Breaking Down
1 Espaços.
Notas iniciais
Ali estava em seus últimos suspiros, o sangue que escorria pintava no chão em um vermelho tão profundo e vivo que chegava ate a ser absolvido pela parede branca que utilizava como apoio. Severo puxava o ar com tanta força que as vezes lhe faltava a vitalidade suficiente para prosseguir com o próximo arfar. As vezes era mais fácil simplesmente parar esse simples reflexo e deixar as coisas acontecerem, seguirem seu curso....seu destino.
Mas afinal era uma concordância em puro desespero, no final das contas era somente mais um humano.... um tolo e miserável humano que precisava aceitar a morte, ele queria aceitar, era algo inevitável já que essa alma corrupta já estava manchada em demasia com o sangue inocente. Naquele ponto da vida o peso de todos que um dia apontou sua varinha pesaram o seu braço e anestesiaram seus dedos, a sensação de formigamento era acolhedora naquele ponto.
Sua visão já estava turva e o cheiro de magia e ferro já não aguçavam o seus sentido muito pelo contrario.... Iam diminuindo mesmo sabendo que o sangue continuava a jorrar, e a ponta dos dedos a roxear.
Os passos de Harry já estavam distantes, grato por deixa-lo seguro, esperou que ele estivesse pego o suficiente... o suficiente pra entender.... Mas o raciocínio lhe fugiu e uma falta de ar parecia apertar seus pulmões.... e tudo parecia nublado e pesado... por fim melhor fechar os olhos e deixou o ultimo suspiro pesado consciente esvair de seus lábios.
[...]
Era confuso era como se tivesse flutuando seu corpo parecia leve e sua mente não conseguia focar em absolutamente nada... tudo parecia um enorme borrão, sem qualquer distinção aparente.
A audição...era o único sentido aparentemente normal, assim que se concentrou percebeu um tom feminino murmurar algo, era uma voz baixa, e acolhedora, confuso de imediato associou a única voz que lhe proporcionava essa mesma paz, a da única mulher que amou.
Era claro para severo que tudo não passava de um delírio, pois seu primeiro e ultimo pensamento sempre foi e sempre será ela, e agora na morte não seria diferente, previsível ate.
Mesmo depois de tudo se deixou ser um pouco mais sentimental, e relembrar alguns momentos ao lado dela, do seu sorriso, dos seus olhos verdes como um rubi que parecia que lia a sua alma e a curava. Das poucas vezes que a tocou e sentiu um arrepio curioso na espinha.
Todos os sentimentos mais puros e bonitos foram com ela ou dedicados a ela. Porem não demorou ate que a realidade chocasse suas doces lembranças. E a mesma voz novamente ecoar. Finalmente com alguma força conseguiu abrir os olhos e averiguar— Ali estava uma jovem, sua visão turva não lhe deixava ter clareza dos traços, exceto seus cabelos escuros que caiam pelos ombros. Naqueles segundos adjacentes a observou debruçar sob seu corpo e conjurar algo com a varinha apontada ao seu pescoço, engolindo a seco sentindo a madeira sob sua pele. Assim que seus olhos se encontraram, os olhos curiosamente desiguais desta fixaram-se de tal forma que parecia que lia a sua alma ou melhor, seus pensamentos.
—Quem e você criança tola?. Questionou repentinamente, agarrando com os dedos trêmulos o pulso da jovem pela falta de resposta.–Vamos ou eu terei que descobrir por conta própria .
— Sou uma de suas alunas... de Hogwart. Respondeu assustadiça – Não deveria fazer força, acabei de repor o seu sangue e curar suas feridas, por mais que tenha acabado de dar a poção de cura você ainda não esta bem professor!. Continuou nervosamente tirando as mãos do mestre do seu pulso ignorando seu olhar em reprovação..
— Não preciso da piedade de ninguém. Arfou rouco e prosseguiu.- cuide da própria vida e não se intrometa em assuntos que estão fora da sua compreensão. Por mais que quisesse impor era impossível no estado lastimável que encontrava, por fim orgulhoso tentou afastar a menina enquanto reunia forças para erguer-se.
—Perdão professor mas só estou ajudando. Era difícil erguer o tom na presença do rançoso professor. – Não é piedade, se não cuidarmos um dos outros em momentos como esse do que será de nos.
Por mais que a jovem tivesse erguido a voz e dito com autoridade a expressão do professor era seria, mas logo um sorriso debochado plantou no canto dos lábios. – Você deveria preocupar mais em se salvar em momentos como esse. O que eu tenho nenhum bruxo com capacidades normais poderia ajudar, quem dirá uma aluna. Debochou.
Constrangida, a menina se virou com rapidez escondendo as bochechas coradas o que não passou despercebido pelo mestre. Enquanto ouvia um arrastar e um bater forte de gavetas o mestre de poções fazia um esforço para se assentar, espiando a jovem guardar em uma bolça, com certeza enfeitiçada, um armarinho rustico. Os músculos estavam fracos e seus braços tremiam com o mero esforço, determinado agarrou-se em suas festes e ergueu o tronco trancando os dentes com força, rangendo-os.
Enfim sentado após o tremendo esforço severo abaixou a cabeça e arfou com veemência, buscando o ar com uma súbita tonteira. Não demorou muito ate que sentisse algo escorrer, um liquido quente pingar ate o espaço vazio entre suas pernas. Sangue, se ao menos estivesse com sua varinha.
—Sei que não deve ser agradável ser socorrido por um aluno, mas pelo menos uma vez na vida tente ser um pouco mais gentil.... Assim que se virou com a pequena poção nas mãos observou o rosto ainda mais pálido do professor e o sangue a escorrer de suas cavidades. Perdendo por completo o que estava dizendo a mesma se aproximou puxando um pano e limpando o sangue enquanto com os dedos trêmulos apertou aquele gancho.
— Não importa o quanto tente me ajudar. Pausou restabelecendo sua postura estapeando a mão da jovem.- estou fadado a morrer.. Você só esta adiando o inevitável.
Puxando a mão com rapidez deixou com que o professor assumisse. Nervosamente a jovem deixou suas mão entretidas, pegando o frasco com liquido avermelhado, apertando-o entre os dedos enquanto pensava no que responde-lo
-Todos nos estamos fardados a morrer, você não e o único especial. Então pare de agir com essa auto piedade. E por Merlin me deixe finalizar os curativos, não seja teimoso. Falou com determinação e polidez, de alguma forma quando percebeu o professor já lhe olhava com certa concentração, não via deboche, ou contragosto, mas parecia pensativo e assertivo com o que dissera.
—Muito bem, prossiga. Rebateu Severo que já fechava os olhos e soltava o ar com pesar.
Surpresa , não demorou muito ate que a jovem retornassem com um frasco nas mãos, não mais vermelho como outra hora, mas roxo, em um tom brilhoso.- Por hora tome isto, tem propriedades coagulavas, não deve curar, mas ira te manter vivo ate lá, e não deixando isso ai acontecer de novo. Explicou apontando para o chão ensanguentado.
Não ouve resposta do homem que por um longo período ficou secando o frasco, mesmo que sua visão ainda estivesse embaraçada. – Não quer que eu tome? Me de então senhorita.
Sem graça a mesma se aproximou erguendo o frasco. -meu nome não e senhorita, pensei que a essa altura já teria me conhecido professor. Gospiu antes de entregar o frasco que fora tomado no mesmo instante.
Severo sentiu-se fortificado, pelo menos ficaria assim por alguns minutos ate o veneno da nagini atacar novamente. De fato essa menina não era tão tola quanto parecia. – não sou intimo seu senhorita, e não vejo motivos para tal.
—Sim.. compreendo.. Parecia chateada ao responde-lo.- desculpe.
De fato Severo não reconheceu a jovem, não ouve maldade nas suas palavras—Apesar da forma dita completamente grossa e ríspida. Além do mais haviam de fato coisas mais importantes do que lembra o nome de uma aluna, uma de sabe se lá quantas. Por enquanto o bem estar ainda lhe promovia a sanidade necessária para repensar suas próximas ações, dentre elas pensou em retornar ao campo de batalha, contudo seria apenas um peso morto, já que estava ferido, envenenado e sem varinha.
Outra opção seria retornar ao seu laboratório, la teria os ingredientes necessários para o antidoto , mas existia essa criança, e deixa-la aqui não era do seu feitio, era uma aluna e sua responsabilidade ate então.
—Uma coisa me deixou curioso- Pausou contendo uma tosse que tampou com o antebraço, sentindo o gosto de ferro na boca.- afinal senhorita como chegou aqui?.
—Bem.... Estive seguindo Harry, sabe para ter certeza que não morreria nem ficaria ferido em momentos conturbados como esses , mas ai... ouvi parte da conversa e vi Harry e os de mais ao seu lado, pensei que estivesse ao lado de você sabe quem...ainda acho mas, se eles se aproximaram e porque alguma coisa ocorreu pra essa mudança de lado... E então aqui estou.
Por mais que estivesse concentrado no que a jovem lhe dizia, a tosse não deixava em paz, era um comichão no fundo da garganta que lhe obrigava a vocalizar os ruídos mais horrendos. Mediante ao constante esforço era como se estivesse vomitando as próprias tripas e a fadiga que aquilo causava era muito estranho. Estranho de mais
Coçando a garganta se preparando para enfim responde-la, já que saber mais sobre Potter era como uma sensação de dever cumprido porem um repuxa invadiu na parte abdominal. Se contraindo em um longo espasmo. Ele realmente havia resistência a dor, demonstrando o mínimo do que estava ocorrendo, porem a senhorita havia reparado, e com a varinha deitou imediatamente severo que protestou enquanto a jovem lhe tocava e olhava firmemente suas expressões.
—o que diabos pensa que esta fazendo. Gritou enfurecido enquanto se debatia.
—Professor peço que me diga o que exatamente lhe mordeu... Questionou a jovem ainda averiguando com um simples toque a área que parecia causar mais incomodo ao homem.
Ele realmente iria rebater o que lhe fora perguntado mas as palavras saíram em um urro de dor ao toque mais profundo da área- a cobra nagini........ Pare. P..p..pare de me apertar mulher!.
De fato ela se assustou pulando com o grito, mas essa nova informação ainda era muito vago, poderia ser qualquer tipo de cobra, e o antidoto em casos mais complexos era feito a partir do sangue do animal. Não havia nada que ela pudesse fazer... Não em suas limitadas opções. Assim que pegou o pulso de severo contatou algo que não gostou nada.
Ela tinha certeza, suas palpitações estavam assustadoramente baixas, e um suor incomum já se demonstrava nas testas e mãos. Assustada não havia muito que pudesse fazer, mais o que lhe apavorava não era os aparentes sintomas, e sim o olhar do professor, que não mais rígido e esnobe, mas gentil e amedrontado.
—Senhor Snape... Espero poder estar fazendo a coisa certa..... E erguendo a varinha apontando a ele – Vive Mortis.
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