Break the Ice
2 It can not be so horrible and surprises happen
Notas iniciais
Alguns minutos se passaram sem a necessidade de palavras por parte dos dois ocupantes da remota prisão. Embora surpreso com o abraço que a garota de cabelos loiros lhe dera ao perguntar se estava tudo bem, Ezarel não a afastou. Sentira-se surpreso por sentir os braços quentes e de aparência frágil terem um aperto tão forte.
Ficara ali, sem saber o que fazer, até passar os braços ao redor da cintura dela. Não mentira, Rima era sua responsabilidade, uma vez que o teste a designara para a guarda Absinto. Mas não fora esse o motivo que o levara a segui-la através das escadarias. Ele a vira correndo rápido, e uma aura de desespero a cercava. Tentara faze-la falar pelo método que sempre utilizara: o sarcasmo. Afinal desde que chegara a Eldarya, a garota de olhos ametistas, nunca aceitara nada calada.
As lágrimas começaram a desaparecer, de alguma forma, Rima sentira-se extremamente confortável com o abraço de Ezarel, como se fosse familiar. Quase a lembrando de Ettore, seu querido irmão mais velho, que já deveria ter notado o desaparecimento dela. Tomou uma decisão: não mais derramaria lágrimas pelo Vampiro mulherengo! Devia se concentrar em encontrar um meio de ir para casa, ver sua família.
Obrigada – a voz dela soava muito mais estável – E sinto muito pelo abraço e o choro, sua blusa se encontra molhada por minha culpa, Ezarel.
Deixa pra lá – resmungou baixo e um pouco constrangido – Não é como se fossem notar mesmo. – Quando olhou para baixo e encontrou os olhos brilhantes de Rima como se estivesse prestes a chorar novamente, ele imediatamente resolveu mudar o discurso.
Ora, vamos o importante é que você esteja melhor. – tentou um discurso com maior emotividade, e ela se pôs a rir baixinho, achando engraçado que o rapaz com maior capacidade para discursos estava tentando faze-la sentir-se melhor. – Afinal se minha nova escrava não estiver bem, como poderia manda-la para fazer meus recados? Miiko de certo me daria um sermão.
Rima estava considerando deixa-lo no vácuo, e sair ofendidíssima daquele lugar, porém decidiu contra uma vez que viu sob a camada de sarcasmo da voz dele, o olhar realmente preocupado que ele tentava esconder.
Ok, eu sinto muito, prometo não preocupa-lo mais, Ezarel – Ela respondeu em um tom um pouco amistoso considerando que ele já a tinha visto naquele estado patético alguns minutos atrás, não faria mal abaixar um pouco o muro que erguerá contra ele.
Quem disse que eu estava preocupado com você, humana. – Ele respondeu bruscamente, mais envergonhado do que antes. Ezarel nunca soube como lidar quando agradeciam a ele tão sinceramente como a loira fez — Bem agora que você parece melhor, gostaria de me explicar o que aconteceu?
Ela não tinha certeza de como começar aquela conversa. Especialmente estando sóbria. Afinal como se começa a contar esse tipo de coisa? Tipo para inicio de conversa, ela cometera a imbecilidade de se deixar apaixonar pelo garoto de cabelos negros, só porque ele fora um pouquinho gentil, e porque dera atenção a ela como se fosse alguém única para ele. Então a culpa não podia ser realmente atribuída a Nevra, por mais que ela quisesse fazer isso. Afinal para que melhor terapia que falar mal de quem nos magoou, não é?
Segundos tornaram-se minutos em um ritmo lento e constante, sem um único som interrompendo os pensamentos de Rima. Ezarel aguardava pacientemente a resposta da mais nova membra de sua guarda. Embora incomum, a sensação que ele tinha enquanto permaneciam abraçados, era de uma serenidade. Como se não houvesse outras preocupações além do bem estar da garota a sua frente.
Quebra de Tempo
Enquanto isso, em uma metrópole sem nome.
Ettore Lafaiete se encontrava preocupado, fazia mais de quatro meses que sua amada irmãzinha se fora sem deixar vestígios. Ele tentava lembrar exatamente qual o cronograma seguido por Rima, antes do desaparecimento misterioso. E para completar só conseguira contatar o par de amorosos e desligados pais, fazia uma semana.
Vejamos, Rima tinha ido para a escola como sempre, ela tinha tido Geografia, História, Filosofia e Sociologia na parte da manhã, nas aulas da tarde Educação Física, Física e Matemática. Sua lista de frequência está totalmente preenchida. No fim das aulas ao invés de sair com as amigas, ela resolvera ir por outro caminho, e entrou na floresta que sempre brincávamos quando mais jovens. Porém isso é típico dela. Ela foi vista entrando na floresta às 15 horas do dia XX, e depois não saiu mais. Fiz com que a polícia, e o corpo de bombeiros fosse procurar por ela. Não encontraram absolutamente nada que pudesse ser uma pista, estão falando até mesmo de fuga. Como se minha preciosa irmãzinha fosse fugir de casa desse jeito. Também mencionaram sequestro ou um possível serial killer.
O rapaz de não mais que vinte anos, loiro de olhos também ametistas, continuava repassando todos os eventos do antes e depois, do desaparecimento de Rima. Sua irmã precisava ser encontrada, e ele mesmo investigaria a floresta.
Quebra de tempo
Na manhã seguinte, um jovem caminhava em direção ao local onde sua irmã fora vista pela última vez há quase quatro meses. Andando pela floresta, o rapaz encontrou um círculo de cogumelos, a grama verdíssima no centro era muito suspeita. O jovem carregava uma bolsa com o básico para acampar, comida, bebida, uma barraca e cobertor. Planejava ficar na floresta até encontrar vestígios de Rima. Mas se sentiu estranhamente atraído pelo círculo e em um instante foi se aproximando até que uma luz brilhante o cegara, enquanto os olhos ametistas estavam fechados, ele sentira o deslocamento de espaço e ao abrir os olhos já não se encontrava na clareira de infância e sim em um novo mundo.
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