Break My Heart
7 Perseguição
Londres era toda constituída de altos e baixos. As torres bem elaboradas adotavam o estilo arquitetônico gótico como padrão. As catedrais grandiosas de torres finas e pontudas eram um ótimo exemplo disso.
A cidade era cinzenta e nebulosa. A fumaça preta que escapava das chaminés dos navios ancorados no porto e das casas próximas manchavam o céu da cidade, deixando-a assustadoramente sombria e fria.
Tendo essa característica, era impossível afirmar de que alguém conseguiria escalar e se mover entre esses mastros, lambaris, entre outros. Mas o terno "impossível" não existia no vocabulário de Sebastian Michaelis.
O mordomo movia-se com destreza e velocidade, correndo e ignorando os obstáculos que encontrava pela frente. Pulava de telhado em telhado, dando grandes saltos que davam a impressão de voo. Enquanto estava no ar, Sebastian movia a cabeça e os olhos ligeiros, vasculhando as ruas, becos e avenidas que sobrevoava.
Ele parou na torre mais alta de uma catedral, segurando-se na ponta de uma cruz de ferro e a utilizou como um mirante. O vento frio ali em cima batia com mais força, fazendo o seu casaco negro dançar e as mechas caírem sobre o rosto.
Os pombos negros alçaram voo. O bater rápido das asas fizeram com que as penas despregassem e flutuassem.
Estátuas de gárgulas oriundas e demônios eram alinhadamente postas nas laterais; a água afluente escoava de seus bicos de concreto e isso chamou a atenção de Sebastian, justamente pela ironia da sua localização.
Observando o horizonte, Sebastian pôde ver o grande Big Ben — que de longe parecia apenas uma simples torre -, então este deu a sua alta badalada; anunciando o termino e o início de um novo dia.
Olhou para baixo e viu uma figura se mexer entre as sombras e sem pensar duas vezes, Sebastian pulou; aterrissando cautelosamente na rua.
Passos rápidos de botas pisando nas poças de chuva foram ouvidos, e ele imediatamente correu em direção aonde o som indicava. Dobrou a esquina, e não viu mais nada além da rua vazia sendo iluminada pela luz dos postes. Parou, olhando atentamente para todos os lados e ângulos que conseguia; esperando que algo incomum acontecesse.
Questionava-se sobre quem ele estaria seguindo, para ter tamanha sutileza em conseguir se camuflar. Seria um do seu mesmo padrão, talvez?
Não havia explicações de como alguém que antes estava à sua frente, poderia desaparecer assim, sem deixar vestígios.
Foi então que viu uma pessoa envolta das sombras, escondida em uma abertura escura entre dois prédios. Correu ao notar que fora descoberta e Sebastian a perseguiu logo em seguida.
Os dois entraram em um beco, que ficava mais longo, escuro e estreito à medida em que avançavam. Ele tirou de dentro do bolso do casaco talheres de prata, um em cada brecha dos dedos.
Assumindo a postura atlética e com a rapidez de um, Sebastian mantinha o olhar fixo na pessoa envolta de uma capa negra à sua frente, sem dá-la a chance de escapar. Ele não achou situação e oportunidade melhor do que esta para capturar a sua vítima. Como um caçador à espreita da caça.
Ele não via nada além do brilho da lua refletindo na capa ondulatória à sua frente. As solas das botas quase que batiam no seu rosto. Olhava para aquela pessoa misteriosa, ansioso e curioso para saber que rosto seria aquele cujo capuz escondia.
Haviam latas de lixo e caixotes pela frente, o que os obrigou a usar mais a força e agilidade nas pernas para desviar dos obstáculos. O alvo movia-se no mesmo ritmo em que ele, e utilizou as escadas de ferro e outras coisas como apoio para subir até o alto do prédio.
Mesmo tendo uma agilidade de impressionar, não deixava de dar indícios de que se tratava de um simples ser humano. Sebastian tirou suas conclusões. Era um humano, de fato. Mas havia uma certa sincronia em seus movimentos, que pareciam serem mecanizados.
Sebastian deu um pulo grandioso e alcançou o atirador, sem dar a chance deste mesmo revidar; Sebastian arremessou as facas em direção a ele, prendendo a capa na superfície da parede.
Estava encurralado. O corpo pendia preso nas facas bem cravadas; o capuz ocultou ainda mais o rosto. Sebastian se jogou para frente, ficando sobre a pessoa e pousou a mão no capuz para levantá-lo.
Parou, quando ouviu o engatilhar da arma que estava direcionada ao seu olho esquerdo. Mesmo preso, o atirador não iria se entregar tão facilmente. Um momento de tensão misturado a um silêncio tortuoso. E então o dedo apertou o gatilho e a bala atingiu em cheio o rosto de Sebastian, levando a cabeça para trás e caindo agachado no chão.
Cobriu o olho com a mão, e o sangue fresco escorreu entre seus dedos; pingando no chão. Sentiu uma dor quase que insuportável. Recuperando a consciência e com a bala ainda alojada no olho, ele se levantou preparado para uma suposta luta. — se fosse necessário.
Mas o atirador não se encontrava mais ali. Seu corpo fora embora, deixando a capa escura balançando ao vento.
Ele grunhiu e consultou seu relógio de bolso. Já era meia-noite e teria que voltar para Ciel.
Jurou que isso não iria ficar assim.
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