Break My Heart
16 Desmascarado
Notas iniciais
E a sensação prazerosa durou mais alguns instantes antes que eu recobrasse a consciência. E durante esse período de tempo, deixei-me levar pelo momento e aproveitei a oportunidade para saciar minhas necessidades.
Abracei a sua fina cintura e a puxei para mais perto de meu corpo, ansiando pelo calor de seu peito. Logo aspirei por mais um momento extasial. E posso dizer orgulhosamente que este me foi concedido. Não fazia ideia da falta que Meyrin me fazia, pois só fui me dar conta disso quando a tive novamente em meus braços.
Mesmo sendo uma ilusão, ainda era digna de meu carinho e atenção. A conduzi pelo salão em uma dança majestosamente delicada. Infelizmente, essa alegria não durou muito. Pois ao retornar abrir os olhos, Meyrin se foi e deu lugar a uma Cassandra preocupada.
Eu a soltei; o que contribuiu ainda mais para sua desconfiança.
– O que foi, Sr.Sebastian?
– Nada. Nada. — minha cabeça latejava.
– O senhor está bem? — ela tinha uma generosidade muito curiosa. Pelo menos para mim.
– Sim, sim. Só preciso me sentar. — Afirmei.
Estranho, pois a energia que antes habitava em mim havia sumido.
– Onde está Ciel? — perguntou ela.
Me intriguei com a sua curiosidade. Cassandra dava cada vez mais provas de que trabalhava para o Submundo. Sendo assim, lhe dei uma resposta convincente a qualquer pessoa normal. Mas ela pareceu não acreditar em minhas palavras.
Cassandra se afastou de mim, e quando tentei puxá-la de volta, algo estranhíssimo aconteceu. Primeiramente, ela evaporou como se fosse uma mera imagem. E de repente um mar de pessoas rondou-me como se eu fosse algum tipo de exposição. E todos indagavam-me seriamente; porém com sorrisos macabros nos lábios. As máscaras que usavam eram como rostos monstruosos avaliativos a fitar-me para algum tipo de tribunal, que no qual eu seria condenado impiedosamente por um crime que não cometi. Mas isso não foi o de menos, caro leitor, pois o pior ainda estava por vir.
Agora as máscaras derreteram como cera aquecida, deslizando pelos rostos dos juízes. Assustadoramente estes transformaram-se todos na mesma garota. Como dúzias de copias. Então logo vi-me preso por uma multidão de Meyrins. Rodei como um maluco e por onde olhava, via e ouvia risos zombeteiros. Depois veio um timbre intenso. Tão intenso que fui obrigado a me ajoelhar, cobrindo os ouvimos. Gritei de dor e agonia.
Me sentia entre duas paredes.
A tortura só veio me dar uma trégua quando senti uma mão quente tocar meu ombro. Olhei para a pessoa, e era um aristocrata vestido elegantemente. E parecia preocupado comigo.
– O cavalheiro está bem? — Perguntou ele.
Não vi motivos para ser arrogante, então me levantei e saí à procura de Cassandra.
Cheguei ao jardim.
Havia uma fonte de água corrente pela boca de um querubim de pedra. E ali eu me sentei para refletir com clareza. Massageei as têmporas e de repente ouvi saltos altos esmagando folhas secas. Ergui o olhar e vi Cassandra. Ela parecia reluzente e muito mais bela do que antes. Mas me olhava com ódio e fúria. Em seu interior, estava perfeitamente à vista a cólera. Sua pele estava belíssima na cor do branco, e o cabelo na cor do ébano. Parecia que havia bebido vinho ou sangue, pois seus lábios haviam sido tingidos de um vermelho vibrante. O verde de seus olhos ofuscou-se.
– Onde está Ciel? — perguntou ela.
– Onde você esteve? — perguntei.
– Onde está Ciel? — Ela repetiu a mesma frase, mas sua voz assumiu um tom arrepiante e assustador. Como a voz de um ser sobrenatural.
– Como vou saber? — Disse eu — Vá procurá-lo você mesma.
Eu me levantei e caminhei em sua direção, na intenção de passar por ela. Mas Cassandra me parou, pousando a mão em meu pescoço. De início, isso não parece algo que mereça atenção; pois eu poderia muito bem dar a volta e sair. Mas não foi isso o que aconteceu.
Com uma força sobre-humana, ela conseguiu me derrubar no chão. Ficou sobre mim, prendendo meus pulsos na grama. Tudo o que consegui ver foi o brilho intenso de seus olhos. Estavam mais vivos do que nunca.
– Não me irrite, seu demônio! — Rugiu ela numa voz assustadora. — Você não me engana mais, maldito! Diga-me onde está Ciel Phantomhive. O que você fez a ele? Diga, criatura odiosa!
O choque foi tremendo. Mas eu não estava nem um pouco impressionado, apesar de ver a sua metamorfose diante de mim. Seus olhos assumiram um misto de lilás e cinza. Brotaram de suas costas algo escuro. E que foi crescendo absurdamente, ganhando altura e volume. Então foi quando eu percebi. Era um par de asas negras.
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