado mais do que admitiria —, e idiotas ao mesmo tempo.

Frasezinha estúpida.

Algo como “a maior covardia de alguém é despertar os sentimentos em outro sem ter a intenção de amá-lo.”

Mas aí é que sua ideia se fazia e se provava diferente. Não queria o amor de Rukia. Queria sua luxúria, seu desejo. Seu coração era o que menos desejava. Porque nunca entregaria o seu a ela tampouco.

Tinha mesmo um coração?

Não queria amor. Queria paixão. Queria fogo. Queria atingir o adolescente onde mais doía.

Queria acertar seu coração. Doeria em Kurosaki. Doeria muito. E isso tornaria tudo ainda mais fodidamente emocionante.

Começou a assoviar a canção que aprendera com Nelliel. Nunca admitiria abertamente, mas agora, mais do que nunca, era grato à pequena vadia por lhe salvar. Sem ela, nunca poderia concretizar seus planos. Sem ela, estaria, muito provavelmente, morto. Sem ela, nunca poderia foder com a vida de Kurosaki.

Nell era do caralho.

Devia muito a ela.

Dobrou a esquina, finalmente chegando ao seu destino. O Distrito de Compras estava parcialmente vazio. Era domingo, a maior parte das pessoas trabalhavam na segunda-feira e, portanto, já estavam no conforto de suas casas. Poucas pessoas ainda perambulavam e faziam compras.

Rukia já o esperava. Estava de costas para ele. Seus cabelos e vestido branco dançando no vento.

Era um contraste minimamente interessante esse. Seus cabelos cor-de-corvo, tão escuros que brilhavam sob a luz das estrelas e lua crescente, e seu vestido branco, tão cândido que o fazia questionar a eventual pureza da shinigami.

Será que era mesmo pura?

Virgem?

Será que nunca fora fodida?

Detestava virgens. Não que tivesse conhecido muitas em sua vida. Eram dor de cabeça. Tempo perdido e irritantemente corretas demais. Grimmjow gostava das já corrompidas. A diversão era certa e as preocupações mínimas.

Todavia não conseguiu não deixar de sorrir ao pensar que Rukia talvez o fosse. Dessa vez — e só dessa vez mesmo —, não se importaria se a pequena shinigami ainda estivesse intacta. Isso só daria um tempero a mais para sua vingança.

Seria delicioso.

Novamente, era uma ideia mesquinha. Vil. Mas, muito embora, entendesse os valores morais da sociedade, pouco se importava com eles. Não era amoral, era mesmo imoral. Gostava disso.

Ninguém poderia jamais mudar o animal que havia se tornado.

Aproximou-se a passos lentos. Parou ao seu lado. Mais perto dessa vez. Se antes já não respeitava a distância mínima de um braço, agora praticamente invadia seu espaço pessoal. Para sua surpresa, a garota não se afastou, tampouco se assustou, como esperava que acontecesse.

Já o aguardava há algum tempo.

Olhou para o relógio em seu pulso. Seis e quarenta. Estava quarenta minutos atrasado. Foda-se. Não ligava. Embora soubesse que isso poderia ter uma conotação negativa em sua não iniciada tentativa de sedução.

— E então? — iniciou, sorrindo ao olhar para ela. — Já tem a minha resposta?

O que você realmente quer?

Rukia sentia uma vontade enorme de perguntar. Mas não o faria. Sabia que seria inútil. Jamais ganharia uma resposta honesta. Bem, estava falando de honestidade e duvidava que o Arrancar conhecesse o significado de tal palavra.

Seus olhos se demoraram nos dele e então desceram para seus lábios. Mordeu os próprios. Ele sorria e, dessa vez, tal sorriso tocava seus orbes cerúleos.

Ainda que tivesse ouvido dizer que uma pessoa que sorri com os olhos é sempre genuína, duvidava que esse fosse o caso do Espada. Tudo sobre ele parecia ruim. Todos os seus maus hábitos. Não obstante, se questionava se ali dentro havia um coração. Se havia uma parte, mesmo que mínima, pequena e completamente diminuta, que fosse capaz de benevolência.

Durante seus anos de vida, aprendera que nunca existe apenas o mal. Que o bem está presente em algum lugar. Mesmo que distorcido e soterrado sob uma camada grossa e profunda de vilanagem.

E foi com essa crença que Rukia deu sua resposta:

— Sim.

Não disse mais nada. Grimmjow sorriu ainda mais, mesmo que sequer tivesse ouvido sua resposta. Sabia que era positiva. Não tinha como não ser. Ainda que a shinigami suspeitasse, ou mesmo tivesse certeza, de que suas exigências escondiam algo a mais, concordaria e aceitaria a proposta.

— Quero fazer uma contraproposta — anunciou, tão atrevida quanto poderia ser. Como só ela poderia ser.

Era um jogo perigoso, Rukia sabia. Estava brincando com fogo e poderia se queimar. Não era o certo a se fazer, mas, ainda assim, era tudo o que poderia fazer.

— Diga. — Estava surpreso, mas também curioso. Sorriu. Gostava da petulância da shinigami.

— Quero que me leve ao Hueco Mundo.

Sua contraproposta arrancou um riso profundo da garganta de Grimmjow. O arrancar jogou a cabeça para trás enquanto controlava os espasmos que envolviam seu corpo.

Aquela era uma das coisas mais deliciosas que havia ouvido em toda a sua vida.

A presa pedia para entrar na toca do caçador, com o próprio caçador.

Acaso não tinha juízo? Queria desesperadamente perguntar, mas não a acovardaria. Não poderia. Falar algo agora, mesmo que desejasse muito, seria como enfiar os pés pelas mãos. Estava avançando a galopadas — sequer poderia chamar de passos largos — tão rápido quanto uma pantera a realmente perseguir a caça, e não poderia deixar a presa escapar quando, praticamente, estava com suas mandíbulas cravadas em seu pescoço precioso.

Rukia, por sua vez, tinha plena noção de que seu pedido era arriscado. Muito arriscado. Muito mesmo. Mas havia muito em jogo para desistir agora. Para voltar atrás. Era uma Kuchiki depois de tudo e não desistiria.

Iria até o fim com isso.

Queria muito se tornar tenente. Mas para que lhe concedessem a vice capitania da 13º divisão precisava completar aquela Missão. Falhar seria o mesmo que envergonhar seu irmão. Seria o mesmo que envergonhar o clã e a família que a acolhera quando ninguém mais o fizera. Já havia decepcionado Kuchiki Byakuya mais de uma vez e não estava disposta a fazer o mesmo novamente. Não quando ele mesmo lhe apoiava. Não quando desejava desesperadamente agradá-lo.

Aguardava a resposta de Grimmjow ansiosa, mas nada estava visível em seu rosto. Após vários anos morando com Byakuya, o rei da falta de emoções, conseguia controlar suas próprias com muito mais facilidade.

— Tenho outra escolha? — ele perguntou, apesar de já ter tomado sua decisão.

Rukia meneou a cabeça negativamente.

— É pegar ou largar — anunciou, firme. Resoluta.

— Temos um acordo, shinigami!

Grimmjow sorriu, esticando sua mão para cumprimentá-la. Rukia hesitou, mas também esticou a própria. O acordo estava selado. Não da forma como ele desejava. Um beijo, um amasso ou qualquer outro tipo de toque mais invasivo seria mais o estilo do Espada. Mas manteve a compostura. Não poderia afugentar a presa.

Além daquele chavão, conhecera outro: O apressado come cru. E, mais do ninguém, gostaria de provar dessa iguaria, muito bem preparada. Tomaria seu tempo. Faria tudo direitinho. Levaria quanto fosse preciso para ter a shinigami entre seus lençóis. Não se arriscaria ao que, certamente, o levaria ao fracasso.

Rukia olhou diretamente em seus olhos tão profundamente azulados. Esperava não se arrepender de sua decisão. Mas estava decidida: para atingir seus objetivos, faria qualquer coisa, até mesmo compactuar com o demônio.

Notas finais
E aí, galera? O que acharam? Eu sei que o ritmo está lentinho, mas não quero correr com nada. Pressa é inimiga da perfeição, então... E esse capítulo ficou maior do que eu esperava. Sorry. Esse cap deixei focado só nos dois mesmo, mas próximo capítulo tem mais coisas ^^ Prometo. Mas também tentarei deixar desse tamanho, uma média de 2k a 3k pra não ficar muito cansativa a leitura, okay? Bem, acho que é só... Beijos mil e nos vemos em no máximo em 15 dias (vou tentar postar antes, mas não prometo) Velvetsins.