Brave
1 Brave
Notas iniciais
{brave}
.
.
Ele era um homem corajoso. Tão corajoso que, muitas vezes, soava estúpido e inconsequente. Qualquer um poderia confirmar essa sentença. Era um fato. Uma verdade inquestionável. James Potter era um homem corajoso. Grifinório nato. Maroto imprudente. Jogador de Quadribol da mais sublime ousadia. Animago ilegal. Membro da Ordem da Fênix. Alguém que enfrentara o próprio Lorde das Trevas três vezes.
O rapaz, no entanto, vivenciara o pânico – em sua forma mais pura – pela primeira vez, no dia em que a esposa lhe contara que estava grávida. James não entendia até então. Já havia sentido medo, é evidente, mas nunca de um modo paralisante. Não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer. Normalmente perceber-se assustado fazia com que desejasse agir. O deixava tão enfurecido e envergonhado que quando se dava conta, já estava tomando a atitude mais imbecil e irracional, como se para provar ao mundo a extensão de sua coragem. Como se para provar a si mesmo que não sentia medo.
Aquele não era o caso. James sentia medo. Muito medo. Ele e Lily tinham apenas 19 anos, estavam no meio de uma guerra e agora iriam trazer um ser humano indefeso a um mundo em chamas. Como iriam fazer aquilo?
.
.
James Potter era um homem corajoso, ainda assim, quando carregou Harry – seu Harry— nos braços pela primeira vez, sentiu o medo destilado em sua felicidade. O menino era tão pequeno, tão vulnerável, tão dependente, tão deles. De repente, o mundo inteiro era uma ameaça e o Potter só conseguia pensar em manter aquela criança a salvo. Em como conseguiria manter aquela criança a salvo, quando ele e a esposa mal conseguiam sobreviver. Quando tudo era caos, fogo e calamidade.
Mesmo após nove meses, o rapaz ainda não sabia se sentia pronto para essa árdua tarefa. Quando o garotinho em seu colo finalmente abriu os olhos, no entanto, e James viu os mesmos olhos de Lily, lhe fitando verdes e cheios de inocência, ele soube que, se preciso, morreria pelo filho sem pensar duas vezes. Sem nem mesmo hesitar.
.
.
James Potter era um homem corajoso, contudo, quando Harry chorava, seu coração se afogava em temor. Estaria o menino com fome? Dor? Assustado? Seria a frauda suja ou algo que ele havia feito de errado? O jovem pai se descabelava em busca de uma resposta, em busca de qualquer coisa que fizesse as lágrimas cessarem, em busca da certeza que seu filho estava bem, saudável e feliz.
.
.
James Potter era um homem corajoso, no entanto, chorara escondido no dia em que descobrira sobre a profecia que envolvia seu filho. Não entendia como um bebê de colo poderia ser uma ameaça a qualquer um. Especialmente não ao Lorde das Trevas. Ainda assim, vira o suficiente nos últimos anos para saber que quando Voldemort queria alguém morto, não havia para onde fugir.
Dumbledore fizera promessas e planos, mas nada acalentou o coração do jovem Potter. James soube ali que era o fim da linha. Não se permitiu acreditar em uma única palavra do antigo professor. Todo seu corpo fora reduzido ao pânico. Pânico pela vida de Harry. Pânico pela vida de Lily. Mas nunca pela própria vida.
.
.
James Potter era um homem corajoso, contudo, não conseguia deixar de temer quando pensava em tudo o que Harry poderia perder. Quando pensava na vida que sonhava para o filho. Quando pensava em como desejava que seu menino possuísse a simples chance de viver. Quando pensava em tudo o que queria ensinar ao garoto, tudo que queria vê-lo fazer, em todos os momentos que queria compartilhar com ele. Especialmente quando não acreditava que teriam essa oportunidade.
.
.
James Potter era um homem corajoso. Tão corajoso que, muitas vezes, soava estúpido e inconsequente. Qualquer um poderia confirmar essa sentença. Era um fato. Uma verdade inquestionável. E naquele 31 de outubro, provou esse ponto, correndo escada abaixo, desprovido de varinha ou qualquer proteção.
— Lily, pegue o Harry e vá! — foi a última frase que seus lábios proferiram. E, pensando em retrospecto, era uma boa frase última fase.
Quando corria para confrontar a morte certa, entretanto, James não sentiu medo, não sentiu coragem, não sentiu nada além do desesperador anseio de que seu sacrifício fosse suficiente, para que aqueles que amava pudessem viver.
Fale com o autor