Break Up
2 Capítulo 2
Depois do fatídico evento, Akira estava muitomasmuitomesmo deprimido. Por não saber segurar o namorado respondendo uma simples pergunta e também por aquela história de “dar um tempo”. Akira não sabia o que aquilo era para Takanori, mas no dicionário dele, tempo era sinônimo de afastamento, que era sinônimo de ficarem separados, que era sinônimo de separação e que, finalmente, era sinônimo de terminar.
E Akira não queria terminar. Se queria algo relacionado com separação, era o antônimo da palavra e só.
Então passou a primeira semana ligando para Takanori só para ouvir a gravação irritante antes de cair na caixa postal e repetindo o ato segundos após desligar, porque ele era teimoso e ingênuo por acreditar que Takanori atenderia.
Tectectec.
Caixa postal.
Tututu.
Refrigerante. Nova tentativa.
Tectectec.
Caixa postal.
Tututu.
Akira amassou a latinha e jogou o celular com toda força que possuía. Claro que em cima da poltrona. Ele estava meio que com um pouco de raiva de Takanori mas isso não o impediu de prever que iria se arrepender de arrebentar o aparelho no concreto. E Akira precisaria dele. Iria tentar ligar para Takanori de novo depois do jantar. Antes que a fase deprimida e a com meio que um pouco de raiva vire raiva total.
E assim, de repente, no meio de seu programa predileto e o jantar precário que consistia em alguma porcaria industrializada repleta de sódio, ele sentiu um plimplimplim e um tremor vindo do bolso. Assim como qualquer pessoa na mesma situação, Akira criou esperanças e expectativas e euforia, tanta euforia que nem viu quem estava ligando antes de falar alô.
Alarme falso.
Sem saber o porquê da raiva,Yutaka aguentou um mal-humor vindo de Akira, que respondia aos convites com vários uhum’s e sim’s e não’s. Akira na verdade nem estava escutando direito o que o outro falava e funcionava no automático.
Algumas horas depois a televisão fora esquecida e Akira pensava na burrice de não ter prestado atenção nenhuma, porque sem saber, ele havia concordado em sair com Yutaka e agora estava num lugar que nem sabia onde ficava.
Mas hey, lá tinha um bar e, o que é melhor do que afogar só um pouquinho as mágoas com uns drinks inocentes?
E Yutaka, à par dos acontecimentos recentes, já que era tão amigo de Takanori quanto de Akira, decidiu levar o outro para se divertir. Mas ele nunca pensou que o outro iria ficar bêbado em apenas 3 minutos.
Literalmente.
Akira mal tinha bebido alguma coisa, mas estava tão detonado mentalmente que seu estado não-sóbrio foi psicologicamente induzido. Porque a força da mente humana era algo assustador. Principalmente em Akira, porque ele nunca pensava muito, mas quando decidia usar o cérebro, todo o saldo acumulado era utilizado em um único lance. Yutaka não sabia se ria ou se exasperava. Então estranhamente fez os dois.
Oh não, Akira começou a compor.
- Hichichic Takanori hichic é você quem sempre me hichichic salva.
- Pára, Akira, por favor.
- Mas o que hichichic vou fazer hichic agora com sua magistral saída... Hic.
- Isso não está acontecendo.
- Sinto saudades de seu jeito narcisistas hichic e sua pele alva.
- Ignorem ele, por favor. Dores do amor, sabem como é.
- O que sobrou dessa pobre alma hichic é disfarçar o choro com a bebida... Hichic.
- Lindo Akira, lindo. Agora chega.
- Yutaka, oh, Yutaka, estou sozinho nesse mundo, sozinho e apodrecendo. Oh, não, é o aquecimento global que está apodrecendo o planeta!
- Nem sentido você está fazendo mais, Akira – Yutaka massageou a têmpora e rodou a cadeira alta do bar para ficar de frente com o amigo – E você me fez passar vergonha.
- Sua vergonha não é nada comparada com o sofrimento no âmago de meu ser. Bem no âmago. – entornou outro drink.
- Além de estar lamentável começa a falar num linguajar precariamente difícil. Não devia ter tentado te animar – virou para o bartender – Você tem algo com um daqueles guarda-chuvas coloridos? – o mesmo declarou que obviamente eles não tinham. Yutaka pigarreou – Hm, me dê algo forte então, já que vou ter que aturar esse aqui – e apontou para Akira que já começava a cantar de novo.
- Hey Yutaka, se quiser então vá. Não te convidei para ser ingrato comigo.
- Você não me convidou, foi o contrário, Akira. — Ah ... Yutaka estava se arrependendo muitomuitomuito, mas muito mesmo e tinha vontade de bater com a testa naquele balcão e desmaiar e só acordar quando Akira estivesse pensando direito. Ou quando ele morresse de idiotice.
- Seu amigo deve ter tomado um fora brutal – o bartender aleatório comentou.
- Hã? Ah, sim sim, mas é um pouco mais complicado que isso – Yutaka abandonou um Akira cantante e pousou a atenção no homem com cara de tédio. O bar estava vazio.
- A namorada virou lésbica?
Yutaka engasgou e babou e o outro ficou rindo e misturando a bebida e gargalhando uma risada escandalosa.
- Não!
- Ah, saquei, o namorado virou hétero?
O mais incrível é que a normalidade que Yutaka esperava assim que acordou nesse exato dia até agora não tinha aparecido. E no momento Akira compunha um dueto individual ao seu lado.
- Não... Eles deram meio que um tempo... Indeterminado.
- Ah, sim sim – o bartender encarou o loiro e segurou o riso quando presenciou outra performance deplorável e hilária. O coração doendo fazia ele rimar, aparentemente. Virou de novo para o amigo do cara cantor de bar – Ah, me chamo Naoyuki Murai.
- Yutaka Uke. Esse é Akira Suzuki.
Naoyuki acenou com a cabeça.
- O que vou fazer da vida agora, sem o amor da minha vida... hichic.
- Você nem sabe mesmo se ele é o amor da sua vida, Akira, você não sabe de nada no momento.
Yutaka sem querer tocou na ferida e só percebeu isso quando Akira parou de soluçar e sentiu um aperto forte em seu ombro e uma aura maléfica do seu lado. Naoyuki só ficou observando porque, bem, estava interessante.
Akira, apesar de estar meio não-sei-o-quê sentiu uma vontade súbita de ameaçar Yutaka por falar algo que não sabia e que nem Akira sabia também, só sabia que o ofendia.
- O que está querendo dizer Yutaka? Que eu não amo Takanori porque eu não dei uma justificativa, que ele me abandonou porque eu sou deplorável e que agora ele preferiu ficar com outra pessoa espertinha e provavelmente eu morrerei sozinho e eu sou um idiota e Takanori está abraçando outro e conversando e brigando e sendo ranzinza com outro e, e ... – Akira começou a chorar e chorar e fungar e chorar. Yutaka começou a matar Akira mentalmente. Naoyuki apenas começou a rir – e... Provavelmente dormindo com outro agora?
- Como quiser Akira, não vou conversar com você nesse estado.
E Akira sendo ignorado também por seu bom e velho amigo Yutaka, o qual era um bom e velho amigo de Takanori também, soluçou e acabou se lembrando de Takanori quando viu os amendoins em cima do balcão. Porque Takanori sempre reclamava que aquilo era falta de higiene. Outro fato interessante e intrigante foi como os seus olhos não executavam mais sua função direito e a mesa estava magicalmente se aproximando se seu rosto.
- OH MEU DEUS!
E foi com a exclamação alta do bartender que Yutaka levantou a cabeça do balcão e viu um Akira desmaiado e babando.
Teria que levá-lo para casa e ajeitá-lo e depois dar uma surra nele na ressaca do dia seguinte. Porque seria legal fazer ele sofrer mais um pouco como pagamento por tudo o que tinha acontecido naquele bar.
Aquela tinha sido uma ótima noite, se Yutaka pudesse definí-la com ironia.
Fale com o autor